Ideia interessante: um selo alemão chamado Tacet, especializado em edições luxuosas de música clássica, decidiu lançar em 2013 um LP do Bolero, do compositor francês Maurice Ravel (1875-1937), tocado pela Orquestra Filarmônica dos Países Baixos. Até aí, nada demais. Só que o disco toca de trás para a frente. Ou seja: você tem que posicionar o braço do toca-discos no finalzinho, perto do selo. E ele vai seguindo até a borda. Olha aí.

A capa do disco.

Fizeram um vinil do Bolero de Ravel que roda de trás pra frente

Pra combinar com o clima, a música saiu impressa na capa e no selo como… oreloB. Não é demais?

Fizeram um vinil do Bolero de Ravel que roda de trás pra frente

O canal de novidades e antiguidades tecnológicas Techmoan arrumou um vinil e fez um vídeo. E se você tá pensando algo como “isso só pode ser coisa de maluco, que ser humano normal iria fazer um vinil que toca ao contrário”, calma que isso não é maluquice, é tecnologia.

Se você tem ou já teve um aparelho de vinil em casa, lembra que as últimas músicas de um LP sempre têm um som meio “achatado” – e que os compactos simples nunca primaram por terem um som bacana. Motivo: há menos polegadas de diferença entre o centro e as bordas de um disco, e o braço do toca-discos também vai passando a ter um posicionamento mais inclinado ao chegar perto do fim de um lado de LP ou single – o que de fato torna o som pior, passa menos informações para a agulha do toca-discos, etc.

Fizeram um vinil do Bolero de Ravel que roda de trás pra frente

Peça orquestral feita originalmente para um número de dança, o Bolero de Ravel é uma peça que foi composta para começar beeeeem baixinha, e depois ir aumentando conforme a música fosse seguindo. Olha aí a análise do som da gravação, feita pelo cara do Techmoan.

Fizeram um vinil do Bolero de Ravel que roda de trás pra frente

A tal edição do selo Tacet (conheça o site deles aqui) tá corretíssima em relação a como a peça de Ravel deve ser compreendida em vinil. Em vez do som se transformar em um monte de chiados e distorções no final do LP, a coisa é invertida: o som mais alto fica numa área que tem mais polegadas e é mais facilmente alcançável pelo braço do toca-discos. Mais prático que isso, só se inventassem um vinil que pudesse começar pelo centro do LP, onde o braço do toca-discos fica numa posição bastante natural. Ou se você largar os LPs e ouvir o Bolero em CD mesmo.