Crítica
Ouvimos: Stela Cole, “I die where you begin”
Após temporadas frustradas em grandes gravadoras, a norte-americana Stela Cole decidiu trilhar o caminho independente – ainda que com distribuição pela plataforma digital Amuse. O resultado é I die where you begin, um disco de indie pop que flerta com o rock adulto contemporâneo E consegue remeter a coisas legais do passado sem soar retrô ou vintage.
Para começar, Stela contratou um baterista aparentemente maluco por Charlie Watts, falecido batera dos Rolling Stones. Muita coisa do álbum reaproveita as fórmulas mais pop da banda britânica, misturando-as com texturas ainda mais acessíveis. Em Blue moon, por exemplo, o clima inicial evoca trilhas de soft porn dos anos 1980 antes de evoluir para um híbrido de R&B e rock que lembra tanto os Stones quanto Kylie Minogue. Já a sussurrada Stereoqueen, combina algo próximo ao beat de Start me up, hit dos Stones, com uma pegada herdada de Physical, de Olivia Newton-John, trazendo à tona o espírito do pop pós-disco.
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Vai por aí I die where you begin: da sacana God loves you (“Deus ainda ama você, mesmo que eu não ame”, provoca a letra) – um pop com batida que lembra samba e vocais que transitam entre rock, blues e jazz – ao R&B acústico de Slow dance. Há também faixas que mesclam rock, dance e jazz, como Stay mad e a misteriosa Bunny love, além de uma nova investida pós-disco, no pop solene Blood orange wine (que também dá uma chupadela na batida de Start me up).
Na parte final, merecem destaque a dance music sinuosa de Feel it again, o clima quase dream pop de Midnight killer e a agitada Candyland – que lembra Bruno Mars, mas tem sonoridade mais patinante, com cordas. Já Sade Adu, cuja influência tem ressurgido com força no pop, é devidamente evocada no r&b acelerado Now or nevermind. Pop trabalhado, produzido em 2025, e feito para engordar o repertório das “light FMs” de 2035.
Nota: 8
Gravadora: Stelavision/Amuse
Lançamento: 14 de março de 2025.