Crítica

Ouvimos: Marrakesh – “Marrakesh”

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RESENHA: O Marrakesh retorna com disco em português, misturando britpop, pós-grunge e shoegaze em faixas concisas e melancólicas sobre relações tensas.

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Finalmente compondo em português, a banda curitibana Marrakesh volta em um terceiro disco epônimo, mostrando um som equilibrado entre diversas vertentes ruidosas. Abrem com o britpop misterioso e despedaçado de Alma e Brincos, e seguem com a vibração pós-grunge de Talvez, a vibração quase emo de Sem vencer e o clima quase metálico de Sair só pra voltar – boa música com emanações de Red Hot Chili Peppers no baixo e na bateria.

A banda foca numa linguagem musical curta e direta no novo disco. Quase sempre dá certo, embora pelo menos três faixas – Alma, Sair só pra voltar e Ponto final – tenham uma peculiaridade: dão a impressão de encerrarem antes que possa entrar um solo, uma ponte ou uma parte final. Até aí, beleza: canções concisas geralmente dispensam tais detalhes, mas no caso dessas três, fica uma sensação de morte súbita, como se faltasse mais alguma coisa.

Quem sabe, com vocal despedaçado e distorcido, gritos no final e fade longo, é uma das mais bem acabadas do disco, e ganha a boa companhia de músicas ótimas como a balada shoegaze Troquei, a noventista Cão, o single Brincos e a tristonha Laço de cetim – sobre amizades e relacionamentos que vão se desfazendo com o tempo. Com uma melancolia demarcada nas letras, volta e meia o Marrakesh fala sobre relacionamentos marcados pelo silêncio e pela tensão, como na sombria Até gostar, que fecha o álbum.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 7,5
Gravadora: Balaclava Records
Lançamento: 7 de julho de 2025

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