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Cultura Pop

Treta: as duas “versões do autor” de Video Killed The Radio Star

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Treta: as duas "versões do autor" de Video Killed The Radio Star
Treta: as duas "versões do autor" de Video Killed The Radio Star

Muita gente lembra de Video killed the radio star, sucesso da banda new wave britânica The Buggles. Mais gente ainda, por outro lado, NÃO se lembra que além dos dois integrantes dos Buggles – Trevor Horn e Geoff Downes, que haviam tocado na formação do Yes que lançou o disco Drama (1980) – a música ainda tinha outro autor. Era o compositor, cantor e produtor Bruce Woolley, que também era um buggle no comecinho da banda, e depois atuou apenas como guitarrista convidado em The age of plastic (1979), primeiro álbum da banda.

Em 1979, quando os Buggles lançavam sua música, Woolley montou o grupo The Camera Club – que tinha Thomas Dolby nos teclados – e também fez questão de gravar sua versão da canção. O resultado saiu, digamos, bem menos robótico e mais roqueiro que a versão do grupo.

Bruce Woolley teve lá seus gols no universo pop: é um dos autores de Slave to the rhythm, de Grace Jones, e teve um hit com Baby blue, também escrita ao lado de Downes e Horn, e gravada por Dusty Springfield. De lá para cá, vem colaborando com diversos outros artistas e fazendo shows como tecladista e tereminista.

E, em 2017, mostrou que Video killed the radio starainda rende material para ele. Fez uma versão “reimaginada” da canção, creditada a “Bruce Wooley e Poly Scattergood, com a Radio Science Orchestra”. Ficou bem diferente (e, na boa, não ficou muito legal).

https://www.youtube.com/watch?v=D6ltc3k0Ea8

Fãs discutem até hoje sobre se a melhor versão de Video killed the radio star é a de Bruce ou a dos Buggles (bom, isso é chute nosso, sei lá se discutem). Seja como for, rolou certa época uma treta entre Bruce Woolley e Geoff Downes por causa da composição da música, na velha base de “música de três, um não fez”. A música, que Horn descreveu certa vez como tendo vindo “dessa ideia de que a tecnologia estava prestes a mudar tudo”, foi historiada por Bruce, num papo com o site Real Clear Life, como tendo sido uma ideia dele e de Horn, e Downes teria vindo apenas para ajudar a dupla a “organizar” não só Video como Clean clean.

“Agora, isso é tudo semântica e terminologia, mas Geoff realmente não escreveu nenhuma dessas músicas. Trevor e eu escrevemos ambas ao piano, com guitarras e baixo – você sabe, aqui está a música, estas são as palavras, esses são os acordes, esta é a melodia, e assim por diante. Geoff entrou e fez alguns arranjos realmente significativos. Daí Trevor e Geoff sentaram-se comigo numa noite e me disseram: “Olha, Geoff fez essas partes para essas músicas, acho que devemos incluí-lo como autor”. Trevor e Geoff formavam uma equipe na época (…), e eles estavam tentando fazer um acordo com a Island Records, e isso os ajudaria se eles tivessem esse crédito, porque parecia que eles eram a equipe criativa.

Daí eu disse: ‘Vamos ver, Trevor: Geoff não escreveu essas músicas, mas talvez haja um argumento para dar a Geoff uma parte disso’. Então, nós criamos essa solução: em vez de dividir entre todos nós, decidimos fazer uma música metade-metade, e a outra música por três. Para decidir qual das duas músicas seria dividida, tivemos que jogar uma moeda. Tive a sorte de obter as caras, e assim consegui os 50% de Video e dividimos Clean Clean pelos três. Nunca contestei nada disso e nem eles. Parecia ser um equilíbrio justo (…). Nós ainda somos bons amigos, o que é mais do que você pode dizer sobre muitos caras que se conhecem há 40 anos (risos)” (Bruce Woolley)

Já o ex-colega Geoff Downes soube da declaração de Bruce e não ficou nada satisfeito…

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“O pobre e velho Bruce Woolley parece ter se esquecido de que eu escrevi sozinho toda a introdução, a ponte e as partes instrumentais, além daquela parte do ‘you are a radio star’. Também escrevi as partes operísticas e as contrapartidas melódicas (as quais ele usou parcialmente em sua versão, que é abaixo do razoável). Deveria ter sido uma divisão a três, e ele é muito sortudo, já que ganhou 50% e nós fizemos muito dinheiro para ele!

E verdade seja dita, Trevor e Bruce tiveram dois versos e um refrão em Video killed the radio star. Foi isso, no começo, e eles trouxeram pra mim uma música pop muito banal e indistinta. Era por causa disso que a versão de Bruce parecia dura como uma tábua. Eu transformei a canção em um épico com todos os acréscimos musicais. Wooley foi um sortudo por ter feito essa versão. Comprou sua casa em Surrey etc etc e ele tem 50%, enquanto eu e Trevor ficamos com divisões. Não tenho amarguras sobre isso, só quero que ele diga a verdade”. (Geoff Downes).

O site Songfacts botou Geoff para falar mais uma vez sobre sua música e ouviu do músico que ele fez a introdução, as orquestrações e a ponte. “Uma vez que chegamos a isso, sentimos que a música tinha potencial. Só aconteceu assim”, recorda. O músico parece que tem todo o interesse do mundo em explicar quem fez o quê na canção. Tem até um vídeo em que ele demonstra tudo no teclado.

https://www.youtube.com/watch?v=bd7WONMT8Gc

“Legal, mas Buggles é total banda de uma música só”, você deve estar dizendo. Nem tanto, já que a banda gravou dois álbuns. Pega aí o lado B do single de Video killed the radio star, a boa Kid dynamo.

Com infos de Progressive Ears.

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In Search Of The: os 13 discos (!) lançados por Buckethead de uma só vez

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Enquanto ainda era um guitarrista misterioso que tocava no Guns N’Roses, Buckethead (Brian Patrick Carroll, seu nome verdadeiro) mantinha uma carreira repleta de lançamentos experimentais, malucos e/ou esquisitos mesmo.

Os discos que ele lançava não tinham nada a ver com seu emprego principal, como guitarrista de uma das bandas de hard rock mais bem sucedidas de todos os tempos. Sua discografia até então incluía álbuns como a estreia solo Bucketheadland (1992, gravado pelo selo do malucão John Zorn, com vários samples de seriados japoneses), Monsters and robots (1999, com funk rock de vanguarda, e várias faixas feitas em parceria com Les Claypool, do Primus) e Bermuda Triangle (2002, uma “fantasia instrumental underground hip-hop/electro-funk”, produzida pelo DJ americano Extrakd). Alguns desses álbuns você encontra de boa nas plataformas digitais. Outros, nem sequer passaram perto delas.

Enquanto lançava trabalhos entre o experimental e o “peraí, isso aqui precisa de alguém produzindo” (como o DVDs Young Buckethead volumes 1 e 2), o guitarrista também tinha músicas lançadas na trilha do game Guitar hero II (Jordan saiu como faixa bônus) e começava um projeto com o baixista Bootsy Collins (Parliament, Funkadelic) e o baterista Bryan “Brain” Mantia (Primus, Guns N’Roses), o Science Faxtion.

E em 21 de fevereiro de 2007, o experimentalismo do músico chegou num limite que… Bem, só vendo e ouvindo. In search of the, que saiu nesse dia, poderia ter sido apenas o décimo-nono (!) disco de Buckethead – ele gravava aos borbotões. Era mais do que isso: o guitarrista do Guns decidiu lançar um conjunto de treze discos, feitos quase que de maneira automática. Os tais treze discos foram queimados pelo próprio Buckethead em seu computador (sim, eram CD-Rs).

As capas dos discos eram todas desenhadas à mão – enfim, o que o músico tivesse feito ali valia como capa. Só para deixar claro: Buckethead desenhou cada capa de cada cópia de cada disco, à mão. Foram 12.987 CDs queimados manualmente, e ele foi fazendo isso em cada um deles. Não haveria dois conjuntos iguais de discos, por causa disso. O último CD da série tinha uma faixa só, de 45 minutos.

Um outro detalhe é que as músicas não têm título, apesar dos integrantes de um fórum de fãs do músico terem criado nomes para as faixas, baseados no que rolava no som. Daí surgiram coisas como Pollywogs dançando em uma colcha de rostos e Matança sonora. O próprio Buckethead lançou o projeto de forma independentaça e vendia tudo pela internet, direto para os fãs.

A novidade é que alguém pegou todas as faixas de In search of the e jogou tudo no YouTube. Pega aí uma playlist com tudo.

Tem mais um detalhe: cada um dos treze volumes tem como título uma letra, do “i” ao “e” de In search of the. A ideia original do músico era que, na verdade, fossem caixas de treze CDs (!) que, uma vez unidas, formassem a frase In search of the disembodied sounds (Em busca dos sons desincorporados). Ele desistiu de gravar tantas músicas e largou parte do título, claro.

De lá para cá, Buckethead saiu do Guns N’Roses (a banda, você deve saber, voltou a quase ser como era antes). Mas já gravou mais vários outros álbuns, e iniciou o projeto de Pike series, mini-álbuns com duração de no máximo 30 minutos, gravados desde 2011. De lá para cá foram 294 (!). Também vem tratando da saúde.

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Aquela vez em que David Bowie lançou um game chamado Omikron (!)

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O episódio 20 do nosso podcast POP FANTASMA DOCUMENTO detalha como David Bowie, considerado por muita gente boa como “o homem que viu o futuro”, chegou até o século 21 – a época em que ele gravou discos como Heathen (2001). O que ninguém esperava, pelo menos nos dia de hoje, é que no fim do século passado, Bowie lançasse um videogame – o único de sua carreira – com um nome que muita gente está ouvindo direto nos dias de hoje.

Omikron: The nomad soul saiu em 1999 pela então novata Quantic Dream, criada por (e mantida até hoje por) David Cage. Não era um game sobre vírus atacando populações ou coisa parecida. Bowie e sua mulher Iman dublaram personagens no jogo, que falava sobre uma cidade chamada Omikron, comandada por um ditador. Tudo começa a ruir quando aparece um investigador chamado Kay’l 669, que pede ao jogador para assumir seu papel, e ajudá-lo a investigar uma série de assassinatos. Dai para a frente, até demônios aparecem na história.

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O personagem dublado por Bowie é uma espécie de história virtual dentro do ambiente virtual – um revolucionário chamado Boz, que só existe dentro dos computadores de Omikron. Ele também interpreta um cantor de uma banda iniciante, The Dreamers, que canta as músicas que o artista fez para o jogo. As músicas do game foram todas feitas por Bowie e pelo guitarrista Reeves Gabrels, e apareceriam no disco Hours (1999). Era uma novidade, porque as produtoras de games suavam muito para licenciar canções famosas, e lá estava David Bowie compondo músicas exclusivas para o jogo. Houve comentários sobre um possível disco instrumental de Omikron, que acabou não sendo feito.

Olha os cinco minutos de aparição de Bowie no jogo.

“Para o papel de Boz, conversamos muito sobre o papel proativo que esse personagem tinha, de onde ele veio, o que buscava e David fez o resto”, disse Cage para o Le Monde. “Eu realmente dirigi muito pouco no estúdio porque não era necessário”. O promo do jogo, com algumas aparições do cantor, segue aí.

Olha aí Bowie e Gabrels na coletiva de lançamento do game, em 1999. O cantor diz que teve interesse especial pelo desafio de fazer música para um game, e que ele e o amigo haviam feito músicas para filmes durante vários anos. Bowie também chegou a admitir no papo que nunca foi um grande fã de games, e que seu filho Duncan, hoje cineasta, curtia jogar.

No Le Monde, Cage disse que ele, Bowie e Gabrels, para compor a trilha, ficaram trancados em um apartamento em Paris por um mês, e se viam quase todos os dias, para trabalhar.

“O trabalho musical foi muito particular sobre este projeto: ficamos trancados em um apartamento em Paris com ele e um de seus músicos, Reeves Gabrels, por um mês quase todos os dias”, contou Cage. “Trouxe todos os designs do jogo, o roteiro, minhas anotações espalhadas pelo apartamento. Durante várias horas por dia, contava a ele a história momento a momento, víamos as imagens juntos, conversávamos sobre o universo, a história deste mundo, e depois que eu saía, ele ficava trabalhando na música”, disse ao Le Monde. A Quantic Dream é definida pelo jornalista de games Thomas Wilde como um estúdio que fez “alguns dos jogos mais estranhos das próximas gerações” e que adora “narrativa, nudez e, francamente, pretensão incrível”. A empresa já esteve sob investigação, acusada de condutas tóxicas, racistas e sexistas – em abril de 2021, a QD foi inocentada. Pars

Mais um trecho do jogo, com a música New angels of promise.

E uma curiosidade para games fãs de Bowie é que o jogo ainda está à venda pelo Steam. Testa aí e conta para a gente!

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Adult Themes For Voice, de Mike Patton, fez 25 anos! (e em abril)

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Adult Themes For Voice, de Mike Patton, fez 35 anos! (e em abril)

Adult themes for voice, a estreia solo (100% solo, inclusive) de Mike Patton, vocalista do Faith No More, não está nas plataformas digitais. Você consegue encontrar o disco, com várias faixas faltando, para ouvir numa playlist do YouTube. O álbum comemorou silenciosamente 25 anos em 2021 (saiu em 23 de abril de 1996). Em lojas virtuais, ele pode ser encontrado em pequenas quantidades ou em MP3.

Quem se dispuser a tirar 43 minutos do seu dia para ouvir, vai descobrir, mais do que um disco experimental, o equivalente musical da frase “quem tem limite é município”. Enquanto divulgava King for a day… Fool for a lifetime, quinto disco do Faith No More, Mike Patton trancava-se nos quartos de hotel – no meio das excursões do grupo – e gravava tudo de Adult themes usando apenas um gravador TASCAM de quatro canais. Fez tudo sozinho mesmo, até porque não precisava mais do que o próprio Mike para fazer tudo: o álbum consiste em gritos, peidos, arrotos, barulhos de raspagem e ruídos estranhos e aleatórios.

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Patton disse que boa parte do disco vinha de lembranças de infância, já que ele aprendeu a cantar fazendo sons não-verbais, e quando era uma criança, ganhou de seus pais um flexidisc com “sons de boca, de uns caras que podiam fazer sons estranhos. Não sei porque me deram, mas era um dos meus discos favoritos”. Na época, rolou certo ruído a respeito do disco, mas era um lançamento underground demais até para os fãs do Mr. Bungle, a banda que Mike mantinha paralela ao Faith No More. Numa loja virtual, um fã do disco define: “É uma ótima ‘música’ para encerrar uma festa que está ficando longa demais. Não é perfeito, mas não enfadonho”, escreveu.

Seja como for, mais interessante até do que a estreia solo do cantor, era o selo que havia lançado o álbum: o Tzadik, gravadora experimental “sem fins lucrativos” do músico John Zorn.

A Tzadik existe até hoje e se apresenta em seu site oficial como “uma gravadora dedicada a lançar o melhor em música experimental e música de vanguarda” e “uma comunidade mundial de músicos que encontram muita dificuldade ou até mesmo impossibilidade de lançarem seus trabalhos pelos canais convencionais”. Recentemente o próprio Zorn lançou pela sua gravadora a caixa de 4 CDs Bagatelles, com quatro formações diferentes (do jazz ao noise rock) tocando 300 canções compostas por ele.

No catálogo, a gravadora tem até mesmo pins para crianças (feitos pelo designer oficial do selo, Heung-Heung Chin), além do próprio Adult themes e do disco seguinte de Patton, Pranzo oltranzista  (1997), só com faixas com títulos em italiano, inspiradas no livro Futurist cookbook, de Filippo Tommaso Marinetti, e que basicamente falavam sobre comida – havia temas como Carne cruda squarciata dal suono di sassofono (“carne crua rasgada por som de saxofone”), Bombe a mano (“granadas de mão”) e Scoppioingola (“explosão na garganta”). Dessa vez, Patton convocou um grupo que incluía músicos como Mark Ribot (guitarra) e o próprio John Zorn (sax alto). Mas essa maluquice você não acha nem no YouTube.

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