Connect with us

Cultura Pop

Várias coisas que você já sabia sobre Paranoid, do Black Sabbath

Published

on

Várias coisas que você já sabia sobre Paranoid, do Black Sabbath

Dizem por aí que o segundo disco é um teste para qualquer artista – ou pelo menos era, quando discos vendiam. Havia também outra categoria de “segundo disco”: era quando o primeiro disco fazia sucesso, o artista embarcava numa turnê e rolava um “rapazes, precisamos de um segundo disco urgente, ainda que seja feito entre um show e outro, com a banda deixando de dormir para escrever músicas”. Foi assim com o Led Zeppelin II, do Led Zeppelin. E foi assim com Paranoid, do Black Sabbath (1970).

O segundo disco do Black Sabbath avançava bastante em relação ao primeiro, e tratava de colocar os pés de Ozzy Osbourne (voz), Tony Iommy (guitarra), Geezer Butler (baixo) e Bill Ward (bateria) na Terra. Em vez de recorrer tão-somente a universos assustadores e a demônios, o grupo falava de pessoas que se defrontavam com seus destinos aterrorizantes (Hands of doom, sobre os soldados que retornavam da Guerra do Vietnã viciados em drogas), disputas de poder (War pigs), o rescaldo da era hippie (Paranoid era sobre abuso de drogas). Se o primeiro disco havia sido gravado em poucas horas, o segundo foi feito no período extravagante de cinco dias, com direito à canção mais pop da história do Sabbath (a faixa-título), uma mudança de título (o disco quase se chamou War pigs) e a algumas experimentações de estúdio – luxo do qual a banda não conseguiu desfrutar no primeiro disco.

Paranoid chegou aos 50 anos em 18 de setembro e ganha agora uma reedição de luxo, num conjunto de cinco LPs que inclui o álbum original, um raro mix quadrafônico de 1974, dois shows de 1970 (de Montreux e Bruxelas, prensados em vinil pela primeira vez). Mais: a caixa vem acomapnhada por um livro de capa dura, com extensas notas de apresentação, entrevistas com todos os quatro membros da banda, fotos raras e recordações, um pôster, além de uma réplica do livro vendido durante a turnê do disco.

Várias coisas que você já sabia sobre Paranoid, do Black Sabbath

E segue aí nosso relatório sobre Paranoid. Leia ouvindo o disco.

ANTES DE MAIS NADA, você já leu aqui no POP FANTASMA um texto parecido com esse sobre o primeiro (e epônimo) disco do Black Sabbath.

DEU BOM. Black Sabbath, a estreia da banda (1970), vendeu discos e, mais que tudo, fez bastante barulho. Todo mundo queria saber qual era a daquela banda barulhenta e cabeluda, cujos integrantes falavam de demônios, contos assustadores e histórias de amor que acabavam mal. Paranoid, o novo disco, viria com um condimento a mais. A banda estava preparando letras mais políticas. War pigs, um dos momentos mais emocionantes dos shows do Sabbath, já tinha virado hit de palco e seria lançada no disco.

DEU RUIM. Para vender bem o Sabbath e angariar fãs nos EUA, a Warner, gravadora do grupo por lá, agendou uma turnê em julho de 1970, onde passariam por lugares de enorme prestígio. Só que a turnê foi cancelada por um motivo pitoresco: a gravadora achou que não seria de bom tom uma banda chamada Black Sabbath se apresentar nos EUA na época do julgamento do lunático Charles Manson, cuja “família” de psicopatas suscitou uma caça aos satanistas do rock.

E MAIS ISSO. A história de Manson foi parar, com riqueza de detalhes, na edição de 1º março de 1970 da Esquire, uma das mais longevas revistas dos Estados Unidos. O artigo era assinado pelo superjornalista Gay Talese (vale MUITO a pena ler este texto).

QUE PARADA É ESSA? Mesmo com a banda ausente dos palcos, rolou uma Parada Black Sabbath em San Francisco, liderada pelo chefe da igreja de satã, Anton LaVey, com o apoio da Warner. O evento foi tão caricato e inacreditável que fez a banda rir assim que viu as fotos. Tinha desde dançarinas até um trio elétrico com uma banda cover do Sabbath.

MESMO SEM SHOWS, Paranoid, primeiro single do disco, foi lançado em agosto de 1970 com um baita sucesso, subindo rapidamente as paradas. Isso credenciou o Sabbath a conseguir ir ao prestigioso Top of the pops, paradão de sucessos britânico, para tocar a música.

ALIÁS E A PROPÓSITO, a banda nunca mais voltou a ser convidada para o programa depois dessa ocasião. Ficaram de saco cheio da equipe da BBC dizendo “não olhe para cá, olhe para cá, fique aqui, vá pra lá”. Iommi ainda arrumou encrenca com um diretor, quando reclamou de um spot de luz que apontava direto para sua cara e o deixava cego.

PASSADO PRA TRÁS. A banda vinha sendo empresariada por Jim Simpson, que tinha – biógrafos do grupo apontam – uma perspectiva um tanto mais humilde para o Sabbath, com shows dados em lugares pequenos, enquanto Paranoid, o single, chegava ao Top 5. Uma equipe de empresários liderada por Patrick Meehan e Wilf Pine (a World Wide Artists) fez tantas promessas mirabolantes para o Sabbath (estouro mundial, grana a rodo) que eles largaram Simpson de mão. Jim recebeu uma carta de um dos advogados da WWA pouco antes do LP Paranoid sair, dizendo que ele “não representava mais a banda nem tinha autorização para contatá-los diretamente”.

ELE FICOU PUTO. Jim, um empresário musical da cidade da banda (Birmingham, na Inglaterra), que tinha arrumado as primeiras oportunidades de peso para o Sabbath, emputeceu-se com a afronta. “Eles disseram que não fiz meu trabalho direito, mas quando deixei o Sabbath, eles tinham um single no Top 5”, reclamou, garantindo que nunca teve rancor de Ozzy, de quem pessoalmente gostava.

MUITO PUTO. Em 2017, quando o Black Sabbath estava fazendo seus dois últimos shows em Birmingham, houve outra história envolvendo Jim, que era popularíssimo na cidade e chegou a dar entrevistas à rádios locais sobre a história da banda: ele não recebeu convite para ir às apresentações e precisou ir por conta própria. “Estou desapontado mas não surpreso”, garantiu.

HIPPIE É O C…. Apesar do Black Sabbath tomar drogas como se fossem Mentos e de, em 1972, dedicar Black Sabbath vol. 4 à “grande indústria da coca de Los Angeles” (isso aparece na ficha técnica), Paranoid tinha como um de seus temas as vidas perdidas por causa de dois assuntos-chave da era hippie: as drogas e a Guerra do Vietnã. A música-título, disse Butler certa vez, falava do estado depressivo pelo qual as pessoas passavam por causa das drogas. Para falar da vivência dos soldados americanos em Hand of doom, a banda recorreu à época em que tocaram em bases do exército dos EUA.

LEGALIZE JÁ. Fairies wear boots, que inicialmente começou como uma letra de Butler sobre um desentendimento da banda com skinheads, ganhou um bizarro acréscimo anti-drogas escrito por Ozzy no final (“o médico me disse: ‘filho, você foi longe demais/fumar e viajar é tudo o que você faz'”). A letra soava como uma bronca em si próprio e nos colegas, já que durante a elaboração de Paranoid, o que a banda mais fez foi fumar maconha. “Por isso que as letras são tão estranhas”, reconhece Iommi.

PARANOID, O SINGLE. Rodger Bain, o produtor, e Tony Allom, o técnico de som (por sinal os mesmos do primeiro disco), no meio das gravações, viram que havia um buraco em Paranoid e faltava uma música. E sugeriram a Iommi que compusesse “uma música curta”, o que nem era a especialidade da banda. O guitarrista compôs a introdução e os riffs rapidamente, enquanto todos foram almoçar. Geezer, quando voltou, fez a letra, aproveitando algumas frases que Ozzy falou enquanto improvisava as linhas vocais. Bill Ward garante que a canção foi composta em “vinte e cinco minutos, se tanto”.

ELE FOI CONTRA. Inicialmente Geezer Butler não gostou da música: achou o resultado muito parecido com o de Communication breakdown, do Led Zeppelin. Mas ninguém concordou com o baixista e a banda gravou a faixa assim mesmo.

HORA DO SOLINHO. Iommi, por sua vez, diz que detestou a maneira como o solo de Paranoid soou no disco. Tudo por causa de uma caixa Leslie que Rodger insistiu em usar no solo. “Quando ouvi, reclamei, mas deixaram dessa forma. Agora já me acostumei”, contou.

MAIS EFEITOS. Rodger Bain estava animado: além de incentivar a banda a compor sua canção mais pop e de dar seu toque especial no solo da faixa, pôs o tal oscilador Leslie na voz de Ozzy também em Planet caravan e na introdução de Iron man (é o que causa aquela tremedeira no “iron, iron man!”).

E SEGUEM AÍ os dois vídeos oficiais de Paranoid – o primeiro feito para o psicodélico Beat club, da Alemanha, o segundo filmado na Bélgica.

WAR PIGS. O nome da faixa surgiu bem depois: no começo, a ideia da banda era compor uma canção chamada Walpurgis que, segundo Ozzy, era “um termo sobre casamento na magia negra”. Depois o disco quase se chamou War pigs, até que a Vertigo ouviu Paranoid, viu que a canção tinha potencial e a transformou em single.

A CAPA de Paranoid, você deve saber, não faz o menor sentido. Quando o disco ainda se “chamava” War pigs, a gravadora pagou o mesmo cara que havia feito a foto da capa do primeiro disco, Keith Macmillan (ou Keef, como aparece na contracapa) para fazer uma foto de um “maníaco de guerra” no Black Park, em Buckinghamshire. O garoto da capa é um sujeito chamado Roger Brown, que era assistente de Keef.

Várias coisas que você já sabia sobre Paranoid, do Black Sabbath

ADEREÇOS. Antes das fotos (todas feitas à noite), a dupla foi a uma espécie de Casas Turuna local comprar uma espada, um escudo e uma… máscara de porco. Fizeram as fotos com todos os adereços. Keef diz que as fotos com a máscara eram “muito melhores” do que a que foi escolhida para a capa, mas nenhum dos cliques com o guerreiro mascarado foi guardado. Para dar a sensação de movimento da capa, Keith usou flash ultravioleta.

UÉ. Até mesmo os integrantes da banda ficaram surpresos quando viram que o nome do disco havia mudado para Paranoid. Keith, mais ainda. A gravadora havia modificado o título mas – como era bastante comum numa época em que não havia computação gráfica e capas davam (muito) trabalho – nem se importou em encomendar outra foto e embrulhou o produto assim mesmo. “Chegamos a a perguntar à gravadora: ‘O que é que o título tem a ver com a capa?'”, contou Iommi.

ALIÁS E A PROPÓSITO, o parque onde foi feita a foto da capa de Paranoid aparece em vários filmes da franquia James Bond. Tudo porque fica bem próximo ao Pinewood Studios. O Forte Knok de 007 contra Goldfinger (1964) era lá.

SEI NÃO. Tony revela que possivelmente, nem ele nem Ozzy sabiam o que queria dizer “paranoico” naquela época, e atribui a entrada do vocábulo na história da banda à “grande inteligência” de Geezer. Já o baixista afirma que quis falar em “paranoia” porque não conhecia a palavra “depressão” – que é o verdadeiro sentido da letra.

ROBÔ VIVO. Iron man teve sua letra inspirada por uma história em quadrinhos que um dos dos integrantes do Sabbath leu, sobre um robô que ganhava vida. “Mas eu acho que tinha um subtexto sério por trás disso, de que alguém vivo não poderia sair de seu próprio corpo”, viaja Iommi. A canção quase se chamou Iron bloke (algo como “sujeito de ferro”), até que Ozzy ouviu o solo e disse que soava como “um homem de ferro andando”.

TUM DUM TISS. Paranoid, você deve lembrar, tem um tema instrumental meio jazzístico com um solo de bateria fenomenal de Bill Ward, Rat salad. A música une Paranoid a Led Zeppelin II, já que o segundo disco do Led tinha uma música que obedecia à mesma estrutura de Rat salad: Moby dick tinha começo curto, solo de bateria, volta do mesmo tema do início e morte súbita, com a entrada da última música do disco (Fairies wear boots, no caso do Sabbath, Bring it on home, no do LZ).

ALIÁS E A PROPÓSITO, vale citar que solos de bateria estavam em alta no finzinho dos anos 1960. O Iron Butterfly fez sucesso com os quatro minutos de bateria de In a gadda da vida, em 1968. Os Beatles, com Ringo Starr nas baquetas, aderiram no improviso The end, em 1969. O Chicago enchia seu primeiro disco, o duplo Chicago Transit Authority (1969), de solinhos de batera. O Grand Funk Railroad fazia o mesmo em T.N.U.C., faixa quilométrica de seu primeiro disco, On time (1969). O Black Sabbath só estava seguindo uma tendência.

AINDA ASSIM, Geezer diz que a banda, cujos integrantes eram amigos do Led, imitou os colegas sem constrangimentos. “O Led era nossa banda preferida na época”, contou. Tony, sabendo que o LZ roubava um monte de coisas dos outros, nem esquentou a cabeça.

CABELO BONITO. O título Rat salad, segundo Geezer Butler, era uma zoação com o baterista Bill Ward pelo seu hábito de não pentear o cabelo. A música surgiu quando o Sabbath era uma banda iniciante, era paga por hora de show, e Ward precisava inventar alguma coisa para preencher o tempo ocioso no palco.

PERIGO. No começo dos anos 1970, uma enfermeira americana foi encontrada morta e, em seu toca-discos, foi vista uma cópia de Paranoid. A polícia começou uma investigação para descobrir se o disco causou ou não o suicídio dela. Depois chegaram à conclusão de que ela já sofria de depressão e que a banda não teve nada a ver com o óbito.

OZZY PEGADOR. Butler costumava dizer que, por causa da pouca predisposição do Sabbath para compor músicas românticas, não havia garotas nas plateias do grupo. Em sua autobiografia Eu sou Ozzy, Ozzy Osbourne diz ter outra lembrança e conta que certa vez, num hotel Holiday Inn, na Califórnia, protagonizou cenas dignas de Calígula com os companheiros. Para compensar, o Sabbath era seguido de perto por fãs que levavam aquela história de satanismo muito a sério (como o próprio LaVey).

DEU CERTO. Paranoid tornou-se o primeiro álbum da banda a liderar as paradas do Reino Unido e vendeu mais de 4 milhões de cópias somente nos EUA – onde é um disco de 1971, já que só saiu por lá em janeiro. No Brasil, Paranoid foi lançado pela Philips em 1971 com modificações na capa: a gravadora dispensou a capa dupla e pôs uma foto da banda na contracapa. Em Israel, foi lançado com outra capa e outro título, Attention!. O disco, como costumava acontecer com o Sabbath, foi mal recebido pela crítica, até mesmo por jornalistas que depois se tornariam fãs da banda, como o mitológico Lester Bangs.

TURNÊ. Logo que Paranoid chegou às lojas, o Black Sabbath iniciou uma turnê na qual abria para artistas como Alice Cooper, Savoy Brown e Faces. Às vezes a banda era vaiada, às vezes virava o jogo – abrindo para os Faces, deixou a plateia tão maluca que alguns “fãs” vaiaram a banda principal, logo depois. Drogas variadas começaram a aparecer nos bastidores. Ozzy lembra ter sido iniciado na cocaína por Leslie West, do Mountain, que insistiu para o amigo cheirar com ele. Nos camarins de um dos shows da tour, os quatro receberam a visita da gangue de motociclistas Hell’s Angels. Foram avisados de que eles eram fãs da banda e de que o Black Sabbath teria proteção onde estivessem.

E já que você chegou até aqui, pega aí um dos usos mais apropriados de Paranoid, a canção: numa das primeiras cenas da animação Angry Birds, the movie.

Infos tiradas de vídeos, sites, entrevistas e dos livros Iron man, de Tony Iommi, e de Black Sabbath, de Mick Wall.

Veja também no POP FANTASMA:
– Demos o mesmo tratamento a Physical graffiti (Led Zeppelin), a Substance (New Order), ao primeiro disco do Black Sabbath, a End of the century (Ramones), ao rooftop concert, dos Beatles, a London calling (Clash), a Fun house (Stooges), a New York (Lou Reed), aos primeiros shows de David Bowie no Brasil, a Electric ladyland (The Jimi Hendrix Experience) e a Pleased to meet me (Replacements). E a Dirty mind (Prince).
– Demos uma mentidinha e oferecemos “coisas que você não sabe” ao falar de Rocket to Russia (Ramones) e Trompe le monde (Pixies).
– Mais Black Sabbath no POP FANTASMA aqui.

Cultura Pop

Qual é a dos dois discos novos de Lana Del Rey?

Published

on

Lana Del Rey (Foto: reprodução YouTube)

Lana Del Rey passou tanto tempo adiando e reformulando o próximo álbum que já dava para imaginar que ele nunca chegaria. Primeiro era Lasso. Depois virou The right person will stay. Em seguida apareceu como Stove. Agora a cantora resolveu complicar um pouco mais o roteiro: além de Stove, ela diz que também está preparando um segundo álbum inédito.

A novidade surgiu em uma publicação no Instagram, onde Lana contou que o disco extra nasceu durante o mesmo processo criativo do sucessor de Did you know that there’s a tunnel under Ocean Blvd. Segundo ela, o novo trabalho funciona como uma espécie de “companion album”, desenvolvido quase ao mesmo tempo que Stove.

  • Os bastidores do raro Joy Division – A Malcolm Whitehead Film, que ganha lançamento oficial

A cantora também afirmou que esse segundo disco surgiu das transformações pessoais e criativas que viveu nos últimos quatro anos, funcionando como uma espécie de contraponto ao álbum principal. Se tudo correr como planejado — e essa ressalva é indispensável quando o assunto é cronograma de Lana Del Rey — os dois discos devem ficar prontos em cerca de um mês para seguir para a prensagem em vinil.

Ela também afirmou que ambos já têm capas prontas e descreveu os projetos como algumas das obras de que mais se orgulha. O álbum principal, Stove, continua reunindo os singles Henry, come on, Bluebird e White feather hawk tail deer hunter, além de outras músicas que ela vem mostrando ao vivo nos últimos meses. Tudo indica que First light, single lançado como single da trilha sonora do jogo 007 First Light, escrito em parceria com David Arnold, é só um projeto à parte e não estará no disco.

Embora Lana ainda não tenha confirmado um título para o álbum companheiro, fãs passaram a chamá-lo de Spyda após identificarem esse nome em uma das artes divulgadas pela cantora nas redes sociais (aliás, no Reddit, tem fãs reclamando que a imprensa tá caindo rapidamente numa suposição deles mesmos, os fãs)

Ainda não há datas de lançamento para nenhum dos dois discos. Mas, considerando o histórico recente da cantora, talvez seja prudente evitar tatuar qualquer título no braço até que eles realmente apareçam nas plataformas de streaming. Afinal, se um álbum já mudou de nome três vezes antes de nascer, nada impede que um quarto nome apareça antes do play.

Continue Reading

Cultura Pop

Os bastidores do raro “Joy Division – A Malcolm Whitehead Film”, que ganha lançamento oficial

Published

on

Peter Hook: "Roubamos muito o Kraftwerk"

Falamos na semana passada: tá pra sair a caixa Eternal (Live) contendo praticamente tudo que existe do Joy Division ao vivo. O pacote sai em 25 de setembro e é um box com 16 álbuns ao vivo completos, distribuídos em 14 CDs, além de dois DVDs. Um dos DVDs traz uma edição oficial de Joy Division – A Malcolm Whitehead Film, filme raríssimo da banda, feito em 1979, e que virou uma espécie de “figurinha difícil” do álbum do JD.

Malcolm era o chefe da Ikon/FCL, braço cinematográfico da Factory Records. Para fazer Joy Division, que tem 17 minutos de duração, ele compilou imagens em super-8 feitas durante a gravação da estreia Unknown pleasures (1979), e no show dado no Bowden Vale Youth Club em 4 de março de 1979 – por acaso, foi a primeira vez que um show do grupo foi filmado. Há também uma entrevista com a banda.

Se você fizer uma busca no YouTube, acha apenas trechos desse material, em péssima qualidade de som e imagem – alguns trechos estão com outra trilha sobreposta, ou surgem editados em vídeos feitos por fãs. Joy Division – A Malcolm Whitehead Film foi feito apenas para ser exibido em setembro de 1979 na primeira edição do Factory Flick, no cinema Scala, em Londres.

O Factory Flick foi um evento criado por Malcolm e Tom Wilson, dono do selo. A ideia era apresentar bandas da Factory Records em um formato que misturava cinema experimental, videoclipes, documentário e arte de vanguarda. Era algo muito alinhado ao espírito da Factory, que nunca quis ser apenas uma gravadora – e não foi apenas o Joy Division que ganhou seu curta, já que filmes sobre bandas como A Certain Ratio, Orchestral Manoeuvres in the Dark e The Durutti Column estavam também nos programas do evento. Só que, como o JD virou objeto de culto após a morte de Ian Curtis, o filme deles virou lenda.

Não foi só isso que tornou o filme uma lenda: Whitehead não fez um simples filme-concerto e decidiu dar – por conta própria – dimensões políticas ao Joy Division.

Ele enquadrou o Joy Division como uma resposta ao clima social britânico do fim dos anos 1970, à ascensão do thatcherismo e ao autoritarismo. O filme intercala imagens da banda com entrevistas com um sujeito chamado James Anderton, chefe de polícia da Grande Manchester e tido por artistas, jovens e membros da comunidade gay local como um agente da repressão.

Há também referências ao romance House of dolls, de Yehiel Dinur, que popularizou o termo “joy division” (como referência aos grupos de mulheres judias aprisionadas em campos de concentração, que se prostituíam para soldados nazistas durante a Segunda Guerra Mundial). Já era algo que causava polêmica, mas quanto à visão do JD como resposta ao autoritarismo, muita gente reclama que Whitehead impôs um viés político à banda.

Em 2007, o documentário Joy Division, dirigido por Grant Gee, mostrava a história da banda a partir de entrevistas inéditas e imagens nunca vistas ou bem raras. Malcolm não apenas foi um dos entrevistados como também teve imagens de seu curta incluídas no filme.

A revista Arts & Music fez uma entrevista com Malcolm na época, e descreveu Joy Division – A Malcolm Whitehead Film como um retrato de uma “Manchester perdida”. O site FactoryRecords.org resgatou o papo com Malcolm, feito pelo repórter Jamie Holman. E nós reproduzimos abaixo. Pra entender mais o que está por trás do filme, é importantíssimo.

Como surgiu seu filme? Aconteceu porque eu já era amigo do Rob (Gretton) desde que trabalhávamos no aeroporto e depois quando ele era DJ no Rafters. Eu costumava ir lá assistir bandas e o Rob acabou empresariando uma banda chamada The Panik. Eu estava começando como cineasta na época, autodidata, filmando em 8mm.

E começamos um filme que não deu em nada. O show do The Panik na última noite do Electric Circus. Estava muito escuro e a filmagem ficou péssima. Acabou ficando de lado. Aí o Rob me ligou e disse: “Estou empresariando uma banda nova chamada Warsaw e me perguntou se eu queria ir vê-los no The Factory”.

Fui vê-los no antigo Russell Club e eles foram absolutamente incríveis; me arrepiaram. Quis fazer algo com eles naquele instante. Fui falar com o dono da loja de discos local e contei a ele sobre o clube Bowden Vale em Altrincham, onde eu tinha visto inúmeras bandas em 1963-64, e disse que ele deveria voltar a promover shows.

Mais tarde, apresentei-o ao Rob, que tinha um monte de cópias do primeiro EP da banda que sobraram. Eles estavam sem dinheiro, então venderam tudo para o dono da loja de discos, e ele as colocou para tocar em Bowden Vale. E era isso que eu queria desde o início, sabe? Eu queria filmar a banda. Então, aluguei alguns andaimes e equipamentos e fiz tudo.

Com que equipamento você filmou? Bom, tudo custou setenta e duas libras, o que eu achei um absurdo! (risos) Filmei com uma câmera de cinema Hannimex baratinha, a primeira câmera que tive. Usei um filme da Agfa que lançaram na época, que tinha uma faixa de som, mas vinha num cartucho silencioso e o som era adicionado depois, no projetor. Então filmei sem som e gravei o áudio num gravador de rolo. Era para sincronizar depois, mas não funcionou! Filmei a vinte e quatro quadros por segundo, mas só funcionou a dezoito.

Só descobri depois! Filmei tudo com uma câmera e só tinha dinheiro para três cartuchos. Cerca de nove minutos. Filmei duas músicas e meia de uma vez e depois fiz cortes, tentando não incluir instrumentos para poder inseri-los como cenas adicionais sobre o que já tinha filmado. Então, fiquei com os três cartuchos e uma fita de rolo com o show inteiro. Eu já tinha começado as outras partes do filme antes do show.

Isso é a parte técnica da atuação. Mas qual é o significado do filme como um todo? O que você estava tentando fazer? Começa com New dawn fades. Você sabe, essa é a música que está tocando, e ela simboliza esse novo amanhecer do fascismo com James Anderton, o chefe de polícia de Manchester na época. Ele foi um precursor de Thatcher, pois era de extrema-direita, religioso e queria reprimir os jovens.

Então o filme passa de “O Desvanecimento de uma Nova Aurora” para o tema nazista. Mas não era uma nova aurora, era um retorno ao passado. Ouvimos discursos de Adolf Hitler misturados com Anderton falando sobre campos de trabalho forçado em uma entrevista que ele deu a Tony Wilson, curiosamente (o criador da Factory era apresentador de talk shows na TV). Ele dizia coisas como: “Eles serão obrigados a trabalhar como nunca trabalharam antes”, e isso leva a uma montagem de anúncios e cenas de ruas do centro de Manchester. Este é o consumismo – o novo fascismo! Nesse ponto, era algo local, mas dava a sensação de que algo muito ruim estava acontecendo e que se tornaria maior.

Então você tem essa coisa de lei e ordem, esse fascismo corporativo, e aí eu corto para a banda na sala de ensaio. Parece ótimo, bem underground. Sabe, underground no sentido político, tipo a resistência francesa. Mas esse era um underground cultural. Eles eram a resistência contra tudo isso lá fora.

O que era que havia de tão especial no Joy Division? Eles eram simplesmente poderosos demais. Eu sabia que eles iam bombar. Não havia motivo para pensar isso, na verdade, só tinha umas dez pessoas no Factory Club. Eu não conseguia acreditar. Eu simplesmente sabia que aquilo era a nova onda. Era isso. Eles eram muito mais do que o punk tinha se tornado, que basicamente era só uma banda para substituir as bandas de pub rock. Aquilo era algo maior e artisticamente mais significativo do que o punk. Pelo menos para mim.

O que aconteceu com o filme quando foi editado e sincronizado? Foi exibido pela primeira vez no antigo cinema Scala, em Londres – um cinema de verdade!

Qual foi a reação a isso? Bem, eles fizeram três exibições ao longo de um dia, e todas estavam lotadas; houve aplausos e tudo mais, o que foi estranho, já que eu nunca tinha exibido um filme em público. Foi realmente emocionante.

Onde mais foi exibido? Bem, um cara me ligou de Berlim e, honestamente, eu era tão inocente na época que mandei o filme para ele. Não dava para fazer cópias decentes. Então ele foi para Berlim, e tinha gente fazendo fila na porta para assistir. Eles exibiram e exibiram, sabe-se lá quantas vezes. Por sorte, eu tinha coberto o filme com preservativo e antirrisco. Tinha umas perfurações amassadas quando recebi de volta, mas não era nada demais. Na verdade, não causou problemas de verdade até bem recentemente, quando restaurei o filme com Brian Nicholson (associado de longa data da Ikon, ‘confidente e cúmplice’; ‘guardião do que alguns chamam de arquivo’).

Há alguma filmagem ou trilha sonora que não entrou no filme? Tem o áudio completo do show, exceto New dawn fades, porque eu estava ajustando os níveis naquele momento. Também tem uma tentativa de entrevista que deu errado porque eles não queriam falar! Então eu gravei essa parte, já que o filme era muito caro e não dá para desperdiçar. Tem também uns trinta minutos de áudio da sala de ensaio. Eu também entrevistei o Rob no meu apartamento. Essa entrevista está em uma fita cassete, acho que tem trinta minutos.

A banda viu isso? O Ian adorou; o resto da banda não entendeu muito bem. Eles desceram para falar com um amigo meu, mas o Ian ficou e depois disse que tinha entendido e achado ótimo, e isso significou muito, já que era o Ian que eu queria para dar o aval. Quando foi transferido para vídeo, nós o exibimos algumas vezes em shows — A Certain Ratio — e a primeira versão, que é uma porcaria, é o bootleg que você vê na internet. É realmente uma porcaria, essa cópia, e só tem a performance do Joy Division.

Por que nunca foi lançado pela Factory ou pela Ikon? Por que não está na Here are the young men? (coletânea de vídeos do grupo). Bem, este era o meu filme. Não era um filme do Joy Division nesse sentido. Era o meu filme e eu nunca pensei que estivesse terminado; ele seria muito mais longo. E havia um problema com a questão nazista. A banda estava farta disso, e eu não ia tirar. Significava algo. Eles estavam cansados ​​de serem associados ao fascismo. Mas eles não eram, sabe? O nome sugere o que eles realmente eram: antifascistas. E então o assunto não foi discutido por mais de vinte anos.

Então, quem é o proprietário agora? A Cherry Red Records comprou. Quer dizer, não me importa quem seja o dono, eu só queria que fosse restaurado corretamente.

Quem o restaurou? Eu e Brian Nicholson. Eu e Brian trabalhamos juntos como uma parceria cinematográfica há vinte e seis anos. Ele restaurou e transferiu o filme para a emissora Granada, e eu o reeditei e o estendi para incluir três músicas completas.

Você algum dia vai se livrar do Joy Division e seguir em frente? Bem, senti essa responsabilidade ao longo dos anos e espero poder passar todo o resto adiante. E com o lançamento do novo documentário, pelo menos sei que parte dele finalmente está sendo visto e que existe uma cópia remasterizada decente por aí.

Continue Reading

Cultura Pop

“Salt of the Earth”: o filme que surge no clipe de Tom Morello

Published

on

“Salt of the Earth”: o filme que surge no clipe de Tom Morello

Quem assistiu ao clipe de Adjourn it, single novo de Tom Morello (que tem participações de seu filho Roman Morello, na guitarra, e do cantor do System Of A Down, Serj Tankian, nos vocais) reparou que há várias cenas em preto e branco, com greves, manifestações e gente sendo presa. Dirigido por Isabella Margolis, o clipe intercala cenas do trio em estúdio, com trechos do filme Salt of the Earth, lançado em 1954, e que conta a história real de mineiros mexicano-americanos que lutaram contra a opressão e o racismo.

Salt of the Earth tem muita história: para começar, ele foi dirigido por Herbert Biberman (1900-1971), um cineasta que fazia parte da lista dos “dez de Hollywood” – um grupo de dez roteiristas e cineastas de esquerda, que estava sendo vítima de uma caça às bruxas. Ou melhor, de uma caça a supostos comunistas, realizada no começo da guerra ideológica entre Estados Unidos e União Soviética.

Biberman chegou a ficar encarcerado durante seis meses, e ao sair da prisão, decidiu dirigir um filme ficcional sobre a greve dos mineiros do Condado de Grant, no Novo México. O tal filme acabou ganhando roteiro de Michael Wilson e produção de Paul Jarrico – e ele é justamente Salt of the Earth, uma produção que já inovava por ser totalmente independente, off-Hollywood.

O filme acabou sendo uma das principais aparições na telona da atriz mexicana Rosaura Revueltas – por sinal, durante as filmagens, ela foi presa por uma suposta violação de passaporte e acabou sendo proibida de trabalhar nos Estados Unidos, um baque nunca superado em sua carreira. Ela interpreta Esperanza Quintero, a esposa de um mineiro, que faz parte de um grupo de manifestantes mexicano-americanos – a queixa deles era que a Delaware Zinc, Inc, para a qual trabalhavam, não dava a eles a mesmas condições que dava aos mineiros anglo-saxões.

Pra acompanhar a história é melhor ver o filme (tá no YouTube), mas vale dizer que Esperanza fica grávida, seu marido acaba preso e ela se junta a um grupo de esposas de mineiros, que faz piquete no lugar dos maridos. Um detalhe importante sobre Salt of the Earth é que só cinco atores profissionais estavam no elenco: Biberman e a produção convocaram mineiros de verdade, além de moradores do Condado. Nas cenas que você vê no filme, muita gente viveu aquilo de verdade.

Se você está achando que isso foi uma ideia para dar mais veracidade ao filme, não foi nada disso: os sindicatos de atores e de profissionais de Hollywood simplesmente proibiram seus associados de ter qualquer relação com Salt of the Earth, e a equipe ficou sem ter com quem contar. Houve quem notasse que aquela situação era absurda, já que eram sindicatos prejudicando um filme que fazia basicamente uma apologia ao movimento sindical. Mas isso não ajudou em nada, até porque veículos como Hollywood Reporter e Newsweek já estavam falando barbaridades como “filme de comunistas anti-americanos” e outras babaquices.

Claro que a pós-produção e o lançamento de Salt of the Earth não foram nada tranquilos: a equipe teve dificuldade de achar laboratórios que terminassem o filme e ele foi censurado e incluído na lista anti-comunismo dos EUA (foi o único filme incluído lá, aliás). Pauline Kael, uma dessas críticas de cinema que tiravam o sono dos cineastas, desprezou o filme e ainda escreveu que ele não passava de “uma peça de propaganda comunista tão clara quanto qualquer outra que tivemos em muitos anos”. Com o tempo, o filme foi sendo descoberto, e ganhou lançamentos em formatos como laserdisc e DVD. Uma matéria recente do The Guardian traz uma declaração de Biberman dizendo que ele foi “o primeiro longa-metragem já realizado nos EUA pelos trabalhadores, sobre os trabalhadores e para os trabalhadores”.

Salt of the Earth foi um poderoso ato de desafio em sua época e, mais de meio século depois, seus temas continuam a ressoar no cenário político atual. Adjourn it canaliza o legado de resistência do filme, reforçando a importância da solidariedade para unir as pessoas contra o medo e a divisão”, escreveu Tom Morello num dos textos de divulgação do clipe. E os dois (clipe e filme) estão aí embaixo.

Continue Reading

Acompanhe pos RSS