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Cultura Pop

Várias coisas que você já sabia sobre L. A. Woman, dos Doors

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Várias coisas que você já sabia sobre L. A. Woman, dos Doors

Jerry Hopkins e Danny Sugerman, biógrafos de Jim Morrison, afirmam no livro Daqui ninguém sai vivo que a capa de L.A. woman (1971), último disco dos Doors com o vocalista, era uma vingança pessoal. Morrison teria detestado a maneira como a gravadora da banda, Elektra, o retratara nas capas dos dois lançamentos mais recentes dos Doors, a coletânea 13 e o duplo ao vivo Absolutely live (ambos de 1970). Ficou irritado ao se ver belíssimo nas fotos e percebeu que a gravadora preferia explorar a imagem do Jim padrãozinho dos primeiros anos. Ainda que o cantor cultivasse uma cerrada barba desde 1969. E que, após as várias encrencas com a polícia que havia tido nos últimos dois anos, tivesse resolvido dar adeus à imagem de “sonho americano” do começo da carreira.

Várias coisas que você já sabia sobre L. A. Woman, dos Doors

A foto de capa de L.A. woman trazia Jim mais gordo, barbudo e irreconhecível para quem não fosse fã de verdade da banda. Na imagem, o cantor destacava-se até bem menos que o baterista John Densmore, o tecladista Ray Manzarek e o guitarrista Robbie Krieger. Isso expunha bem o tipo de fantasma que rondava a mente do cantor naquele período. Desde o incidente em março de 1969 no Dinner Key Auditorium, em Miami – quando subiu embriagado ao palco e foi acusado de “exposição indecente, blasfêmia e embriaguez em público” – Morrison estava cansado da vida de estrela pop.

Os Doors passaram a ter shows desmarcados, a gravadora começou a pressionar a banda (que passou a trabalhar num disco até bem pop para os padrões do quarteto, The soft parade, de 1969). E enfim Morrison, que nunca tinha sido exatamente uma presença estável nos palcos da vida, começou a dar sinais evidentes de que o abuso de drogas e álcool começava a lhe causar muitos problemas.

DE VOLTA PRA CASA

L.A. woman chegou às lojas em 19 de abril de 1971 como o “verdadeiro retorno dos Doors às raízes blues-rock”. Aliás, teve tais características bem mais exaltadas do que o anterior disco de estúdio do grupo, Morrison Hotel (1970), que já era bem blueseiro. Mas apesar do clima meio bizarro em torno da banda, foi um disco de elaboração tranquila e a banda curtiu bastante o trabalho em estúdio.

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O disco novo dos Doors era cheio de influências da psicodelia, mas já apontava para uma sonoridade bastante herdada do soul, em vários momentos. John Densmore definiu L.A Woman como uma “volta pra casa” e a “essência de tudo o que formou os Doors”. Robbie Krieger disse que a magia do álbum vem do fato de “parecer que estávamos tocando só por prazer”. Na verdade, nem parecia que, logo que terminassem as gravações, Morrison se mandaria para Paris e tudo mudaria na história do trio restante dos Doors – que ainda gravaria mais dois LPs sem o vocalista e sem a magia inicial.

E tá aí nosso relatório sobre L.A. woman, que completa 50 anos em 2021. Leia ouvindo, ou ouça lendo.

1969

O ANO QUE os Stooges classificavam como “mais um ano sem nada pra fazer” (no clássico 1969) foi um ano cheio de trabalho e problemas para Jim Morrison e os Doors. A começar porque o julgamento do “caso Miami” foi sendo adiado. Consequentemente, as oportunidades de trabalho foram escasseando para a banda. Um pool de casas de shows nos EUA se reuniu e baniu os Doors de seus palcos. The soft parade, mesmo assim, foi lançado com uma turnê que varou os EUA e foi parar na Cidade do México.

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A POSSIBILIDADE DE tocar num país ainda pouco desbravado por astros do rock (e vá lá, as oportunidades perdidas nos EUA) acabou animando os Doors a tocar quatro datas na capital mexicana, entre 28 de junho e 1º de julho de 1969. Os shows foram inicialmente marcados para a Plaza de Toros, onde cabiam 40 mil pessoas. Mas acabaram transferidos para um clube chique com lotação de mil cabeças, o The Forum. Tudo por ordem do ditatorial presidente Gustavo Díaz Ordaz. O grupo foi avisado da mudança em cima da hora e exigiu fazer um show no prestigioso Auditório Nacional (e não foram atendidos). Os ingressos do The Forum custavam a fortuna de 700 pesos e incluíam um jantar. A banda foi assistida por um público formado em sua maior parte pelos frequentadores abonados do local, não por hippies e roqueiros mexicanos.

ALIÁS E A PROPÓSITO, a Elektra chegou a pensar em lançar um disco ao vivo dessa turnê, mas a banda preferiu soltar Morrison Hotel (1970) antes.

MAS O QUE FOI O TAL CASO MIAMI?

ANTES DE entender aquela noite, é preciso entender que Morrison havia nascido ali pertinho de Miami, em Melbourne, também na Flórida. Isso já diz muito sobre o que se passava na cabeça do cantor naquele dia. Embora ele, como filho de militar (o futuro contra-almirante da marinha americana George Stephen Morrison) tenha mudado de cidade bastante na infância.

MORRISON tivera contato com as experimentações da companhia Living Theatre, de Julian Beck e Judith Molina. E ficara com a ideia de aplicar as mesmas técnicas de “envolvimento com a plateia”, exortando o público e até mesmo ofendendo os pagantes. Aliás, já havia feito isso num show em Los Angeles e pessoas reagiram soltando fogos de artifício perto dele, com a finalidade de atingi-lo.

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NAQUELA NOITE DE 1º de março de 1969, quando se apresentava no Dinner Key Auditorium, em Miami, avisou à plateia que “não sei se vocês sabem, eu nasci aqui perto, em Melbourne, em 1943”. Até que “fiquei esperto e me mudei para Los Angeles”. Foi a deixa para Morrison brindar o público com frases como “vocês são um bando de idiotas que deixam que que lhes digam o que fazer” e encerrar com um “e se eu mostrar meu pau? É o que vocês querem?”. O cantor também incentivou fãs a tirarem suas roupas (o que de fato aconteceu). Foi preso na hora.

MOSTROU OU NÃO? Todos os integrantes dos Doors negam que Jim tenha mostrado o pênis para a plateia. Manzarek sempre considerou a história um “delírio coletivo”. No julgamento, Jim foi condenado a seis meses de prisão. Morrison permaneceu em liberdade, aguardando um recurso de sua condenação, mas morreu antes que o assunto fosse legalmente resolvido. Muitos anos depois disso, em 8 de dezembro de 2010 (quando Jim completaria 67 anos), o Conselho de Clemência da Flórida e o governador do estado na época, o republicano Charlie Crist, assinaram o perdão do cantor dos Doors, a pedido de um grupo de fãs que fizera um abaixo-assinado.

POESIA, CASAMENTO, ETC

EM MEIO ÀS TURNÊS dos Doors naquela época, Jim Morrison passou a se dedicar a escrever livros de poesia (An american prayer saiu em edição limitada em 1970). Aliás, ele até iniciou um roteiro de filme (que quase foi parar nas mãos da MGM) baseado no livro The adept, do poeta beat Michael McClure. A vida foi atropelando os planos e não só o roteiro nunca foi concluído como o livro de McClure igualmente nunca foi lançado.

NOS TEMPOS DE FAMA, o galinha Jim teve dois relacionamentos mais duradouros e conhecidos. Um deles foi com Pamela Courson, com quem ele mantinha um affair vai-e-volta desde antes da fama dos Doors – era com ela que ele estava, você deve saber, quando morreu em Paris. O outro foi com a jornalista de música Patricia Kennealy, editora da revista Jazz & pop, com quem se relacionava desde 1968 e com quem resolvera se casar em 24 de junho de 1970. Interessadíssimo em rituais e em xamanismo, Jim topou unir-se a Pamela numa cerimônia pagã, ligada a uma religião celta que ela seguia.

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CIUMEEEENTO. Apesar de não ser exatamente o protótipo do homem fiel e do casamento ter durado apenas um ano e alguns meses, Jim dava trabalho a Patricia com suas demonstrações de ciúme, como ela chegou a contar no livro Rock wives, de Victoria Balfour. O cantor chegava a abrir os armários da jornalista em busca de roupas do “outro”. Patricia garante em seu livro de memórias Light our fire: My wedding to Jim Morrison que Jim considerava seu relacionamento com Pamela algo “meio vergonhoso, meio viciante”. E que a viagem a Paris que ele fez para encontrar a garota (e durante a qual, morreria) tinha o objetivo de colocar um fim no relacionamento.

1970, 1971

OS DOIS PRIMEIROS ANOS da década de 1970 (no POP FANTASMA a gente encerra as décadas no ano terminado com “9” e ponto final) não eram uma das épocas mais tranquilas dos últimos tempos. Tinha Guerra do Vietnã, conflitos raciais, repressão por todos os lados, manifestações de estudantes reprimidas a bala, artistas morrendo de overdose. Ex-integrantes dos Doors comentam que o caos da época se refletiu bastante na música do grupo, com Jim falando em “nesta casa nós nascemos/neste mundo fomos jogados” (em Riders on the storm). O cantor também apostava no “ligue-se, sintonize, caia fora” em boa parte de seu novo material, mesmo numa época em que a esperança hippie havia sido substituída pelo cinismo.

AS PARADAS DE SUCESSO EM 1971 eram dominadas por uma mescla de pop, rock, country e soul, com vários artistas novos e carreiras dos anos 1960 reposicionadas. Quem quisesse ficar ligado nas novidades do rock, tinha que ficar de olho no rock pesado (Led Zeppelin, Black Sabbath), no glam rock (Electric warrior, do T. Rex, era uma sensação na Inglaterra) ou, numa escala menor, no hard rock meio tosco de bandas como Stooges e MC5 (que depois passou a ser chamado de pré-punk). Qualquer artista corria o risco de soar nostálgico e ultrapassado o mais rápido possível, numa década em que tudo mudava rapidamente e vertiginosamente.

APERTA O PLAY

COMEÇOU! L.A. woman começou a ser gravado em dezembro de 1970 num momento de relativa calma na vida de Jim, quando a situação legal do cantor em relação ao “caso Miami” foi definida. Morrison havia sido condenado a seis meses de prisão, mas teve a fiança paga e foi liberado. O grupo entrou no estúdio Sunset Sound, na Califórnia, para fazer as primeiras versões de Riders on the storm, L.A. woman e Love her madly., inicialmente ao lado do produtor Paul A. Rothchild, que cuidara dos discos anteriores.

DEU MERDA. Paul já vinha se estressando com as mudanças sonoras dos Doors havia anos, mas começou a ficar particularmente puto da vida com a banda na época de L. A. woman – especialmente quando ouviu os teclados de Riders on the storm, classificada por ele como “música de elevador”. Acabou se afastando e deixou o trabalho todo nas mãos da banda e do técnico de som, Bruce Botnick.

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ROTHCHILD se recorda de que Jim parecia entediado e desanimado durante os primeiros ensaios do disco, o que acabou fazendo com que ele próprio se cansasse do trabalho. Testemunhas dizem que não só ele, mas várias pessoas acharam o material de L.A. woman ruim. Até porque numa reunião no Sunset Sound, a banda mostrou as músicas ainda rascunhadas e tocou mal (o próprio Manzarek admite a mancada). O som que todo mundo ouve no disco foi tomando forma bem depois.

EM CASA

BRUCE BOTNICK sugeriu que a banda aproveitasse seu próprio local de ensaios para gravar. O Doors’ Workshop, como era chamado, ocupava um prédio de dois andares no endereço 8512 Santa Monica Boulevard. Jim Morrison gravou boa parte dos vocais num microfone armado na porta do banheiro. O grupo arrumou novos equipamentos e a Elektra instalou lá uma mesa de mixagem. The changeling, declaração de princípios de Morrison – e a faixa mais dançante do álbum – foi a primeira a ser gravada e acabou sendo escolhida para abrir o disco.

ALIÁS E A PROPÓSITO, versos de The changeling como “eu tive dinheiro/e não tive nenhum/mas nunca fui tão duro que não pude deixar a cidade” são interpretados por amigos de Jim como um aviso de que o cantor deixaria a banda e migraria, para Paris ou qualquer outro lugar.

RAY MANZAREK comenta que, apesar de L.A. woman falar bastante da vida em Los Angeles, a banda não tivera a ideia de fazer um disco conceitual. “Mas depois que começamos a trabalhar nas músicas, percebemos que elas estão falando sobre Los Angeles. Elas são sobre homens, mulheres, meninos, meninas, amor, perda, amantes perdidos e amantes encontrados por lá”, comentou.

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COVER

DO REPERTÓRIO DE L.A. woman constava Crawling king snake, blues de John Lee Hooker que já vinha sendo tocado informalmente pela banda havia anos. Como L.A. woman era basicamente um disco voltado ao blues, a banda resolveu gravá-la. Naquela época, Hooker, um artista de blues que tinha gravado seus primeiros discos nos anos 1940, tinha sido redescoberto e voltara às paradas com discos como Hooker’n heat (gravado ao lado da banda Canned Heat) e Endless boogie, ambos de 1971.

COMO JIM já era conhecido como “Rei Lagarto” (por causa do improviso Celebration of the lizard, incluído em shows da banda e no disco Absolutely live, de 1970), o nome “king snake” caía como uma luva na mitologia associada a ele e aos Doors. O próprio Hooker voltaria a revisitar a faixa em shows e discos.

JUNTOS MAS SEPARADOS

BOA PARTE do material dos Doors era creditado aos quatro integrantes, mas nem sempre as músicas eram compostas em grupo. Quase sempre as músicas eram iniciadas por Krieger e Morrison e terminadas em quarteto. Love her madly, o primeiro single de L.A. woman, era uma canção de Robbie inspirada pelo jazzista Duke Ellington (que falava “amo vocês loucamente!” para a plateia) e que foi terminada pelos outros três. Manzarek também compunha, mas era na maior parte do tempo responsável por criar riffs e comandar arranjos. O discreto Densmore dava pegada jazzística ao repertório.

JAC HOLZMAN, chefe do selo Elektra, escolheu essa canção para primeiro single do disco assim que a escutou. Um integrante dos Doors não ficou nem um pouco contente com isso: o próprio Krieger, que considerava sua própria música apelativa e comercial demais.

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CONVIDADOS. Com a ideia de fazer um som que pudesse ser reproduzido ao vivo sem traumas, Botnick chamou um guitarrista de estúdio (Marc Benno, que trabalhara com nomes como Leon Russel) e um baixista (Jerry Scheff, integrante da TCB Band de Elvis Presley). Jim era visto andando pelo estúdio feliz da vida, já que iria tocar com o baixista do rei do rock. É o instrumento dele que pode ser ouvido em Riders on the storm e L.A. woman.

COMO RESULTADO da volta às raízes, pela primeira vez em bastante tempo um disco dos Doors chegava às mãos da crítica e não era destroçado. Na Rolling Stone, Robert Meltzer chegou a classificá-lo como “disco do ano”. Até hoje, muita gente considera esse disco o melhor dos Doors.

A FAIXA-TÍTULO

A LETRA DE L.A. woman é definida por testemunhas como “um filme noir sobre Los Angeles” – enfim, uma música sombria composta para uma cidade ensolarada. O “city of night” da letra faz referência ao romance LGBT City of night, de John Rechy. Manzarek acredita que a letra tem muito de autores como Raymond Chandler, Nathanael West e romancistas dos anos 1930 e 1940.

BOA PARTE da letra é pura sacanagem, com Jim despedindo-se das garotas de Los Angeles (para, talvez, começar nova vida em Paris) e gritando “Mr. Mojo Risin” (um anagrama com seu próprio nome) como referência ao “mojo” do universo do blues. O lado digamos, literário de Jim aparecia em outra faixa, The WASP (Texas Radio and the Big Beat), um longo poema musicado pela banda. Been down so long teve seu nome tirado de um livro do cantor folk (e cunhado de Joan Baez) Richard Fariña, Been down so long it looks like up to me. Em 1971, o livro de Fariña viru filme, dirigido por Jeffrey Young.

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RAY MANZAREK confessou que roubou parte dos riffs de teclado de House in the country, música do Blood, Sweat and Tears, para incluir em L.A. woman. Por outro lado, a melodia de Riders on the storm surgiu de Ghost riders in the sky, tema country gravado por uma multidão de gente (incluindo Johnny Cash e Elvis Presley). Krieger mexeu no riff e Manzarek tratou de tornar a música mais sombria.

ISSO É O FIM

APÓS GRAVAR TODOS OS VOCAIS, Jim reuniu os amigos e avisou que iria para Paris encontrar Pamela. “O quê? Mas a gente nem mixou o disco, falta fazer um monte de coisas”, teriam respondido todos. Em vão: Jim considerou sua parte terminada e começpu a se preparar para a viagem antes que as sessões de L.A. woman encerrassem. Os outros Doors lhe desejaram boa sorte. Mas qualquer pessoa próxima sabia que a banda não poderia mais contar com ele. “Não achei que algum dia ele voltaria”, disse Jac Holzman.

POLIAMOR PIRADÃO. Nos últimos dias em Los Angeles, Jim – apesar de ainda casado com Patricia e prestes a retomar o relacionamento com Pamela – caiu na farra em todos os clubes da cidade e procurou várias ex-namoradas. A esposa chegou a flagrar Jim com uma de suas amantes e Patricia conta em Daqui ninguém sai vivo que nessa ocasião, o cantor procurou todo tipo de material cortante em casa e propôs às duas que o cortassem. “Uma de vocês fica com meu p (*) e a outra com meu corpo. A alma, eu mesmo fico com ela, se não se importam”, disse. “Quando ele pegou no sono, já achei que estava morto e que nunca mais o veria outra vez”, contou Patricia.

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PARIS

PIRAÇÃO. Em 11 de março de 1971, Jim chegou em Paris e reencontrou Pamela. As poucas testemunhas do relacionamento na capital francesa dizem que se tratava de um relacionamento bastante aberto e excêntrico. Jim e Pamela ficaram na casa de um casal de amigos da garota por algum tempo antes de partirem para uma residência alugada. O cantor nunca tinha sido dos mais fieis, mas Pamela não ficava atrás. Traía o cantor com vários amigos e pedia que inventassem uma desculpa qualquer para ele.

(veja também: Paris, 1971: As últimas fotos conhecidas de Jim Morrison)

JIM havia dito a amigos que se endireitaria e que começaria uma carreira de escritor – produzindo uma autobiografia ou quem sabe, um livro sobre o julgamento de Miami. Mas foi em vão: o cantor continuou bebendo bastante e (dizem) seu relacionamento com Pamela era marcado pelo uso de heroína.

POUCO reconhecido nas ruas, numa cidade em que havia bem menos circulação de fãs de rock do que na Inglaterra ou EUA, o cantor chegou a puxar assunto com uma banda formada por garotos americanos radicados na França, que viu andando nas ruas com instrumentos. Inicialmente não foi reconhecido – os moleques ficaram até constrangidos depois, quando viram de quem se tratava. Jim acabou descobrindo que se tratava do Clinic, grupo liderado pelo canadense Phil Trainer, e que iniciara carreira na França.

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MORREU OU NÃO?

POUCAS PESSOAS viram Jim Morrison morto. O corpo do cantor foi encontrado sem vida na banheira do apartamento do casal, por um bombeiro, Alain Raisson, que anos depois deu até depoimento para o Fantástico. Na entrevista para o Show da Vida, Alain disse que não havia evidências de overdose ou de que Morrison havia sido assassinado (afinal, o que mais tem é gente dizendo que o FBI havia encomendado sua morte). Só disse que a água da banheira estava um pouco rosada. O laudo médico fala apenas em “parada cardíaca”.

MARIANNE FAITHFULL disse certa vez à Mojo que, sim, houve um culpado pela morte de Jim Morrison: um ex-namorado dela, o traficante de heroína Jean de Breteuil. Ela conta que estava com Jean em Paris passando férias, quando o namorado decidiu ir à casa do casal Pamela-Jim. Segundo ela, a dose que matou Jim foi fornecida por Jean. Ela diz que se tratou de um “acidente” e que todo mundo era muito ignorante na época sobre os efeitos da heroína. “De qualquer forma, todo mundo ligado à morte desse pobre coitado está morto agora. Exceto eu”, contou. Outra versão jura que Jim morreu de overdose de heroína no banheiro do clube parisiense Rock And Roll Circus e seu corpo foi levado direto para o apartamento onde ele morava, para evitar escândalos.

NOTÍCIAS VOANDO

OS AMIGOS de Jim começaram a ouvir boatos da morte do cantor logo no dia do óbito (3 de julho de 1971). O empresário dos Doors, Bill Siddons, soube da história, informou os colegas de Jim e pegou o primeiro voo para Paris. Chegou lá e viu Jim já morto, no caixão selado, e uma certidão de óbito pronta. Pamela e Siddons mal se lembravam dos médicos que assinaram a certidão e havia suspeitas de falsificação de assinaturas. Pamela apenas disse que estava dormindo ao lado de Jim e que ele se levantou para tomar banho.

TUDO O QUE SE SABE da ocasião foi dito por Pamela a Siddons, já que os poucos enlutados presentes ao enterro (foram seis pessoas) nunca falaram sobre o assunto. Pamela morreu de overdose em 25 de abril de 1974. Colegas de Jim nos Doors sempre afirmam que se existe alguém capaz de enterrar um saco de areia como se fosse um defunto e fugir sem deixar pistas, este alguém seria Jim. Mas não existe nenhuma evidência de que ele esteja vivo. Por outro lado, há quem negue que Jim Morrison tenha sido usuário de heroína, alegando que ele “detestava agulhas”, mas muita gente diz que o viu usando a droga.

PARA QUEM (evidentemente depois da pandemia) quiser ir a Paris levar “um dia de Jim Morrison”, um site chamado Bonjour Paris refez passo a passo os dias do cantor por lá, mostrando os lugares pelos quais ele passava e onde ele e Pamela haviam se hospedado. Mas o site fala também dos inferninhos que Jim frequentava (como o Rock And Roll Circus) e explica que a capital tinha se tornado um inferno de heroína nos anos 1970.

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A CAPA

SE VOCÊ não percebeu, o lay out de L.A. woman era uma imitação de slide fotográfico. Na primeira prensagem, a foto dos quatro Doors vinha com uma cobertura de papel celofane, e, para enfatizar a ideia do “slide”, a capa tinha cantos arredondados. O autor da capa era Carl Cossick e a foto foi feita por Wendell Hamick, mas Jac Holzman, chefão da Elektra, diz que a ideia partiu de uma encomenda dele. “Não sabia mais se a banda voltaria, então pedi uma capa de colecionador”, contou.

OS LANÇAMENTOS do disco ao redor do mundo modificaram levemente o trabalho gráfico, que acabou transformado em um capa de LP comum. No México, o disco ganhou um Amala locamente na capa. A foto, de colorida, virou preto e branco, e foi invertida para Jim ficar à esquerda, e não por último. No Líbano, a capa também ficou com foto preta e branca, mas em compensação o selo da representação local da Elektra é um achado, com a borboleta-símbolo da gravadora em tons de prateado. Em Israel, saiu uma variação com capa azul e contracapa amarela.

ALIÁS E A PROPÓSITO, na França, não houve muitas mudanças e a capa saiu até com os cantos arredondados. Já na Coreia do Sul, saiu uma edição pirata, em que a foto ganhou um aspecto sombreado e confundiu-se com a moldura do slide. No Brasil, a Philips pôs L.A. woman nas lojas em 1971, sem encartes e sem cantos arredondados.

E JÁ QUE VOCÊ CHEGOU ATÉ AQUI…

VEJA AÍ o pai e a irmã de Jim Morrison, com quem ele parou de ter contato constante ainda nos anos 1960, falando sobre o cantor dos Doors. O pai conta que sempre achou que o filho fosse ter sucesso. “Ele era criativo, esperto, gostava de escrever”, conta. Admite que mandou o filho arrumar um emprego de verdade quando Jim lhe disse que estava cantando numa banda, mas fica visivelmente emocionado quando lembra da vez em que viu Jim na TV. A irmã diz carinhosamente que achava que Jim ia “virar beatnik e ser pobre a vida inteira” e se entristece bastante quando lembra da morte do cantor.

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E confira também o documentário Mr. Mojo Risin’ – The story of L.A. woman, legendado, antes que tirem do YouTube.

VEJA TAMBÉM NO POP FANTASMA:

– Demos o mesmo tratamento a Physical graffiti (Led Zeppelin), ao primeiro disco do Black Sabbath, a End of the century (Ramones), ao rooftop concert, dos Beatles, a London calling (Clash), a Substance (New Order), a Fun house (Stooges), a New York (Lou Reed), aos primeiros shows de David Bowie no Brasil, a Electric ladyland (The Jimi Hendrix Experience), a Pleased to meet me (Replacements), a Dirty mind (Prince), a Paranoid (Black Sabbath), a Tango in the night (Fleetwood Mac) e a Mellon Collie and the infinite sadness (Smashing Pumpkins). E a The man who sold the world (David Bowie).
– Além disso, demos uma mentidinha e oferecemos “coisas que você não sabe” ao falar de Rocket to Russia (Ramones) e Trompe le monde (Pixies).
– Mais The Doors no POP FANTASMA aqui.

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Cultura Pop

Chico & Caetano de volta na Globoplay

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Chico & Caetano de volta na Globoplay

A entrada de Chico & Caetano na Globoplay traz de volta um momento (er) diferente na cultura pop nacional oitentista. Todo mundo quando lembra da década, pensa primeiro no rock nacional, no Rock In Rio, etc. Dessa vez, estavam lá na telinha da TV (em pleno ano de 1986) dois grandes nomes de um estilo musical que não era bem a cara dos anos 1980, apresentando ao vivo (não era gravação, não!) artistas de música brasileira, rock nacional (Rita Lee, Legião Urbana, Paralamas do Sucesso e RPM foram lá) e música latina (Mercedes Sosa e Pablo Milanés estiveram no palco do antigo Teatro Fênix).

O primeiro programa, se você não assina a Globoplay, está inteiro no YouTube. A atração abre com clima de convescote global (com vários atores e cantores chegando para assistir e/ou participar) e com as carteirinhas funcionais dos dois compositores/apresentadores. Entre os destaques, tem um raro momento em que Caetano aparece empunhando uma guitarra, numa versão axé-ambient de Milagres do povo.

As relações de Caetano Veloso com a Globo tinham sido relativamente tranquilas durante os anos 1970 e 1980 – com o baiano aparecendo constantemente nos programa da casa, mas criticando a emissora (e todas as outras) quando era necessário. Já Chico Buarque, mesmo ocasionalmente surgindo em trilhas de novelas, tinha ficado de fora da emissora por vários anos.

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Anos depois, num artigo para o próprio jornal O Globo, afirmou que “nos anos 70 a TV Globo me proibiu. Foi além da Censura, proibiu por conta própria imagens minhas e qualquer menção ao meu nome”. O retorno de Chico à emissora foi gradual, incluindo especiais de TV, gravações pela Som Livre (gravadora da emissora), clipes no Fantástico (alguns vazaram até para o horário “jovem” da emissora, no Clip clip) e, finalmente, Chico & Caetano, que durou de 25 de abril a 26 de dezembro de 1986, em poucas edições.

O fato de Caetano, bem mais desinibido, ter aceitado participar, contribuiu para o “sim” de Chico – que já havia tentado ser apresentador de TV nos anos 1960 ao lado de Nara Leão, sem sucesso. Mas Chico e Caetano, vale dizer, eram dois talentos que foram lançados ao grande público pela televisão (via festivais da Record), e já haviam gravado um disco juntos (Chico e Caetano juntos e ao vivo, de 1972). Apresentarem um programa juntos era a combinação mais natural do mundo. Daniel Filho, o diretor, queixava-se por sinal da ausência de Chico na série Grandes Nomes, de musicais televisivos, feita pela Globo poucos anos antes.

“Mas tudo mudou: saiu Figueiredo, entrou Sarney”, revelava ao Jornal do Brasil em 17 de março de 1986. A ideia de levar astros da música latino-americana, mais do que meramente musical, era política. “Temos uma grande preocupação com o terceiro mundo. Procuramos trazer a música de povos machucados como nós”, contou o diretor Roberto Talma a O Globo em 20 de abril de 1986. O roteiro do programa era de Nelson Motta.

Apesar do programa ser um bom mostruário de MPB (incluindo a participação de Elza Soares, que retornava com um disco pela Som Livre e uma participação em Língua, sucesso de Caetano, após um período de sumiço), muita gente reclamou da ausência de alguns nomes. Thomas Pappon entrevistou Chico para a Bizz em abril de 1988 e aproveitou para dizer que não tinha visto Luiz Melodia por lá.

“Ele não foi, mas se você for contar todas as pessoas que não foram convidadas veria que não cabiam em nove programas”, disse Chico, revelando que a ideia era só fazer poucos programas mesmo – e que nem teria como produzir mais do que isso, porque era a atração mais cara da Globo naquele momento. O cantor de Juventude transviada não foi o único ausente. O MPB 4 não foi convidado e, por causa disso, teria rolado uma mágoa com Chico, revelada no livro sobre o cantor da série Perfis do Rio, de Regina Zappa. Tim Maia foi ensaiar, não foi à transmissão e a emissora mandou as imagens do ensaio para o ar. O Camisa de Vênus foi convidado para encerrar o programa com o hit Só o fim, e recusou o convite.

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Chico & Caetano fez sucesso, mas saiu bem na época em que a Rede Manchete prosseguia no objetivo de aporrinhar a Globo – após a encrenca do Carnaval 1986, quando a emissora dos Bloch conseguiu transmitir a festa com exclusividade, a novela Dona Beija roubou parte da audiência do programa. E sim, teve ainda um caso interessante ligado a Chico & Caetano que foi a tal música Merda, composta por Caetano para a atração. A canção saiu no disco que a Som Livre lançou com os melhores momentos do programa (interpretada por Chico, Caetano, Rita Lee e Luiz Caldas), mas foi proibida para exibição na TV pelo diretor de censura, Coriolano Fernandes, alegando que “se liberar pra Globo, o pessoal abusa”. Enfim, merda mesmo era a censura.

De passar para a história do pop nacional, tiveram as reações de Chico (um olhar de “quando é que isso acaba?”) e de Caetano (o “adorei aquilo!” do baiano) à apresentação da Legião Urbana no programa.

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Cultura Pop

Billy Idol: descubra agora!

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Billy Idol: descubra agora!

Peraí: alguém precisa mesmo descobrir Billy Idol? Bom, nem tanto: o astro punk fez bastante sucesso nos anos 1980 como cantor solo (e já vinha de uma carreira bem bacana com a banda Generation X), vendeu milhares de discos em sua carreira e recentemente dividiu o palco com Miley Cyrus na 55ª edição do Super Bowl. E acaba de lançar um EP, The roadside. O repertório do disco foi inspirado no acidente de moto que quase lhe custou uma perna em 1990 – e que acabou por quase deixar o cantor fora do elenco de The Doors, filme de Oliver Stone (seu papel, que era para ser o de um parça de Jim Morrison, foi reduzido a bem menos espaço).

Enfim: tivemos uma semana de redescobertas na obra de Billy Idol, a partir do novo EP, e decidimos dividir algumas canções com os leitores do site. Pega aí.

“YOUR GENERATION” (single do Generation  X, de 1977). Formado de uma defecção da banda punk Chelsea (a formação inteira deixou o líder Gene October sozinho no grupo), o Generation X estourou rapidamente: foi contratado pela Chrysalis, ofendido por Elton John (que chamou o som do grupo de “lixo horrível”) e lançou o single Your generation no programa de curta duração que Marc Bolan teve na TV britânica. Marc era ídolo de Idol (opa), que se lembrou por vários anos de ter ido a um festival de rock em que Bolan, em começo de carreira, estava se apresentando e foi vaiado. “Ele disse à plateia: ‘Por que vocês não vão se f…?’”, contou em 1986.

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“READY STEADY GO” (single do Generation X, 1978). Faixa de lançamento do LP de estreia da banda, epônimo. Era uma referência real oficial ao clássico programa musical da TV inglesa – há um verso que fala em “ready steady Who”, lembrando que o The Who era um dos principais atos da atração, e Billy diz na letra que não quer saber de programas como Juke box jury (game show de artistas da BBC) porque “ama Cathy McGowan” (apresentadora do Ready steady go!). Entre o lançamento do single e o do álbum, Idol, durante um show em Derby, foi socado com tanta violência por um Hell’s Angel presente na plateia, que voou pelo palco e foi parar na bateria.

“DANCING WITH MYSELF” (single do Gen X, 1980). Com o nome mudado para o  apelido Gen X, o Generation X lançou esse último single em 1980, inspirado pela visão de pessoas dançando “com as paredes” em discotecas em Tóquio. Não fez sucesso com a banda, mas Idol, já solo, pediu ao produtor Keith Forset para remixar e retrabalhar a faixa – que, aí sim, fez sucesso nos EUA e ganhou as paradas.

“WHITE WEDDING” (do disco Billy Idol, de 1982). Terceiro hit de Idol (ainda teve Hot in the city como single do primeiro álbum), foi lançado com um baita clipe, com participação da então namorada do cantor, Perri Lister – que se cortou e sangrou de verdade numa das cenas, usando uma aliança de casamento feita de arame farpado. O clipe trazia um casamento em tons góticos e chocou por causa de uma cena em que os convidados faziam uma saudação nazista aos noivos (o diretor David Mallet nega que seja uma saudação e alega que os figurantes estavam apenas esticando suas mãos).

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“REBEL YELL” (do disco Rebel yell, de 1983). Inspirada por uma marca de uísque de mesmo nome (?), virou a canção mais popular de Billy – até hoje, nas plataformas digitais. Também foi bastante parodiada, inclusive num quadro da Vila Sésamo, com direito a um sósia de Billy Idol em estilo muppet. A ideia original era que a música fosse uma espécie de rock eletrônico, com guitarra, teclado e bateria eletrônica. Thommy Price, baterista de estúdio, acrescent0u o instrumento depois.

“EYES WITHOUT A FACE” (do disco Rebel yell, de 1983). Inspirado por um filme de terror francês de 1960 chamado Les yeux sans visage (o nome é repetido no refrão),  Billy fez essa letra que, aparentemente, não combina coisa com coisa – mas que, segundo ele, falava da roda viva de drogas, tietes animadinhas e festas de arromba que ele vivia em Nova York. “Pode ser que eu estivesse refletindo sobre minhas infidelidades nas turnês. Isso pode deixar você se sentindo sem nenhuma alma, especialmente se você está num relacionamento”, disse na biografia Dancing with myself.

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“SWEET SIXTEEN” (do disco Whiplash smile, de 1986). Billy Idol compôs essa música inspirado por um episódio do programa In search of… – exibido na TV americana a partir de 1977 e apresentado por ninguém menos que o ator Leonard Nimoy – que falava sobre a construção do Castelo de Coral, na Flórida. O castelo tinha sido construído por um imigrante letão, Edward Leedskalnin, abandonado pela futura esposa – que ele chamava de “my sweet sixteen”. A música ganhou dois clipes, um deles, colorido, filmado nas cercanias do castelo. Whiplash smile, feito após algumas crises criativas de Idol (que se desesperava por causa da duração extensa de algumas músicas), acabou virando sucesso.

“CRADLE OF LOVE” (do disco Charmed life, de 1990). Rolaram algumas mudanças nesse quarto disco de Billy, que não contava com Steve Stevens na guitarra. O texano Mark Younger-Smith tocou o instrumento e dividiu parcerias. Quatro baixistas (entre eles o próprio Mark) participaram do álbum. Charmed life (que é mais conhecido pela versão de LA woman, dos Doors) foi gravado em meio a uma vida cada vez mais decadente, repleta de drogas, problemas pessoais e auto-abandono, com Billy cada vez mais distante dos dois filhos pequenos. “Conforme eles cresciam, eu via que a coisa que eles menos queriam era um pai drogado, alcoólatra e viciado em sexo”, disse.

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“SHOCK TO THE SYSTEM” (do disco Cyberpunk, de 1993). Um dia, nos anos 1990, Billy acordou e viu que se tivesse que mostrar ao mundo o que era punk naqueles tempos, deveria começar pela tecnologia. “Sou um punk de 1977 vendo Courtney Love falando sobre punk, Kurt Cobain falando sobre punk, e essa é minha resposta”, disse ao New York Times. Cyberpunk surgiu numa época em que Billy, cheio de pinos na perna após um malfadado acidente de moto, estava lendo livros de autores como William Gibson e pesquisando tudo a respeito de ciborgues, tecnologia e ficção cyberpunk. O álbum é experiência um tanto quanto chata, mas rendeu esse single legal. Para Billy, Cyberpunk representou uma ruína pessoal: o disco foi tão mal recebido que ele se sentiu humilhado, e decidiu sumir.

“YELLIN’ AT THE CHRISTMAS TREE” (do álbum Devil’s playground, de 2005). Após vários anos sumido do mundo da música, com poucos shows e poucas aparições em público, Billy voltou com um novo parceiro (o baterista Brian Tichy) e trouxe Steve Stevens de volta como guitarrista, além de Keith Forsey como produtor.  Seu (bom) sexto disco desde 1982 rendeu críticas mistas e trazia uma sonoridade mais próxima do pop punk, e das canções dos primeiros álbuns. Billy recebeu até um Ramones rápido num dos singles do álbum.

“EYES WIDE SHUT” (do disco Kings & queens of the underground, de 2014). Em seu oitavo disco (antes desse, o cantor lançou um curioso disco de canções natalinas, Happy holidays, em 2006), Idol dividiu parcerias com Steve e com outro guitarrista, Billy Morrison. Boa parte do álbum soava como uma boa volta ao passado (opa, a faixa-título é um curioso interlúdio folk-psicodélico), e as letras eram quase autobiográficas. Se não ouviu na época, pode ouvir hoje sem susto. Comece por esta balada.

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“BITTER TASTE” (do EP The roadside, 2021). As lembranças de quase ter perdido a vida numa estrada voltaram à mente de Idol e ele lançou esse novo EP. O cantor volta mais reflexivo, e numa entrevista à Rolling Stone, explicou que nasceu de novo após aquilo. “Deixei para trás o jovem irreverente Billy e abri a porta para um pai mais atencioso e um músico mais sensível”, disse.

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Cultura Pop

No podcast do POP FANTASMA, Stranglers!

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Nada pode parar os Stranglers e impedir uma das maiores bandas da história do rock britânico de fazer bonito – e tem disco novo deles rolando nas plataformas, Dark matters. Recentemente, a covid levou o tecladista do grupo, Dave Greenfield, um desses músicos que estavam sempre algumas jogadas à frente no tabuleiro. O Stranglers, que vinha ficando acostumado a mudanças na formação desde a saída do vocalista Hugh Cornwell, em 1990, hoje é um trio comandado pelo baixista e vocalista Jean Jacques Burnel, o único a permanecer na banda desde o comecinho.

Na nona edição do Pop Fantasma Documento, nosso podcast, lembramos a carreira dos Stranglers, um pouco das histórias de discos clássicos como No more heroes (1977), Black and white (1978) e La folie (1981) e falamos um pouco das novidades da banda. Ah, cansamos um pouco de falar para as paredes e dessa vez tem convidado: o músico, produtor e jornalista André Mansur ajuda a falar da história da banda e do impacto dos Stranglers no rock brasileiro (sim, teve!).

O Pop Fantasma Documento é o podcast semanal do site Pop Fantasma. Episódios novos todas as sextas-feiras. Roteiro, apresentação, edição, produção: Ricardo Schott. Músicas do BG tiradas do disco Jurassic rock, de Leandro Souto Maior. Estamos no SpotifyDeezerCastbox Mixcloud: escute, siga e compartilhe!

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