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Cultura Pop

Várias coisas que você já sabia sobre Black Sabbath Vol 4

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Várias coisas que você já sabia sobre Black Sabbath Vol. 4

Tranque no estúdio quatro ingleses broncos que fazem um som bastante pesado e sombrio. Diga a eles para colocarem todas as suas angústias e frustrações nas músicas. Aumente o suprimento de drogas e faça todos cheirarem igual a quatro tamanduás, para intensificar o clima caótico das músicas. Em resumo, a receita de Vol 4, quarto disco do Black Sabbath, lançado em 25 de setembro de 1972, é essa aí. Mas vale afirmar que discos fantásticos como esse não cabem em manuais ou livros de receita.

Várias coisas que você já sabia sobre Black Sabbath Vol. 4

Após três primeiros discos feitos em meio a turnês e/ou com pouco tempo de estúdio, Ozzy Osbourne (voz), Tony Iommi (guitarra), Terry “Geezer” Butler (baixo) e Bill Ward (bateria) finalmente conseguiam fazer um álbum sem pressa, com controle artístico (o próprio Iommi produziu quase tudo, ao lado do resto da banda e do empresário Patrick Meehan) e com… De fato, se Vol 4 fosse feito por crowdfunding, uma das recompensas teria que envolver o desfrute, ao lado dos fãs, da montanha de substâncias ilícitas que a banda usou para elaborar faixas como Wheels of confusion, Supernaut, Tomorrow’s dream e outras.

>> Veja também no POP FANTASMA: 25 coisas que você já sabia sobre a estreia do Black Sabbath

Agora, Vol 4 foi devidamente encaixotado para os grandes fãs. Vol 4: Super deluxe edition sai em quatro CDs ou cinco LPs. Não apenas inclui a nova versão remasterizada do álbum original, como também vinte gravações inéditas de estúdio (incluindo versões alternativas de Wheels of confusion e outras faixas). Além de gravações ao vivo de 1973.
Várias coisas que você já sabia sobre Black Sabbath Vol. 4

O pacote ainda tem um livro com fotos raras e um pôster com a capa feita para Vol 4 quando a banda queria chamá-lo de Snowblind. Pela primeira vez, a capa exibe a foto real em que Ozzy aparece com os braços levantados, sem o efeito que a transformou num desenho laranja.

E tá aí nosso relatório sobre Black Sabbath Vol 4. Ouça lendo, leia ouvindo.

DROGAS

IMPOSSÍVEL falar sobre Black Sabbath Vol 4 e sobre tudo o que vinha acontecendo na vida do Black Sabbath sem falar de um assunto nada banal: drogas. Mesmo que tivessem passado a pegar mais pesado época, os quatro estavam longe de serem ingênuos no quesito entorpecentes. Bill Ward, por exemplo, conhecia speed e demais bolinhas desde a adolescência. Os outros não ficavam muito atrás. Mas com a fama, as drogas pesadas chegaram rapidamente, e o acesso a elas ficou cada vez mais fácil.

>> Veja também no POP FANTASMA: E aí, será que chegou a hora de reavaliar Live evil, do Black Sabbath?

OZZY cheirou pela primeira vez em 1971. Seu padrinho no pó foi Leslie West, guitarrista do Mountain, quando abriu para eles no Denver Coliseum. O cantor recusou de início, mas cheirou a noite toda. As drogas marcaram a gravação do terceiro disco da banda, Master of reality (1971). Mas também foram o combustível dos shows, dados para públicos cada vez maiores e ensandecidos.

O SABBATH atraía também muita gente bizarra. Além dos satanistas que perseguiam a banda, os Hell’s Angels visitaram o grupo num camarim de show. Avisaram que adoravam o grupo, e que o Sabbath podia contar com a segurança deles. Aliás, groupies invadiam camarins da banda e traficantes começavam a  ficar cada vez mais próximos do grupo. Num show, Ozzy assustou-se de ver “umas mil seringas no chão” da plateia. A banda também recebia cartas com sangue.

ALIÁS E A PROPÓSITO, as turnês do Sabbath eram repletas de drogas, a ponto de o material “ilícito” viajar com o quarteto nos shows, e de amigos procurarem a banda em busca de drogas. Tony Iommi chegou a afirmar que era como se os quatro fossem traficantes.

PESO PESADO

O TERCEIRO DISCO do Sabbath surgiu numa época em que, apesar do rock progressivo vender muitos LPs, a crítica e o público tinham mais com o que se preocupar: o mercado começou a ficar cheio de bandas de hard rock, e de cantores de voz-e-violão que falavam sobre temas introspectivos e focavam nas mazelas da vida.

ERAM dois gêneros antagônicos e, a cada um, sobrava o seu devido escaninho. As bandas de rock pesado vendiam muitos discos e eram execradas pelos críticos. Dentre os cantores introvertidos, alguns eram um enorme sucesso de público, mas de modo geral o êxito de crítica do estilo folk urbano era bem maior. O New Musical Express pôs James Taylor em sua capa de 3 de julho de 1971 e escreveu num canto: “É ele o novo Messias?”.

CANTA BAIXINHO

FORA DESSES UNIVERSOS, o glam rock e derivados iam muito bem, ao menos na Inglaterra (T. Rex vendeu vários discos com Electric warrior, em 1971) e cantores de soul e de baladas de acento black ainda dominavam o mercado. Em 1972, ano de Black Sabbath Vol 4, o Jackson 5 comemorava a mudança de voz do adolescente Michael Jackson (que ganhava um registro menos grave) com o sexto disco, Lookin’ through the windows.

AINDA QUE A BANDA vendesse muitos discos, o Sabbath não era tratado da mesma forma que outros grupos de som pesado, como Led Zeppelin e Deep Purple, que latiam mais alto no mercado. Ozzy e seus amigos reclamavam do descuido das gravadoras (tanto a Vertigo, na Inglaterra, quanto a Warner, nos EUA, que lançavam os discos deles) e às vezes, eram comparados não com bandas de pré-metal, mas com grupos de protopunk, como Stooges. Se os jornalões e o alto escalão dos jornalistas detestavam o grupo, publicações underground volta e meia faziam resenhas positivas de seus discos.

ALIÁS E A PROPÓSITO, o Black Sabbath foi aconselhado a agir um pouco como o Led Zeppelin e começar a recusar propostas de entrevistas. Num papo com a Rolling Stone em 1971 (um dos raros que agendaram para divulgar Master of reality), a banda zoou as perguntas, com direito a Ozzy dizendo que seria o primeiro integrante da banda a morrer. “Vou morrer antes dos quarenta, sei disso”, afirmou.

BONDE SINISTRO DO BLACK SABBATH

POUCO ANTES de Vol 4 ser gravado, o Black Sabbath encerrou uma turnê britânica, em fevereiro de 1972, e embicou em outro giro pelos EUA. E foi lá que se cristalizou uma ligação especial: Ozzy e Ward eram os mais sem-noção da banda no quesito drogas. A dupla virava noites tomando de tudo.

E COMO o baterista costumava ficar sempre mais louco que todo o mundo, a diversão dos colegas era (você deve saber) botar fogo em sua barba. Quando a banda ficou hospedada no Edgewater Inn, em Seattle – local onde se pescava à beira d’água e onde o Led Zeppelin havia protagonizado barbaridades envolvendo uma fã e pedaços de cação – Tony Iommi pescou um tubarão e o atirou pela janela, direto na cama de Ward.

OS VÁRIOS SHOWS e os abusos começaram a cobrar a conta do grupo, ainda que todos fossem ainda bem jovens. Bill Ward, mais bêbado que um gambá, chegou a ser internado com hepatite. Continuou bebendo e usando drogas depois da internação, no entanto. Ozzy não ficou muito atrás e Tony e Geezer, também não.

ENSAIOS

O SABBATH precisava seguir uma lei não-escrita na elaboração do Vol 4: era preciso fazer tudo com atenção. O disco deveria ter o mesmo sucesso dos anteriores, a banda teria mais tempo de estúdio (e poderia contar com uma qualidade de gravação melhor, além de toda a atenção de técnicos e produtores) e a situação era bem diferente dos dois anteriores, feitos em meio a turnês e à pressa da gravadora.

OS ENSAIOS foram num estúdio em Birmingham mesmo, com Tony trancafiado na sala de gravação tentando produzir riffs que tivessem a mesma qualidade dos de músicas como Paranoid e Black Sabbath. Os outros três passavam o dia enchendo a cara num pub nas redondezas e só apareciam por lá para conferir o que o guitarrista produzida. Tony começou a ficar puto.

GRANA. Elaborando o que seria o quarto disco, o Sabbath começou a perceber uma coisa básica: a banda fazia muito dinheiro e ainda deixava seus empresários milionários. Os quatro, que no começo do grupo mal tinham dinheiro para comer, agora podiam comprar carros, casas e tudo o que quisessem. Mesmo que Ozzy fosse casado e tivesse uma filha (Jessica, nascida em janeiro de 1972 e a única integrante do clã Osbourne a se recusar a aparecer na série The Osbournes, anos depois), a banda mudou-se para uma mansão em Bel Air para ficar mais próxima do estúdio onde gravariam o disco, em Los Angeles.

TODO MUNDO DOIDÃO

DROGAS. No tal casarão, o empresário Patrick Meeham também se instalou, para controlar mais de perto os negócios da banda. A mansão logo virou um mocó onde se consumia drogas variadas, além de enormes quantidades de cocaína entregues em caixas seladas. Às festas da banda, compareciam montes de traficantes, groupies, músicos atrás de drogas e uma renca de aproveitadores. Um cão doberman que ficava na mansão quase morreu, ao comer cocaína misturada com xarope infantil.

NUMA dessas noites de chapação, Ozzy viu um botão e achou que fosse do sistema de ar condicionado. Foi ligar, mas logo descobriu que não era: era um botão de alarme que chamava a polícia. E a banda estava reunida em torno de uma montanha de drogas, numa mesa. Assim que os policiais chegaram, a banda e seus camaradas começaram a jogar toneladas de drogas privada abaixo, achando que se tratava de alguma denúncia. Depois, passaram um bom tempo tentando recuperar as drogas perdidas.

ALIÁS E A PROPÓSITO, a primeira opção de título que a banda deu para Vol. 4 foi Snowblind, mas a Vertigo odiou a ideia, porque a referência às drogas era bem clara no nome. O título persistiu até os masters serem enviados à empresa. “Na época a cocaína era um grande negócio e a gravadora não queria encrencas”, entregou Ozzy. Ainda assim, era o nome da primeira faixa do lado B do álbum. A heroína começava também a surgir nos ensaios, mas os músicos não se injetavam. Apenas cheiravam a droga.

O ESTÚDIO

O SABBATH iniciou os trabalhos no Marquee Studios, construído na garagem atrás do clube de mesmo nome, em Londres. O local havia sido usado anteriormente por bandas clássicas como Beatles e Rolling Stones. Lá a banda trabalhou em Snowblind, a música mais cara de pau a respeito do uso de cocaína. Aliás, foi de lá que saiu também FX, vinheta gravada por um Tony Iommi doidão, pelado no estúdio, apenas com o barulho de seus crucifixos batendo na guitarra. O músico reconhece que era uma ideia estúpida, mas alguém perguntou “por que não colocamos isso no disco?”. E aí…

COM A IDA PARA LOS ANGELES, a banda instalou-se no Record Plant, um dos maiores estúdios da região, com mais canais e mais espaço para todos. O local havia sido aberto em 1969 e já tinha máquina de 24 canais quando isso era luxo. O restante do disco foi gravado lá, com a banda quase sempre virada das noites na mansão de Bel Air (e não é por acaso que o disco tem um agradecimento à “grande indústria da Coca de Los Angeles” no encarte).

INFLUÊNCIA INIMAGINÁVEL. Tomorrow’s dream, a suingada e pesadíssima segunda música do disco, tem raiz numa banda que, a princípio, nada tinha a ver com o Black Sabbath: T. Rex. Geezer Butler diz ter escrito a letra ao observar a situação de Marc Bolan, o líder. “Sempre que eu o via, lembrava do quão frágeis as coisas são. Ele era um popstar na Inglaterra, mas não era conhecido fora de lá. A música falava sobre como delicado era ser um rock star. Num dia você é sucesso de massa, no outro ninguém conhece você”, contou.

>> Veja também no POP FANTASMA: Várias coisas que você já sabia sobre Paranoid, do Black Sabbath

ALIÁS E A PROPÓSITO, apesar de o disco trazer uma balada romântica bastante comercial, Changes, o Sabbath preferiu lançar como single justamente Tomorrow’s dream, com o instrumental Laguna sunrise no lado B. Esse compacto saiu até no Brasil. Mas nas Filipinas, Changes virou single, e na Austrália, saiu um EP com a capa de Vol 4, só que com o nome de Paranoid, e as faixas Paranoid, Black Sabbath, Changes e Tomorrow’s dream.

Várias coisas que você já sabia sobre Black Sabbath Vol. 4

MUDANÇAS

O CLÁSSICO INESPERADO Changes surgiu quando Tony Iommi viu um piano no hall da mansão. Nem sabia tocar o instrumento, mas fez algumas notas e compôs toda a música. Ozzy fez a letra inspirado no clima bizarro da vida amorosa de alguns integrantes (Tony tinha acabado de terminar um relacionamento, Bill estava se divorciando). Aliás, se você não sabia, Geezer Butler faz o som “de orquestra” num mellotron.

JÁ O INSTRUMENTAL Laguna sunrise chegou a assustar os fãs pela beleza sombria. O que você ouve no disco é Tony Iommi tocando violão acompanhado por uma orquestra. A música foi inspirada pelas idas da banda à casa de uma amiga em Laguna Beach, Orange County, e pelas viagens de drogas diversas no local. Algumas dessas viagens foram bem mal-sucedidas, com Geezer Butler vendo esqueletos e um funcionário da banda se acidentando seriamente após saltar de um trampolim. Iommi diz que a música inteira foi inspirada pelo nascer no sol na praia.

(NÃO) FAÇA VOCÊ MESMO. Iommi teve uma ideia: por que não colocar uma orquestra em Laguna sunrise? Aliás, melhor ainda: por que não tocavam eles mesmos os instrumentos? Ele e Butler compraram violinos e violoncelos e foram tentar. “Mas foi um desastre, absolutamente. O som parecia um gato morrendo. Comprei o violino mas não fazia ideia de como tocar aquilo direito. A gente via orquestras e pensava: ‘Ué, eu toco guitarra, baixo, será que é difícil tocar violoncelo?'”, explicou. A banda refez tudo com músicos contratados.

MAIS MÚSICAS

UM DETALHE que hoje é revelado pela caixa Vol 4 de luxo: quando o grupo foi gravar Wheels of confusion, houve uma primeira parte em que o técnico de som perguntou a Ozzy Osbourne como a música se chamava. Só que Ozzy responde: “Bollocks!” (merda). Mas foi só uma brincadeira idiota. “Nunca a chamaríamos assim. Tenho feito merda de lá para cá, mas…”, brinca o cantor.

GEEZER BUTLER, assim como nos primeiros discos, era o autor da maioria das letras. Aliás, contou que seu estado de espírito na época vazou para cada uma delas. Cornucopia, por exemplo, tem o verso: “As pessoas dizem que eu sou durão/Não sabem o que eu escondo”.

ALIÁS E A PROPÓSITO, o baixista contou que lidava com uma depressão, só que não sabia disso. “A maioria das letras é bem pra baixo. Porque não havia pílulas ou algo parecido com o qual você pudesse ser tratado. Você ia ao médico e eles diziam para você sair, tomar alguns drinques no pub, levar seu cachorro para passear, pensando que era apenas uma coisa passageira. Então, a maneira de expressar meus sentimentos era escrever as letras”, afirmou.

>> Veja também no POP FANTASMA: Fizeram uma versão do Black Sabbath em alemão, com letra falando do romance O cão dos Baskerville.

MÚSICAS EXTRAS?. A edição americana de 1973 de Vol 4, lançada pela Warner, trazia duas faixas listadas na contracapa que até hoje soam estranhas para os fãs da banda: The straightener e Every day comes and goes. A primeira era a coda instrumental de Wheels of confusion e a segunda era a parte final, também sem vocais, de Under the sun. O livro Black Sabbath, de Mick Wall, afirma que esse tipo de medida – tomada pela Warner americana também nos discos anteriores do grupo – servia para tornar os álbuns do Sabbath mais “palatáveis” para rádio, mostrando quais eram partes das canções que poderiam ser cortadas pelos DJs. Aliás, esses nomes perduraram e apareceram nas edições em CD.

CAPA

COMO VOCÊ DEVE SABER, aquilo que você vê na capa (em laranja) e na contracapa (em branco) de Vol 4 é o próprio Ozzy Osboune. Aliás, a imagem não foi feita com exclusividade para a capa. A foto foi clicada por Keith Macmillian (o popular Keef, que também fez as fotos dos dois primeiros álbuns) em 24 de janeiro de 1972, durante um show do grupo no Birmingham’s Town Hall, em meio a uma curta tour europeia.

NA FOTO, Ozzy aparece fazendo o sinal de paz e amor – em pleno 1972, quando gestos hippies, além de já estarem fora de moda, não tinham nada a ver com a temática do grupo. “Todo mundo estava fazendo isso, então eu simplesmente fiz. Não era minha praia. Eu estava longe de ser um cara pacífico”, reconhece o cantor. Nesse mesmo show em sua cidade natal, a banda estreou Tommorow’s dream.

ALIÁS E A PROPÓSITO, existe um piratinha dessa noite.

CAPAS?

O VISUAL de Black Sabbath Vol 4 não foi muito estragado ao redor do mundo, não. Só que em algumas edições, acontecia de as letras brancas ganharem uma coloração creme (aconteceu na edição alemã). Aliás, o disco ganhou uma edição em K7 nos EUA em que as cores apareciam invertidas: fundo laranja, Ozzy preto.

EM 1976, a reedição do selo NEMS tingiu de laranja o letreiro que anunciava os nomes da banda e do disco. No ano de 1990, um selo independente chamado SNC lançou o álbum pela primeira vez na União Soviética – com mudanças na capa para que o título aparecesse em duas versões, a original e a do idioma local. Mas até mesmo a capa dupla da edição original foi lançada em vários países. Inclusive no Brasil, onde o álbum aportou em 1972, lançado pela Philips.

ALIÁS E A PROPÓSITO, o selo NEMS, que reeditou os discos do Sabbath a partir de 1976, era aquela mesma gravadora/loja comandada por Brian Epstein, ex-empresário dos Beatles, nos anos 1960. Por causa da morte de Brian em 1967, a gravadora faliu. Só que o material do selo voltou em 1972, quando a empresa foi comprada pela Hemdale, dos empresários David Hemmings e John Daly.

A HEMDALE fez uma parceria com a Worldwide Artists Management, que empresariava o Sabbath (na figura de Patrick Meehan) e os álbuns do Sabbath começaram a aparecer com selos como WWA e NEMS. Inicialmente, os LPs do grupo seriam comercializados pela Phonogram, mas o selo ainda trocou de mãos. Essas edições seriam lançadas aqui no Brasil pela RGE nos anos 1970 e 1980, só que na maioria das vezes com capas mal-cheirosas, vinis mal prensados e sem encartes.

Várias coisas que você já sabia sobre Black Sabbath Vol. 4

E DEPOIS?

EM JUNHO DE 1972, o Sabbath saiu da casa de Bel Air e foi mixar o disco no Island Studios, em Londres – Tony, produtor de fato do álbum, tomou conta de todo o processo. Os outros músicos já haviam voltado para suas famílias. Mas Ward, separado, lembra que estava levando uma vida junkie com a namorada. E que, além de viver todo o tempo chapado, não concordava com a linha mais classuda que o Sabbath estava levando no novo disco. Isso levou a banda a olhar atravessado para o baterista.

TONY IOMMI chegou a temer que Vol 4 fosse um fracasso. Mas não aconteceu nada disso: o disco de ouro chegou rápido e um milhão de pessoas comparam o álbum nos EUA. Lester Bangs, feroz crítico musical, até elogiou o álbum na Creem, comparando as letras do grupo com as de Bob Dylan (!). Só que, mesmo assim, tanto a Vertigo e a Warner quanto a banda preocuparam-se quando o álbum estacionou no 13º lugar nos EUA e no 8º na Inglaterra.

ALIÁS E A PROPÓSITO, o Sabbath continuou embicando nas drogas, permaneceu sendo visitado por satanistas no camarim e sendo acusado de dar mau exemplo por religiosos. Num dos encontros com satanistas, o grupo viu montes deles portando velas pretas – a banda soprou as velas e se mandou (!).

Com material dos livros Eu sou Ozzy (Ozzy Osbourne) e Black Sabbath (Mick Wall), e da Rolling Stone e do Discogs.

Cultura Pop

Relembrando: New Model Army, “Vengeance” (1984)

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Relembrando: New Model Army, "Vengeance" (1984)

O New Model Army é dessas bandas originalmente ligadas ao pós-punk que, por associações, acabam sendo vistas como ligadas ao rock gótico e até ao metal. O grupo britânico, que acaba de passar pelo Brasil, sempre teve um público banger forte, e até mesmo o Sepultura releu sua música The hunt no disco Chaos AD, de 1993.

Igualmente, a sonoridade deles sempre se prestou várias definições. Esteve também próxima do punk, do pós-punk e até de uma certa renovação do folk-rock britânico. Mesmo que o som do grupo fosse marcado por palhetadas de guitarra e baixo, e por sonoridade ágil, o caráter “de protesto” das letras do vocalista e guitarrista Justin Sullivan sempre apareceu na frente, o que aproxima a banda do tom pastoril dos bardos de voz-e-violão.

Vengeance, primeiro álbum da banda britânica (selo Abstract, 4 de abril de 1984), já trazia todo esse receituário sonoro, além de outros elementos. O instrumento mais ouvido nas músicas do disco, e o que dava até mais identidade à banda na época, era o baixo de Stuart Morrow, principal parceiro de Justin nas composições. Morrow praticamente revirava as canções do avesso, inserindo solos tribais de baixo, e dando um aspecto jazz-funk-disco até mesmo aos momentos mais punk da banda. Ele deixou o grupo em 1985 e até hoje há quem diga que, mesmo com o sucesso que o New Model Army alcançaria depois, sua fase foi a melhor.

Existe certa discussão até hoje sobre se Vengeance é um álbum ou não – por ter duração reduzida e apenas oito faixas, ele foi entendido na Inglaterra como mini-LP até ser acrescido, em 1987, de mais nove faixas de compactos. Como LP curto (e gravado em sete dias!), é cheio de personalidade, feito numa época em que o grupo era um trio – além de Justin e Stuart havia Rob Heaton (bateria) – e com letras que pareciam prever desgraças futuras.

É o caso de Christian militia, de versos como “a milícia cristã está marchando agora/o ódio faz a adrenalina fluir (…)/aí vêm os cristãos, uma multidão histérica/adorando o diabo em nome de deus”. Ou A liberal education, uma pregação contra os anos de Ronald Reagan/Margaret Thatcher, que diz: “tire nossa história/tire nossos heróis/tire nossos valores”. Havia também Spirit of the Falklands, evocando a Guerra das Malvinas (“homens mortos no Atlântico Sul/é para aquecer nossos corações/eles pensam que morreram por você e por mim”).

Musicalmente, o tom punk e ágil das melodias era acompanhado pelo baixo marcial e palhetado de Stuart, e pelos vocais angustiados de Justin – como em Notice me, no punk classudo de Smalltown England, no tom quase folk-punk de A liberal education e no clima de guerrilha urbana de Vengeance e Sex (The black angel). Um disco feito para incomodar poderosos e abrir caminhos. Tanto que o segundo álbum, No rest for the wicked (1985), já saiu pela EMI.

Morrow, depois disso, deixou o grupo, e o New Model Army voltou como quarteto em The ghost of Cain (1986), o disco da famigerada 51st state – uma apropriação feita pelo NMA de uma canção gravada originalmente por uma banda chamada The Shakes, e que mais do que se tornar o maior sucesso do grupo britânico, ofuscou boa parte de seu trabalho anterior e posterior. Mesmo perdendo parte do brilho em discos posteriores (até pelas variadas mudanças de formação), o grupo se tornou com o passar dos tempos uma reencarnação do espírito combativo do punk original – o “rock de combate” do qual o Clash falava, em estado puro.

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Cinema

In-Edit Brasil 2024: 15 filmes que você não deve perder

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In-Edit Brasil 2024: 15 filmes que você não deve perder

Pena que o festival In-Edit Brasil, dedicado a documentários musicais, só rola em São Paulo. A 16ª edição do evento começa nesta quarta (12), vai até o dia 23, e acontece em diversas salas (com sessões gratuitas e até R$ 10), com mais de 60 filmes na programação, de diversos países. Além da variedade musical que sempre acontece todos os anos, muitos filmes só serão exibidos no Brasil graças ao festival, que já entrou para a lista de eventos favoritos de todo mundo que é viciado em música (e em detalhes sobre história da música, que são o combustível do evento).

Você fica sabendo de tudo que rola na edição 2024 do In-Edit aqui. Dá vontade, claro, de assistir aos 60 filmes, mas segue aí uma listinha bem pessoal de 15 produções que ninguém deve perder. Importante: plataformas parceiras do festival irão exibir alguns filmes – confira toda a programação delas aqui. E nem só de cinema vive o In-Edit: o festival tem uma prograação paralela que inclui encontros, master classes, debates, apresentações musicais exclusivas, sessões comentadas, a tradicional Feira de Vinil e, pela primeira vez, uma Feira de Livros, com centenas de títulos sobre música e cinema a preços especiais.

Devo
Chris Smith | Estados Unidos | 2024 | 95’
Poucas bandas conseguiram unir a crítica social e os hits radiofônicos como o Devo. Surgida em Ohio, a banda começou a se infiltrar na cultura pop americana com o hit Whip it. Sua história é contada através de um turbilhão de imagens de arquivo lo-fi, sequências de imagens rápidas e um ritmo vertiginoso. Filme de abertura do In-Edit Brasil 2024.

Black Future, Eu Sou O Rio
Paulo Severo | Brasil | 2023 | 77’
Eu sou o Rio, álbum de estreia do Black Future, esteve em todas as listas de melhores lançamentos de 1988. Sucesso de crítica, foi ignorado pelo público e nunca foi relançado. Com entrevistas feitas aos vinte anos de lançamento do disco, seus ex-integrantes e pessoas próximas esmiúçam a história da banda.

Black Rio! Black Power!
Emílio Domingos | Brasil | 2023 | 75′
Emílio Domingos se debruça sobre a cena dos bailes black surgida no Rio de Janeiro nos anos 1970. Com depoimentos de Dom Filó, figura fundamental no surgimento da cena, e de outros personagens, conhecemos uma história de afirmação que levava milhares de jovens pretos para dançar e cantar: “I’m black and I’m proud!”

Luiz Melodia – No Coração Do Brasil
Alessandra Dorgan | Brasil | 2024 | 85′
Injustamente taxado como “maldito”, Luiz Melodia foi um dos maiores artistas surgidos no Brasil. Através de diversas imagens de arquivo, ele conta sua trajetória, desde a infância nos morros do Rio de Janeiro, o início da música, passando pelo sucesso radiofônico, os conflitos com gravadoras e com o showbiz.

O Homem Crocodilo
Rodrigo Grota | Brasil | 2024 | 84’
Um dos expoentes da Vanguarda Paulistana, Arrigo Barnabé é o foco desse filme-experimento que aborda seus anos em Londrina, antes de se mudar para São Paulo. Com uma mistura de interferência sonoras e visuais, o diretor Rodrigo Grota apresenta o inconsciente estético na obra do criador de Clara Crocodilo.

Germano Mathias – O Catedrático Do Samba
Caue Angeli e Hernani de Oliveira Ramos | Brasil | 2023 | 70’
O paulista Germano Mathias se tornou ícone de um estilo musical que misturava muita malandragem e poesia. No filme, acompanhamos Germano contando sua vida, trajetória e nos trazendo lembranças de uma cidade que, se não existe mais, ainda está oculta de nossos olhares distraídos.

Moog
Hans Fjellestad| Estados Unidos| 2003| 70’
Robert Moog dedicou sua vida a pesquisar e difundir instrumentos eletrônicos, especialmente os sintetizadores modulares. Neste documentário, essa figura lendária compartilha suas ideias sobre criatividade, design, interatividade e espiritualidade. Filme vencedor do In-Edit Barcelona 2004.

Na Terra De Marlboro
Cavi Borges | Brasil | 2024 | 50’
DJ Marlboro é, para muitos, o criador do funk carioca e até hoje é um dos principais divulgadores do gênero. Habitué do In-Edit Brasil, o diretor Cavi Borges conta sua trajetória com depoimentos dados pelo próprio Marlboro e muitas imagens de arquivo.

Carlos
Rudy Valdez | Estados Unidos | 2023 | 87 min
O filme narra a vida do virtuoso guitarrista Carlos Santana, desde a infância até o estrelato internacional, entrelaçando entrevistas com o protagonista e sua família com imagens de arquivo recém-descobertas, além de sua lendária apresentação em Woodstock.

In Restless Dreams: The Music Of Paul Simon
Alex Gibney | Estados Unidos | 2023 | 210’
O diretor Alex Gibney nos convida a uma profunda viagem através do universo de Paul Simon. Enquanto acompanha a gravação do novo álbum do artista, Seven psalms, o filme traz uma longa narrativa sobre sua carreira, iniciada ao lado do cantor Art Garfunkel, e sua vida pessoal.

Joan Baez: I Am A Noise
Karen O’Connor, Miri Navasky, Maeve O’Boyle | Estados Unidos | 2023 | 113’
Joan Baez esteve na primeira linha do folk norte-americano em seu momento mais vibrante. Figura presente nas manifestações pelos direitos humanos, esteve ao lado de Bob Dylan, em uma relação pouco entendida. Aos 80 anos, ela conta suas memórias, faz algumas confissões e fala de sua vida atual.

Karen Carpenter: Starving For Perfection
Randy Martin | Estados Unidos |2023 | 99’
Karen Carpenter ajudou a fazer a banda The Carpenters um dos grupos pop de maior sucesso dos anos 1970. Sofrendo de anorexia nervosa e bulimia, faleceu aos 32 anos. Este filme nos mostra sua busca pela perfeição e a dinâmica familiar que a levou ao seu trágico destino.

Let the Canary Sing
Alison Ellwood | Estados Unidos, Reino Unido | 2023 | 96’
Documentário vigoroso e alegre sobre a estrela pop dos anos 1980, Cyndi Lauper. Desde as suas origens humildes até à criação da sua própria personalidade de palco – excêntrica, desbocada e deliberadamente ingénua – que a catapultou para a fama.

Simple Minds: Everything Is Possible
Joss Crowley | Reino Unido | 2023 | 88’
Simple Minds é um dos ícones do rock dos anos 1980, mas poucos conhecem a história de amizade por trás de tudo. Da infância pobre em Glasgow, aos palcos mais famosos do mundo, Jim Kerr e Charlie Burchill sempre estiveram juntos. Além deles, diversos astros da música contam o impacto do grupo em suas vidas.

The Stones & Brian Jones
Nick Broomfield | Reino Unido | 2023 | 93′
Brian Jones tinha muitas facetas e ninguém ficava indiferente a ele. Neste documentário, o aclamado diretor Nick Broomfield desvenda a história do ícone dos Rolling Stones que terminou misteriosamente seus dias no fundo de uma piscina, com apenas 27 anos de idade.

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Cultura Pop

O comecinho do Weezer no nosso podcast

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O comecinho do Weezer no nosso podcast

Muita coisa que você nem imaginava que poderia virar letra de música foi parar nas canções do Weezer – uma banda cujo primeiro disco, epônimo (conhecido como The blue album) completou recentemente 30 anos, e cujo começo de trajetória foi marcado por histórias bastante estrepitosas. O quarteto liderado por Rivers Cuomo teve lá seus momentos de rejeição do sucesso, por pouco não apresentou uma ópera-rock como segundo disco e traz em seu DNA uma mescla de atitude geek e sonoridade pesada – quase metaleira, em alguns momentos.

Hoje no nosso podcast, o Pop Fantasma Documento, damos um sobrevoo na fase inicial do grupo e lembramos as histórias dos discos Weezer (1994) e Pinkerton (1996), e o que rolou antes dos dois discos, e entre uma coisa e outra. Ouça no volume máximo, como você ouviria um disco deles.

Século 21 no podcast: Brian Dunne e Reolamos.

Estamos no Castbox, no Mixcloud, no Spotify, no Deezer e no Google Podcasts. 

Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: reprodução da capa do primeiro disco do Weezer). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.

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