Connect with us

Cultura Pop

Várias coisas que você já sabia sobre Black Sabbath Vol 4

Published

on

Várias coisas que você já sabia sobre Black Sabbath Vol. 4

Tranque no estúdio quatro ingleses broncos que fazem um som bastante pesado e sombrio. Diga a eles para colocarem todas as suas angústias e frustrações nas músicas. Aumente o suprimento de drogas e faça todos cheirarem igual a quatro tamanduás, para intensificar o clima caótico das músicas. Em resumo, a receita de Vol 4, quarto disco do Black Sabbath, lançado em 25 de setembro de 1972, é essa aí. Mas vale afirmar que discos fantásticos como esse não cabem em manuais ou livros de receita.

Várias coisas que você já sabia sobre Black Sabbath Vol. 4

Após três primeiros discos feitos em meio a turnês e/ou com pouco tempo de estúdio, Ozzy Osbourne (voz), Tony Iommi (guitarra), Terry “Geezer” Butler (baixo) e Bill Ward (bateria) finalmente conseguiam fazer um álbum sem pressa, com controle artístico (o próprio Iommi produziu quase tudo, ao lado do resto da banda e do empresário Patrick Meehan) e com… De fato, se Vol 4 fosse feito por crowdfunding, uma das recompensas teria que envolver o desfrute, ao lado dos fãs, da montanha de substâncias ilícitas que a banda usou para elaborar faixas como Wheels of confusion, Supernaut, Tomorrow’s dream e outras.

>> Veja também no POP FANTASMA: 25 coisas que você já sabia sobre a estreia do Black Sabbath

Agora, Vol 4 foi devidamente encaixotado para os grandes fãs. Vol 4: Super deluxe edition sai em quatro CDs ou cinco LPs. Não apenas inclui a nova versão remasterizada do álbum original, como também vinte gravações inéditas de estúdio (incluindo versões alternativas de Wheels of confusion e outras faixas). Além de gravações ao vivo de 1973.
Várias coisas que você já sabia sobre Black Sabbath Vol. 4

O pacote ainda tem um livro com fotos raras e um pôster com a capa feita para Vol 4 quando a banda queria chamá-lo de Snowblind. Pela primeira vez, a capa exibe a foto real em que Ozzy aparece com os braços levantados, sem o efeito que a transformou num desenho laranja.

E tá aí nosso relatório sobre Black Sabbath Vol 4. Ouça lendo, leia ouvindo.

Advertisement

DROGAS

IMPOSSÍVEL falar sobre Black Sabbath Vol 4 e sobre tudo o que vinha acontecendo na vida do Black Sabbath sem falar de um assunto nada banal: drogas. Mesmo que tivessem passado a pegar mais pesado época, os quatro estavam longe de serem ingênuos no quesito entorpecentes. Bill Ward, por exemplo, conhecia speed e demais bolinhas desde a adolescência. Os outros não ficavam muito atrás. Mas com a fama, as drogas pesadas chegaram rapidamente, e o acesso a elas ficou cada vez mais fácil.

>> Veja também no POP FANTASMA: E aí, será que chegou a hora de reavaliar Live evil, do Black Sabbath?

OZZY cheirou pela primeira vez em 1971. Seu padrinho no pó foi Leslie West, guitarrista do Mountain, quando abriu para eles no Denver Coliseum. O cantor recusou de início, mas cheirou a noite toda. As drogas marcaram a gravação do terceiro disco da banda, Master of reality (1971). Mas também foram o combustível dos shows, dados para públicos cada vez maiores e ensandecidos.

O SABBATH atraía também muita gente bizarra. Além dos satanistas que perseguiam a banda, os Hell’s Angels visitaram o grupo num camarim de show. Avisaram que adoravam o grupo, e que o Sabbath podia contar com a segurança deles. Aliás, groupies invadiam camarins da banda e traficantes começavam a  ficar cada vez mais próximos do grupo. Num show, Ozzy assustou-se de ver “umas mil seringas no chão” da plateia. A banda também recebia cartas com sangue.

ALIÁS E A PROPÓSITO, as turnês do Sabbath eram repletas de drogas, a ponto de o material “ilícito” viajar com o quarteto nos shows, e de amigos procurarem a banda em busca de drogas. Tony Iommi chegou a afirmar que era como se os quatro fossem traficantes.

PESO PESADO

O TERCEIRO DISCO do Sabbath surgiu numa época em que, apesar do rock progressivo vender muitos LPs, a crítica e o público tinham mais com o que se preocupar: o mercado começou a ficar cheio de bandas de hard rock, e de cantores de voz-e-violão que falavam sobre temas introspectivos e focavam nas mazelas da vida.

Advertisement

ERAM dois gêneros antagônicos e, a cada um, sobrava o seu devido escaninho. As bandas de rock pesado vendiam muitos discos e eram execradas pelos críticos. Dentre os cantores introvertidos, alguns eram um enorme sucesso de público, mas de modo geral o êxito de crítica do estilo folk urbano era bem maior. O New Musical Express pôs James Taylor em sua capa de 3 de julho de 1971 e escreveu num canto: “É ele o novo Messias?”.

CANTA BAIXINHO

FORA DESSES UNIVERSOS, o glam rock e derivados iam muito bem, ao menos na Inglaterra (T. Rex vendeu vários discos com Electric warrior, em 1971) e cantores de soul e de baladas de acento black ainda dominavam o mercado. Em 1972, ano de Black Sabbath Vol 4, o Jackson 5 comemorava a mudança de voz do adolescente Michael Jackson (que ganhava um registro menos grave) com o sexto disco, Lookin’ through the windows.

AINDA QUE A BANDA vendesse muitos discos, o Sabbath não era tratado da mesma forma que outros grupos de som pesado, como Led Zeppelin e Deep Purple, que latiam mais alto no mercado. Ozzy e seus amigos reclamavam do descuido das gravadoras (tanto a Vertigo, na Inglaterra, quanto a Warner, nos EUA, que lançavam os discos deles) e às vezes, eram comparados não com bandas de pré-metal, mas com grupos de protopunk, como Stooges. Se os jornalões e o alto escalão dos jornalistas detestavam o grupo, publicações underground volta e meia faziam resenhas positivas de seus discos.

ALIÁS E A PROPÓSITO, o Black Sabbath foi aconselhado a agir um pouco como o Led Zeppelin e começar a recusar propostas de entrevistas. Num papo com a Rolling Stone em 1971 (um dos raros que agendaram para divulgar Master of reality), a banda zoou as perguntas, com direito a Ozzy dizendo que seria o primeiro integrante da banda a morrer. “Vou morrer antes dos quarenta, sei disso”, afirmou.

BONDE SINISTRO DO BLACK SABBATH

POUCO ANTES de Vol 4 ser gravado, o Black Sabbath encerrou uma turnê britânica, em fevereiro de 1972, e embicou em outro giro pelos EUA. E foi lá que se cristalizou uma ligação especial: Ozzy e Ward eram os mais sem-noção da banda no quesito drogas. A dupla virava noites tomando de tudo.

Advertisement

E COMO o baterista costumava ficar sempre mais louco que todo o mundo, a diversão dos colegas era (você deve saber) botar fogo em sua barba. Quando a banda ficou hospedada no Edgewater Inn, em Seattle – local onde se pescava à beira d’água e onde o Led Zeppelin havia protagonizado barbaridades envolvendo uma fã e pedaços de cação – Tony Iommi pescou um tubarão e o atirou pela janela, direto na cama de Ward.

OS VÁRIOS SHOWS e os abusos começaram a cobrar a conta do grupo, ainda que todos fossem ainda bem jovens. Bill Ward, mais bêbado que um gambá, chegou a ser internado com hepatite. Continuou bebendo e usando drogas depois da internação, no entanto. Ozzy não ficou muito atrás e Tony e Geezer, também não.

ENSAIOS

O SABBATH precisava seguir uma lei não-escrita na elaboração do Vol 4: era preciso fazer tudo com atenção. O disco deveria ter o mesmo sucesso dos anteriores, a banda teria mais tempo de estúdio (e poderia contar com uma qualidade de gravação melhor, além de toda a atenção de técnicos e produtores) e a situação era bem diferente dos dois anteriores, feitos em meio a turnês e à pressa da gravadora.

OS ENSAIOS foram num estúdio em Birmingham mesmo, com Tony trancafiado na sala de gravação tentando produzir riffs que tivessem a mesma qualidade dos de músicas como Paranoid e Black Sabbath. Os outros três passavam o dia enchendo a cara num pub nas redondezas e só apareciam por lá para conferir o que o guitarrista produzida. Tony começou a ficar puto.

GRANA. Elaborando o que seria o quarto disco, o Sabbath começou a perceber uma coisa básica: a banda fazia muito dinheiro e ainda deixava seus empresários milionários. Os quatro, que no começo do grupo mal tinham dinheiro para comer, agora podiam comprar carros, casas e tudo o que quisessem. Mesmo que Ozzy fosse casado e tivesse uma filha (Jessica, nascida em janeiro de 1972 e a única integrante do clã Osbourne a se recusar a aparecer na série The Osbournes, anos depois), a banda mudou-se para uma mansão em Bel Air para ficar mais próxima do estúdio onde gravariam o disco, em Los Angeles.

Advertisement

TODO MUNDO DOIDÃO

DROGAS. No tal casarão, o empresário Patrick Meeham também se instalou, para controlar mais de perto os negócios da banda. A mansão logo virou um mocó onde se consumia drogas variadas, além de enormes quantidades de cocaína entregues em caixas seladas. Às festas da banda, compareciam montes de traficantes, groupies, músicos atrás de drogas e uma renca de aproveitadores. Um cão doberman que ficava na mansão quase morreu, ao comer cocaína misturada com xarope infantil.

NUMA dessas noites de chapação, Ozzy viu um botão e achou que fosse do sistema de ar condicionado. Foi ligar, mas logo descobriu que não era: era um botão de alarme que chamava a polícia. E a banda estava reunida em torno de uma montanha de drogas, numa mesa. Assim que os policiais chegaram, a banda e seus camaradas começaram a jogar toneladas de drogas privada abaixo, achando que se tratava de alguma denúncia. Depois, passaram um bom tempo tentando recuperar as drogas perdidas.

ALIÁS E A PROPÓSITO, a primeira opção de título que a banda deu para Vol. 4 foi Snowblind, mas a Vertigo odiou a ideia, porque a referência às drogas era bem clara no nome. O título persistiu até os masters serem enviados à empresa. “Na época a cocaína era um grande negócio e a gravadora não queria encrencas”, entregou Ozzy. Ainda assim, era o nome da primeira faixa do lado B do álbum. A heroína começava também a surgir nos ensaios, mas os músicos não se injetavam. Apenas cheiravam a droga.

O ESTÚDIO

O SABBATH iniciou os trabalhos no Marquee Studios, construído na garagem atrás do clube de mesmo nome, em Londres. O local havia sido usado anteriormente por bandas clássicas como Beatles e Rolling Stones. Lá a banda trabalhou em Snowblind, a música mais cara de pau a respeito do uso de cocaína. Aliás, foi de lá que saiu também FX, vinheta gravada por um Tony Iommi doidão, pelado no estúdio, apenas com o barulho de seus crucifixos batendo na guitarra. O músico reconhece que era uma ideia estúpida, mas alguém perguntou “por que não colocamos isso no disco?”. E aí…

COM A IDA PARA LOS ANGELES, a banda instalou-se no Record Plant, um dos maiores estúdios da região, com mais canais e mais espaço para todos. O local havia sido aberto em 1969 e já tinha máquina de 24 canais quando isso era luxo. O restante do disco foi gravado lá, com a banda quase sempre virada das noites na mansão de Bel Air (e não é por acaso que o disco tem um agradecimento à “grande indústria da Coca de Los Angeles” no encarte).

Advertisement

INFLUÊNCIA INIMAGINÁVEL. Tomorrow’s dream, a suingada e pesadíssima segunda música do disco, tem raiz numa banda que, a princípio, nada tinha a ver com o Black Sabbath: T. Rex. Geezer Butler diz ter escrito a letra ao observar a situação de Marc Bolan, o líder. “Sempre que eu o via, lembrava do quão frágeis as coisas são. Ele era um popstar na Inglaterra, mas não era conhecido fora de lá. A música falava sobre como delicado era ser um rock star. Num dia você é sucesso de massa, no outro ninguém conhece você”, contou.

>> Veja também no POP FANTASMA: Várias coisas que você já sabia sobre Paranoid, do Black Sabbath

ALIÁS E A PROPÓSITO, apesar de o disco trazer uma balada romântica bastante comercial, Changes, o Sabbath preferiu lançar como single justamente Tomorrow’s dream, com o instrumental Laguna sunrise no lado B. Esse compacto saiu até no Brasil. Mas nas Filipinas, Changes virou single, e na Austrália, saiu um EP com a capa de Vol 4, só que com o nome de Paranoid, e as faixas Paranoid, Black Sabbath, Changes e Tomorrow’s dream.

Várias coisas que você já sabia sobre Black Sabbath Vol. 4

MUDANÇAS

O CLÁSSICO INESPERADO Changes surgiu quando Tony Iommi viu um piano no hall da mansão. Nem sabia tocar o instrumento, mas fez algumas notas e compôs toda a música. Ozzy fez a letra inspirado no clima bizarro da vida amorosa de alguns integrantes (Tony tinha acabado de terminar um relacionamento, Bill estava se divorciando). Aliás, se você não sabia, Geezer Butler faz o som “de orquestra” num mellotron.

JÁ O INSTRUMENTAL Laguna sunrise chegou a assustar os fãs pela beleza sombria. O que você ouve no disco é Tony Iommi tocando violão acompanhado por uma orquestra. A música foi inspirada pelas idas da banda à casa de uma amiga em Laguna Beach, Orange County, e pelas viagens de drogas diversas no local. Algumas dessas viagens foram bem mal-sucedidas, com Geezer Butler vendo esqueletos e um funcionário da banda se acidentando seriamente após saltar de um trampolim. Iommi diz que a música inteira foi inspirada pelo nascer no sol na praia.

Advertisement

(NÃO) FAÇA VOCÊ MESMO. Iommi teve uma ideia: por que não colocar uma orquestra em Laguna sunrise? Aliás, melhor ainda: por que não tocavam eles mesmos os instrumentos? Ele e Butler compraram violinos e violoncelos e foram tentar. “Mas foi um desastre, absolutamente. O som parecia um gato morrendo. Comprei o violino mas não fazia ideia de como tocar aquilo direito. A gente via orquestras e pensava: ‘Ué, eu toco guitarra, baixo, será que é difícil tocar violoncelo?’”, explicou. A banda refez tudo com músicos contratados.

MAIS MÚSICAS

UM DETALHE que hoje é revelado pela caixa Vol 4 de luxo: quando o grupo foi gravar Wheels of confusion, houve uma primeira parte em que o técnico de som perguntou a Ozzy Osbourne como a música se chamava. Só que Ozzy responde: “Bollocks!” (merda). Mas foi só uma brincadeira idiota. “Nunca a chamaríamos assim. Tenho feito merda de lá para cá, mas…”, brinca o cantor.

GEEZER BUTLER, assim como nos primeiros discos, era o autor da maioria das letras. Aliás, contou que seu estado de espírito na época vazou para cada uma delas. Cornucopia, por exemplo, tem o verso: “As pessoas dizem que eu sou durão/Não sabem o que eu escondo”.

Advertisement

ALIÁS E A PROPÓSITO, o baixista contou que lidava com uma depressão, só que não sabia disso. “A maioria das letras é bem pra baixo. Porque não havia pílulas ou algo parecido com o qual você pudesse ser tratado. Você ia ao médico e eles diziam para você sair, tomar alguns drinques no pub, levar seu cachorro para passear, pensando que era apenas uma coisa passageira. Então, a maneira de expressar meus sentimentos era escrever as letras”, afirmou.

>> Veja também no POP FANTASMA: Fizeram uma versão do Black Sabbath em alemão, com letra falando do romance O cão dos Baskerville.

MÚSICAS EXTRAS?. A edição americana de 1973 de Vol 4, lançada pela Warner, trazia duas faixas listadas na contracapa que até hoje soam estranhas para os fãs da banda: The straightener e Every day comes and goes. A primeira era a coda instrumental de Wheels of confusion e a segunda era a parte final, também sem vocais, de Under the sun. O livro Black Sabbath, de Mick Wall, afirma que esse tipo de medida – tomada pela Warner americana também nos discos anteriores do grupo – servia para tornar os álbuns do Sabbath mais “palatáveis” para rádio, mostrando quais eram partes das canções que poderiam ser cortadas pelos DJs. Aliás, esses nomes perduraram e apareceram nas edições em CD.

CAPA

COMO VOCÊ DEVE SABER, aquilo que você vê na capa (em laranja) e na contracapa (em branco) de Vol 4 é o próprio Ozzy Osboune. Aliás, a imagem não foi feita com exclusividade para a capa. A foto foi clicada por Keith Macmillian (o popular Keef, que também fez as fotos dos dois primeiros álbuns) em 24 de janeiro de 1972, durante um show do grupo no Birmingham’s Town Hall, em meio a uma curta tour europeia.

Advertisement

NA FOTO, Ozzy aparece fazendo o sinal de paz e amor – em pleno 1972, quando gestos hippies, além de já estarem fora de moda, não tinham nada a ver com a temática do grupo. “Todo mundo estava fazendo isso, então eu simplesmente fiz. Não era minha praia. Eu estava longe de ser um cara pacífico”, reconhece o cantor. Nesse mesmo show em sua cidade natal, a banda estreou Tommorow’s dream.

ALIÁS E A PROPÓSITO, existe um piratinha dessa noite.

CAPAS?

O VISUAL de Black Sabbath Vol 4 não foi muito estragado ao redor do mundo, não. Só que em algumas edições, acontecia de as letras brancas ganharem uma coloração creme (aconteceu na edição alemã). Aliás, o disco ganhou uma edição em K7 nos EUA em que as cores apareciam invertidas: fundo laranja, Ozzy preto.

EM 1976, a reedição do selo NEMS tingiu de laranja o letreiro que anunciava os nomes da banda e do disco. No ano de 1990, um selo independente chamado SNC lançou o álbum pela primeira vez na União Soviética – com mudanças na capa para que o título aparecesse em duas versões, a original e a do idioma local. Mas até mesmo a capa dupla da edição original foi lançada em vários países. Inclusive no Brasil, onde o álbum aportou em 1972, lançado pela Philips.

Advertisement

ALIÁS E A PROPÓSITO, o selo NEMS, que reeditou os discos do Sabbath a partir de 1976, era aquela mesma gravadora/loja comandada por Brian Epstein, ex-empresário dos Beatles, nos anos 1960. Por causa da morte de Brian em 1967, a gravadora faliu. Só que o material do selo voltou em 1972, quando a empresa foi comprada pela Hemdale, dos empresários David Hemmings e John Daly.

A HEMDALE fez uma parceria com a Worldwide Artists Management, que empresariava o Sabbath (na figura de Patrick Meehan) e os álbuns do Sabbath começaram a aparecer com selos como WWA e NEMS. Inicialmente, os LPs do grupo seriam comercializados pela Phonogram, mas o selo ainda trocou de mãos. Essas edições seriam lançadas aqui no Brasil pela RGE nos anos 1970 e 1980, só que na maioria das vezes com capas mal-cheirosas, vinis mal prensados e sem encartes.

Várias coisas que você já sabia sobre Black Sabbath Vol. 4

E DEPOIS?

EM JUNHO DE 1972, o Sabbath saiu da casa de Bel Air e foi mixar o disco no Island Studios, em Londres – Tony, produtor de fato do álbum, tomou conta de todo o processo. Os outros músicos já haviam voltado para suas famílias. Mas Ward, separado, lembra que estava levando uma vida junkie com a namorada. E que, além de viver todo o tempo chapado, não concordava com a linha mais classuda que o Sabbath estava levando no novo disco. Isso levou a banda a olhar atravessado para o baterista.

TONY IOMMI chegou a temer que Vol 4 fosse um fracasso. Mas não aconteceu nada disso: o disco de ouro chegou rápido e um milhão de pessoas comparam o álbum nos EUA. Lester Bangs, feroz crítico musical, até elogiou o álbum na Creem, comparando as letras do grupo com as de Bob Dylan (!). Só que, mesmo assim, tanto a Vertigo e a Warner quanto a banda preocuparam-se quando o álbum estacionou no 13º lugar nos EUA e no 8º na Inglaterra.

ALIÁS E A PROPÓSITO, o Sabbath continuou embicando nas drogas, permaneceu sendo visitado por satanistas no camarim e sendo acusado de dar mau exemplo por religiosos. Num dos encontros com satanistas, o grupo viu montes deles portando velas pretas – a banda soprou as velas e se mandou (!).

Advertisement

Com material dos livros Eu sou Ozzy (Ozzy Osbourne) e Black Sabbath (Mick Wall), e da Rolling Stone e do Discogs.

Cinema

No podcast do POP FANTASMA, a redescoberta de Jim Morrison em 1991

Published

on

No podcast do POP FANTASMA, a redescoberta de Jim Morrison em 1991

Indo na onda do documentário Val, sobre o ator Val Kilmer, e recordando os 50 anos da morte de Jim Morrison, lembramos no nosso podcast, o POP FANTASMA DOCUMENTO, aquela época em que Val virou Jim. O ator de filmes como Top Secret interpretou o cantor no filme The Doors (1991), dirigido por Oliver Stone. E, de uma hora para outra, mais uma vez (e vinte anos após a partida de Jim Morrison), uma geração nova descobria canções como Light my fire, Break on through e L.A. woman.

No podcast do POP FANTASMA, a redescoberta de Jim Morrison em 1991

O Pop Fantasma Documento é o podcast semanal do site Pop Fantasma. Episódios novos todas as sextas-feiras. Roteiro, apresentação, edição, produção: Ricardo Schott. Músicas do BG tiradas do disco Jurassic rock, de Leandro Souto Maior. Arte: Aline Haluch. Estamos no SpotifyDeezerCastbox Mixcloud: escute, siga e compartilhe! Ah, apoia a gente aí: catarse.me/popfantasma.

Continue Reading

Cultura Pop

Quando pegaram Gary Cherone (Extreme) para Cristo

Published

on

Em 1994, pouco antes de gravar o quarto disco com sua banda Extreme (o pseudo-conceitual Waiting for the punchline, de 1995) e de fazer uma tentativa de virar o vocalista do Van Halen (que deu no disco Van Halen III, de 1998, e numa turnê), o cantor Gary Cherone encontrou Jesus. Bom, mais que isso: ele se tornou Jesus, como ator da ópera-rock Jesus Christ Superstar, mas apenas nas montagens da peça em Boston, em 1994, 1996 e 2003.

O papel de Gary incluiu a crucificação e tudo, e o cantor chegou a declarar que a peça era uma antiga obsessão sua. “Sempre adorei a música dessa peça”, contou. O musical foi uma produção da Boston Rock Opera, trazia ainda Kay Hanley (Letters To Cleo) como Maria Madalena, e participação de vários roqueiros locais. Gary realmente curtia Jesus Christ Superstar: segundo uma matéria do The Boston Globe, a equipe que fazia o musical estava pensando em não apresentar nada na páscoa de 1994. Só que Gary não deixou: tinha visto uma encenação em Boston em 1993, gostou do que viu, passou a mão no telefone e ligou pessoalmente para a turma oferecendo-se para o papel.

A equipe ouviu o pedido do vocalista do Extreme, achou que ser maluquice não aproveitar a oferta do cantor e partiu para os ensaios. Detalhe que Gary, depois de três temporadas sendo crucificado, se preparava para outro desafio na mesma peça: iria interpretar Judas, o amigo da onça de Jesus. “Gosto do papel de Jesus, mas Judas tem músicas mais pesadas”, chegou a dizer.

Advertisement

Isso de Gary resolver interpretar Judas e gostar do lado meio pesado da história (e ele fez mesmo o papel em 2000) reacendeu uma velha polêmica em relação a Jesus Christ Superstar. Criada por Andrew Lloyd Webber e Tim Rice inicialmente como uma ópera-rock lançada apenas em disco (ninguém tinha grana para levar aquilo tudo ao palco e não surgiam produtores interessados), a história discutia os papéis de Jesus Cristo e de seus apóstolos durante sua última semana de vida. E quando a peça foi à Broadway, com Jeff Fenholt como Jesus e Ben Vereen como Judas, não faltou gente reclamando que Judas parecia bastante simpático na peça.

Interpretando Jesus, por sinal, Gary encarou um papel que já foi vivido por outro vocalista de rock. Ninguém menos que Ian Gillan, que foi Jesus no LP da ópera-rock, feito quando ainda não havia planos para levá-la aos palcos. Mas Gillan não quis subir ao palco quando a montagem começou a ser feita, alegando que não queria virar ator. Um tempo depois, o papel de Jesus passou a ser tão cobiçado por roqueiros que até Sebastian Bach (o próprio) interpretou o papel.

Se você mal pode esperar para ver o ex-Skid Row interpretando o papel (bom, vai demorar pro POP FANTASMA fazer outra matéria sobre o mesmo assunto…) tá aí.

Advertisement
>>> Apoia a gente aí: catarse.me/popfantasma

Continue Reading

Cultura Pop

Tem aniversário de Controversy, do Prince, vindo aí!

Published

on

Tem aniversário de Controversy, do Prince, vindo aí!

A capa do quarto disco de Prince, Controversy (lançado em 14 de outubro de 1981 e prestes a fazer 40 anos) já era (hum, ok) controversa. Transformado em escândalo público por causa do disco anterior, Dirty mind (1980, e do qual já falamos aqui), Prince estava nas manchetes. E elas estavam, de brincadeira, na capa do novo álbum.

Dirty mind tinha dado uma bela crescida musical – do pós disco dos álbuns anteriores, a uma mistura de soul, rock, um tantinho de psicodelia e até folk urbano herdado de Joni Mitchell. A crítica não deixou de prestar atenção nas letras beem safadas do álbum – que se chamava “mente poluída” e trazia Prince em frente às molas de uma cama, na capa. Robert Christgau comparou Prince a Jim Morrison e John Lennon, e ainda arrematou com uma frase lapidar: “Mick Jagger deveria recolher seu pau e ir para casa”. Na Rolling Stone, Ken Tucker dizia que Prince era um romântico ingênuo nos dois primeiros discos, mas finalmente estava à solta nas sacanagens e na música.

Controversy foi lançado doze meses após Dirty mind, e foi feito numa época de bastante trabalho para Prince – que pouco antes tinha produzido, assinando o trabalho como Jamie Starr, o disco de estreia do The Time, banda liderada pelo seu vocalista Morris Day. Como na época vários colunistas de jornal já faziam comentários sobre a sexualidade do cantor, não tinha como o assunto ficar de fora do álbum, a faixa-título (que abre o disco) já abre com vários questionamentos: “Sou preto ou branco? Eu sou hetero ou gay?/ Controvérsia / Eu acredito em Deus?/Eu acredito em mim?/Controvérsia”, perguntava Prince.

>>> Mais Prince no POP FANTASMA aqui.

Não era só nos jornais que Prince passava por esse tipo de situação. Abrindo para os Rolling Stones em 9 de outubro de 1981, o cantor (usando a roupa da época da turnê Dirty mind, que incluía uma tanguinha preta) foi vaiado e ouviu xingamentos homofóbicos da plateia, no Memorial Coliseum, em Los Angeles.

Advertisement

Não só vaias: Prince e seus músicos foram atingidos por comida, latas, garrafas e tudo o que estivesse ao alcance do público. Prince ia desistindo de fazer o show do dia 11 de outubro, ate que Mick Jagger ligou para ele para encorajá-lo. “Eu disse a ele: se você chega a ser uma atração principal realmente grande, você tem que estar preparado para as pessoas jogarem garrafas em você à noite. Preparado para morrer!”, brincou Jagger.

Em Controversy, mais uma vez Prince tocou tudo “sozinho” – enfim, mais ou menos, porque em Jack U off, a última faixa, aparecem Bobby Z. (bateria), Lisa Coleman (teclados e vocais de fundo) e Dr. Fink (teclados). Andre Cymone, baixista de turnê de Prince, compôs a safadíssima Do me baby. Mas como estava sendo cada vez mais comum no universo de Prince naquela época, não recebeu crédito pela faixa, que apareceu assinada pelo patrão nas primeiras edições.

Não era o único momento de safadeza no disco, claro. Private joy era pura sacanagem, com versos como “todos os outros garotos amariam transar com você, mas você é meu brinquedo privativo” e “você pertence a Prince”. Mas Sexuality inovava por misturar sexo, política e futurismo (“precisamos de uma nova raça, líderes, levante-se, organize-se/não deixe seus filhos assistirem televisão até que saibam ler”).

Anne Christian era a resposta de Prince ao levante pós-punk, com peso, intensidade e uma letra que fala sobre uma prostituta que “matou John Lennon, atirou nele a sangue frio” e “tentou matar Reagan”. Ronnie, talk to Russia mostrava que Prince vinha acompanhando as tensões entre Ronald Reagan, então presidente dos EUA, e o governo da União Soviética, mas que estava do lado do seu país, enfim (“você pode ir ao zoológico, mas não alimente guerrilheiros de esquerda”).

Advertisement

Para os fãs brasileiros, Controversy trazia uma novidade: Dirty mind não tinha saído aqui em tempo real (só foi lançado no Brasil em 1990!), mas o quarto disco de Prince saiu aqui imediatamente. Com um aviso na capa: “inclui Sexuality e Controversy“. Incluía mesmo.

>>> Apoia a gente aí: catarse.me/popfantasma

Continue Reading
Advertisement

Trending