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Cultura Pop

Várias coisas que você já sabia sobre Black Sabbath Vol 4

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Várias coisas que você já sabia sobre Black Sabbath Vol. 4

Tranque no estúdio quatro ingleses broncos que fazem um som bastante pesado e sombrio. Diga a eles para colocarem todas as suas angústias e frustrações nas músicas. Aumente o suprimento de drogas e faça todos cheirarem igual a quatro tamanduás, para intensificar o clima caótico das músicas. Em resumo, a receita de Vol 4, quarto disco do Black Sabbath, lançado em 25 de setembro de 1972, é essa aí. Mas vale afirmar que discos fantásticos como esse não cabem em manuais ou livros de receita.

Várias coisas que você já sabia sobre Black Sabbath Vol. 4

Após três primeiros discos feitos em meio a turnês e/ou com pouco tempo de estúdio, Ozzy Osbourne (voz), Tony Iommi (guitarra), Terry “Geezer” Butler (baixo) e Bill Ward (bateria) finalmente conseguiam fazer um álbum sem pressa, com controle artístico (o próprio Iommi produziu quase tudo, ao lado do resto da banda e do empresário Patrick Meehan) e com… De fato, se Vol 4 fosse feito por crowdfunding, uma das recompensas teria que envolver o desfrute, ao lado dos fãs, da montanha de substâncias ilícitas que a banda usou para elaborar faixas como Wheels of confusion, Supernaut, Tomorrow’s dream e outras.

>> Veja também no POP FANTASMA: 25 coisas que você já sabia sobre a estreia do Black Sabbath

Agora, Vol 4 foi devidamente encaixotado para os grandes fãs. Vol 4: Super deluxe edition sai em quatro CDs ou cinco LPs. Não apenas inclui a nova versão remasterizada do álbum original, como também vinte gravações inéditas de estúdio (incluindo versões alternativas de Wheels of confusion e outras faixas). Além de gravações ao vivo de 1973.
Várias coisas que você já sabia sobre Black Sabbath Vol. 4

O pacote ainda tem um livro com fotos raras e um pôster com a capa feita para Vol 4 quando a banda queria chamá-lo de Snowblind. Pela primeira vez, a capa exibe a foto real em que Ozzy aparece com os braços levantados, sem o efeito que a transformou num desenho laranja.

E tá aí nosso relatório sobre Black Sabbath Vol 4. Ouça lendo, leia ouvindo.

DROGAS

IMPOSSÍVEL falar sobre Black Sabbath Vol 4 e sobre tudo o que vinha acontecendo na vida do Black Sabbath sem falar de um assunto nada banal: drogas. Mesmo que tivessem passado a pegar mais pesado época, os quatro estavam longe de serem ingênuos no quesito entorpecentes. Bill Ward, por exemplo, conhecia speed e demais bolinhas desde a adolescência. Os outros não ficavam muito atrás. Mas com a fama, as drogas pesadas chegaram rapidamente, e o acesso a elas ficou cada vez mais fácil.

>> Veja também no POP FANTASMA: E aí, será que chegou a hora de reavaliar Live evil, do Black Sabbath?

OZZY cheirou pela primeira vez em 1971. Seu padrinho no pó foi Leslie West, guitarrista do Mountain, quando abriu para eles no Denver Coliseum. O cantor recusou de início, mas cheirou a noite toda. As drogas marcaram a gravação do terceiro disco da banda, Master of reality (1971). Mas também foram o combustível dos shows, dados para públicos cada vez maiores e ensandecidos.

O SABBATH atraía também muita gente bizarra. Além dos satanistas que perseguiam a banda, os Hell’s Angels visitaram o grupo num camarim de show. Avisaram que adoravam o grupo, e que o Sabbath podia contar com a segurança deles. Aliás, groupies invadiam camarins da banda e traficantes começavam a  ficar cada vez mais próximos do grupo. Num show, Ozzy assustou-se de ver “umas mil seringas no chão” da plateia. A banda também recebia cartas com sangue.

ALIÁS E A PROPÓSITO, as turnês do Sabbath eram repletas de drogas, a ponto de o material “ilícito” viajar com o quarteto nos shows, e de amigos procurarem a banda em busca de drogas. Tony Iommi chegou a afirmar que era como se os quatro fossem traficantes.

PESO PESADO

O TERCEIRO DISCO do Sabbath surgiu numa época em que, apesar do rock progressivo vender muitos LPs, a crítica e o público tinham mais com o que se preocupar: o mercado começou a ficar cheio de bandas de hard rock, e de cantores de voz-e-violão que falavam sobre temas introspectivos e focavam nas mazelas da vida.

ERAM dois gêneros antagônicos e, a cada um, sobrava o seu devido escaninho. As bandas de rock pesado vendiam muitos discos e eram execradas pelos críticos. Dentre os cantores introvertidos, alguns eram um enorme sucesso de público, mas de modo geral o êxito de crítica do estilo folk urbano era bem maior. O New Musical Express pôs James Taylor em sua capa de 3 de julho de 1971 e escreveu num canto: “É ele o novo Messias?”.

CANTA BAIXINHO

FORA DESSES UNIVERSOS, o glam rock e derivados iam muito bem, ao menos na Inglaterra (T. Rex vendeu vários discos com Electric warrior, em 1971) e cantores de soul e de baladas de acento black ainda dominavam o mercado. Em 1972, ano de Black Sabbath Vol 4, o Jackson 5 comemorava a mudança de voz do adolescente Michael Jackson (que ganhava um registro menos grave) com o sexto disco, Lookin’ through the windows.

AINDA QUE A BANDA vendesse muitos discos, o Sabbath não era tratado da mesma forma que outros grupos de som pesado, como Led Zeppelin e Deep Purple, que latiam mais alto no mercado. Ozzy e seus amigos reclamavam do descuido das gravadoras (tanto a Vertigo, na Inglaterra, quanto a Warner, nos EUA, que lançavam os discos deles) e às vezes, eram comparados não com bandas de pré-metal, mas com grupos de protopunk, como Stooges. Se os jornalões e o alto escalão dos jornalistas detestavam o grupo, publicações underground volta e meia faziam resenhas positivas de seus discos.

ALIÁS E A PROPÓSITO, o Black Sabbath foi aconselhado a agir um pouco como o Led Zeppelin e começar a recusar propostas de entrevistas. Num papo com a Rolling Stone em 1971 (um dos raros que agendaram para divulgar Master of reality), a banda zoou as perguntas, com direito a Ozzy dizendo que seria o primeiro integrante da banda a morrer. “Vou morrer antes dos quarenta, sei disso”, afirmou.

BONDE SINISTRO DO BLACK SABBATH

POUCO ANTES de Vol 4 ser gravado, o Black Sabbath encerrou uma turnê britânica, em fevereiro de 1972, e embicou em outro giro pelos EUA. E foi lá que se cristalizou uma ligação especial: Ozzy e Ward eram os mais sem-noção da banda no quesito drogas. A dupla virava noites tomando de tudo.

E COMO o baterista costumava ficar sempre mais louco que todo o mundo, a diversão dos colegas era (você deve saber) botar fogo em sua barba. Quando a banda ficou hospedada no Edgewater Inn, em Seattle – local onde se pescava à beira d’água e onde o Led Zeppelin havia protagonizado barbaridades envolvendo uma fã e pedaços de cação – Tony Iommi pescou um tubarão e o atirou pela janela, direto na cama de Ward.

OS VÁRIOS SHOWS e os abusos começaram a cobrar a conta do grupo, ainda que todos fossem ainda bem jovens. Bill Ward, mais bêbado que um gambá, chegou a ser internado com hepatite. Continuou bebendo e usando drogas depois da internação, no entanto. Ozzy não ficou muito atrás e Tony e Geezer, também não.

ENSAIOS

O SABBATH precisava seguir uma lei não-escrita na elaboração do Vol 4: era preciso fazer tudo com atenção. O disco deveria ter o mesmo sucesso dos anteriores, a banda teria mais tempo de estúdio (e poderia contar com uma qualidade de gravação melhor, além de toda a atenção de técnicos e produtores) e a situação era bem diferente dos dois anteriores, feitos em meio a turnês e à pressa da gravadora.

OS ENSAIOS foram num estúdio em Birmingham mesmo, com Tony trancafiado na sala de gravação tentando produzir riffs que tivessem a mesma qualidade dos de músicas como Paranoid e Black Sabbath. Os outros três passavam o dia enchendo a cara num pub nas redondezas e só apareciam por lá para conferir o que o guitarrista produzida. Tony começou a ficar puto.

GRANA. Elaborando o que seria o quarto disco, o Sabbath começou a perceber uma coisa básica: a banda fazia muito dinheiro e ainda deixava seus empresários milionários. Os quatro, que no começo do grupo mal tinham dinheiro para comer, agora podiam comprar carros, casas e tudo o que quisessem. Mesmo que Ozzy fosse casado e tivesse uma filha (Jessica, nascida em janeiro de 1972 e a única integrante do clã Osbourne a se recusar a aparecer na série The Osbournes, anos depois), a banda mudou-se para uma mansão em Bel Air para ficar mais próxima do estúdio onde gravariam o disco, em Los Angeles.

TODO MUNDO DOIDÃO

DROGAS. No tal casarão, o empresário Patrick Meeham também se instalou, para controlar mais de perto os negócios da banda. A mansão logo virou um mocó onde se consumia drogas variadas, além de enormes quantidades de cocaína entregues em caixas seladas. Às festas da banda, compareciam montes de traficantes, groupies, músicos atrás de drogas e uma renca de aproveitadores. Um cão doberman que ficava na mansão quase morreu, ao comer cocaína misturada com xarope infantil.

NUMA dessas noites de chapação, Ozzy viu um botão e achou que fosse do sistema de ar condicionado. Foi ligar, mas logo descobriu que não era: era um botão de alarme que chamava a polícia. E a banda estava reunida em torno de uma montanha de drogas, numa mesa. Assim que os policiais chegaram, a banda e seus camaradas começaram a jogar toneladas de drogas privada abaixo, achando que se tratava de alguma denúncia. Depois, passaram um bom tempo tentando recuperar as drogas perdidas.

ALIÁS E A PROPÓSITO, a primeira opção de título que a banda deu para Vol. 4 foi Snowblind, mas a Vertigo odiou a ideia, porque a referência às drogas era bem clara no nome. O título persistiu até os masters serem enviados à empresa. “Na época a cocaína era um grande negócio e a gravadora não queria encrencas”, entregou Ozzy. Ainda assim, era o nome da primeira faixa do lado B do álbum. A heroína começava também a surgir nos ensaios, mas os músicos não se injetavam. Apenas cheiravam a droga.

O ESTÚDIO

O SABBATH iniciou os trabalhos no Marquee Studios, construído na garagem atrás do clube de mesmo nome, em Londres. O local havia sido usado anteriormente por bandas clássicas como Beatles e Rolling Stones. Lá a banda trabalhou em Snowblind, a música mais cara de pau a respeito do uso de cocaína. Aliás, foi de lá que saiu também FX, vinheta gravada por um Tony Iommi doidão, pelado no estúdio, apenas com o barulho de seus crucifixos batendo na guitarra. O músico reconhece que era uma ideia estúpida, mas alguém perguntou “por que não colocamos isso no disco?”. E aí…

COM A IDA PARA LOS ANGELES, a banda instalou-se no Record Plant, um dos maiores estúdios da região, com mais canais e mais espaço para todos. O local havia sido aberto em 1969 e já tinha máquina de 24 canais quando isso era luxo. O restante do disco foi gravado lá, com a banda quase sempre virada das noites na mansão de Bel Air (e não é por acaso que o disco tem um agradecimento à “grande indústria da Coca de Los Angeles” no encarte).

INFLUÊNCIA INIMAGINÁVEL. Tomorrow’s dream, a suingada e pesadíssima segunda música do disco, tem raiz numa banda que, a princípio, nada tinha a ver com o Black Sabbath: T. Rex. Geezer Butler diz ter escrito a letra ao observar a situação de Marc Bolan, o líder. “Sempre que eu o via, lembrava do quão frágeis as coisas são. Ele era um popstar na Inglaterra, mas não era conhecido fora de lá. A música falava sobre como delicado era ser um rock star. Num dia você é sucesso de massa, no outro ninguém conhece você”, contou.

>> Veja também no POP FANTASMA: Várias coisas que você já sabia sobre Paranoid, do Black Sabbath

ALIÁS E A PROPÓSITO, apesar de o disco trazer uma balada romântica bastante comercial, Changes, o Sabbath preferiu lançar como single justamente Tomorrow’s dream, com o instrumental Laguna sunrise no lado B. Esse compacto saiu até no Brasil. Mas nas Filipinas, Changes virou single, e na Austrália, saiu um EP com a capa de Vol 4, só que com o nome de Paranoid, e as faixas Paranoid, Black Sabbath, Changes e Tomorrow’s dream.

Várias coisas que você já sabia sobre Black Sabbath Vol. 4

MUDANÇAS

O CLÁSSICO INESPERADO Changes surgiu quando Tony Iommi viu um piano no hall da mansão. Nem sabia tocar o instrumento, mas fez algumas notas e compôs toda a música. Ozzy fez a letra inspirado no clima bizarro da vida amorosa de alguns integrantes (Tony tinha acabado de terminar um relacionamento, Bill estava se divorciando). Aliás, se você não sabia, Geezer Butler faz o som “de orquestra” num mellotron.

JÁ O INSTRUMENTAL Laguna sunrise chegou a assustar os fãs pela beleza sombria. O que você ouve no disco é Tony Iommi tocando violão acompanhado por uma orquestra. A música foi inspirada pelas idas da banda à casa de uma amiga em Laguna Beach, Orange County, e pelas viagens de drogas diversas no local. Algumas dessas viagens foram bem mal-sucedidas, com Geezer Butler vendo esqueletos e um funcionário da banda se acidentando seriamente após saltar de um trampolim. Iommi diz que a música inteira foi inspirada pelo nascer no sol na praia.

(NÃO) FAÇA VOCÊ MESMO. Iommi teve uma ideia: por que não colocar uma orquestra em Laguna sunrise? Aliás, melhor ainda: por que não tocavam eles mesmos os instrumentos? Ele e Butler compraram violinos e violoncelos e foram tentar. “Mas foi um desastre, absolutamente. O som parecia um gato morrendo. Comprei o violino mas não fazia ideia de como tocar aquilo direito. A gente via orquestras e pensava: ‘Ué, eu toco guitarra, baixo, será que é difícil tocar violoncelo?'”, explicou. A banda refez tudo com músicos contratados.

MAIS MÚSICAS

UM DETALHE que hoje é revelado pela caixa Vol 4 de luxo: quando o grupo foi gravar Wheels of confusion, houve uma primeira parte em que o técnico de som perguntou a Ozzy Osbourne como a música se chamava. Só que Ozzy responde: “Bollocks!” (merda). Mas foi só uma brincadeira idiota. “Nunca a chamaríamos assim. Tenho feito merda de lá para cá, mas…”, brinca o cantor.

GEEZER BUTLER, assim como nos primeiros discos, era o autor da maioria das letras. Aliás, contou que seu estado de espírito na época vazou para cada uma delas. Cornucopia, por exemplo, tem o verso: “As pessoas dizem que eu sou durão/Não sabem o que eu escondo”.

ALIÁS E A PROPÓSITO, o baixista contou que lidava com uma depressão, só que não sabia disso. “A maioria das letras é bem pra baixo. Porque não havia pílulas ou algo parecido com o qual você pudesse ser tratado. Você ia ao médico e eles diziam para você sair, tomar alguns drinques no pub, levar seu cachorro para passear, pensando que era apenas uma coisa passageira. Então, a maneira de expressar meus sentimentos era escrever as letras”, afirmou.

>> Veja também no POP FANTASMA: Fizeram uma versão do Black Sabbath em alemão, com letra falando do romance O cão dos Baskerville.

MÚSICAS EXTRAS?. A edição americana de 1973 de Vol 4, lançada pela Warner, trazia duas faixas listadas na contracapa que até hoje soam estranhas para os fãs da banda: The straightener e Every day comes and goes. A primeira era a coda instrumental de Wheels of confusion e a segunda era a parte final, também sem vocais, de Under the sun. O livro Black Sabbath, de Mick Wall, afirma que esse tipo de medida – tomada pela Warner americana também nos discos anteriores do grupo – servia para tornar os álbuns do Sabbath mais “palatáveis” para rádio, mostrando quais eram partes das canções que poderiam ser cortadas pelos DJs. Aliás, esses nomes perduraram e apareceram nas edições em CD.

CAPA

COMO VOCÊ DEVE SABER, aquilo que você vê na capa (em laranja) e na contracapa (em branco) de Vol 4 é o próprio Ozzy Osboune. Aliás, a imagem não foi feita com exclusividade para a capa. A foto foi clicada por Keith Macmillian (o popular Keef, que também fez as fotos dos dois primeiros álbuns) em 24 de janeiro de 1972, durante um show do grupo no Birmingham’s Town Hall, em meio a uma curta tour europeia.

NA FOTO, Ozzy aparece fazendo o sinal de paz e amor – em pleno 1972, quando gestos hippies, além de já estarem fora de moda, não tinham nada a ver com a temática do grupo. “Todo mundo estava fazendo isso, então eu simplesmente fiz. Não era minha praia. Eu estava longe de ser um cara pacífico”, reconhece o cantor. Nesse mesmo show em sua cidade natal, a banda estreou Tommorow’s dream.

ALIÁS E A PROPÓSITO, existe um piratinha dessa noite.

CAPAS?

O VISUAL de Black Sabbath Vol 4 não foi muito estragado ao redor do mundo, não. Só que em algumas edições, acontecia de as letras brancas ganharem uma coloração creme (aconteceu na edição alemã). Aliás, o disco ganhou uma edição em K7 nos EUA em que as cores apareciam invertidas: fundo laranja, Ozzy preto.

EM 1976, a reedição do selo NEMS tingiu de laranja o letreiro que anunciava os nomes da banda e do disco. No ano de 1990, um selo independente chamado SNC lançou o álbum pela primeira vez na União Soviética – com mudanças na capa para que o título aparecesse em duas versões, a original e a do idioma local. Mas até mesmo a capa dupla da edição original foi lançada em vários países. Inclusive no Brasil, onde o álbum aportou em 1972, lançado pela Philips.

ALIÁS E A PROPÓSITO, o selo NEMS, que reeditou os discos do Sabbath a partir de 1976, era aquela mesma gravadora/loja comandada por Brian Epstein, ex-empresário dos Beatles, nos anos 1960. Por causa da morte de Brian em 1967, a gravadora faliu. Só que o material do selo voltou em 1972, quando a empresa foi comprada pela Hemdale, dos empresários David Hemmings e John Daly.

A HEMDALE fez uma parceria com a Worldwide Artists Management, que empresariava o Sabbath (na figura de Patrick Meehan) e os álbuns do Sabbath começaram a aparecer com selos como WWA e NEMS. Inicialmente, os LPs do grupo seriam comercializados pela Phonogram, mas o selo ainda trocou de mãos. Essas edições seriam lançadas aqui no Brasil pela RGE nos anos 1970 e 1980, só que na maioria das vezes com capas mal-cheirosas, vinis mal prensados e sem encartes.

Várias coisas que você já sabia sobre Black Sabbath Vol. 4

E DEPOIS?

EM JUNHO DE 1972, o Sabbath saiu da casa de Bel Air e foi mixar o disco no Island Studios, em Londres – Tony, produtor de fato do álbum, tomou conta de todo o processo. Os outros músicos já haviam voltado para suas famílias. Mas Ward, separado, lembra que estava levando uma vida junkie com a namorada. E que, além de viver todo o tempo chapado, não concordava com a linha mais classuda que o Sabbath estava levando no novo disco. Isso levou a banda a olhar atravessado para o baterista.

TONY IOMMI chegou a temer que Vol 4 fosse um fracasso. Mas não aconteceu nada disso: o disco de ouro chegou rápido e um milhão de pessoas comparam o álbum nos EUA. Lester Bangs, feroz crítico musical, até elogiou o álbum na Creem, comparando as letras do grupo com as de Bob Dylan (!). Só que, mesmo assim, tanto a Vertigo e a Warner quanto a banda preocuparam-se quando o álbum estacionou no 13º lugar nos EUA e no 8º na Inglaterra.

ALIÁS E A PROPÓSITO, o Sabbath continuou embicando nas drogas, permaneceu sendo visitado por satanistas no camarim e sendo acusado de dar mau exemplo por religiosos. Num dos encontros com satanistas, o grupo viu montes deles portando velas pretas – a banda soprou as velas e se mandou (!).

Com material dos livros Eu sou Ozzy (Ozzy Osbourne) e Black Sabbath (Mick Wall), e da Rolling Stone e do Discogs.

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Billy Corgan e Butch Vig juntos no estúdio de novo após 33 anos

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Billy Corgan e Butch Vig juntos no estúdio de novo após 33 anos

RESUMO: Billy Corgan e Butch Vig retomam a parceria de Gish e Siamese dream em Black stars, faixa da trilha de Jogos vorazes. Um reencontro com o produtor que ajudou a criar o som do Smashing Pumpkins. Relembre o histórico.

Texto: Ricardo Schott – Fotos: Reprodução

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Imagine você entrar num estúdio com Billy Corgan, no começo dos anos 1990, e descobrir que ele quer gravar uma música com dezenas de guitarras. E que, se uma delas não soar exatamente como ele imaginou, vai ter que fazer tudo de novo. Agora imagine que o produtor, em vez de mandar o sujeito sossegar, acha a ideia ótima. Pois era mais ou menos assim que funcionava a parceria entre o Smashing Pumpkins e Butch Vig. E, 33 anos depois, os dois resolveram repetir a experiência.

A novidade é Black stars, música lançada nesta sexta-feira (16) e incluída na trilha sonora de Jogos vorazes: Amanhecer na colheita. A trilha completa sai em 13 de novembro, uma semana antes da estreia do filme. É a primeira gravação lançada pelo Smashing Pumpkins com produção de Vig desde o álbum Siamese dream, de 1993. A faixa também entrou no repertório da atual turnê Rats in the cage.

A história dos dois começou em 1990, quando o Smashing Pumpkins gravou Tristessa, compacto lançado pela Sub Pop, sob a produção dele. Isso foi antes de Vig produzir Nevermind, do Nirvana (1991). Corgan gostou do cara logo de primeira. Numa entrevista à Tape Op, contou que o produtor não tinha pose, trabalhava pra caramba e não se assustava com as ideias que ele e o baterista Jimmy Chamberlin levavam para o estúdio. Pelo contrário: parecia gostar da complicação.

Foi assim que chegaram a Gish (1991), álbum de estreia da banda, primeiro no qual trabalharam juntos. Corgan queria um disco com peso, psicodelia, melodias bonitas e guitarras aparecendo de todos os lados – um baita rock de arena, com ambiência, totalmente o oposto daquela onda da época, de simplesmente colocar quatro músicos numa sala e apertar o botão de gravar. Vig comprou a ideia e ajudou a organizar tudo aquilo. Dá para ouvir o resultado em Siva, Rhinoceros e Daydream, três músicas bem diferentes que parecem fazer parte do mesmo universo.

Só que os dois tinham um problema: não sabiam a hora de parar. Corgan contou à Rolling Stone italiana que Vig pegava pesado com afinação, ritmo e vocais. Fazia Billy cantar a mesma parte tantas vezes que ele começava a achar que não sabia cantar. O engraçado é que, olhando para trás, o vocalista reconhece que aquela cobrança fez toda a diferença.

Em Siamese dream (1993), o segundo disco, a situação ficou ainda mais complicada. A banda já tinha uma gravadora grande esperando resultados, Billy passava por uma fase emocional difícil e os integrantes não se entendiam nada bem. Foram gravar em Atlanta, mas os problemas viajaram com a banda nas malas.

Corgan acabou tocando praticamente todas as guitarras e boa parte dos baixos. Algumas músicas ganharam tantas camadas que Vig precisava descobrir como fazer tudo caber na mixagem. Era guitarra em cima de guitarra, com mais uma guitarra aparecendo quando você achava que já tinha acabado. E, se alguma coisa não estivesse perfeita, lá iam eles gravar de novo. O disco demorou, custou caro e deu um trabalhão. Só que saiu dali Siamese dream, com Cherub rock, Today, Disarm e vários clássicos.

Corgan nunca escondeu o quanto Vig foi importante. Nos textos da reedição de Siamese dream, em 2011, escreveu: “Butch me apoiou o tempo todo nessa visão maluca”. E completou: “Butch era a única pessoa que poderia ter feito aquele disco conosco, porque o respeitávamos tanto que queríamos estar à altura dos padrões elevados dele”.

Mas aí chegou a hora de fazer o duplo Mellon Collie And The Infinite Sadness (1995), e Billy resolveu mudar tudo. Chamou Flood e Alan Moulder para produzir, porque queria sair daquela maneira de trabalhar. Numa entrevista ao Grammy.com, explicou que Vig havia ajudado a construir uma versão quase idealizada do Smashing Pumpkins. Flood queria outra coisa: ouvir a banda como ela realmente soaria nos shows.

E não, a troca não aconteceu por causa de alguma briga. Em 2011, perguntaram a Corgan se ele toparia trabalhar novamente com Vig. “Eu amo Butch e temos uma relação muito boa. Adoraria. Ele provavelmente é uma das únicas pessoas com quem eu voltaria a entrar em estúdio”, respondeu. Vig também sempre pareceu adorar Corgan, embora já tenha declarado algumas vezes que o músico foi “um pentelho” no estúdio (quem conhece a história de Billy sabe que isso é um nome até carinhoso).

Pois bem: demorou 15 anos para aquela declaração virar realidade. Black stars coloca novamente os dois no estúdio, agora com décadas de experiência acumulada e sem a obrigação de repetir o que fizeram em 1993.

Ainda não há indicação de que a parceria vá render um álbum inteiro. Por enquanto, é uma música para uma trilha sonora. Mas já dá para imaginar a cena: Billy aparece com uma ideia complicada, Butch escuta, pensa um pouco e resolve que dá para melhorar. E lá vem outra guitarra…

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Bono trapalhão? U2 antes da fama, na TV irlandesa, usando fantasias de palhaço

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Bono trapalhão? U2 antes da fama, na TV irlandesa, usando fantasias de palhaço

RESUMO: Antes da fama, o U2 tocou Out of control na TV irlandesa vestido de palhaço. Tem gente achando que é obra da IA, mas não é não.

Texto: Ricardo Schott – Foto: Reprodução

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No comecinho de sua história, prestes a fazer as primeiras gravações, o U2 fez um vídeo de Out of control na TV irlandesa em clima de circo, com maquiagens faciais e roupas de palhaço. Tá aí o vídeo.

O vídeo é de 1979 e pertence aos arquivos da RTÉ, emissora pública irlandesa – e pelo que a emissora diz, apareceu no programa Our times. Já teve gente levantando a hipótese de ser obra de IA. Não é, pelo visto. “Embora a estética crua e a qualidade amadora das possam levar os espectadores a questionar a sua autenticidade, este vídeo específico foi documentado e discutido pela comunidade de fãs do U2 como uma peça genuína da história da banda”, diz um comentário publicado no canal do YouTube @DutchU2Fan.

Não foi a primeira vez que a banda esteve na atração: em 13 de novembro de 1978, tocaram a música The fool, numa apresentação que acabou sendo reprisada em 27 de novembro. Aliás, a primeira vez que Bono, The Edge, Larry Mullen e Adam Clayton foram à RTE rolou em 2 de março de 1978, quando ainda se chamavam The Hype – na ocasião, foram a programa Youngline e cantaram Street mission.

Além das maquiagens, Bono surge usando apetrechos teatrais e fazendo caras e bocas para a câmera – em alguns momentos, tudo parece uma cena de humorístico brasileiro dos anos 1970. E naquela altura, Out of control era praticamente o cartão de visitas do U2. Em agosto de 1979, o radialista Dave Fanning apresentou três músicas do grupo em seu programa na RTÉ — Out of control, Stories for boys e Boy/Girl — e deixou os ouvintes escolherem qual delas deveria ocupar o lado A do primeiro lançamento da banda. Out of control venceu. No mês seguinte, as três músicas apareceram no EP Three, cuja primeira edição teve mil cópias numeradas.

A canção também tinha uma origem bastante pessoal. Bono a escreveu quando completou 18 anos, pensando no desconforto de perceber que dois dos acontecimentos mais importantes da existência estão totalmente fora das nossas mãos: ninguém decide nascer e, em última instância, também não controla a própria morte.

Agora: por que diabos eles estão vestidos daquele jeito?

Bom, não há, pelo menos na documentação conhecida sobre a apresentação, uma explicação de Bono, The Edge, Adam Clayton ou Larry Mullen Jr. para as roupas, mas maquiagens e os apetrechos. Também não aparece nos arquivos disponibilizados pela RTÉ uma justificativa para o figurino. Pode ter sido uma ideia do programa, uma brincadeira da própria banda ou simplesmente parte da estética daquela atração

O vídeo pertence a uma fase realmente embrionária do U2, que ainda traria uma apresentação no programa Aspects Of rock em setembro de 1979, tocando Life on a distant planet. Em janeiro de 1980, a banda chegou ao Late late show com Stories for boys. E pouco depois, aquela banda de garotos que ainda podia surgir fantasiada na televisão começaria a gravar a estreia Boy, lançada em outubro de 1980. Um primeiro passo na construção do U2 que a gente conhece hoje.

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Cultura Pop

Video Vanguard Award: afinal, que prêmio é esse que o Nirvana recebeu?

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Video Vanguard Award: afinal, que prêmio é esse que o Nirvana recebeu?

RESUMO: O Nirvana recebeu o Video Vanguard Award no VMA e entrou numa história que começou em 1984 com Beatles e David Bowie. Entenda como surgiu e por que o prêmio mudou ao longo das décadas.

Texto: Ricardo Schott – Foto: Reprodução

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O Nirvana voltou ao VMA neste domingo (27) para receber um prêmio que, de certa forma, conta a própria história da MTV. Dave Grohl, Krist Novoselic e Pat Smear subiram ao palco para buscar o Video Vanguard Award, homenagem pelo conjunto da obra audiovisual da banda.

Recebendo a honraria, os mais ilustres três ex-integrantes vivos da baanda entraram numa lista que começou com Beatles e David Bowie e, ao longo de mais de quatro décadas, passou por Madonna, Michael Jackson, R.E.M., Beastie Boys, U2, Beyoncé e vários outros.

Mas o que exatamente é o Video Vanguard? Bom, temos duas respostas, uma curta e uma longa. A resposta curta: é uma espécie de prêmio pelo conjunto da obra do VMA, dedicado a artistas que tiveram impacto importante sobre o videoclipe e a cultura pop. Não está ligado a um vídeo específico lançado naquele ano e nem sequer é entregue em todas as edições.

A resposta longa é… a própria história do prêmio. E é a melhor resposta, já que o prêmio nasceu junto com o próprio VMA, em 1984. E não custa lembrar que nessa época videoclipe ainda era uma linguagem em formação e a MTV tinha apenas três anos. Na primeira cerimônia, só pra você ter uma ideia, David Bowie ganhou o prêmio, e houve menção especial aos Beatles e a Richard Lester, que dirigiu os filmes Help e A hard days night, do quarteto.

No caso dos Beatles e Lester, a escolha reconhecia especialmente a importância dos filmes do grupo para aquilo que, anos depois, se consolidaria como a linguagem do videoclipe – e da mesma forma, Bowie havia desenvolvido muito do idioma dos clipes vários anos antes. Na real, como ainda nem sequer havia uma “história” do videoclipe, era fundamental apontar quem havia ajudado a inventar aquela nova linguagem.

Nos anos seguintes, por sua vez, já estava claro que o grande lance era premiar quem já estava fazendo história ali mesmo, com a linguagem dos clipes. Em 1985, ganharam o prêmio David Byrne (então apenas o líder dos Talking Heads) e os diretores Russell Mulcahy e Godley & Creme. Madonna recebeu em 1986. Peter Gabriel, em 1987.

Detalhe: Michael Jackson ganhou em 1988 e, a partir de 1991, seu nome passou a ser associado oficialmente à honraria, que durante décadas ficou conhecida como Michael Jackson Video Vanguard Award. Em 2019, a MTV silenciosamente, mas nem tanto, tirou o nome do astro do prêmio. Nesse ano, a vencedora foi a rapper Missy Elliott.

Na década seguinte, a lista parece quase um resumo do período em que rock e MTV andavam grudados. Bon Jovi recebeu o Vanguard em 1991; Guns N’ Roses, em 1992; Tom Petty e Rolling Stones, em 1994; R.E.M., em 1995; Red Hot Chili Peppers, em 2000; U2, em 2001; e Duran Duran, em 2003. Exceções à regra: em 1997 o rapper LL Cool J levou a estatueta pra casa. No ano seguinte, os Beastie Boys ganharam o prêmio.

Depois, o perfil foi mudando junto com a própria MTV e com a cultura pop. Britney Spears, Justin Timberlake, Beyoncé, Kanye West, Rihanna, Pink, Jennifer Lopez e Missy Elliott estão entre os homenageados. Nos últimos anos vieram Nicki Minaj, Shakira, Katy Perry e Mariah Carey. Agora o prêmio volta ao rock com o Nirvana.

Dá pra dizer que poucos grupos carregam uma ligação tão evidente com a era clássica da MTV. Smells like teen spirit não apenas virou um dos clipes mais associados aos anos 1990 como ajudou a transformar a imagem do rock no canal. Come as you are, In bloom e Heart-shaped box reforçaram uma identidade visual que misturava estranheza, humor, desconforto e uma boa dose de antipatia pelos padrões do estrelato.

No VMA deste ano, coube a Chuck D, do Public Enemy, entregar o prêmio. Novoselic aproveitou o discurso para colocar Kurt Cobain no centro da história e lembrou que muitas ideias dos vídeos vinham da visão artística do vocalista. Para ele, a permanência do Nirvana também tem relação com uma busca do público por autenticidade.

Grohl, Novoselic e Smear receberam a homenagem sem Cobain, morto em 1994, mas com sua imagem aparecendo durante a cerimônia. A escolha fecha um círculo curioso: uma banda que ajudou a definir a MTV dos anos 1990 recebe, mais de três décadas depois, um prêmio criado justamente para reconhecer quem mudou a maneira de juntar música e imagem.

Mais do que um troféu para quem acumulou clipes famosos, o Video Vanguard começou como uma homenagem a quem empurrou o videoclipe para algum lugar novo. E sua lista de vencedores acabou registrando também as mudanças da própria MTV: dos Beatles e dos diretores pioneiros ao domínio do rock, daí às grandes estrelas do pop e do hip hop.

Agora o Nirvana entrou nessa história. Digamos que, para uma banda que chegou à MTV parecendo não pertencer àquele mundo, demorou bastante.

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