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Cultura Pop

Uma página para quem tem saudade do VHS

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Uma página para quem tem saudade do VHS

Lembra de quando você ir à videolocadora pegar (em VHS!) filmes como Um assassinato quase perfeito, de Anson Williams? Ou o clássico infantil A fuga dos monstros, de Charles Band? E O brilho da fama, de Frank Di Sardo? Ou quem sabe a trasheira O dentista – Meu prazer é sua dor, de Brian Yuzna, diretor filipino que estreara em 1989 com outro clássico, Sociedade dos amigos do diabo? Aliás, tem saudade da época em que existiam revistas nas bancas de jornais com o nobre objetivo de simplesmente informar o que as empresas de vídeo estavam lançando?

Uma página para quem tem saudade do VHS

Bom, o José Luis Alves Costa, morador de Santos (SP), não apenas tem saudades como montou uma página do Facebook especificamente para celebrar essa época, a VHS – Preservação e Memórias. Ele trabalha como editor de vídeo em um programa de TV local,  tem uma coleção bem grandinha de VHS e volta e meia publica não apenas fotos de capas de fitas de vídeo clássicas, mas também de alguns não-clássicos que todo mundo alugava nos anos 1980 e 1990. Isso fora as revistas que traziam propagandas de fitas de vídeo, que ele também põe na página para todo mundo recordar. Todas as imagens deste texto são da coleção dele.

VOLTA, VHS! (BOM…)

Mas afinal, José acredita que o VHS, assim como acontece com as fitas K7, vão ter uma reavaliação e um revival? Ou não?

Uma página para quem tem saudade do VHS

“Não creio que esse revival chegue na parte de vídeo, acho que ficara só no áudio. As pessoas hoje estão tão acostumadas com essas novas TVs de 4k, 8k, que assistir algo análogico, no formato 4 por 3, quadradinho, se torna algo impensável. Mas eu acharia bem bacana”, diz, lembrando que curtiu o fato de o documentário Cinemagia – A história das videolocadoras de São Paulo ter sido lançado também em VHS. “Eu adquiri. Foi muito bem feito, com cuidado e pensado para nos colecionadores. Espero que existam outras iniciativas como essa!”

SÓ EM 1995

O criador da página diz que passou os anos 1980 inteiros sem ter um videocassete. Isso porque o aparelho era bem caro na época. Aliás quem viveu a década se lembra bem: consórcios ofereciam planos para comprar carro, apartamento e… videocassete. O de José foi logo um VHS – ele nunca nem sequer pôs a mão num videocassete Betamax.

Uma página para quem tem saudade do VHS

“Enquanto os amigos da escola já possuíam um na segunda metade dos anos 1980, eu só tive o primeiro a partir de 1995. Justamente por ser esse bem tão caro!”, conta ele, que volta e meia precisa explicar para pessoas que têm 30, 35 anos, como era caro ter um aparelho naquela época. “Até cito o exemplo da familia da minha esposa, que tirou o primeiro videocassete, um Sharp, através do consórcio!”.

PROPAGANDAS

A página, lembra ele, surgiu de forma despretensiosa, em 2016. “Do nada, resolvi fotografar algumas fitas da coleção, e escrever o que eu achava dos filmes. Com o tempo, eu comecei a fotografar ou escannear materiais de publicidade dos filmes, que eu achava nas revistas de cinema, como Vídeo News e SET. Em seguida, descobri outras publicações sobre isso, fui adquirindo, e fazendo esse mesmo processo”.

Uma página para quem tem saudade do VHS

Mais tarde ele foi abrindo espaço na página para propagandas de equipamentos eletrônicos antigos. Além de gibis e outras coisas que faziam parte das vidas das pessoas na era em que você pedia uma fita de vídeo, uma pizza e uma garrafa de guaraná na promoção. “E as pessoas foram curtindo a página, compartilhando as publicações. Outras pessoas viam esses compartilhamentos e também curtiam a página, e por aí foi. Os seguidores foram surgindo dessas forma, sem impulsionamentos. Não tenho site, o face possibilita a facilidade de programar as publicações, então é meu foco principal. Acho fácil de lidar com as pessoas nessa plataforma, então é onde eu concentro tudo”, diz.

E A NETFLIX?

E como fica o ato de assistir a filmes em streaming, ao ser comparado com a época em que você ficava fuçando as estantes das videolocadoras? José Luis sente muita falta da época em que no fim de semana, ele passava um bom tempo olhando sinopses, conversando com a moça do caixa e, muitas vezes, acabava escolhendo mais de um filme ao conversar com outras pessoas na locadora.

“Praticamente todo fim de semana eu estava na locadora, levando alguns filmes para casa. Era uma grande diversão. As vezes a noite, durante a semana, eu também ia, porque era a melhor forma para conseguir os lançamentos. E às vezes eu alugava vários VHS e levava meu videocassete para a casa de um amigo, para tirar uma cópia do filme e ter na coleção”, recorda.

Uma página para quem tem saudade do VHS

“Eu costumo dizer que a facilidade tirou mesmo a graça das coisas, inclusive no prazer de se consumir um filme. Antes tinha todo aquele ritual que descrevi, de ir na locadora, ler sinopses, conversar”, diz. “Hoje tudo se limita a um controle remoto e uma sinopse curta, porque as pessoas têm preguiça de ler nos dias de hoje. Eu tenho uma dificuldade imensa de escolher filmes na Netflix. Às vezes deixo passar um filme bom porque a sinopse é ruim! Não há comparação mesmo, o prazer de ir na locadora supera qualquer plataforma digital”.

ALUGANDO FILMES

José tinha uma mania quando alugava filmes na locadora: gostava de rever o que já havia visto na TV, só que legendado.

“Então, clássicos como Alien (primeira VHS que aluguei), Curtindo a vida adoidado, De volta para o futuro, Um dia de fúria, O corvo, Forrest Gump, todos os seis Jornadas nas estrelas, A mosca, Poltergeist, entre tantos outros, marcaram minha vida”, conta ele, que nem chegou a alugar muitos filmes bizarros e abacaxis indiscutíveis naquela época. E hoje, fica sabendo de muita coisa ao conversar com outros colecionadores.

“Na época que comecei a usar o videocassete, a grande apelação era o Faces da morte. Aquela caveira na capa era o passaporte para levar, ou não, a fita. Eu tinha grande curiosidade em saber o que era aquilo, se era real mesmo (não era). Quando aluguei finalmente, deu para sacar, mesmo sem ter acesso a informação, que muita coisa ali não era real. Mas foi uma febre da minha época”, recorda.

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Relembrando: Yoko Ono, “Season of glass” (1981)

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Relembrando: Yoko Ono, "Season of glass" (1981)

Complicado falar de um disco que, pelo menos até a publicação deste texto, não está nas plataformas digitais – pelo menos pode ser escutado no YouTube. Mas vale (e muito) relembrar Season of glass, quinto disco de ninguém menos que Yoko Ono, lançado no dia 3 de junho de 1981 no Reino Unido, e dia 12 nos EUA.

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Season of glass, por sinal, causou foi polêmica. Para começar, foi o primeiro disco da cantora e artista plástica japonesa lançado após o assassinato de seu marido John Lennon, em dezembro de 1980. A capa do disco trazia justamente os óculos que John usava no momento de sua morte, e que (por conta dos tiros que ele levou) havia ficado com as lentes manchadas de sangue. Ao lado dele, um copo d’água pela metade.

Yoko foi bastante cobrada por fãs e por jornalistas por ter feito isso. “O que eu deveria fazer, evitar o assunto?”, disse ao New York Times numa matéria publicada dois meses depois do lançamento do álbum. “Muitas pessoas me disseram que eu não deveria colocar aquela foto. Mas eu realmente queria que o mundo inteiro visse aqueles óculos com sangue neles e percebesse o fato de que John tinha sido morto. Não era como se ele tivesse morrido de velhice ou drogas, ou algo assim”.

“As pessoas me disseram que eu não deveria colocar os tiros no disco, e a parte em que começo a xingar: ‘Me odeie, nos odeie, nós tínhamos tudo’, foi apenas deixar esses sentimentos saírem. Eu sei que se John estivesse lá, ele teria sido muito mais franco do que eu. Ele era assim”. Aliás, a gravadora de Yoko na época, a Geffen, chegou a dizer a ela que as lojas evitariam ter o disco em estoque – porque a imagem era “de mau gosto”. Seja como for, Yoko alegou que a única coisa que ela conseguiu salvar de John após levarem seu cadáver tinham sido justamente os óculos dele. “Isso é o que ele é agora”, disse.

A tal música cheia de xingamentos é I don’t know why. E ela foi feita justamente quando Yoko viu que não iria conseguir dormir por causa de uma romaria de fãs à porta do edifício Dakota, onde morava com John, logo após a morte dele. Durante dez dias, Yoko escutou os admiradores do ex-beatle tocando na rua o disco Imagine, ininterruptamente.

“Uma noite eu comecei a me perguntar por que, por que era assim, e de repente aquela pergunta se tornou uma música. Eu não tive forças para me levantar e ir ao piano. Então apenas cantei em um gravador que tinha ao lado da cama. Quando estava cantando eu sabia exatamente qual seria o arranjo, até mesmo a parte em que eu estaria xingando”, contou ao New York Times.

A sombria No no no ganhou clipe, que abria com o som de quatro tiros e Yoko gritando. A versão que foi para o álbum excluiu os tiros. No fim da música, o então pequeno Sean, filho do casal, aparecia contando uma história que seu pai contara para ele. “Sean estava comigo durante toda a produção do álbum. E sua voz, aqueles tiros… Essas são as coisas que ouvi. Tudo o que fiz sempre foi diretamente autobiográfico, e esses sons eram a minha realidade”, contou.

Aliás, em 2020, Yoko deu entrevista para o site American Songwriter e o papo descambou para Season of glass. A cantora considerava o estado de espírito do disco ainda atual. O repórter notou que na contracapa, o copo da capa aparecia cheio, em vez de meio vazio. Eram outros tempos, meses após a morte de Lennon. “Você notou? Muito poucas pessoas notaram isso”, afirmou.

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Relembrando: Tad, “8-way santa” (1991)

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Relembrando: Tad, "8-way santa" (1991)

Banda liderada por uma personagem-testemunha do grunge, Tad Doyle, o Tad costuma ser esquecido quando o assunto é a onda de Seattle nos anos 1990. Injustiça: o grupo foi, ao lado do Nirvana, o responsável pela passagem de bastão do rock alternativo dos anos 1980 para os 1990 – mais ou menos como bandas como Joy Division, Killing Joke e o U2 do começo também foram em relação ao fim dos anos 1970. Se o Mudhoney mexia no baú dos lados Z sessentistas e o Nirvana era power pop destrutivo, Tad era um Black Sabbath pós-punk, cruzando riffs e batidas localizadas entre os anos 1970/1980.

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Cantor, guitarrista e, durante uns tempos, multi-instrumentista de sua banda, Tad Doyle é daquelas figuras que observam o tabuleiro do mercado musical por vários lados diferentes – na adolescência, chegou a tocar em bandas de jazz e depois estudou música formalmente, na faculdade. O Tad acabou virando um dos primeiros nomes assinados com a Sub Pop, pouco depois da empresa pular da condição de zine para a de selo. Ficou claro desde o começo que as especialidades de Tad Doyle (voz, guitarra), Gary Thorstensen (guitarra), Kurt Danielson (baixo) e Steve Wied (bateria), formação original, eram som pesado e provocação. E isso logo a partir do primeiro disco, God’s balls (1989), produzido por Jack Endino.

Salt lick, EP de 1990 – reeditado depois como álbum cheio – já foi concebido pelo grupo ao lado de um agente provocador daqueles: o recém-ido Steve Albini. Já 8 way santa (1991), terceiro álbum do grupo, foi o melhor momento da fórmula musical do Tad, abrindo com a pesada Jinx, e prosseguindo com encontros entre Black Sabbath e Killing Joke na fase anos 1980, em Giant killer e Wired god.

O álbum foi produzido por Butch Vig três meses antes dele pegar firme em Nevermind, do Nirvana – o que torna Tad um exemplo de banda que trabalhou com todos os integrantes da santíssima trindade dos produtores do rock alternativo norte-americano. O material não apenas de 8 way santa quanto dos outros discos de Tad poderiam ser colocados tranquilamente na gavetinha do stoner rock – embora haja certo domínio de linguagens não muito comuns ao estilo, como da criação de melodias mais próximas do som de bandas como Joy Division e Hüsker Dü (como acontece em algumas passagens de Delinquent e Flame tavern) e uma abordagem mais próxima do punk em certas faixas (como em Trash truck).

Uma sonoridade mais próxima de discos do Sabbath como Master of reality (1971) surge em Stumblin’ man e Candi. Já 3-D witch hunt, com violões quase hispânicos (e discretos) poderia estar no repertório do New Model Army ou do The Cure. No final, o punk de Crane’s cafe e o pós-punk Plague years, quase uma Plebe Rude/Gang Of Four grunge, combinando guitarras e violões suaves, riffs marcantes e vocais quase totalmente livres de drive (exceção no álbum).

8 way santa teve seu lançamento prejudicado pela capa original. A foto “do bigodudo agarrando uma garota” (como a própria banda definiu), e que havia sido encontrada pela banda num álbum de fotos comprado num sebo, teve que ser trocada assim que os personagens da imagem, que não haviam sido consultados, viram o disco nas lojas. Não só isso: a faixa Jack, o relato de um passeio bêbado – e perigoso – da banda numa pick-up em cima de um lado congelado, chamava-se originalmente Jack Pepsi, numa referência à mistura de uísque e refrigerante que embalou a aventura. Só que a faixa desagradou à Pepsi, e o grupo precisou mudar o título em edições seguintes.

A busca de “novos Nirvanas” chegou até o Tad depois de 8-way santa e o grupo foi contratado pela Giant, novo selo lançado pela Warner. Inhaler (1993), comparado com os outros discos, não trazia nada de tão novo – mas soava como primeiro álbum para quem desconhecia o grupo. O grupo bandeou-se para outro selo da Warner, o EastWest, e lançou Infrared Riding Hood (literalmente, “Chapeuzinho Infravermelho”), seu último disco, em 1995.

Nessa época, estava mais claro para o mercado que Tad era uma banda de “metal alternativo”, um rótulo que, dependendo da banda, servia mais como camisa de força do que como definição. Mas o Tad encerrou atividades por esse período, de qualquer modo. Hoje em dia, Tad Doyle lança trabalhos solo, é produtor, dono de estúdio e tem até Linkedin.

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Smashing Pumpkins entre 1992 e 1996 no nosso podcast

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Smashing Pumpkins entre 1992 e 1996 no nosso podcast

Para muita gente, Billy Corgan foi um herói. Tido como poeta da geração X, o cantor e principal compositor dos Smashing Pumpkins foi o sujeito que colocou inquietações e traumas em versos. Foi o músico que promoveu um impensável encontro entre o rock de arena e as encucações do college rock dos anos 1990. Foi igualmente (e ao lado do Nirvana e do R.E.M.) um artista que alargou bastante os limites do mainstream.

O episódio de hoje do nosso podcast, o Pop Fantasma Documento, dá um passeio na história de Corgan, James Iha, D’Arcy e Jimmy Chamberlin tendo como base seus dois álbuns mais significativos: Siamese dream (1993) e Mellon Collie and The Infinite Sadness (1995), além do antes, durante e depois de uma banda que, durante sua fase áurea, significou a sobrevida do rock, logo depois do grunge.

Século 21 no podcast: Tigercub e Miami Tiger.

Estamos no Castbox, no Mixcloud, no Spotify, no Deezer e no Google Podcasts. 

Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch. Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.

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