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Cinema

Wilson Simonal fazendo Silvio Santos cantar “Meu limão, meu limoeiro”, em 1993

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Wilson Simonal fazendo Silvio Santos cantar "Meu limão, meu limoeiro", em 1993

Quem nasceu e cresceu nos anos 1970 teve pouco contato com Wilson Simonal. Minha geração ouviu falar dele pelos seus feitos nos anos 1960: fazer o Maracanãzinho cantar Meu limão, meu limoeiro, vender milhares de discos com a série Alegria, alegria, transformar País tropical, de Jorge Ben, em hit. Na década seguinte, quem era criança viu arremedos de sucesso do cantor com A vida é só pra cantar, incluída num volume da série Globo de Ouro, em 1977, e com a fase indie de Simona, no começo dos anos 1980, quando retornou acompanhado dos filhos Max e Patrícia. Mas a verdade é que tudo que rolou depois foi bem pouco, em se tratando de um artista que, lá por 1970, era quase tão famoso quanto Roberto Carlos.

Os motivos pelos quais Simonal praticamente desapareceu do cenário artístico estão bem relatados em Nem vem que não tem, biografia do cantor escrita por Ricardo Alexandre – e que ganha relançamento comemorativo de dez anos ainda em 2009, por intermédio de crowdfunding. Tem também Simonal: Quem não tem swing morre com a boca cheia de formiga, livro de Gustavo Alonso, além do documentário Simonal: Ninguém sabe o duro que dei, de Cláudio Manoel, Micael Langer e Calvito Leal. E Simonal, filme de Leonardo Domingues que está em cartaz agora. Não há provas de que Simonal foi dedo duro, mas não ajudou muito o fato de ele ter mandado um amigo militar encostar um contador de sua empresa na parede, num período em que o próprio presidente não admitia haver tortura no Brasil (e tudo que um governo militar que torturava não queria era que um artista conhecido nacionalmente chamasse a atenção para o fato de que tinha gente torturando sim, e muito).

Nos anos 1990, quem tinha 20 e poucos anos estava mais ligado nas novidades de Seattle, ou do brit-pop, ou da música eletrônica. Simonal não costumava ser lembrado nesse período. O cantor lançou poucos discos, fez alguns shows e teve parte de sua obra relembrada no CD A bossa e o balanço, lançado pela Warner (com fonogramas da antiga Odeon) em 1994. O falecido Lula Tiribás, da loja carioca All The Best – que procurou Warner e EMI para pôr o disco na rua – costumava lembrar a amigos que a casa sofreu ameaças de bombas quando foi anunciado o evento de lançamento do álbum. A história bizarra na qual Simonal havia se envolvido ainda estava fresca nas cabeças de muita gente.

Em 1993, o empresário João Santana, de Natal – que produzira vários shows de Simonal por lá – decidiu fazer um megashow em homenagem ao cantor. Em 5 de maio daquele ano (um dia de greve de ônibus), rolaria no Papódromo o show Os milhões de amigos de Simonal, produzido por ninguém menos que Agnaldo Timóteo e com adesões de Gilliard Reginaldo Rossi, Benito di Paula, Renato & Seus Blue Caps, Jair Rodrigues, Jorge Ben (de volta às paradas com o nome mudado para Jorge BenJor e o hit W/Brasil) Alcione e vários outros nomões.

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A história da apresentação não acabou bem, como você vai poder ler no relançamento do livro de Ricardo Alexandre – na época, Simonal, além dos problemas que já acumulava, ainda tinha pendências jurídicas. Mas rendeu uma ida, pouco tempo antes do show, à Porta da Esperança, no Programa Silvio Santos – em que o artista não foi pedir nada, mas foi divulgar seu show. Alguém resgatou esse vídeo e jogou no YouTube, com direito ao cantor (bastante constrangido, embora carismático) fazendo Silvio cantar Meu limão, meu limoeiro.

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No podcast do POP FANTASMA, a redescoberta de Jim Morrison em 1991

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No podcast do POP FANTASMA, a redescoberta de Jim Morrison em 1991

Indo na onda do documentário Val, sobre o ator Val Kilmer, e recordando os 50 anos da morte de Jim Morrison, lembramos no nosso podcast, o POP FANTASMA DOCUMENTO, aquela época em que Val virou Jim. O ator de filmes como Top Secret interpretou o cantor no filme The Doors (1991), dirigido por Oliver Stone. E, de uma hora para outra, mais uma vez (e vinte anos após a partida de Jim Morrison), uma geração nova descobria canções como Light my fire, Break on through e L.A. woman.

No podcast do POP FANTASMA, a redescoberta de Jim Morrison em 1991

O Pop Fantasma Documento é o podcast semanal do site Pop Fantasma. Episódios novos todas as sextas-feiras. Roteiro, apresentação, edição, produção: Ricardo Schott. Músicas do BG tiradas do disco Jurassic rock, de Leandro Souto Maior. Arte: Aline Haluch. Estamos no SpotifyDeezerCastbox Mixcloud: escute, siga e compartilhe! Ah, apoia a gente aí: catarse.me/popfantasma.

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Cinema

Urban struggle: tem documentário raro sobre punk californiano na web

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Sabe aquele vizinho fascista que você detesta, e que também tem uma relação péssima com você? Pois bem, o conto dos vizinhos que se odeiam mutuamente ganhou proporções astronômicas e perigosas com o relacionamento bizarro entre dois bares californianos: o boteco punk Cuckoo’s Nest e o bar de cowboys urbanos Zubie’s. Os dois ficavam um ao lado do outro na cidade de Costa Mesa, localizada em Orange County, região com cena punk fortíssima.

O Cuckoo’s Nest era um local importante para o punk da Califórnia, a ponto de bandas como Black Flag, Circle Jerks, Fear e TSOL teram tocado lá. E do primeiro show do Black Flag com Henry Rollins no vocal ter acontecido na casa, no dia 21 de agosto de 1981. Bandas como Ramones e Bad Brains, ao passarem pela cidade, sempre tocavam lá. Já o Zubie’s, lotado de playboys no estilo country, costumava ser um problema para os punks: os cowboys invadiam o local, arrumavam brigas com os punks e os insultavam usando termos homofóbicos.

Vale citar que mesmo dentro do Cuckoo’s Nest as coisas não eram fáceis, até porque “movimento punk” significava uma porrada de gente reunida, com motivações diferentes e estilos de vida conflitantes. Tipos violentos e machistas começaram a frequentar o local e a arrumar briga com os frequentadores. E quem viu o documentário The other f… word, da cineasta e roteirista Andrea Blaugrund Nevins, recorda que o rolê punk na Califórnia era muito violento.

Flea, baixista dos Red Hot Chili Peppers – e que tocou no Fear por alguns tempos nos anos 1980 – lembra em The other f… word que, no começo dos anos 1980, uma cena comum nos shows do Black Flag eram as inúmeras brigas nas quais os fãs eram esmurrados e nocauteados, apenas por terem o cabelo ou a roupa assim ou assado. “As pessoas não somente tomavam porrada, elas acabavam no hospital. Havia ambulâncias transportando os fãs após os shows a todo momento!”.

O Cuckoo’s Nest ficou aberto de 1976 até 1981 e nunca deixou de ter problemas. O proprietário Jerry Roach lutava para manter a casa aberta, dialogava da maneira que dava com policiais, com clientes e até com a turma enorme de hippies, cabeludos e malucos que pulava de galho em galho na Califórnia.

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E essa longa introdução é só pra avisar que jogaram no YouTube o documentário  Urban struggle: The battle of the Cuckoo’s Nest, dirigido em 1981 por Paul Young.  Infelizmente sem legendas.

Tem uma edição melhor no Vimeo. Sem legendas também.

Num dos depoimentos do documentário, Jerry define a atitude dos punks como “foda-se, vivo de acordo com minhas regras”. Mas diz que não vê hippies como sendo pessoas da paz e do amor o tempo todo, e muito menos enxerga punks como odiadores contumazes. “É só um conflito de gerações”, disse Jerry, que – você talvez já tenha imaginado – batizou o local em homenagem ao filme Um estranho no ninho, de Milos Forman (o nome no original era One flew over the cuckoo’s nest).

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Tanto os músicos quanto Jerry falam bastante a respeito de brigas com a polícia – o dono do local relata as vezes em que conversou com os agentes – e reclamam da violência policial. Por acaso, um dos agentes é entrevistado, e os meganhas locais, seguindo o exemplo dos cowboys, não tinham o menor apreço pelos punks. A luta de Jerry para manter o local aberto também está no doc. Mas se você quer sair fora das discussões, o documentário ainda tem apresentações bem legais do Black Flag, Circle Jerks e TSOL.

Paul Young, o autor do filme, era um estudante de cinema que tinha sido contratado por Jerry para filmar as invasões da polícia ao local. Acabou sendo responsável pelo documentário, e anos depois acabou ficando bastante indignado quando viu o filme We were feared – The story of The Cuckoo’s Nest, de Jonathan WC Mills, e reconheceu várias de suas imagens lá.

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Cinema

Mostra de cinema e música Curta Circuito vem aí e estamos nela!

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Tem um festival unindo música e cinema, cuja 21ª edição começa hoje, e nós estamos nele. O festival Curta Circuito começa nesta segunda (11), online e que e traz sete filmes brasileiros que contam a história da música e de músicos. Com direção de Daniela Fernandes e curadoria de Andrea e Carlos Ormond, o evento acontece online pelo site da mostra, entre 11 e 17 de outubro, com filmes disponíveis a partir das 20h em cada dia e participação gratuita. Nós (enfim, eu, Ricardo Schott, editor deste site) estamos lá participando de um debate sobre o filme Ritmo alucinante, de Marcelo França (na quarta, dia 13, ao lado do diretor de fotografia Jom Tob Azulay)

“Em anos anteriores debatemos filmes populares (2017), violência (2018), fé, magia e mistério (2020). Nosso recorte da curadoria conta não especificamente a história da música, mas histórias de música – e de músicos. Em todos os filmes, existe um ponto convergente: os músicos são protagonistas de experiências e emoções, levando de carona o espectador”, explica a curadora Andrea Ormond. “Esta edição do Curta Circuito vem como mais um alento a todos aqueles que resistem. A programação está recheada de histórias e da presença de personagens femininos marcantes da filmografia brasileira, dos anos que trazem som, cor, vivacidade, liberdade e postura”, completa a diretora Daniela Fernandes.

O filme Ritmo alucinante mostra trechos do festival Hollywood Rock de 1975, realizado no antigo Estádio de General Severiano, em Botafogo, com participações de Rita Lee, Vímana, O Peso, Erasmo Carlos, Raul Seixas e Celly Campello.

Entre os outros filmes da mostra estão Bete Balanço (1984, dir. Lael Rodrigues), Um trem para as estrelas (1987, dir. Cacá Diegues), Corações a mil (1983, dir. Jom Tob Azulay, com Gilberto Gil e Regina Casé) e Roberto Carlos e o diamante cor de rosa (1970, dir. Roberto Farias).

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