Lançando o disco “Don’t tell a soul” (1989), os Replacements bateram um papo com Kurt Loder da MTV… só que alguma coisa não parecia ir bem com Paul Westerberg e Tommy Stinson, os integrantes escalados para a entrevista. Primeiro que durante o papo, os dois integrantes da banda de power pop – que deixara a crítica feliz da vida com o disco “Pleased to meet me”, de 1987 – aparentavam estar completamente bêbados. Um tempo antes, o grupo, carregado de problemas com álcool e drogas, elegera um bode expiatório para a crise na banda (o guitarrista Bob Stinson, irmão de Tommy, chutado da banda em 1986 e morto em 1995 após anos de abusos). Mas a doideira, pelo que dá pra ver aí, não tinha parado.

Loder bem que tentou, falando com o grupo sobre o disco novo, sobre sampling (o assunto do momento, em 1989), sobre mudanças na vida da banda, mas o grupo não ajudava muito – Westerberg chega a colocar a mão na frente do nariz, para sinalizar que o nariz crescia (como o do boneco Pinóquio), ao afirmar que no novo disco a banda estaria mais “madura”, como os próprios críticos vinham falando na época. De fato, “Don’t tell a soul” tentava a seu modo juntar o lado mais cru e a faceta mais acústica da banda – como eles próprios tentam falar no papo. Acabou sendo um disco definitivo para mostrar também que os Replacements não venderiam muitos álbuns e não sobreviveriam aos anos 1990, já que a banda terminou no álbum “All shook down”, de 1990. Mas pula essa parte.

Aliás, pega “Don’t tell a soul” aí e excelente proveito.