Com essa eterna mania da televisão brasileira de celebrar a si própria, poucas vezes o rádio é devidamente coberto por ela. O que mais rolou nos últimos anos foram documentários e programas de TV que tratavam a mídia como algo histórico, pertencente ao passado, e que não se renova.

Lá fora é um pouco diferente, com muitas reportagens e docs feitos direto no estúdios de rádios, mostrando o dia a dia dos radialistas, suas influências (quase todos foram marcados por um ídolo que ouviam diariamente), o que move seus trabalhos e como é a relação com seus públicos.

No YouTube tem um doc bem interessante (infelizmente é em inglês e ninguém lembrou de legendar) chamado Radio faces, feito pela estação WTTW, da TV pública de Chicago, mostrando os rostos, as histórias e as motivações de várias estrelas locais do rádio. Foi feito em 1989. Por lá dá para sacar que rádio vira uma mania para quem trabalha nele, com DJs e apresentadores que viram quase parte da decoração da cidade, e que já eram “influencers” antes de tal termo ganhar a proporção que tem hoje.

Entre os personagens, tem Bob Collins (1942-2000), então o rei das manhãs da emissora WGN, chegando para trabalhar ainda de madrugada, acordando ouvintes com conversas (uma delas bastante atual, sobre o comércio de armas), promoções e papos sobre o dia a dia. Collins, perto do Natal,é visto na rua tocando sinos com a turma do Exército da Salvação, explica que luta para ser visto como um sujeito “confiável”, e conta sobre o dinamismo do veículo e de sua atuação (“não sou o mesmo que era há dois anos, as pessoas mudam e amadurecem”).

Tem também Tom Joyner, um dos maiores comunicadores afro-americanos do rádio, reclamando que em 1989 não havia uma grande personalidade no veículo e que os discursos dos comunicadores estava ficando cada vez pior – reclamação, por sinal, que muita gente faz ainda hoje. Além deles, tem mais outros comunicadores locais que viraram verdadeiras lendas, lançando músicas, conversando com ouvintes e fazendo companhia para muita gente. Confira aí.