Lá para meados dos anos 1990, parecia que uma das manias da turma do rock e do pop era investir em jogos interativos e em CD-ROM. David Bowie lançou um jogo, Jump, em 1994, o Iron Maiden mandou bala numa versão jogável do Eddie e, no Brasil, até mesmo Falcão (o humorista cearense) soltou um pacote em CD-ROM para fãs, What porra is this?

“Tecnologizável” por excelência, a artista multimídia Laurie Anderson não deixou por menos: fez uma parceria com o designer Hsin-Chien Huang (especializado em instalações eletrônicas) e com a empresa The Voyager Company, e soltou Puppet motel. Era um game super-cabeça-incrível que mesclava arte, música, filosofia e conceitos ligados à voracidade do tempo, à nossa relação com as expressões artísticas e outros temas.

Isso tudo parece conto da carochinha hoje em dia. Mas anote isso: se o seu notebook hoje mal roda CD e DVD, nos anos 1990 tudo que um micreiro (gente…) queria era um kit multimídia, para conseguir rodar mais informação em casa. Foi nessa que o CD-ROM, um formato que já havia surgido nos anos 1980, virou a saída mais fácil para artistas colocarem pequenos vídeos em discos de música, adicionarem fotos e promoverem lançamentos especiais.

Se você viveu bem a época, lembra que no jogo expectativa-realidade, a nova tecnologia providenciava som de radinho de pilha e imagens extremamente pixeladas. Pois saiba que Laurie Anderson não só estava avisada disso como achava todas aquelas limitações muito cool. “Eu gosto das fases iniciais das coisas, quando parece que nada funciona muito bem”, disse, num papo com a CD ROM Interactive.

O blog Obscuritory classifica o lançamento de Laurie “como uma grande exposição interativa para percorrer”. São “cerca de três dúzias de cenas interconectadas em salas assustadoras e dramáticas. Eles são geralmente monocromáticos, às vezes iluminados por uma única luz”. Você pode ir nos bastidores, clicar em objetos e descobrir uma pergunta, um poema, uma lembrança. Ouve-se a voz de Laurie recitando um de seus números de spoken word, White Lilly: “Os dias passam, infinitamente, infinitamente puxando você para o futuro”.

Puppet Motel: o game de Laurie Anderson

Ela também aparece explicando, representada por um boneco dela, como seria o layout do palco de sua próxima turnê, onde “histórias sobre o passado, histórias sobre a memória e coisas que você não pode mudar” estão escondidas por trás (seria a turnê do disco The bright red, de 1994, que tinha a música Puppet motel). Num outro momento, o game ganha um processador de texto. E você ganha umas tarefinhas simples: escrever seu próprio livro ou revisar o calhamaço Guerra e paz, de Tolstói.

Puppet Motel: o game de Laurie Anderson
Olá, amiguinhos, eu sou a tia Laurie

E aqui você confere o joguinho, que alguém soltou no YouTube.