Acredite: houve um tempo em que era possível ligar a TV de tarde, num canal aberto, e assistir a um show de um artista internacional, ali na sua frente – com direito a entrevista e debate com a plateia. Foi em assim em vários momentos do “Programa Livre”, apresentado por Serginho Groisman entre 1991 e 1999 no SBT.

Bom, nem tanto assim: na maior parte do tempo, o programa convidava artistas do SBT, ou nomes muito populares na época, ou gente do rock nacional e da MPB. E o “Programa Livre” nem sempre foi apresentado de tarde. Passou por inúmeros horários na grade do SBT, e Serginho, em várias entrevistas, reclamava de ser avisado das mudanças em cima da hora (ficou famosa uma entrevista de Silvio Santos à “Amiga” em que o “patrão” dizia que mantinha a atração na emissora mesmo tratando-se de um programa “elitista”). Mas já era um belo adianto. Olha aí alguns dos nomes que foram lá.

Em outubro de 1997, Jon Bon Jovi veio ao Brasil divulgar o disco solo “Destination anywhere”, numa turnê sem shows (rolou só uma apresentação para convidados no Rio) e com algumas aparições em TV: esteve no “Domingão do Faustão” e também passou pelo palco do “Programa Livre”. Olha aí.

Quem passou por lá também foi o Sepultura, em 1992, lançando o “Arise” com sua formação clássica, bem naquela época em que a banda era mais uma atração gringa do que brasileira. Vania, mãe dos irmãos Cavalera, exibe o primeiro disco de ouro ganhado pela banda na Indonésia. Um garoto da plateia pergunta sobre “como começou a treta com o Sarcófago” (banda mineira de heavy metal que passou um bom tempo brigada com eles).

Alanis Morrissette no programa em 1998, pouco antes de lançar “Supposed former infatuation junkie”, num show intimista de voz-violão-teclado.

O Live, surfando no hit “Pain lies on the riverside”, no palco do programa em 1992 (claro que a primeira música é essa mesma).

O Midnight Oil, que está vindo aí, continua a turnê do disco “Breathe” passando pelo palco do programa em 1997.

Tem saudades da fase dance-rock de Shakira? Tá aí o que você queria: doze minutos da colombiana no “Programa Livre” em 1996.

Até o Kiss passou por lá, em 1994, quando ainda estava em plena turnê do disco ‘Revenge” (1992). Sem máscaras, fizeram um show bem legalzinho – abriram com o hit “Parasite”, do disco “Hotter than hell”, de vinte anos antes.

E em 14 de novembro de 1997, os Scorpions passaram por lá lançando o disco “Pure instinct”.

Seis minutos da banda alemã Kreator no programa em 1992, com o hit “Terrorzone”.

Até os Smashing Pumpkins estiveram no palco do programa em 1998, lançando o disco “Adore”. Aqui, eles cantam “Ava Adore”.

“Maria do Bairro” fazia sucesso no SBT e a mexicana Thalía, que interpretava o papel principal na trama, veio ao país para aparições no canal. Olha ela aí no programa.

Criada pelos mesmos empresários que lançaram (mas não faturaram com) as Spice Girls, a boy band Five também foi ao “Programa Livre”, em 1999. Nesse ano, Serginho assinou contrato com a Globo e, na falta dele, uma porrada de gente passaria pelo comando da atração, incluindo Babi Xavier, Ney Gonçalves Dias e Otávio Mesquita.

(para quem ficou muito curioso, existe um vídeo de Ney apresentando o programa – obviamente não deu muito certo)

Para quem ama loucamente anos 1980, vinte e um segundos de “Overkill”, com o Men At Work, no programa em 1996 – a produção errou e disse que a música era “Down under”.

E como o U2 nunca foi lá, pega aí a apresentação do U2 Cover em 1992 com “Sunday bloody sunday”.