Hanni Palecter é um misterioso projeto de um homem só, vindo do Recife. O autor não tem a mínima vontade de aparecer, ou de revelar seu nome, e só tirou fotos com o rosto coberto. O som une elementos de rap experimental, música eletrônica, noise e pop, e é bem esquisito – e isso é um elogio. O primeiro disco, Volume 1, (Hominis Canidae REC) tem capa igual a de vários CDs piratas (naquele estilo “80 músicas do artista tal”) dos anos 2000, com estética tosca. “A capa foi pautada na estética do desconforto”, conta o artista.

Para deixar tudo mais estranho ainda, as músicas são raps feitos numa língua que nem mesmo Hanni sabe qual é. Entre os nomes das faixas, Alala, Renguinau, Olaboa e outras. “O disco foi todo feito em casa. A inspiração veio através de uma entidade chamada Exu Ciborgue. A sonoridade consiste em samples, sintetizadores, efeitos de guitarra e fonemas de um idioma desconhecido canalizado na hora da gravação”, conta Hanni Palecter (ok, um trocadilho com o Hannibal Lecter de O silêncio dos inocentes).

“O instrumental foi feito em 2 semanas. Os vocais de todas faixas foram feitos num único take através de uma canalização”, tenta explicar. Mas e esse idioma maluco, no qual dá até para escutar palavras em português ali misturadas? “Não faço ideia. Foi um fenômeno mediúnico. As palavras em português talvez sejam resquícios da mente do canalizador”, despista.