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Cultura Pop

O selo do Allen Klein, a ABKCO, ainda está fazendo lançamentos

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O selo do Allen Klein, a ABKCO, ainda está fazendo lançamentos

Em 1970, John Lennon gostou tanto do western psicodélico El topo, de Alejandro Jodorowsky, que conseguiu arrumar um bom financiador para a próxima aventura cinematográfica do diretor. O então empresário dos Beatles, Allen Klein, foi convencido pelo compositor a soltar nada menos que U$S 1 milhão para a produção de The holy mountain (1973), que se tornou um dos filmes mais caros do underground da época.

Nenhuma das duas produções (El topo acabou sendo encampada pela ABKCO, empresa de Allen) chegou a ganhar uma distribuição enorme. Mas o surrealismo perturbador de Holy mountain arrebanha fãs até hoje, além de um bando de gente tentando decifrar tudo o que o diretor quis dizer com o roteiro do filme.

Por sinal Holy mountain, que merecia um textinho do POP FANTASMA na linha “dez coisas que você já sabe…”, volta e meia é colocado inteiro no YouTube, até cair de novo. No momento está lá ainda.

El topo e Holy mountain estão, por acaso, entre os lançamento de uma caixinha que a ABKCO lançou não faz muito tempo, com os principais filmes de Jodorowsky restaurados.

As histórias da ABKCO e de seu criador Allen Klein (1931-2009) já fazem parte da mitologia do rock. Biografias e documentários o mostram como mais do que um empresário cumpridor das letras miúdas do contrato: ele teria desenvolvido relações de abuso com vários contratados, como Sam Cooke e os Rolling Stones. No caso destes últimos, virou empresário deles nos anos 1960, convencendo-os a largar Andrew Loog Oldham, que lançara a banda. Depois acabou ganhando a desconfiança de Mick Jagger, que o tirou do cargo.

Ainda assim, a ABKCO continua até hoje detendo os direitos da discografia da banda até 1971 e Klein resmungava até pelos copyrights de músicas que os Stones lançaram em discos de seu próprio selo, como Exile on Main Street (1973). Segundo Klein, o álbum trazia material composto quando a banda estava sob as garras da ABKCO.

Após brigas, idas, vindas e reconciliações nos tribunais da vida, a gravadora continua lançando discos dos Stones até hoje, incluindo edições turbinadas dos primeiros álbuns e até uma caixa mono (lançada em 2016). E se você é fã da banda, já deparou com certeza com os lyric videos que andam saindo com clássicos do repertório sessentista dos Stones. Há pouco saiu o de We love you.

Teve também o de Dandelion.

E o de Mother’s little helper.

Nosso preferido é o de 19th nervous breakdown, que parece abertura de novela da Globo de 1972.

Allen conseguiu simultaneamente ter nas mãos os Stones e os Beatles, que passou a empresariar após a banda fundar (e começar a perder uma grana violenta com) a Apple Records. Sua entrada dividiu a banda em partes desiguais. Eram os “outros três” versus Paul McCartney, que não gostava de Allen e queria o pai e o irmão de sua namorada Linda no cargo.

John Lennon, primeiro a gostar de Klein na banda e a contratá-lo como representante financeiro, desenvolveria uma longa e conflituosa relação com o empresário com o passar dos tempos. Já George Harrison enrolou-se com a ABKCO nos tribunais por causa da semelhança entre seu sucesso My sweet lord e He’s so fine, dos Chiffons, numa época em que os Beatles processavam Klein. E Allen, acredite, tentava comprar a editora da própria canção dos Chiffons.

Hoje, a ABKCO, que originalmente era uma empresa familiar (o nome vem de Allen e Betty Klein, sua esposa), está nas mãos dos filhos de Allen, Jody e Robyn. A firma vem cuidando dos relançamentos, dos lyric videos e de uma área de filmes. Após anos de indisponibilidade, o material de Sam Cooke saiu até numa caixa da gravadora, The complete Keen years, 1957-1960. O site da empresa informa sobre novidades.

E em 2015 o livro Allen Klein: The man who bailed out the Beatles, made the Stones and transformed rock & roll tratou de jogar outras luzes na história de Klein. Fred Goodman, o autor, recebeu de Jody, filho de Klein, a oferta de escrever uma bio do empresário contando o outro lado da história, com acesso ao baú da família e total controle editorial.

Apesar dos métodos meio truculentos de Klein, o livro ressalta que seu sucesso nos negócios (e os bons acertos que conseguia para várias bandas) vinha justamente do fato de o empresário não ter pudores em sair latindo para quem atravessasse seu caminho. Allen teria inclusive tirado os Beatles da degola, após vários negócios mal feitos da Apple (Lennon, particularmente, foi abordado por ele após dar uma entrevista dizendo que se continuassem na gastança da Apple, a banda iria à falência em seis meses). E também teria conseguido boas cifras para os Stones antes da banda dispensá-lo.

Ah, sim: tem a história que envolve Richard Ashcroft, do Verve, e Allen Klein. Isso fica para outro dia 🙂

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Relembrando: Yoko Ono, “Season of glass” (1981)

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Relembrando: Yoko Ono, "Season of glass" (1981)

Complicado falar de um disco que, pelo menos até a publicação deste texto, não está nas plataformas digitais – pelo menos pode ser escutado no YouTube. Mas vale (e muito) relembrar Season of glass, quinto disco de ninguém menos que Yoko Ono, lançado no dia 3 de junho de 1981 no Reino Unido, e dia 12 nos EUA.

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Season of glass, por sinal, causou foi polêmica. Para começar, foi o primeiro disco da cantora e artista plástica japonesa lançado após o assassinato de seu marido John Lennon, em dezembro de 1980. A capa do disco trazia justamente os óculos que John usava no momento de sua morte, e que (por conta dos tiros que ele levou) havia ficado com as lentes manchadas de sangue. Ao lado dele, um copo d’água pela metade.

Yoko foi bastante cobrada por fãs e por jornalistas por ter feito isso. “O que eu deveria fazer, evitar o assunto?”, disse ao New York Times numa matéria publicada dois meses depois do lançamento do álbum. “Muitas pessoas me disseram que eu não deveria colocar aquela foto. Mas eu realmente queria que o mundo inteiro visse aqueles óculos com sangue neles e percebesse o fato de que John tinha sido morto. Não era como se ele tivesse morrido de velhice ou drogas, ou algo assim”.

“As pessoas me disseram que eu não deveria colocar os tiros no disco, e a parte em que começo a xingar: ‘Me odeie, nos odeie, nós tínhamos tudo’, foi apenas deixar esses sentimentos saírem. Eu sei que se John estivesse lá, ele teria sido muito mais franco do que eu. Ele era assim”. Aliás, a gravadora de Yoko na época, a Geffen, chegou a dizer a ela que as lojas evitariam ter o disco em estoque – porque a imagem era “de mau gosto”. Seja como for, Yoko alegou que a única coisa que ela conseguiu salvar de John após levarem seu cadáver tinham sido justamente os óculos dele. “Isso é o que ele é agora”, disse.

A tal música cheia de xingamentos é I don’t know why. E ela foi feita justamente quando Yoko viu que não iria conseguir dormir por causa de uma romaria de fãs à porta do edifício Dakota, onde morava com John, logo após a morte dele. Durante dez dias, Yoko escutou os admiradores do ex-beatle tocando na rua o disco Imagine, ininterruptamente.

“Uma noite eu comecei a me perguntar por que, por que era assim, e de repente aquela pergunta se tornou uma música. Eu não tive forças para me levantar e ir ao piano. Então apenas cantei em um gravador que tinha ao lado da cama. Quando estava cantando eu sabia exatamente qual seria o arranjo, até mesmo a parte em que eu estaria xingando”, contou ao New York Times.

A sombria No no no ganhou clipe, que abria com o som de quatro tiros e Yoko gritando. A versão que foi para o álbum excluiu os tiros. No fim da música, o então pequeno Sean, filho do casal, aparecia contando uma história que seu pai contara para ele. “Sean estava comigo durante toda a produção do álbum. E sua voz, aqueles tiros… Essas são as coisas que ouvi. Tudo o que fiz sempre foi diretamente autobiográfico, e esses sons eram a minha realidade”, contou.

Aliás, em 2020, Yoko deu entrevista para o site American Songwriter e o papo descambou para Season of glass. A cantora considerava o estado de espírito do disco ainda atual. O repórter notou que na contracapa, o copo da capa aparecia cheio, em vez de meio vazio. Eram outros tempos, meses após a morte de Lennon. “Você notou? Muito poucas pessoas notaram isso”, afirmou.

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Relembrando: Tad, “8-way santa” (1991)

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Relembrando: Tad, "8-way santa" (1991)

Banda liderada por uma personagem-testemunha do grunge, Tad Doyle, o Tad costuma ser esquecido quando o assunto é a onda de Seattle nos anos 1990. Injustiça: o grupo foi, ao lado do Nirvana, o responsável pela passagem de bastão do rock alternativo dos anos 1980 para os 1990 – mais ou menos como bandas como Joy Division, Killing Joke e o U2 do começo também foram em relação ao fim dos anos 1970. Se o Mudhoney mexia no baú dos lados Z sessentistas e o Nirvana era power pop destrutivo, Tad era um Black Sabbath pós-punk, cruzando riffs e batidas localizadas entre os anos 1970/1980.

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Cantor, guitarrista e, durante uns tempos, multi-instrumentista de sua banda, Tad Doyle é daquelas figuras que observam o tabuleiro do mercado musical por vários lados diferentes – na adolescência, chegou a tocar em bandas de jazz e depois estudou música formalmente, na faculdade. O Tad acabou virando um dos primeiros nomes assinados com a Sub Pop, pouco depois da empresa pular da condição de zine para a de selo. Ficou claro desde o começo que as especialidades de Tad Doyle (voz, guitarra), Gary Thorstensen (guitarra), Kurt Danielson (baixo) e Steve Wied (bateria), formação original, eram som pesado e provocação. E isso logo a partir do primeiro disco, God’s balls (1989), produzido por Jack Endino.

Salt lick, EP de 1990 – reeditado depois como álbum cheio – já foi concebido pelo grupo ao lado de um agente provocador daqueles: o recém-ido Steve Albini. Já 8 way santa (1991), terceiro álbum do grupo, foi o melhor momento da fórmula musical do Tad, abrindo com a pesada Jinx, e prosseguindo com encontros entre Black Sabbath e Killing Joke na fase anos 1980, em Giant killer e Wired god.

O álbum foi produzido por Butch Vig três meses antes dele pegar firme em Nevermind, do Nirvana – o que torna Tad um exemplo de banda que trabalhou com todos os integrantes da santíssima trindade dos produtores do rock alternativo norte-americano. O material não apenas de 8 way santa quanto dos outros discos de Tad poderiam ser colocados tranquilamente na gavetinha do stoner rock – embora haja certo domínio de linguagens não muito comuns ao estilo, como da criação de melodias mais próximas do som de bandas como Joy Division e Hüsker Dü (como acontece em algumas passagens de Delinquent e Flame tavern) e uma abordagem mais próxima do punk em certas faixas (como em Trash truck).

Uma sonoridade mais próxima de discos do Sabbath como Master of reality (1971) surge em Stumblin’ man e Candi. Já 3-D witch hunt, com violões quase hispânicos (e discretos) poderia estar no repertório do New Model Army ou do The Cure. No final, o punk de Crane’s cafe e o pós-punk Plague years, quase uma Plebe Rude/Gang Of Four grunge, combinando guitarras e violões suaves, riffs marcantes e vocais quase totalmente livres de drive (exceção no álbum).

8 way santa teve seu lançamento prejudicado pela capa original. A foto “do bigodudo agarrando uma garota” (como a própria banda definiu), e que havia sido encontrada pela banda num álbum de fotos comprado num sebo, teve que ser trocada assim que os personagens da imagem, que não haviam sido consultados, viram o disco nas lojas. Não só isso: a faixa Jack, o relato de um passeio bêbado – e perigoso – da banda numa pick-up em cima de um lado congelado, chamava-se originalmente Jack Pepsi, numa referência à mistura de uísque e refrigerante que embalou a aventura. Só que a faixa desagradou à Pepsi, e o grupo precisou mudar o título em edições seguintes.

A busca de “novos Nirvanas” chegou até o Tad depois de 8-way santa e o grupo foi contratado pela Giant, novo selo lançado pela Warner. Inhaler (1993), comparado com os outros discos, não trazia nada de tão novo – mas soava como primeiro álbum para quem desconhecia o grupo. O grupo bandeou-se para outro selo da Warner, o EastWest, e lançou Infrared Riding Hood (literalmente, “Chapeuzinho Infravermelho”), seu último disco, em 1995.

Nessa época, estava mais claro para o mercado que Tad era uma banda de “metal alternativo”, um rótulo que, dependendo da banda, servia mais como camisa de força do que como definição. Mas o Tad encerrou atividades por esse período, de qualquer modo. Hoje em dia, Tad Doyle lança trabalhos solo, é produtor, dono de estúdio e tem até Linkedin.

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Smashing Pumpkins entre 1992 e 1996 no nosso podcast

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Smashing Pumpkins entre 1992 e 1996 no nosso podcast

Para muita gente, Billy Corgan foi um herói. Tido como poeta da geração X, o cantor e principal compositor dos Smashing Pumpkins foi o sujeito que colocou inquietações e traumas em versos. Foi o músico que promoveu um impensável encontro entre o rock de arena e as encucações do college rock dos anos 1990. Foi igualmente (e ao lado do Nirvana e do R.E.M.) um artista que alargou bastante os limites do mainstream.

O episódio de hoje do nosso podcast, o Pop Fantasma Documento, dá um passeio na história de Corgan, James Iha, D’Arcy e Jimmy Chamberlin tendo como base seus dois álbuns mais significativos: Siamese dream (1993) e Mellon Collie and The Infinite Sadness (1995), além do antes, durante e depois de uma banda que, durante sua fase áurea, significou a sobrevida do rock, logo depois do grunge.

Século 21 no podcast: Tigercub e Miami Tiger.

Estamos no Castbox, no Mixcloud, no Spotify, no Deezer e no Google Podcasts. 

Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch. Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.

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