Oito nomes do rock que poderiam transformar o

Se você não estava fora do planeta Terra nos últimos dias, com certeza ouviu falar do caso do “menino do Acre” – que na real já não é um “menino” de verdade, é um rapagão de 24 anos, estudante de psicologia, chamado Bruno Borges.

Numa história que só faz ganhar contornos mais sombrios e misteriosos a cada dia, o garoto desapareceu (atualização feita em agosto de 2017: ele já voltou) em 27 de março, deixando para trás 14 livros criptografados (ele teria usado para isso o código marciano do “Manual do Escoteiro Mirim”, repararam alguns), que pretendia patentear. O cara tinha no quarto uma estátua enorme de Giordano Bruno – um filósofo italiano condenado à fogueira durante a inquisição católica -, um quadro em que ele aparecia retratado ao lado de um alien, e, nas paredes do local, vários escritos criptografados feitos por ele e por amigos (que, conta-se, teriam feito pacto de sigilo quanto ao paradeiro de Bruno).

Como o rapaz teria usado códigos “marcianos” e aparece numa pintura ao lado de um ser extraterrestre, já tem gente vindo com teorias sobre abdução – e obviamente já tem uma turma falando que o garoto é a “reencarnação” do Giordano Bruno, tese que até o escultor responsável pela estátua do quarto do rapaz endossa. Enfim, um emaranhado de teorias, coisas improváveis e temas bizarros que poderiam inspirar até séries (fizeram um trailer de brincadeira, inspirado na série “Stranger things”, que você vê acima), ou livros, ou quem sabe futuros hits do rock. Tem uma turma aí, por exemplo, que talvez pirasse na história do garoto e gravasse até discos conceituais sobre o assunto. Confira abaixo

SAMMY HAGAR: Talvez o tema da “abdução” envolvido na história interesse o ex-cantor do Van Halen, já que ele mesmo declarou ter sido abduzido em 1967, numa entrevista de 2013 no programa de rádio do apresentador Howard Stern. “É preciso ser cuidadoso com isso, porque se você disser algo e elas acharem que você está maluco, sua credibilidade vai embora”, contou, garantindo que não tinha bebido ou tomado nada. “Estava na cama e vi dois aliens, sentados numa nave numa colina atrás de nós, umas onze milhas de distância. Vi que eles plugaram uma coisa em mim. Era um sistema remoto sem fio, nem sabia que se chamava assim”.

AVENGED SEVENFOLD: Se o grupo californiano de heavy metal se interessaria pela história de Bruno Borges, só Deus sabe, mas a banda já está no caminho certo: fez até uma música em homenagem a Giordano Bruno. “Roman sky” está no disco “The stage”, lançado pela banda ano passado, e fala da morte do filósofo preferido de Bruno.

PINK FLOYD (fase 1967): Syd Barrett, líder do grupo na época, curtia personagens bem estranhos. Alguns estranhos apenas para a época, já que em 1967 havia enorme homofobia na Inglaterra, e “Arnold Layne”, primeiro single do grupo, era sobre um rapaz que roubava roupas femininas dos varais da vizinhança. Já “Bike” pode ser considerada uma estranha canção de amor infantil. Isso sem falar na enigmática letra de “Lucifer Sam”, cheia de referências a bruxas, gatos e coisas que não podem ser explicadas.

SUPER FURRY ANIMALS: Banda galesa, revitalizadora da psicodelia nos anos 1990, cheias de referências malucas nas letras e um e outro som “espacial” (ou completamente bizarro) em meio à gravação/mixagem. “Love Kraft”, disco de 2005 com produção de Mario Caldato Jr, tem até barulhos de uma subestação elétrica do Brasil em meio às músicas.

FLAMING LIPS: Essa banda americana é autora de discos cheios de mistérios e histórias esquisitas – o quádruplo “Zaireeka” (1997) tem quatro CDs que só fazem sentido se tocados em três aparelhos de som simultaneamente e inclui uma música, “How will we know? (Futuristic crashendos)” cujas altas frequências podem causar náuseas no ouvinte (é sério: o álbum traz até um aviso no encarte). E se juntar músicas como “Goin’ on” e “Feeling yourself disintegrate”, dá até pra começar uma playlist “menino do Acre”.

RUSH: Vale a pena algum fã do trio canadense enviar um e-mail para Neil Peart, baterista e letrista do grupo, contando toda a história. Admirador de pensadores esquisitos como Ayn Rand e grande crítico da igreja tradicional (o assunto vaza para músicas da banda como “Witch hunt”, do álbum “Moving pictures”, de 1981), ele iria acabar querendo escrever algo sobre um dos assuntos que mais têm movimentado as redes sociais. Ainda mais sabendo que o menino do Acre admirava um pensador queimado na fogueira da inquisição.

CHARLES MANSON: Mais conhecido como assassino e comandante de mortes cometidas por sua “família” de fanáticos, o miolo-mole oficial do rock também era cantor e compositor (dos ruins). Se ao ouvir discos dos Beatles como o “álbum branco”, ele pirou na batatinha – encontrando mensagens subliminares em cada música – imagine o que não faria com um caso em que REALMENTE há um monte de mensagens esperando por serem decifradas. Talvez compusesse sobre o assunto uma de suas baladinhas maníacas, na linha de “Eyes of a dreamer” e “Home is where you’re happy”.

MERCYFUL FATE: Já tem gente falando que uma ilustração encontrada no chão do quarto do cara é o “círculo da transmutação humana” do mangá “Full metal alchemist”, que serviria para trazer de volta alguém morto. Agora imagina isso nas mãos do personagem masculino do clássico “Melissa”, dessa banda dinamarquesa de black metal. “Melissa”, a personagem-título, é morta por um padre, e seu amado clama por seu retorno, e pela morte do padre “em nome do inferno”. Em outra canção, “Is that you, Melissa?”, o personagem ouve a voz de sua amada e sente sua presença.