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Cinema

Meco e as versões espaciais de Star Wars

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Meco e as versões espaciais de Star Wars

Em 25 de maio de 1977, o músico e produtor ítalo-americano Meco (é o cara da foto abaixo) resolveu assistir ao filme Star wars logo em seu primeiro dia de exibição. Gostou tanto, que viu o filme de novo mais outras vezes no dia seguinte, uma sexta-feira. Ainda completou com mais exibições durante o fim semana. E teve uma ideia: por que não transformar aquilo em disco music?

Meco e as versões espaciais de Star Wars

 

 

 

 

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Foi aí que saiu o disco abaixo: Star Wars and other galactic funk, de 1977. A música – um redesenho disco em cima da trilha composta por John Williams para o filme – você já ouviu de trilha sonora em vários programas de TV no Brasil (Silvio Santos vivia usando).

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https://www.youtube.com/watch?v=ZBkXMcs91wY

A paixão por Star Wars e pela trilha do longa não surgiu à toa. Domenico Monardo, o popular Meco, era fã de ficção científica quando criança, e iniciou-se na música tocando metais em grupos de jazz e bandas marciais. Seu interesse por música pop começou só nos anos 1960, quando ouviu Downtown, na gravação de Petula Clark, e passou a colaborar em arranjos de orquestra.

Em 1973, de olho no mercado da música para dançar, juntou-se aos amigos Tony Bongiovi, Jay Ellis e Harold Wheeler e montou com eles a Disco Corporation Of America, para lançar novos artistas. Uma das primeiras produções da turma foi uma cantora relativamente iniciante, Gloria Gaynor, e sua releitura para Never can say goodbye, do repertório do Jackson 5. Deram sorte: a gravação ajudou a inaugurar a disco music.

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Por incrível que pareça, Meco Monardo precisou suar para convencer todo mundo de que sua ideia, de botar o tema de Star wars para dançar, era legal. Foi vender a ideia para Neil Bogart, da Casablanca Records, gravadora que lançou vários hits da era disco, e que era também a descobridora do Kiss. Não conseguiu animá-lo de início. Só que, não deu uma semana, Star wars começou a bater recordes de bilheteria e a vender vários produtos licenciados. Bogart imaginou a grana que estava deixando de ganhar, foi atrás de Monardo e o projeto acabou saindo num selo da Casablanca, Millennium.

Meco, que levou os parças Bongiovi e Wheeler para trabalhar com ele no disco, completou o lado A do LP original com os tais temas de Star wars em ritmo de discoteca. Mas não havia material algum para colocar no lado B. Até que, andando pelo Central Park, viu um grupo de garotos treinando bateria ao ar livre. Gravou o ritmo marcial dos moleques e usou a composição como base para o lado de “funk galático” que ocupa o restante do disco.

Star Wars and other galactic funk não vendeu tanto quanto a trilha de Embalos de sábado à noite, lançada naquele mesmo ano. Mas fez sucesso a ponto de concorrer ao Grammy de melhor disco instrumental com… a própria trilha de Star wars. Perdeu, claro. Quem se deu muito bem com a trilha foi ninguém menos que Tony Bongiovi, que usou a grana dos royalties (cerca de cem mil dólares) para montar seu estúdio Power Station, onde gravou mais da metade dos artistas pop-rock do mundo. E onde deu o primeiro emprego (como faz-tudo) a seu primo Jon Bon Jovi.

A mania de Meco com cinema continuou. Em 1978, soltou – igualmente ao lado de Wheeler e de Bongiovi, que àquelas alturas, já era produtor dos Ramones – um golpe certo no bolso dos cinéfilos. O LP Encounters of every kind, apesar da referência no título a Contatos imediatos de terceiro grau, de Steven Spielberg (Close encounters of the third kind, no original), unia composições de Wheeler a músicas tiradas das trilhas de vários filmes. Tudo com batida funk das galáxias. Logo na sequência, viriam os inacreditáveis (e excelentes) Meco plays The Wizard of Oz (1978) e Superman & other galactic heroes (1979).

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Meco foi ficando de saco cheio do trabalho em estúdios e do mainstream da música. Em 1985, estava trabalhando como consultor de commodities e levando uma vida comum. Mas depois voltou à música e em 1998, aproveitando o iminente lançamento de Star wars: Episódio I – A Ameaça Fantasma, procurou a Sony com a ideia de fazer um disco dance em cima da trilha do novo filme.

Problema: John Williams, que tinha lançado a nova trilha sonora pela mesma gravadora, proibiu lançamentos de remixagens e afins em cima de suas músicas. Só em 2000 Meco conseguiu lançar Dance Your Asteroids Off to the Complete Star Wars Collection, com retrabalhos das trilhas de filmes da série, como O retorno de Jedi e O Império contra-ataca.

Hoje Meco tem 78 anos. Vem gravando bem pouco dos anos 2000 pra cá e anda meio sumido. Uma das raras vezes em que abriu a boca nos últimos tempos foi mais ou menos na época de Complete Star wars collection, nesse papo aqui. E ainda teve esse outro aqui, bem mais completo. Ele continua sendo um grande gênio da música, pouco lembrado, e cuja carreira renderia pelo menos um bom documentário. Não conheço nenhum – se alguém conhecer, me indique.

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Via Film School Rejects.

Cinema

O filme sessentista dos Rolling Stones que nunca foi feito

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O filme sessentista dos Rolling Stones que nunca foi feito

Tem quem diga que quando a Warner Pictures estava na expectativa por Performance, filme que trazia Mick Jagger como ator, a empresa esperava um filme igual ao dos Beatles – e acabou deparando com um soft porn psicodélico que contava histórias da máfia, que provocou repulsa nos caciques da Warner e teve que ser modificado. Só que havia um detalhe: os Rolling Stones chegaram a quase lançar o seu equivalente a Help! e a A hard day’s night alguns anos antes. Era Back, behind and in front, cuja filmagem chegou a ser anunciada pelo empresário da banda, Andrew Loog Oldham, mas tudo logo foi deixado de lado.

A história teria começado logo após o sucesso de Satisfaction, quando os Stones meteram na cabeça que iriam se tornar um grande sucesso na telona. Em julho de 1965, o empresário da banda, Andrew Oldham, anunciou à imprensa que o filme começaria a ser feito em dezembro daquele ano. A trilha seria formada por músicas originais de Mick Jagger e Keith Richards, e por temas instrumentais feitos por Mike Leander, um maestro e compositor que trabalhava na Decca desde 1963 e que nos anos 1970 seria um dos responsáveis pela carreira de Gary Glitter.

Oldham disse também que botou dois roteiristas americanos para viajar com os Stones durante sua turnê de 1965 e que o tal filme teria cenas rodadas na Inglaterra e em quatro países da Cortina de Ferro. Mick disse numa entrevista que basicamente o filme seria “estranho e cheio de surpresas” e que era “o tipo do filme em que todo mundo morre no meio”. O disco Aftermath, segundo o que estava sendo noticiado, seria a trilha sonora do filme, que teria Marianne Faithfull, então modelo e namorada de Mick Jagger, no papel principal (Oldham e o produtor do filme, o empresário Allen Klein, negaram essa, na época).

Só que em maio de 1966 surgiu a notícia de que os Stones tinham desistido do filme e estavam começando a fazer um outro chamado Only lovers left alive. Seria a adaptação de um livro de mesmo nome escrito por Dave Wallis, lançado em 1964 e que contava a história de uma sociedade distópica em que todos os adultos tiravam suas próprias vidas e os adolescentes eram deixados à sua própria sorte.

O livro de Wallis fez sucesso, provocou polêmica e ganhou fãs famosos (dizem que Jim Morrison adorava). A possibilidade de ele virar um filme dos Stones provocou mais polêmica ainda, com direito à esposa do autor dando uma entrevista e dizendo que com a banda no meio da história o tal filme nunca seria levado a sério. Brian Jones (olha quem!) deu entrevistas se dizendo “animado”, afirmando que estava assistindo a vários filmes e contando que a banda chegou a ter aulas de atuação. Nicholas Ray, que fez Rebelde sem causa, chegou a ser apontado como diretor do filme, mas foi afastado. No vídeo abaixo, do canal Yesterday’s Papers, tem algumas informações sobre o que aconteceu ou não acontteceu com esse filme dos Stones.

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Esse filme, claro, também não foi feito, e virou uma lenda espalhada por alguns anos na mídia, antes de ser totalmente esquecido. Jagger chegou a iniciar uns projetos de filmes solo (entre eles um curta-metragem do fotógrafo David Bailey que se chamaria The murder of Mick Jagger), mas a coisa não andou. E o equivalente stoniano ao Help! (ou o que o valha) nunca foi feito.

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Frat House: trotes, violência e nojeira nas universidades americanas em documentário

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A Wikipedia tem uma lista de mortes por trote nos Estados Unidos. Após o “início de um sonho” (conseguir uma universidade) e o “deu tudo certo” (estar matriculado nela), tem todo um contexto bizarro e sombrio que volta e meia é explorado por alguns filmes lá fora: é o contexto da pressa para se adequar à nova realidade, da pressão social para fazer amigos e estar entre os populares, da busca por uma colocação no mercado, da não-colocação entre os perdedores do universo da faculdade.

Ok, isso rola no Brasil também, mas uma olhadinha no filme Frat house, feito pela HBO em 1998 e nunca lançado oficialmente dá uma certa horrorizada, por causa da exposição do lado perigoso das fraternidades das universidades americanas. Em um minuto você está feliz por ter entrado no curso, em outro minuto você está sendo atingido por uma mistura de substâncias tóxicas numa festa qualquer. A novidade é que jogaram Frat house no YouTube (ok, com legendas em inglês apenas).

Frat house tem lá suas polêmicas. Os diretores do filme, Todd Phillips (o mesmo cara que fez Se beber não case e o documentário sobre GG Allin) e Andrew Gurland foram pedir para alguns dos entrevistados refazerem cenas, o que jogou areia no aspecto “cinema-verdade” da coisa. “O que as pessoas não entendem sobre um bom documentário é que é roteiro. Você escreve o filme antes de ele ser feito. E você manipula todos na sala para dizer exatamente o que você quer que eles digam”, se defendeu Todd num papo com a Vice há cinco anos.

Fazendo o filme, os cineastas conheceram uma tal Beta Chi de Nova York, fraternidade com dia a dia violento, machista e abusivo (pelo que aparece no filme). Depois se mandaram para uma tal Alpha Tau Omega, na Pensilvânia. Lá, Philips foi trancado numa gaiola de cachorro e coberto de uma gosma nojenta que misturava cerveja, cinza de cigarro e tudo o que aparecesse pela frente.

Todd alega que o motivo da não-exibição de The frat house pela HBO foi outro. “Frat house é sobre americanos brancos de classe alta cujos pais são advogados, médicos e políticos. Parece que estou vomitando uma teoria louca da controvérsia paranoica, mas é verdade. E quando você fizer esse filme, essas pessoas, que têm muitos recursos, ameaçarão processar você. Você vai lutar nessa batalha ou não, e a HBO optou por não lutar essa batalha”, contou.

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Pega aí o filme e tire suas próprias conclusões.

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Jogaram o documentário do Killing Joke no YouTube

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Jogaram o documentário do Killing Joke no YouTube

The death and ressurrection show foi dirigido por Shaun Pettigrew, saiu em 2013, foi exibido no Brasil numa edição do festival In-Edit e resume a trajetória de uma das bandas mais polêmicas do pós-punk. o Killing Joke.  Não é apenas um documentário sobre a banda: Shaun foi fundo nas obsessões do líder do grupo, Jaz Coleman. O comandante do grupo tem paixão por ocultismo, runas, numerologia, rituais (o que explica o fato de Jimmy Page, guitarrista do Led Zeppelin, ser um dos entrevistados do filme). Discorre sobre esses assuntos com voz grave, sempre descrevendo detalhadamente o que acontecia quando alguma força oculta invadia algum show do Killing Joke, ou quando ele participava da invocação a algum deus, ou algo do tipo.

A novidade é que The death, que tem duração bem extensa (duas horas e meia), tá inteirinho no YouTube. Pena que sem legendas em português (tem em inglês, pelo menos).

Nas duas horas e meia do filme, o fã do KJ é convidado a conhecer a história bastante acidentada da banda. O grupo teve algumas mudanças de rota bem no comecinho da carreira: partiu do pós-punk para o som gótico, tangenciou o industrial e o heavy metal, e fez sucesso com músicas como Eighties e Love like blood, definidas no filme como canções das quais todo mundo podia gostar, da galera pós-punk aos metaleiros. No caso da primeira, rolaram ecos em Seattle: o Nirvana ouviu, deu uma chupada no riff de abertura e compôs Come as you are. O assunto “plágio” não aparece muito no filme, por sinal – surge só numa entrevista antiga de Jaz e num papo com o produtor da faixa, Chris Kimsey.

Jaz é retratado como um sujeito criativo, polêmico e problemático. Em 26 fevereiro de 1982 (por sinal seu aniversário de 32 anos), com o KJ fazendo sucesso, sentiu que o apocalipse estava chegando e se mandou para a Islândia, abandonando a banda com vários projetos em andamento. Foi para lá com o guitarrista da banda, Geordie, meditar e participar de rituais, e acabou se envolvendo com mais projetos musicais.

No filme, pessoas do meio musical dizem que essa “deserção” acabou fazendo com que muita gente passasse a estigmatizar o Killing Joke – muito embora a banda ainda estivesse para entrar em sua fase de maior sucesso. Em 1980, já haviam provocado polêmica ao divulgar uma turnê com um pôster que trazia um sujeito muito parecido com o Papa Pio 12, cercado de nazistas. Na verdade era um abade alemão nazista chamado Alban Schachleiter, mas isso não fez diferença e o KJ foi banido até de alguns shows.

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Jaz, no filme, aparece detalhando experiências fora-do-corpo que viveu em shows da banda e ri ao recordar os momentos em que mais se envolveu em polêmicas. Também é exibido num extenso e desconcertante material de arquivo. Numa das entrevistas antigas, ele e o baixista Paul Raven aparecem batendo um papo com Paula Yates no musical The Tube, falando sobre o single Love like blood. Logo no comecinho, Jaz irrita-se com a conversa de um casal ao lado, e manda os dois calarem a boca.

Assista aqui:

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