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Som

Fizeram um, er, mashup de “Smells like teen spirit” com o tema do Esporte Espetacular

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Fizeram um, er, mashup de "Smells like teen spirit" com o tema do Esporte Espetacular

A coisa mais infame que você vai ouvir hoje é esse, digamos, mashup que o canal Rarirama fez de Smells like teen spirit, do Nirvana, com o tema do Esporte espetacular. Se prepare para ter vontade de socar o computador.

A propósito, o tema do Esporte Espetacular é esse aí: Dr. Jeckle and Hyde Park, da Carnaby Street Pop Orchestra And Choir.

https://www.youtube.com/watch?v=WN8sLuF9nGg

Cultura Pop

Relembrando: Stone Temple Pilots, “Tiny Music… Songs from the Vatican Gift Shop” (1996)

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E Tiny Music, dos Stone Temple Pilots, faz 25 anos

Os Stone Temple Pilots sempre tiveram uma característica peculiar. Com exceção dos dois primeiros discos, Core (1992) e Purple (1994), a banda sempre retornou em seus novos álbuns como se estivesse estreando. Aliás, quase sempre como se uma nova oportunidade fosse dada a eles. E pouco antes do terceiro álbum, Tiny music… Songs from the Vatican Gift Shop, lançado em 26 de março de 1996, o tempo havia fechado para o grupo.

Antes de Tiny music, Dean DeLeo (guitarra), Robert DeLeo (baixo), Eric Kretz (bateria) e Scott Weiland (voz) haviam conseguido arrancar elogios da crítica por causa de Purple. Jornalistas que avaliaram Core como uma cópia do Pearl Jam viram no segundo álbum uma junção boa de grunge, rock alternativo, psicodelia e folk setentista. Mas o ano de 1995 trouxe problemas para a banda: brigas, pressões internas, drogas, prisão de Scott Weiland com heroína e cocaína, liberdade condicional.

Não era a estreia de Weiland nas drogas. Desde 1993, quando rolou uma bizarra turnê STP-Butthole Surfers, as agulhas haviam passado a fazer parte do seu dia a dia. Mas o abuso passou a ser tido como o maior problema da banda. Além de paralisar o cantor, e de inspirar boa parte do clima deprê de Purple. “É um caminho difícil. Ele pode conseguir vencer isso, como pode nunca conseguir”, contou Dean DeLeo à Rolling Stone em 1997, quando Scott ainda lutava contra as drogas.

Até o terceiro disco surgir, os STP já haviam se separado e voltado, e deixado para trás duas semanas de trabalho em estúdio. Com a prisão e a condenação, Scott montou o Magnificent Bastards, que durou bem pouco. Já seus colegas estavam começando a planejar o Talk Show, com Dave Coutts no vocal. Tiny music só surgiu quando a banda se reagrupou no outono de 1995, com mais de 30 músicas compostas.

Os irmãos DeLeo tiveram uma trabalheira brutal para decidir qual faixa combinava com qual projeto, o terceiro dos Stone Temple Pilots ou o primeiro do Talk Show – que, aliás, acabaria sendo o único, e só sairia em 1997. “É muito estranho, porque na realidade era como se Big bang baby pudesse estar no álbum do Talk Show e Everybody loves my car no Tiny Music“, recordou Dean. O disco acabou produzido pelo mesmo Brendan O’Brien de sempre, e gravado num rancho em Santa Inês, na Califórnia, para onde a banda se mudou.

Tiny music surgiu de uma constatação lamentável. Numa época em que paparazzi e jornais sensacionalistas andavam à toda, não dava mais para esconder a atual condição de Scott – que responderia sobre “vícios em drogas” até o fim da vida.

O então recente suicídio de Kurt Cobain e a névoa de heroína que cobria o grunge ainda estavam muito recentes. O clima depressivo vazou para letras como a da anfetamínica Tumble in the rough, que falava sobre o dia a dia de rehab e de meditações do cantor. E a da balada Adhesive (do verso “venda mais discos se eu morrer”).

Já musicalmente falando, a banda foi para um caminho completamente diferente. Big bang baby, o primeiro single, era basicamente glam rock herdado da fase Spiders From Mars de David Bowie – assim como Pop’s love suicide. Influências de rock dos anos 1960 apareciam em baladas como a própria Adhesive e And so I know (esta, lembrando discretamente Everybody has been burned, dos Byrds). Art school girl, citando Andy Warhol, unia glam rock e alternativices. O vocal de Scott Weiland deixava de vez de lembrar o de Eddie Vedder – soava como um encontro entre Bowie, John Lennon e Johnny Rotten.

Os clipes de Big bang baby, Trippin’ on a hole in a paper heart e Lady Picture Show rodaram direto na MTV. O da primeira música foi a maior surpresa para todo mundo. Fazendo um som bem diferente dos primeiros discos, os STP, sob a direção de John Eder, prestavam uma homenagem aos clipes do começo dos anos 1980, feitos em videotape e sempre com chuva de cromaquis.

Tiny music, apesar da qualidade, rendeu resenhas mistas. A Rolling Stone falou bem. A Entertainment Weekly só faltou falar “não comprem esse disco”: detonou as letras, a voz de Scott, a aparência dos músicos, as tentativas de adicionar toques de jazz. A Pitchfork chamou Weiland de “filho da puta viciado em drogas que já deveria ter tido uma overdose” e afirmou: “Foda-se, Weiland. Você é tão ruim que até sua banda te odeia” (!!).

O disco renderia mais uma pausa para o STP. A banda interromperia uma turnê (na qual abririam para o Kiss) para Weiland ingressar num rehab. Kretz e os irmãos DeLeo, desanimados com os insucessos, colocariam o Talk Show na rua (com a estreia de 1997). Posteriormente, Weiland arrancaria elogios da crítica com sua estreia solo, 12 bar blues (1998). O STP só se reencontraria em 1999 com o pesado e depressivo Nº4, tido como um disco de “metal alternativo” por muita gente. Era outra banda, outra época, ainda que com os mesmos integrantes.

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Crítica

Ouvimos: Dua Lipa, “Radical optimism”

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Ouvimos: Dua Lipa, "Radical optimism"
  • Radical optimism é o terceiro álbum de estúdio da cantora anglo-albanesa Dua Lipa, e o primeiro de estúdio em quatro anos.
  • Em comunicados à imprensa, a cantora chegou a citar influências como a neo-psicodelia e o brit-pop no disco. O álbum foi produzido por Danny L. Harle, Ian Kirkpatrick, Kevin Parker (Tame Impala) e Andrew Wyatt (Miike Snow).
  • À Billboard, Dua disse que se trata de seu disco mais pessoal. “Por um longo período de tempo eu pensei: ‘O que eu guardo para mim, o que coloco lá fora?’. ‘Como posso falar sobre minhas histórias sem colocar toda a minha vida pessoal em risco?’ É uma posição bastante vulnerável para se colocar, enquanto neste álbum eu me senti muito livre para contar minhas histórias e falar sobre minhas experiências”, contou.

O título e a capa do disco novo de Dua Lipa entregam bem mais do que o resultado do álbum. A imagem da cantora nadando entre tubarões e o nome “otimismo radical” soam um tanto mais revolucionários do que o disco, que traz um pop bacaninha, não exatamente perfeito. Future nostalgia, o anterior, dava novos contornos à disco music e contornos clássicos à house music. Já Radical optimism é bem diferente do que a própria Dua Lipa andava prometendo: em entrevistas e comunicados, ela dizia que se tratava de “homeagem à cultura rave do Reino Unido” e “um disco que faz infusão pop-psicodélica”.

O que acabou saindo foi um disco de música pop com bons momentos (a abertura com End of an era e Houdini anima), mas que soa bem mais ou menos se comparado a referências que provavelmente acompanham Dua Lipa há anos, como a disco music e o pop dos anos 1990. O tipo de disco que poderia ter sido melhor trabalhado para não soar tão genérico, embora talvez faça parte de um projeto de Dua para simplificar cada vez mais as coisas, em tempos de epopeias pop e sarrafo levantadíssimo para um estilo musical cuja gênese é o single. Provavelmente a presença de Kevin Parker (Tame Impala) entre os produtores e parceiros foi criando outros caminhos e trazendo outras referências. Mas pra encontrar neo-psicodelia num disco como Radical optimism, basicamente tomado por um tom mais tropical de r&b e house music, você vai ter que procurar bastante.

Por outro lado, é um disco de identificação bastante fácil e rigor quase conceitual. As letras de Radical optimism falam sobre dates furados, bandeiras vermelhas, relacionamentos que deixam marcas (Happy for you é sobre a mulher que vê o ex-namorado com a atual namorada, a ciumeira bate, mas ela se sente feliz pelo tal sujeito), ex-namorados e ficantes que uma mulher nunca mais vai querer ver na vida. Em alguns momentos, as faixas soam quase como um diário do Tinder, ou como threads do Twitter musicadas (já reparou como as pessoas se soltam ao responder perguntas como “qual foi seu pior date?” nesta rede social?).

O hit Houdini fala sobre filas que têm que andar, recorrendo a uma imagem bem interessante, já que o nome do rei da escapologia Harry Houdini é usado como verbo. Se o candidato a namorado da personagem não disser logo a que veio, Dua Lipa se manda (“vou dar uma de Houdini”, em tradução extremamente livre). O r&b latino French exit faz a apologia do ghosting moleque, de várzea, e sugere a saída estratégica antes do fim da festa (“não é um coração partido se eu não quebrar/um adeus não dói se eu não disser”, jura Dua Lipa).

Tem mais: End of an era pega pesado no clima “ih, lá vamos nós de novo” do começo de qualquer relacionamento. A boa balada Anything for love (que talvez responda pelas influências do britpop das quais Dua falou em entrevistas) põe no mesmo balaio empoderamento, noções de auto-estima e… busca de um final romântico e feliz. O hit Training season, põe na mesa mais papo sobre expectativas em relacionamentos, e traz um lado meio ABBA-Cher-Eurovisão para o disco.

Diante das letras do álbum, o otimismo do título chega a soar tóxico. Tá mais para aquele sentimento e aquela atitude que a gente sente que precisa ter quando parece que tudo já ruiu, e nos quais nem a gente bota fé (e, bom, diante da imagem da capa, dá pra sentir a ironia). Musicalmente, talvez você tenha vontade de ouvir o lançamento anterior de Dua Lipa. Mas é isso.

Nota: 6,5
Gravadora: Warner

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Crítica

Ouvimos: Beth Gibbons, “Lives outgrown”

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Ouvimos: Beth Gibbons, "Lives outgrown"
  • Lives outgrown é o primeiro disco solo de Beth Gibbons, musicista britânica que fez parte da banda Portishead. Segundo Beth, o disco foi escrito durante uma década e fala sobre “maternidade, ansiedade, menopausa e mortalidade”, entre outros assuntos. A produção é de Beth, James Ford e Lee Harris.
  • “As pessoas começaram a morrer. Quando você é jovem, você nunca sabe o final, você não sabe como tudo vai acabar. Você pensa: vamos superar isso. Vai melhorar. Alguns finais são difíceis de digerir”, contou Beth em um comunicado.
  • O disco usa piano preparado (tocado por Ford com colheres) e efeitos inusitados, como o uso de caixas e material de cozinha para a percussão.

O primeiro disco solo de Beth Gibbons vale como uma resposta ao tempo tão poderosa quanto a música Resposta ao tempo, de Aldir Blanc e Cristóvão Bastos, imortalizada por Nana Caymmi. O problema é que ao contrário da letra da música, não há batidas na porta da frente, nem o tempo é uma eterna criança. Qualquer surpresa que ele pudesse causar já é pedra cantada, mas pouca coisa é evitável. São problemas que vêm com o envelhecimento, com o tom sinistro das últimas notícias, com a tristeza de ver pessoas partindo, por questões de vida ou de morte. E a sensação de que você foi longe demais para voltar atrás.

O tom de Lives outgrown (“vidas superadas”) é bastante direto, as letras não deixam margem para dúvidas, os arranjos não são o tipo de som que muita gente gostaria de ouvir numa noite solitária. Floating on a moment fala que “estou indo em direção ao limite”. Se ouvida com o pensamento na tragédia do Rio Grande do Sul, e com a certeza de que histórias como essa não acontecem por acidente, Rewind ganha outro contexto: “a natureza não tem mais para dar/não faz sentido/este lugar está fora de controle/e todos nós sabemos o que está por vir”, com ruídos de crianças se divertindo na água, bem no final. Burden of life assevera: “não há respostas sobre o porquê”. Isso só para ficar em três exemplos.

Musicalmente, rola todo um clima de cidade-fantasma, de terror solitário, em Lives outgrown. Há críticos definindo o disco como “folk”, o que é uma meia-verdade. O som é experimental, une violões, efeitos especiais de percussão e bateria tocada igualmente como se fosse uma percussão (pelo co-produtor Lee Harris). E há faixas que soam como um redesenho acústico, repleto de madeiras, numa música originalmente eletrônica, como acontece em Reaching out. Se alguém quiser estabelecer comparações com o Portishead, ex-banda de Gibbons, o conceito é quase (quase, calma) comparável ao clima de Third, último disco da banda, de 2008.

Músicas como Rewind, Beyond the sun e For sale soam como sonhos perturbadores – trazendo influência de música do oriente médio unida a tons psicodélicos. Burden of life, com vocais soprados, e soando quase como um organismo vivo, com cordas, batidas e violões, é o tema de abertura ideal para uma série que falasse sobre vida e morte, esperanças perdidas e caminhos possíveis. E dessa forma o disco segue, até chegar a notas de esperança em Whispering love, a faixa final, que surpreende por fazer Beth Gibbons lembrar a voz de Annie Haslam, do Renaissance. Tudo muito bonito, mas muito triste. E muito verdadeiro.

Nota: 8,5
Gravadora: Domino.

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