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Cultura Pop

Mas quem são Tony Lopes & Os Sobreviventes?

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O músico baiano Tony Lopes foi fazer diversas outras coisas após o fim de sua banda Os Sobreviventes, que montou no começo dos anos 1990. Formou outros grupos, foi integrante de outros tantos, escreveu letras para vários parceiros e montou duas lojas de discos. Mas o disco único de Tony & Os Sobreviventes, De quem é a culpa? (1991), ainda lhe tirava o sono de vez em quando. Para realizar o LP, pouquíssimo divulgado e feito à própria custa, Tony se dedicou bastante. Gastou muitas horas de estúdio e chegou a vender um Chevette para pagar os trabalhos – pouco antes disso, tinha sofrido um acidente de carro que lhe custou a visão de um olho.

Mas quem são Tony Lopes & Os Sobreviventes?

A capa do disco

“Não ganhei dinheiro com o disco, mas também não perdi. Ele não circulou como eu gostaria e nem me fez um letrista requisitado. Mas é real. Faz parte da história, coisa que muitos poucos fizeram aqui pela Bahia”, recorda Tony, ainda hoje trabalhando com música.

Recentemente, Tony jogou De quem é a culpa? nas plataformas digitais. Anunciou o relançamento em fevereiro com um textinho no Facebook (confira abaixo), em que relembrava as críticas ruins que o disco recebeu (uma delas da Veja) e acusou o calcanhar de aquiles apontado por muita gente, que era sua voz.

Mas quem são Tony Lopes & Os Sobreviventes?

“Eu nunca cantei, só queria mostrar minhas músicas e letras. Sempre deixei isso bem claro, mas falar das coisas ruins é sempre mais fascinante”, justifica Tony, que lançou no disco composições como a balada sadomasoquista A tua mulher, o reggae-blues Mãe da bomba, a balada Nenhum de nós e o rock tipicamente oitentista (com violões corridos a la Smiths e The Cure) Brinco. Nas letras, influências de Marcelo Nova, Walter Franco, Roberto e Erasmo Carlos, além de poetas concretistas.

“No disco tem várias composições, tanto música como letra, que são minhas e que tiveram um pequeno help dos amigos. Não reconheço uma única nota musical, quando compus estava aprendendo a tocar violão. Não levei adiante mas com uns dois ou três acordes compus bastante”, conta.

Tony ainda tem LPs originais para vender (ofereceu um até para o POP FANTASMA) e nunca viu seu disco lançado em CD. Nem pretende relançá-lo no disco prateado e vai deixar o álbum apenas no formato digital. Em 1991, o vinil ainda era um suporte popular no Brasil, não havia muitos CDs independentes e um lançamento em LP estava de bom tamanho.

No álbum, Tony compõe, canta e faz a produção ao lado do amigo Eduardo Luedy. Apesar de originalmente ser baterista, Tony preferiu substituir o instrumento no LP por batidas programadas. Por que? “Eu era um baterista ruim, e naquele momento era o cantor”, conta.

Mas quem são Tony Lopes & Os Sobreviventes?

Contracapa do álbum, com a equipe que participou da gravação

“Nas demos, em gravadores de quatro canais e em gravações caseiras, era mais fácil usar as eletrônicas. Eram bem simples na época, daí não foi difícil de decidir mantê-las na gravação final. E também tinha o lance dos custos e o pouco tempo disponível no estúdio. Usamos uma percussão de verdade em uma das músicas, o reggae Carnaval. Foi feita por uma grande músico chamado Ivan Huol”, complementa. “O disco foi gravado e mixado em dez períodos de quatro horas no estúdio Livre, que ficava no bairro da Liberdade. Às vezes o tempo passava um pouco, o Filipe Cavalieri (engenheiro de gravação) fez o possível para nos ajudar”.

GUERRA FRIA. Bem antes de De quem é a culpa?, Tony sonhava em ser músico. Mas só foi querer fazer música passada a adolescência, aos 19/20 anos, dez anos antes do disco.

“Inicialmente queria ser apenas letrista, mas com o tempo resolvi aprender a tocar um instrumento e escolhi a bateria por considerar que seria mais fácil. E me enganei. Até hoje toco e ainda não aprendi”, afirma. Tony teve uma banda chamada Dúvida Externa e seria um dos vocalistas, mas foi impedido pela própria timidez. Logo depois montou o Guerra Fria, em que dividia o palco com o irmão André Luiz, no vocal. A banda só durou um ensaio e fechou com uma nota trágica: a morte de André aos 23 anos em um acidente de moto.

“Já vinha escrevendo as letras, mas com o fim do Guerra Fria fiquei sem o suporte e a garantia necessários para me considerar um letrista. Nunca tive muitos amigos e a minha baixa estima me impedia de correr atrás do meu sonho”, conta o músico, que hoje voltou a compor com o guitarrista Jorge Afonso, com quem dividiu a banda.

Luedy, co-produtor do disco, apareceria na história em 1989, quando Lopes gravava umas canções suas num estúdio e precisou de mais um gravadorzinho para terminar uns trabalhos. “Eu tinha em casa um gravador de quatro pistas, uma Tascam porta-one, que gravava em fita cassete”, lembra Luedy.

Eduardo Luedy foi levar o gravadorzinho (“acho que eu fui apenas de farra, porque não tinha necessidade de eu estar junto”, recorda), gostou das músicas de Tony e acabou ficando amigo dele. Antes, tinha tocado numa banda chamada Flores do Mal, que volta e meia é citada entre as bandas mais significativas do underground de Salvador nos anos 1980. O que não foi exatamente garantia de sucesso. “A gente circulava por entre a cena roqueira da época – que era muito pequena, se pensarmos que a gente transitava por uma parte da cidade apenas”, recorda Luedy. “Tocamos em peças de teatro, participamos de festivais, tocávamos onde podíamos tocar. A gente nunca ganhou dinheiro com o nosso trabalho”.

No rock soteropolitano dos anos 1980, quem fez sucesso mesmo foi o Camisa de Vênus, que Tony acompanhou bastante, indo a todos os shows (“sempre preferi ouvir música em português e o Marcelo Nova era o Messias que me guiaria pela estrada do rock”, recorda).

Não era tanto a praia de Luedy. “A música do Flores do Mal era muito MPB para o gosto da época”, diz. “Na época, o roque no Brasil já acontecia muito a partir de São Paulo e Rio de Janeiro. E o próprio Camisa não ficou aqui, eles se mandaram logo para São Paulo. Acho que na Bahia a gente não tinha nem a estrutura de casas de shows, bares etc e nem um público tão amplo que pudesse sustentar um circuito daquela música. Não sei, estou pensando alto aqui”.

SOBREVIVENDO. Na época de De quem é a culpa?, Tony fazia museologia na UFBA, vivia com os pais e fazia bicos. Dentre os empregos que aceitou para manter as contas em dia, estava o trabalho numa rádio AM. “Eu fazia desde programas sertanejos nas madrugadas até programas para donas de casa à tarde”, conta. Já tinha uma relação com Fátima, que se tornaria sua mulher e mãe de seus filhos Jimy, Tom (estes, gêmeos) e Vicky.

Mas quem são Tony Lopes & Os Sobreviventes?

Tony Lopes em 1991, cercado de caixas de vinil e com uma cópia do LP no braço

Na hora de arrumar um estúdio para colocar no vinil todo o material que guardava havia alguns anos, Tony deparou com uma questão básica: além do alto custo, Salvador tinha poucos estúdios (“somente dois ou três”, diz). O orçamento para a gravação veio da tal venda do carro. A prensagem foi feita com a ajuda da família e de cupons de pré-venda. Um outro fator que facilitou foi a chegada de amigos que quiseram trampar de graça, incluindo um ex-Flores do Mal, Heyder Carvalho, e dois ex-Guerra Fria, Jorge Afonso e Marcelo Fraga.

“Eu cheguei a colaborar financeiramente, mas bem pouco”, lembra Luedy. “Tivemos um tempo longo de pré-produção, a gente gravou tudo antes no meu porta-studio tascam. Todos os arranjos, todas as programações de bateria foram feitas nessa fase. Eu programei muita coisa sozinho, outras com ajuda dos nossos amigos músicos. Toquei baixo e um monte de violões. Eu adoro esse disco, dei o melhor de mim ali”.

As tais baterias eletrônicas às quais Tony Lopes recorreu causaram certa tristeza nele e nos músicos durante as gravações. Mas no palco, tudo deu certo. “Quando começamos a fazer shows, passamos a utilizar bateria de verdade e aí dava pra ver como as músicas ganhavam força. Mas sem arrependimentos. Acho que elas hoje fazem com que o som soe mais atual”, conta Tony. Fora isso, o efeito expectativa versus realidade não bateu muito na equipe do disco: a ideia era terminar tudo o mais rápido possível e a turma já tinha várias demos.

GOLFINHOS MORTOS. A capa de De quem é a culpa? traz – você viu lá em cima – uma imagem forte, clicada por Xando Pereira, que mostrava um grupo de golfinhos mortos numa praia da Bahia. Mesmo em se tratando de um LP de distribuição restrita, a capa do álbum gerou polêmica. “Fui duramente criticado na época por acharem que fiz uso indevido da causa ambiental, já que no disco nenhuma letra abordava o tema”, lembra Tony. E poderia ter gerado ainda mais polêmica. Pelo menos na família do cantor.

“No projeto original, eu queria usar uma imagem de crucificação de Cristo. Quando falei para minha família da ideia, todos foram contra, apesar da minha família ser espírita. Mas encontrei a foto de Xando, dos golfinhos, e acredite que ali eu conseguia ver a imagem da crucificação”, recorda Tony Lopes. “Antes disso um artista carioca chamado Ronaldo Torquato chegou a fazer um projeto de capa, mas era muito complexo e caro de fazer”. Tony conseguiu vender boa parte dos discos e pagou os custos.

CREIA. Hoje em dia, se você quiser bater um papo com Tony ou ver se ele tem uma cópia estalando de nova de De quem é a culpa? para vender, é só procurá-lo no Bardos Bardos, a Casa das Trincas, localizado no bairro do Rio Vermelho, em Salvador. É uma espécie de bar/loja de discos com agenda de shows, capitaneado por ele, por Wilson PDM e por outra lenda do rock baiano, Rogério Big Bross, dono do selo Big Bross Records.

Tony hoje: "Creia" (foto: reprodução Facebook)

Tony Lopes hoje: “creia” tatuado no braço

Tony também está escrevendo um livro de causos sobre a vida do amigo Big Bross, que terá um formato mais próximo de um almanaque do que de uma biografia comum (“será uma BigOgrafia”, brinca). O Guerra Fria retorna em breve com músicas do repertório oitentista da banda, e algumas inéditas – uma delas, em homenagem ao radialista e apresentador de TV baiano Waldir Serrão, um dos primeiros parças profissionais de Raul Seixas. Entre um e outro projeto, promoveu modificações também em si próprio. Adotou a palavra “creia” como lema para projetos, e-mails, mensagens a amigos e até finalizações de textos do Facebook. Tatuou a palavra no braço esquerdo. “Um pouco de fé em mim mesmo já que nunca botei muita fé em mim. Tudo isso depois dos 50”, conta.

Após De quem é a culpa?, Tony tocou em bandas como Tara Code (que conseguiu projeção no underground baiano dos anos 1990), Koyotes (banda do artista plástico Miguel Cordeiro, co-autor de Simca Chambord, do Camisa de Vênus) e Professor Doidão E Os Aloprados. Lançou também o disco Pequenos milagres de um santo barroco de barro, sob o pseudônimo ReverendoT, e escreveu o livro Blasfêmias & orações.

“Tenho também algumas bandas virtuais como Os Elefantes Elegantes, tristes azuis e KortKoyds, nas quais produzo usando o garage band. Quase tudo com letras e músicas minhas”, conta. “Como posto quase diariamente o que escrevo nas redes, sempre pinta alguém que gosta e faz a música. Adoro quando isso acontece, porque geralmente essa não seria uma prioridade pra mim. Mas gosto dessa urgência, de sempre estar tentando algo, fazendo diferente”.

Luedy, depois do álbum, tornou-se professor universitário de música e trabalhou até em um disco do sambista baiano Riachão. Ele lembra que após a iniciativa dele e de Tony, o cenário roqueiro da Bahia foi “se tornando aquilo que o Capital Inicial se tornou”, como recorda. “Lembro que a galera que curtia rock e que circulava nos eventos e festas e shows de rock das bandas daqui, via com maus olhos o surgimento do mangue beat… Eles achavam que o rock não podia se misturar. Bem, estou generalizando, mas eu via isso como um sinal muito evidente de que o rock estava se encaretando. E isso desde essa época daí, desde os anos 90”.

Tony resolveu reeditar De quem é a culpa? nas plataformas quando trabalhava no retorno do Guerra Fria e decidiu que estava na hora de revirar mesmo o baú. A versão que está no ar foi remasterizada por Luedy em 2004 e inclui a versão demo de Brinco. O músico gostou de como o disco soou no Spotify e em outros serviços de streaming, e decidiu investir.

“Hoje eu acho De quem é a culpa? bem melhor que na época. Não sou perfeccionista, gosto de quantidade, produzir muito, escrever muito e continuo assim. É bom quando alguém ouve e curte a nossa música, mas isso independe da quantidade de pessoas. Não sou nenhum gênio, mas fiz boas canções. Elas estão aí vivas e prensadas num vinil, e como um colecionador, que sou, eu sei como isso é importante e nos satisfaz”, alegra-se Tony. Mais algum recado? “Let’s go, creia”, diz, fechando uma das mensagens que trocamos.

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Billy Corgan e Butch Vig juntos no estúdio de novo após 33 anos

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Billy Corgan e Butch Vig juntos no estúdio de novo após 33 anos

RESUMO: Billy Corgan e Butch Vig retomam a parceria de Gish e Siamese dream em Black stars, faixa da trilha de Jogos vorazes. Um reencontro com o produtor que ajudou a criar o som do Smashing Pumpkins. Relembre o histórico.

Texto: Ricardo Schott – Fotos: Reprodução

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Imagine você entrar num estúdio com Billy Corgan, no começo dos anos 1990, e descobrir que ele quer gravar uma música com dezenas de guitarras. E que, se uma delas não soar exatamente como ele imaginou, vai ter que fazer tudo de novo. Agora imagine que o produtor, em vez de mandar o sujeito sossegar, acha a ideia ótima. Pois era mais ou menos assim que funcionava a parceria entre o Smashing Pumpkins e Butch Vig. E, 33 anos depois, os dois resolveram repetir a experiência.

A novidade é Black stars, música lançada nesta sexta-feira (16) e incluída na trilha sonora de Jogos vorazes: Amanhecer na colheita. A trilha completa sai em 13 de novembro, uma semana antes da estreia do filme. É a primeira gravação lançada pelo Smashing Pumpkins com produção de Vig desde o álbum Siamese dream, de 1993. A faixa também entrou no repertório da atual turnê Rats in the cage.

A história dos dois começou em 1990, quando o Smashing Pumpkins gravou Tristessa, compacto lançado pela Sub Pop, sob a produção dele. Isso foi antes de Vig produzir Nevermind, do Nirvana (1991). Corgan gostou do cara logo de primeira. Numa entrevista à Tape Op, contou que o produtor não tinha pose, trabalhava pra caramba e não se assustava com as ideias que ele e o baterista Jimmy Chamberlin levavam para o estúdio. Pelo contrário: parecia gostar da complicação.

Foi assim que chegaram a Gish (1991), álbum de estreia da banda, primeiro no qual trabalharam juntos. Corgan queria um disco com peso, psicodelia, melodias bonitas e guitarras aparecendo de todos os lados – um baita rock de arena, com ambiência, totalmente o oposto daquela onda da época, de simplesmente colocar quatro músicos numa sala e apertar o botão de gravar. Vig comprou a ideia e ajudou a organizar tudo aquilo. Dá para ouvir o resultado em Siva, Rhinoceros e Daydream, três músicas bem diferentes que parecem fazer parte do mesmo universo.

Só que os dois tinham um problema: não sabiam a hora de parar. Corgan contou à Rolling Stone italiana que Vig pegava pesado com afinação, ritmo e vocais. Fazia Billy cantar a mesma parte tantas vezes que ele começava a achar que não sabia cantar. O engraçado é que, olhando para trás, o vocalista reconhece que aquela cobrança fez toda a diferença.

Em Siamese dream (1993), o segundo disco, a situação ficou ainda mais complicada. A banda já tinha uma gravadora grande esperando resultados, Billy passava por uma fase emocional difícil e os integrantes não se entendiam nada bem. Foram gravar em Atlanta, mas os problemas viajaram com a banda nas malas.

Corgan acabou tocando praticamente todas as guitarras e boa parte dos baixos. Algumas músicas ganharam tantas camadas que Vig precisava descobrir como fazer tudo caber na mixagem. Era guitarra em cima de guitarra, com mais uma guitarra aparecendo quando você achava que já tinha acabado. E, se alguma coisa não estivesse perfeita, lá iam eles gravar de novo. O disco demorou, custou caro e deu um trabalhão. Só que saiu dali Siamese dream, com Cherub rock, Today, Disarm e vários clássicos.

Corgan nunca escondeu o quanto Vig foi importante. Nos textos da reedição de Siamese dream, em 2011, escreveu: “Butch me apoiou o tempo todo nessa visão maluca”. E completou: “Butch era a única pessoa que poderia ter feito aquele disco conosco, porque o respeitávamos tanto que queríamos estar à altura dos padrões elevados dele”.

Mas aí chegou a hora de fazer o duplo Mellon Collie And The Infinite Sadness (1995), e Billy resolveu mudar tudo. Chamou Flood e Alan Moulder para produzir, porque queria sair daquela maneira de trabalhar. Numa entrevista ao Grammy.com, explicou que Vig havia ajudado a construir uma versão quase idealizada do Smashing Pumpkins. Flood queria outra coisa: ouvir a banda como ela realmente soaria nos shows.

E não, a troca não aconteceu por causa de alguma briga. Em 2011, perguntaram a Corgan se ele toparia trabalhar novamente com Vig. “Eu amo Butch e temos uma relação muito boa. Adoraria. Ele provavelmente é uma das únicas pessoas com quem eu voltaria a entrar em estúdio”, respondeu. Vig também sempre pareceu adorar Corgan, embora já tenha declarado algumas vezes que o músico foi “um pentelho” no estúdio (quem conhece a história de Billy sabe que isso é um nome até carinhoso).

Pois bem: demorou 15 anos para aquela declaração virar realidade. Black stars coloca novamente os dois no estúdio, agora com décadas de experiência acumulada e sem a obrigação de repetir o que fizeram em 1993.

Ainda não há indicação de que a parceria vá render um álbum inteiro. Por enquanto, é uma música para uma trilha sonora. Mas já dá para imaginar a cena: Billy aparece com uma ideia complicada, Butch escuta, pensa um pouco e resolve que dá para melhorar. E lá vem outra guitarra…

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Bono trapalhão? U2 antes da fama, na TV irlandesa, usando fantasias de palhaço

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Bono trapalhão? U2 antes da fama, na TV irlandesa, usando fantasias de palhaço

RESUMO: Antes da fama, o U2 tocou Out of control na TV irlandesa vestido de palhaço. Tem gente achando que é obra da IA, mas não é não.

Texto: Ricardo Schott – Foto: Reprodução

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No comecinho de sua história, prestes a fazer as primeiras gravações, o U2 fez um vídeo de Out of control na TV irlandesa em clima de circo, com maquiagens faciais e roupas de palhaço. Tá aí o vídeo.

O vídeo é de 1979 e pertence aos arquivos da RTÉ, emissora pública irlandesa – e pelo que a emissora diz, apareceu no programa Our times. Já teve gente levantando a hipótese de ser obra de IA. Não é, pelo visto. “Embora a estética crua e a qualidade amadora das possam levar os espectadores a questionar a sua autenticidade, este vídeo específico foi documentado e discutido pela comunidade de fãs do U2 como uma peça genuína da história da banda”, diz um comentário publicado no canal do YouTube @DutchU2Fan.

Não foi a primeira vez que a banda esteve na atração: em 13 de novembro de 1978, tocaram a música The fool, numa apresentação que acabou sendo reprisada em 27 de novembro. Aliás, a primeira vez que Bono, The Edge, Larry Mullen e Adam Clayton foram à RTE rolou em 2 de março de 1978, quando ainda se chamavam The Hype – na ocasião, foram a programa Youngline e cantaram Street mission.

Além das maquiagens, Bono surge usando apetrechos teatrais e fazendo caras e bocas para a câmera – em alguns momentos, tudo parece uma cena de humorístico brasileiro dos anos 1970. E naquela altura, Out of control era praticamente o cartão de visitas do U2. Em agosto de 1979, o radialista Dave Fanning apresentou três músicas do grupo em seu programa na RTÉ — Out of control, Stories for boys e Boy/Girl — e deixou os ouvintes escolherem qual delas deveria ocupar o lado A do primeiro lançamento da banda. Out of control venceu. No mês seguinte, as três músicas apareceram no EP Three, cuja primeira edição teve mil cópias numeradas.

A canção também tinha uma origem bastante pessoal. Bono a escreveu quando completou 18 anos, pensando no desconforto de perceber que dois dos acontecimentos mais importantes da existência estão totalmente fora das nossas mãos: ninguém decide nascer e, em última instância, também não controla a própria morte.

Agora: por que diabos eles estão vestidos daquele jeito?

Bom, não há, pelo menos na documentação conhecida sobre a apresentação, uma explicação de Bono, The Edge, Adam Clayton ou Larry Mullen Jr. para as roupas, mas maquiagens e os apetrechos. Também não aparece nos arquivos disponibilizados pela RTÉ uma justificativa para o figurino. Pode ter sido uma ideia do programa, uma brincadeira da própria banda ou simplesmente parte da estética daquela atração

O vídeo pertence a uma fase realmente embrionária do U2, que ainda traria uma apresentação no programa Aspects Of rock em setembro de 1979, tocando Life on a distant planet. Em janeiro de 1980, a banda chegou ao Late late show com Stories for boys. E pouco depois, aquela banda de garotos que ainda podia surgir fantasiada na televisão começaria a gravar a estreia Boy, lançada em outubro de 1980. Um primeiro passo na construção do U2 que a gente conhece hoje.

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Cultura Pop

Video Vanguard Award: afinal, que prêmio é esse que o Nirvana recebeu?

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Video Vanguard Award: afinal, que prêmio é esse que o Nirvana recebeu?

RESUMO: O Nirvana recebeu o Video Vanguard Award no VMA e entrou numa história que começou em 1984 com Beatles e David Bowie. Entenda como surgiu e por que o prêmio mudou ao longo das décadas.

Texto: Ricardo Schott – Foto: Reprodução

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O Nirvana voltou ao VMA neste domingo (27) para receber um prêmio que, de certa forma, conta a própria história da MTV. Dave Grohl, Krist Novoselic e Pat Smear subiram ao palco para buscar o Video Vanguard Award, homenagem pelo conjunto da obra audiovisual da banda.

Recebendo a honraria, os mais ilustres três ex-integrantes vivos da baanda entraram numa lista que começou com Beatles e David Bowie e, ao longo de mais de quatro décadas, passou por Madonna, Michael Jackson, R.E.M., Beastie Boys, U2, Beyoncé e vários outros.

Mas o que exatamente é o Video Vanguard? Bom, temos duas respostas, uma curta e uma longa. A resposta curta: é uma espécie de prêmio pelo conjunto da obra do VMA, dedicado a artistas que tiveram impacto importante sobre o videoclipe e a cultura pop. Não está ligado a um vídeo específico lançado naquele ano e nem sequer é entregue em todas as edições.

A resposta longa é… a própria história do prêmio. E é a melhor resposta, já que o prêmio nasceu junto com o próprio VMA, em 1984. E não custa lembrar que nessa época videoclipe ainda era uma linguagem em formação e a MTV tinha apenas três anos. Na primeira cerimônia, só pra você ter uma ideia, David Bowie ganhou o prêmio, e houve menção especial aos Beatles e a Richard Lester, que dirigiu os filmes Help e A hard days night, do quarteto.

No caso dos Beatles e Lester, a escolha reconhecia especialmente a importância dos filmes do grupo para aquilo que, anos depois, se consolidaria como a linguagem do videoclipe – e da mesma forma, Bowie havia desenvolvido muito do idioma dos clipes vários anos antes. Na real, como ainda nem sequer havia uma “história” do videoclipe, era fundamental apontar quem havia ajudado a inventar aquela nova linguagem.

Nos anos seguintes, por sua vez, já estava claro que o grande lance era premiar quem já estava fazendo história ali mesmo, com a linguagem dos clipes. Em 1985, ganharam o prêmio David Byrne (então apenas o líder dos Talking Heads) e os diretores Russell Mulcahy e Godley & Creme. Madonna recebeu em 1986. Peter Gabriel, em 1987.

Detalhe: Michael Jackson ganhou em 1988 e, a partir de 1991, seu nome passou a ser associado oficialmente à honraria, que durante décadas ficou conhecida como Michael Jackson Video Vanguard Award. Em 2019, a MTV silenciosamente, mas nem tanto, tirou o nome do astro do prêmio. Nesse ano, a vencedora foi a rapper Missy Elliott.

Na década seguinte, a lista parece quase um resumo do período em que rock e MTV andavam grudados. Bon Jovi recebeu o Vanguard em 1991; Guns N’ Roses, em 1992; Tom Petty e Rolling Stones, em 1994; R.E.M., em 1995; Red Hot Chili Peppers, em 2000; U2, em 2001; e Duran Duran, em 2003. Exceções à regra: em 1997 o rapper LL Cool J levou a estatueta pra casa. No ano seguinte, os Beastie Boys ganharam o prêmio.

Depois, o perfil foi mudando junto com a própria MTV e com a cultura pop. Britney Spears, Justin Timberlake, Beyoncé, Kanye West, Rihanna, Pink, Jennifer Lopez e Missy Elliott estão entre os homenageados. Nos últimos anos vieram Nicki Minaj, Shakira, Katy Perry e Mariah Carey. Agora o prêmio volta ao rock com o Nirvana.

Dá pra dizer que poucos grupos carregam uma ligação tão evidente com a era clássica da MTV. Smells like teen spirit não apenas virou um dos clipes mais associados aos anos 1990 como ajudou a transformar a imagem do rock no canal. Come as you are, In bloom e Heart-shaped box reforçaram uma identidade visual que misturava estranheza, humor, desconforto e uma boa dose de antipatia pelos padrões do estrelato.

No VMA deste ano, coube a Chuck D, do Public Enemy, entregar o prêmio. Novoselic aproveitou o discurso para colocar Kurt Cobain no centro da história e lembrou que muitas ideias dos vídeos vinham da visão artística do vocalista. Para ele, a permanência do Nirvana também tem relação com uma busca do público por autenticidade.

Grohl, Novoselic e Smear receberam a homenagem sem Cobain, morto em 1994, mas com sua imagem aparecendo durante a cerimônia. A escolha fecha um círculo curioso: uma banda que ajudou a definir a MTV dos anos 1990 recebe, mais de três décadas depois, um prêmio criado justamente para reconhecer quem mudou a maneira de juntar música e imagem.

Mais do que um troféu para quem acumulou clipes famosos, o Video Vanguard começou como uma homenagem a quem empurrou o videoclipe para algum lugar novo. E sua lista de vencedores acabou registrando também as mudanças da própria MTV: dos Beatles e dos diretores pioneiros ao domínio do rock, daí às grandes estrelas do pop e do hip hop.

Agora o Nirvana entrou nessa história. Digamos que, para uma banda que chegou à MTV parecendo não pertencer àquele mundo, demorou bastante.

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