Luiz Carlos Maciel morreu sábado (9), aos 79 anos. Falência múltipla dos órgãos. Guru da chamada contracultura, Maciel foi um dos mais importantes intelectuais brasileiros e deixa uma marca profunda, uma presença rebelde no obtuso Brasil de hoje. Sua história é impressionante: Foi um dos fundadores do jornal O Pasquim, em 1969. Em 1970, juntamente com a maior parte da equipe do Pasquim, foi preso pelos militares e passou dois meses na Vila Militar, no Rio. Editou também o semanário contra cultural Flor do Mal, e foi diretor de redação da revista Rolling Stone a partir de 1972, quando a publicação era revolucionária. Maciel trabalhou durante vinte anos na Rede Globo como roteirista, redator, membro de grupos de criação de programas e de analista e orientador de roteiros” (Luiz Antonio Mello)

Leia o texto acima inteiro aqui. Difícil medir a importância de Luiz Carlos Maciel na formação da cultura pop brasileira, pelo fato de ter formado o imaginário de vários fãs de rock no Brasil nos anos 1970. Era ele quem reportava novidades do mundo do rock – e dos submundos da contracultura – em sua coluna Underground, no Pasquim. E depois no Jornal de Amenidades, de Tarso de Castro. E também na primeira Rolling Stone nacional. Foi um revolucionário que trouxe para o Brasil o desbunde enquanto cultura (em música, literatura, teatro, etc). Nos últimos anos, deu cursos de roteiro, dirigiu peças, escreveu para a Record TV. E, em 2015, chocou antigos fãs ao pedir emprego por intermédio das redes sociais e blogs de amigos.

Se você mal sabia quem era Maciel ou só tinha ouvido falar, tem um vídeo do programa Super Libris, do SescTV, sobre o tema Letras desbundadas, com uma excelente entrevista com ele. Maciel explica que em literatura, desbunde foi “uma descoberta radical de que não era absolutamente obrigatório viver como todo mundo vivia, dentro das regras estabelecidas. Havia uma coisa mais fundamental do que seguir as normas, leis e regras, que era a liberdade humana”, conta. “Esse visão de mundo que é a liberdade me impressionou desde a adolescência. Quando eu descobri que existia a liberdade, eu fiquei encantado”.

E o que seria uma literatura de desbunde? “Era uma literatura completamente livre de toda a estratificação da atividade literária. Se você for a uma livraria, tem seções de diferentes gêneros. Na literatura do desbunde não tem ficção e não-ficção, não faz sentido. Você escreve uma coisa que é as duas ao mesmo tempo, e talvez uma terceira que ninguém saiba o que seja”, conta, citando nomes como Jack Kerouac. Ele também mostrou onde escrevia, a que horas, e falou um pouco sobre seus métodos.

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