O ingresso para o show de James Brown no Maracanãzinho em 1988 custava 300 cruzados (a arquibancada) e 1000 cruzados (a pista). Era a segunda visita do cantor ao Rio, já que ele havia cantado no Canecão em 1973, quando vários cantores – Wilson Simonal entre eles – foram destacados pela gravadora Philips para recepcioná-lo no Brasil.

Numa época em que a música negra e os sons dançantes não estavam tão na moda (a mídia pop, con raras exceções, estava mais interessada em saber do rock alternativo britânico) Brown levou cerca de 5 mil fãs ao ginásio. E sua chegada ao Rio contou com boa cobertura. O Acervo Digital de Cultura Negra resgatou imagens dessa época que foram transmitidas pelo RJ TV, da Rede Globo, e pelo programa Radial Filó, apresentado por Dom Filó – hoje vice-presidente social do Renascença Clube. O local, por sinal, aparece nas imagens como um dos lugares onde rolavam festas soul na época.

As reportagens do RJ contam com depoimentos de nomes como Sandra de Sá e Ed Motta. E trazem pelo menos uma informação que depois se mostrou errada: a de que James Brown, que passou a ter vários problemas com substâncias ilícitas, não tolerava “nem fumo nem drogas”.