Com as mortes de Lou Reed e David Bowie (Marc Bolan, “ido” há 40 anos, não conta), sobrou Iggy Pop para contar a história do encontro entre o pré-punk e o glam rock. O cantor acaba de aparecer num papo na Vogue alemã (reproduzido pela GQ) em que é entrevistado pelo amigo Anthony Bourdain, chef e apresentador de TV. E aos 70 anos completados em abril, avisa que “pretende ter uma vida mais curta. Não quero chegar aos 90” (!).

“Durante anos eu lutei. Primeiro para provar que eu tinha algum talento, depois para desenvolver minhas habilidades e, finalmente, para realizar tudo razoavelmente. Mas então, uma vez que cheguei lá estava numa de: ‘OK. Eu fiz isso, mas eu quero ser feliz’. E esse é um acordo completamente diferente. É como uma dança. Ser ativo parece ajudar. Tenho 70 anos, então às vezes surge uma voz dizendo que basta ter calma”, conta.
Ele continua. “Houve um tempo em que eu queria sair do mundo ocidental. Fui até Granada e percebi que, se eu vivesse de uma maneira parecida como a que vivem lá, eu não seria nada além de um babaca. Eu vou precisar de guarda-costas, armas e dinheiro constantes para me juntar à comunidade lá. Caso contrário, você ganha um monte de gordura, pessoas brancas velhas morrendo juntas, comendo demais, bebendo. Não muito atraente. Então realmente decidi conscientemente ter uma vida mais curta. Eu realmente não quero viver até os 90”, diz Iggy Pop.

Iggy está ainda na turnê do disco Post-pop depression, lançado no ano passado. E elogiado pelo amigo na entrevista. Após ter dois casamentos prejudicados por viagens constantes e muito trabalho, Bourdain quis saber do amigo mais experiente sua visão a respeito do amor. Ele é possível?

“Acho que apenas a tempo parcial, não em tempo integral. Tudo o que acompanha nossa loucura – a egomania, a prostituição, o foco irracional em si mesmo e os pequenos problemas de articulação e estilo e toda essa porcaria – eventualmente, se não tirar a outra pessoa da sua vida, causa-lhe uma atrofia”.