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Gene Simmons toca lados B do Kiss em show solo – veja!

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O site Blabbemouth mostrou alguns momentos do show de Gene Simmons, baixista (e linguarudo) do Kiss com sua banda solo na última sexta (2), no Trocadero Theatre, na Filadélfia, Pensilvânia. O show, intitulado “Uma tarde com Gene Simmons e sua banda”, foi feito em parceria com a Wizard World. Numa entrevista antes do Show, Gene lembrou que nunca havia feito uma turnê solo na vida – e agora tem mais quatro shows pela frente, como resultado da parceria. “Vai ser uma estreia pra mim, porque nunca fiz nada dessa forma. De vez quando eu pulo no palco e faço uma música com alguém. Johnny Depp e eu fizemos algumas músicas juntos.

Gene fez algumas surpresas aos fãs: chamou todo mundo para subir no palco em “Do you love me” e pinçou pérolas esquecidas do Kiss como “Charisma” e “Got love for sale”. Explicou que acrescentou essas músicas no repertório por ser um show pequeno e mais direcionado. “Quando faço estes shows pequenos, que vão para mil, três mil pessoas, isso significa que a plateia está lotada de fãs radicais. Eles não querem escutar só aquela coisa antiga de sempre, querem ‘nuggets’, como eles dizem”.


Foto: Luke Ford/Wikimedia Commons

Ricardo Schott é jornalista, radialista, editor e principal colaborador do POP FANTASMA.

Crítica

Ouvimos: Bill Ryder-Jones, “Iechyd da”

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Ouvimos: Bill Ryder-Jones, "Iechyd da"
  • Iechyd da é o quinto disco do britânico Bill Ryder-Jones, co-fundador da banda The Coral, na qual esteve até 2008. É o primeiro disco dele em cinco anos. Num papo com o site The Quietus, ele afirma que o novo álbum tem a mesma energia do seu segundo disco solo, A bad wind blows in my heart (2013), gravado com a filarmônica de Liverpool.
  • O título do disco significa “boa saúde” em galês. Manter a saúde em dia tem sido uma preocupação de Bill, que tem síndrome do pânico e se tornou dependente de remédios durante a pandemia, período em que também teve um relacionamento desfeito. Numa ocasião, passou bastante mal ao misturar remédios com bebida alcoólica, e precisou ser hospitalizado – seu amigo Anthony, homenageado no álbum com Thankfully for Anthony, passou em sua casa e o levou.

Iechyd da, novo álbum do cantor britânico Bill Ryder-Jones, talvez apresente a primeira homenagem de um artista estrangeiro a Gal Costa. E que homenagem: I know that it’s like this (Baby) é um folk-rock orquestral, doído de tão melancólico, feito em torno do refrão de Baby, de Caetano Veloso, na versão da cantora baiana gravada em seu epônimo primeiro álbum solo (1969). O refrão “baby, eu sei que é assim” acomoda-se à faixa, e o próprio nome da cantora é citado na letra – como corruptela da palavra “girl”, mas como referência forte no verso “Gal, se você estiver ouvindo, há algo que você deveria saber/eu sei que é assim”.

I know that it’s like this é só o começo de um álbum que soa como um verdadeiro mergulho na música e no imaginário de Bill, um compositor bastante influenciado pelos anos 1960 (Beach Boys, Van Dyke Parks, Mutantes), um cantor na mesma escola rouca de Mark Lanegan e J Mascis, e um letrista que varia entre tristeza, romantismo, otimismo e cinismo em escalas quase iguais. Tanto que Iechyd da fala bastante de recomeços e de esperança, passeando por várias lembranças de bandas queridas de Bill nas letras (como o verso “caminhei a noite toda até a lua assassina”, citando The killing moon, do Echo and The Bunnymen, de This can’t go on).

O som de Iechyd da vai além do “rock adulto” e, em vários momentos, traz curiosas lembranças do pop de rádio dos anos 1960 e 1970. Não fosse pelos vocais graves e quase mastigados, This can’t go on daria uma bela canção de rádio AM ou de trilha antiga de novela, graças às cordas e à presença de um vocal operístico – embora a letra tenha versos impublicáveis como “quero foder, preciso de um pouco de cuidado/preciso disso agora, quero diversão”.

O lado beach boy do disco surge nas belas e sobrenaturais Christinha e We don’t need them. Um clima análogo ao country rock do começo dos anos 1970 aparece em faixas como If tomorrow starts without me e I hold something in my hand. E um lado bem mais introspectivo aparece nas baladas de piano A wind blows in my heart pt 3 e How beautiful I am. A primeira fala sobre o fim de uma relação disfuncional, em que uma pessoa só procura a outra quando precisa dela. A segunda é um reforço na autoestima de Bill (“ela me diz o quão bonito eu sou/eu penso nisso o tempo todo”).

A preocupação evidente de Bill foi a de fazer um disco belo e emocionante, do tipo que pode fazer chorar – e pode dar alento. No final, Thankfully for Anthony, sua homenagem a um amigo que o ajudou na época em que mais precisou de pessoas do seu lado, complementa a mensagem esperançosa do álbum.

Nota: 9
Gravadora: Domino

Foto: Reprodução da capa do álbum.

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Crítica

Ouvimos: Brittany Howard, “What now”

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Ouvimos: Brittany Howard, "What now"
  • What now é o segundo álbum solo da cantora norte-americana Brittany Howard, que começou como vocalista da banda Alabama Shakes. O disco é a estreia dela na Island Records, e foi produzido por ela e Shawn Everett.
  • Como o Alabama acabou, oficialmente Brittany hoje é só uma artista solo – mas ela também é vocalista do Thunderbitch, projeto de rock que lançou só um disco em 2015 e fez poucos shows.
  • Jaime, estreia solo dela, havia saído em 2019. Para Brittany, esse espaço de tempo é fundamental. “Quando faço discos, gosto de aproveitar o tempo, geralmente três anos. Geralmente é esse o tempo que levo para experimentar a vida e aprender algo ou crescer de alguma forma”, contou aqui.
  • O disco tem um “interlúdio” de 30 segundos em que a escritora Maya Angelou lê um trecho de seu texto A brave and starting truth.

Tem muita coisa em Brittany Howard que lembra o artista-tema do episódio mais recente do nosso podcast, Prince. E não apenas no som. Por mais que What now seja um álbum musicalmente exuberante, como se tivesse passado pelas mãos de pelo menos mais uns quatro produtores, o método de trabalho dela soa tão artesanal e autodeterminado quanto possível. Ela produziu tudo ao lado de Shawn Everett, compõs quase tudo (há parcerias em apenas duas das doze faixas), dividiu-se em vários instrumentos e também foi para trás de si própria no estúdio, cuidando da gravação e da mixagem.

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A musicalidade de What now é justamente marcada por esse clima de “um olho no peixe, outro no gato”. Ouvindo, dá para imaginar perfeitamente Brittany fazendo experimentações com a mixagem de sua voz, mexendo em texturas musicais, acrescentando detalhes e pensando quase todo o tempo como produtora. Não por acaso, o álbum, mais até do que a estreia solo Jaime, de 2019, foi para um lado mais psicodélico e mais “estranho” (no bom sentido). E tão belo quanto o disco anterior, só que bem menos classificável por rótulos.

What now se localiza num corredor por onde caminham desde o funk rock do Funkadelic (especialmente no tratamento psicodélico dos arranjos, e nos vocais de faixas como Earth sign) até boa parte do lado mais romântico e existencial do pop dos anos 1960/1970 – uma onda que passa por Marvin Gaye, Terry Callier, Diana Ross, Minnie Ripperton (a contemplativa To be still), Carpenters, Cassiano, David Bowie.

No disco, I don’t soa como uma faixa perdida de uma trilha de novela dos anos 1970 (Bandeira 2, talvez). A faixa-título tem balanço de neosoul dos anos 1990, mas tecnologia dos dias de hoje – e riff de guitarra distorcido. Red flags tem algo de música brasileira e árabe, nas batidas e nas linhas vocais, com letra falando sobre quando os sinais de toxicidade de um relacionamento passam despercebidos.

O mesmo assunto surge no jazz-gospel selvagem Power to undo, faixa que soa como a maior herdeira de Prince no disco: “você tem o poder de destruir tudo que eu quero/mas não vou deixar que faça isso (…)/você tem o poder porque eu o dei a você”. Samson, a faixa mais longa do álbum (5:17), une jazz, r&b, discretas batidas eletrônicas, e é quase instrumental, com um solo de trompete que ocupa quase metade da música. Não é o forte do álbum, mas uma recordação rápida (e distorcida) da house music tem lugar em Prove it to you, uma das melhores de What now. Um disco que soa como um furo no futuro, ou no passado – a audição é marcada pelo encontro dos dois.

Nota: 9
Gravadora: Island

Foto: Reprodução da capa do álbum.

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Crítica

Ouvimos: Idles, “Tangk”

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Ouvimos: Idles, "Tangk"
  • Tangk é o quinto disco da banda britânica Idles, formada por Joe Talbot (voz), Mark Bowen (guitarra, programações, backing vocals), Lee Kiernan (guitarra base, backing vocals), Adam Devonshire (baixo, backing vocals) e Jon Beavis (bateria, backing vocals).
  • O disco teve três produtores: o próprio guitarrista Mark Bowen, o DJ e produtor Kenny Beats e o produtor-chave do Radiohead, Nigel Godrich. No caso de Nigel, a banda chegou a pensar que não conseguiria compor nada que deixasse o produtor satisfeito, mas encararam. “Aprendemos que nada é tão difícil de alcançar se você trabalhar muito”, contou Bowen.
  • O nome Tangk é definido pela banda como “um símbolo de viver no amor”, mas de fato, é uma onomatopeia para o som das guitarras dos Idles.

Nos anos 1990, quando a fartura de bandas novas chegava a desnortear, não havia streaming (desnecessário explicar isso para quem viveu a época, evidente). Se você fosse um reles mortal, conseguia comprar no máximo uns dois, três CDs por mês. Como efeito direto disso, tornava-se viciado(a) em discos de bandas que, em vários casos, nem eram tão geniais. Mas tinham pelo menos cinco faixas muito boas num disco, o que dava vontade até mesmo de ouvir (e perdoar) as faixas menos boas do álbum.

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O conceito de “disco ruim” ou “disco mais ou menos” era bem diferente numa época em que havia menos acesso a lançamentos. Mas ele me faz lembrar imediatamente de bandas como os Idles: o tipo de banda cujos álbuns nem sempre reúnem músicas tão legais assim, e cujo aproveitamento, na era do CD, seria bem mais evidente. O grupo britânico funciona até mais como ideia do que como música, propriamente: guitarras com timbre entre o brutal e o robótico, ritmo entre a brutalidade hardcore e a frieza do pós-punk, vocais gritalhões, letras variando do protesto à pura molecagem, com boas sacadas. O efeito “já ouvi isso antes” traz boas referências: muita coisa aponta para Wire, Public Image Ltd, Rage Against The Machine, Can e bandas de pós-hardcore.

Tangk, o novo disco, aumenta vários pontos na história dos Idles: a diversificação que já havia nos bons Ultra mono (2020) e Crawler (2021) tem mais espaço, e a banda apresenta seu disco mais bem resolvido em termos de composição e produção. É um dos discos mais melódicos da banda, e o álbum que mais herdou sonoridades da transição entre o glam e o punk.

Não por acaso, o álbum abre com piano, efeitos de guitarra e clima dream pop, em IDEA 01. E encerra com mais efeitos, além de sons tirados num saxofone, em Monolith. Recordações de Roxy Music e dos discos solo de Brian Eno vêm à mente –  e, a propósito, Electric warrior, clássico do T Rex, tinha uma música chamada Monolith e encerrava com o sax viajante de Rip off.

Principalmente, Tangk é o disco no qual o clima revoltado dos anteriores ganha certa direção, dada pela new wave, pelo pop francês e pela surf music (no hit Dancer, destaque de single e de clipe) e pela verdadeira dança da guerra que são músicas como Gift horse, POP POP POP, Gratitude e a punk Hall & Oates (com riff chupado dos Kinks). Já Roy vem em clima tribal e tranquilo. O que pode fazer os fãs da antiga estranharem o novo disco é o tom meio Coldplay do dream pop de piano A gospel.

A cara dos Idles, uma banda com muita personalidade, vem modificada em Tangk, que até agora traz a melhor resolução entre expectativa e realidade da história do grupo. Bandas que desafiam a si próprias, muitas vezes desafiam os próprios fãs. Mas já era um desafio que estava surgindo em discos anteriores.

Nota: 7,5
Gravadora: Partisan

Foto: Reprodução da capa do álbum

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