Deu xabu no Rio nos últimos dias. Três ex-governadores presos, um dramalhão enorme nas notícias (com direito ao ex-governador Anthony Garotinho dizendo que foi agredido na cela, mas sem conseguir comprovar o crime) e mais algumas setas lançadas na direção do caos total no Estado, na cidade e no país. Como até mesmo a situação tragicômica do Rio tem direito a trilha sonora, o POP FANTASMA separou nove canções para você escutar no último volume enquanto acompanha as últimas notícias

“EVERYTHING’S RUINED” – FAITH NO MORE. Já dá para pedir música no Fantástico: o Rio tem três ex-governadores presos. E a situação do estado (e da cidade) não é das mais agradáveis, com falência total, falta de pagamento para servidores, violência em praça pública. Um clima de desmanche total, tendo como pano de fundo muita corrupção e vista grossa. Tudo a ver com a letra de uma das mais destrutivas músicas do clássico Angel dust, do Faith No More, de 1992.

“BEAT ON THE BRAT” – RAMONES. Alegadamente, o ex-governador Garotinho diz ter sido agredido com um taco de beisebol. Igualzinho ao que diz o grupo novaiorquino nessa música, como um diabinho de desenho animado.

“THE DOPE SHOW” – MARILYN MANSON. “A gente vê claramente que ele está dopado. Então ele pode ter tido um delírio, sim”, afirmou ao G1 o presidente do Sindicato dos servidores do sistema penal do Rio, Gutemberg de Oliveira, sobre o que deve ter realmente representado a tal agressão recebida pelo ex-governador na cadeia. Segue aí o clássico do vampirão norte-americano sobre drogas e delírios com policiais.

“NAPKIN SONG” – BEESHOP. A galera da chamada “farra dos guardanapos” deu na procura pela polícia de todos os envolvidos, acusados de corrupção. Incrível, mas existe uma “canção do guardanapo”. E é do Beeshop, projeto paralelo de Lucas Silveira, do Fresno. Um respiro romântico para casais apaixonados em meio a tanta corrupção. “Você é a única com quem meu coração me permite estar esta noite”, diz a letra.

“CARE OF CELL 44” – ZOMBIES. Direto do clássico Odessey and oracle, de 1968, uma das canções de amor mais bizarras de todos os tempos, em que o narrador mata as saudades da namorada que acabou de sair da cadeia. Boa para casais encarcerados.

“DEATH OR JAIL” – SICK OF IT ALL. Garotinho diz ter sido ameaçado na cadeia por um sujeito (o do tal taco de beisebol) que lhe disse: “Você gosta muito de falar, não é? Eu só não vou te matar para não sujar para o pessoal aqui do lado”. Entre a cadeia e a morte, sobrou a cadeia. E a transferência para outro presídio por não ter provado as supostas agressões que diz ter sofrido dentro da cela.

“PRISON FOOD” – BEN FOLDS. Olha só a lista dos alimentos encontrados na cela do ex-governador Sérgio Cabral: castanhas, presunto cru, queijos, iogurte em balde de gelo, bolinho de bacalhau… Nada a ver com o farnel costumeiro das cadeias. E igualmente nada a ver com a bad solitária da letra do cantor e compositor norte-americano, que usa a “comida de prisão” como metáfora para situações que a gente tem que resolver sozinho.

“HARRY ‘S CIRCUMCISION” – LOU REED. E aí, o ex-governador se autolesionou, ou não? Enquanto você pensa sobre o assunto, ouça um dos maiores clássicos da depressão e da autodestruição na música popular. O Harry da música de Lou Reed é um garoto que se cansa de parecer com sua família e decide fazer cortes em todo o seu rosto.

“DIGNATARIES OF HELL” – COVEN. Já que Garotinho diz ter sido agredido e as câmeras não pegaram a visita de ninguém, segue aí um dos clássicos da psicodelia aterrorizante dos anos 1960 para complementar a trilha.