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Cultura Pop

Exercícios aeróbicos em disco: isso era a dance music na União Soviética

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Exercícios aeróbicos em disco: isso era a dance music na União Soviética

Na União Soviética, uma agremiação de pequenos países com mais de 300 milhões em ação, quem curtia música não tinha muita opção. Ou você escutava os discos da gravadora estatal, Melodiya, ou não escutava porra nenhuma.

Exercícios aeróbicos em disco: isso era a dance music na União Soviética

Compactinho dos Beatles lançado na URSS, com Octopus’s garden e Something no lado A (foto: Wikipedia)

O selo estatal era o único que se ocupava de lançar discos para satisfazer os tais 300 milhões de audiófilos. E lançava discos aos borbotões, incluindo LPs infantis, discos de música tradicional, álbuns de propaganda, ou até mesmo – e isso depois de certa abertura no regime – LPs de nomes da Europa e EUA. Foi pela Melodiya que saiu, por exemplo, Choba B CCCP, disco exclusivo para o mercado soviético feito por Paul McCartney em 1988.

O que uns nerds de vinis andam descobrindo é que havia toda uma cena paralela de disco music e funk feito pra lá da Cortina de Ferro, e que era lançada nas lojas pela gravadora. Em 1980, o Zodiac, banda da hoje independente Letônia, surgiu fazendo um space disco bem interessante no álbum Disco alliance.

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Teve também o Argo, banda definida como “crossover prog” e que orgulhosamente se apresentava como “banda eletrônica Argo”, e que começou a experimentar com ritmos eletrônicos ainda nos anos 1970. Esse funk progressivo doidão aí (que mistura até células rítmicas de samba) é a primeira música (se chama exatamente A1) de Discophonia, disco deles de 1980.

Esse aí o segundo disco deles, Sviesa (1983), um space-prog-funk esquisitão e bem feito.

E esse texto é só para deixar você informado a respeito da existência de Aerobic exercises, um disco de ítalo-dance soviética (!) disfarçado de álbum de exercícios, e que foi até chancelado pelo comitê de esportes da URSS. Olha a capa aí.

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Olha o disco aí. Sim, ouvido hoje, parece com aqueles experimentos vaporwave que uns DJs andam fazendo. E tem uma ginasta russa comandando os exercícios.

Nos anos 1980, a onda fitness fez com que saíssem vários discos de exercícios aeróbicos fossem lançados. Alguns deles narrados por nomes como Jane Fonda e Arnold Schwarzenegger.

No caso do disquinho da Melodiya, era uma grande oportunidade de chancelar a diversão e dar a ela uma cara de “exercício”, já que se tratavam de dance tracks produzida num país que não era lá muito afeito à música pop. Seja como for – e olha que legal – Aerobic exercises abriu espaço na Melodiya para o lançamento de mais discos do tipo. Pega aí Competition, uma das faixas do primeiro volume da série Sports and music, lançada pela mesma gravadora com o apoio do mesmo Comitê de Esportes.

https://www.youtube.com/watch?v=_FnCPpZtCqY

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Sim, a capa é maravilhosa!

E a 5Magazine, que fez um artigo bem bacana sobre esses discos, informa que não é tão complicado assim achá-los para comprar. Não saem caros e o fato de a gravadora ter mandado fazer um porrilhão de cópias já indica que sobraram muitos LPs, possivelmente nunca nem ouvidos. Corre atrás aí!

O site Reverb também falou desse disco.

 

 

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Cultura Pop

Raridade: recuperaram papo de Ian MacKaye para a revista Panacea, em 1994

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Auto-intitulada “a revista brasileira de quadrinhos (e outros bichos)” a revista Panacea fez muitas cabeças nos anos 1990 – na verdade, foi um zine transformado em revista, pela jornalista Gabriela Dias. hoje colunista da Revista Caju. E foi ela quem conduziu um papo com Ian MacKaye (Fugazi, Minor Threat) em 1994, quando o grupo se apresentou no desbravador festival Belo Horizonte Rock Independente Fest (o popular BHRIF).

Encontrar algum número da Panacea dando sopa é complicado – volta e meia aparece algum à venda no Mercado Livre. Em compensação, pegaram a tal entrevista de Ian MacKaye, bateram tudo e subiram no site Issuu. “Em 2003 copiei o texto, diagramei, imprimi e distribui entre alguns amigos. Na época eu não revisei, também não sabia diagramar e muito menos o que era leiturabilidade”, diz a pessoa, que passou horas batendo a conversa.

Na abertura do papo, Gabriela explica que Ian é “obsessivo, gentil, atencioso”, mas “simples, direto e ríspido”. Os dois lados do músico, conhecido pelo mergulho total na atitude punk e pelo “não se vender” levado à máxima potência, ficam bem claros no papo.

>>> Veja também no POP FANTASMA: Quando Guy Picciotto (Fugazi) cantou enfiado numa cesta de basquete

MacKaye recusa-se a dar conselhos aos repórteres sobre como fazer a cena independente funcionar no Brasil (“vocês não precisam de um americano para dizer como fazer as coisas”, esbraveja) e foge de fazer comentários sobre colegas, mesmo que positivos. Mas diz que Henry Rollins, quando foi cantor do Black Flag, foi roubado pelos donos da gravadora SST. E reclama que as majors, uma tentação a qual o Fugazi nunca cedeu, são ambiciosas demais. “A especialidade delas é pegar um pedaço de merda, dar uma polida e fazer um disco”, diz ele, por sinal amigo de Rollins desde a infância.

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“Não é interessante ser parte de uma major. É chato. Às vezes eu penso: ‘Deus, todos os meus amigos são milionários e famosos, e eu sou este carinha que é fiel ao próprio mundo. As pessoas pensam que uma banda como Rage Against The Machine é que é radical. Como se pode ter raiva da máquina quando se é parte dela?”, prega Ian.

Tá aqui a conversa toda. Leia antes que suma.

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Cultura Pop

Bob Dylan elogiando Madonna

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Bob Dylan elogiando Madonna

Em 1991, Bob Dylan afirmava à American Songwriter que desprezava o pop. O cantor, que tinha lançado um ano antes o disco Under the red sky, elogiou compositores como Brian Wilson e Randy Newman, e disse que ninguém deve se guiar pelas canções de um arista pop. Mas falou bem de ninguém menos que Madonna.

“O entretenimento pop não significa nada para mim. Nenhuma coisa. Você sabe, Madonna é boa. Madonna é boa, ela é talentosa, ela une todos os tipos de coisas, ela aprendeu suas coisas … Mas é o tipo de coisa que leva anos e anos da sua vida para você ser capaz de fazer. Você tem que se sacrificar muito para fazer isso. Sacrifício. Se você quer se tornar grande, você tem que sacrificar muito. É tudo igual, é tudo igual”, disse, rindo.

Bob também fez um comentário bem interessante sobre Jim Morrison quando ouviu que o hoje negacionista militante Van Morrison o considerava o maior poeta vivo. “Os poetas costumam ter finais muito infelizes. Veja a vida de Keats. Olhe para Jim Morrison, se você quiser chamá-lo de poeta. Olhe para ele. Embora algumas pessoas digam que ele está realmente nos Andes”, afirmou.

O repórter da revista perguntou se ele achava que isso era verdade e Dylan saiu fora da resposta. “Bom, nunca passou pela minha cabeça pensar de uma forma ou de outra sobre isso, mas você ouve isso por aí. Pegando carona nos Andes. Montando um burro”, disse.

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Uma revelação que Bob fez no papo é a de que ele prefere, no piano, as teclas pretas para trabalhar. “E elas soam melhor na guitarra também. Às vezes, quando uma música tem uma tonalidade bemol, digamos Si bemol, leve para o violão, você pode querer colocá-la em Lá”, diz. “Quando você pega uma música de tecla preta e a coloca no violão, o que significa que você está tocando em lá bemol, muitas pessoas não gostam de tocar nessas teclas. Para mim não importa”.

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Cultura Pop

Quando Syd Barrett fez resenha de David Bowie

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Quando Syd Barrett fez resenha de David Bowie

A Melody Maker, publicação britânica de música, tinha o hábito de pedir a artistas conhecidos que comentassem lançamentos da época. Em 1967, Paul McCartney chegou a fazer uma resenha (falando bem) de Purple haze, single do Jimi Hendrix Experience. E caiu para ninguém menos que o novato (na época) Syd Barrett analisar um single de um cantor mais novato ainda: Love you till tuesday, de David Bowie.

Segundo a Far Out Magazine, algum emissário da revista visitou o Pink Floyd durante a gravação do single Bike, levou a canção para Syd ouvir e extraiu dele várias opiniões sobre o disco. “Sim, é um número de piada. Piadas são boas. Todo mundo gosta de piadas. O Pink Floyd gosta de piadas”, escreveu/falou o cantor da banda. “É muito casual. Se você tocar uma segunda vez, pode ser ainda mais uma piada”.

A animação de Barrett terminou aí. O cantor ainda disse que as pessoas iriam gostar da letra e de suas brincadeiras com os dias da semana. Mas… “Muito alegre, mas não acho que meus dedos do pé estavam batendo”, afirmou. Ironicamente, Barrett era uma das maiores referências de Bowie em sua primeira fase de carreira, e continuaria sendo uma sombra enorme no trabalho dele por vários anos. Olha Bowie nos anos 1970 cantando See Emily play, do Pink Floyd.

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“Syd foi uma grande inspiração para mim Ele era tão carismático e um compositor surpreendentemente original”, afirmou Bowie em 2006, quando Barrett morreu. “Além disso, junto com Anthony Newley, ele foi o primeiro cara que ouvi cantar pop ou rock com sotaque britânico. Seu impacto em meu pensamento foi enorme. Um grande pesar é que nunca o conheci. Um diamante, de fato”.

Seja como for, nem Love you till tuesday nem o primeiro disco de Bowie, The world of David Bowie (1967) fizeram sucesso algum. E olha que o cantor e seu empresário tentaram, já que saiu até um filme com pequenos clipes do disco. A gente falou disso aqui.

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