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Cultura Pop

Entrevista: Dado Villa-Lobos e Marcelo Bonfá e a turnê de “Dois” e “Que país é este”

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Entrevista: Dado Villa-Lobos e Marcelo Bonfá e a turnê de "Dois" e "Que país é este"

Sem a Legião Urbana, eu (Ricardo Schott, que faço este site) poderia não ter conhecido: Metal box, o segundo disco do Public Image Ltd, Comsat Angels, Stranglers, It’s alive, disco ao vivo dos Ramones, Young Marble Giants, Grateful Dead, Joy Division, Buzzcocks, Gang Of Four. Eram todos personagens que apareciam em entrevistas da banda. E foram influências na elaboração de discos e músicas que se tornaram verdadeiros clássicos – como Dois (1986) e Que país é este (1987), agora prestes a serem relembrados por Dado Villa-Lobos (guitarra) e Marcelo Bonfá (bateria) em uma nova turnê.

Dessa vez, a tour de Marcelo, Dado e de Lucas Vasconcellos (guitarra), Roberto Pollo (teclados), Mauro Berman (baixo) e André Frateschi (voz) chega também aos Estados Unidos – têm datas dias 6 e 7 de setembro em Miami. A ideia é comemorar as três décadas de outros dois discos do grupo – como já havia sido feito com a estreia de 1985 -; recolocar a música da Legião e a poesia do vocalista Renato Russo de volta no palco (evidentemente, Eduardo e Monica e Faroeste caboclo, ambas compostas apenas pelo cantor morto em 1996, estão no roteiro) e manter de pé a comunhão entre o repertório e os fãs.

Entrevista: Dado Villa-Lobos e Marcelo Bonfá e a turnê de "Dois" e "Que país é este"

Bati um papo com Dado e Bonfá para o jornal O Dia, onde trabalho, sobre a nova tour e sobre outros assuntos – entre eles, a fitinha K7 com o kit-press de Dois, que ressurgiu recentemente no YouTube, e da qual falamos. A ideia é que, em algum momento, o repertório de As quatro estações (1989) seja também relembrado. A íntegra da conversa segue aí.

Você vão fazer um show em Miami nessa nova turnê. Como é levar a música da Legião para fora do país?
DADO VILLA-LOBOS: Fizemos isso na turnê anterior também. É bacana sair daqui e expandir as fronteiras. Dessa vez vamos tocar num teatrinho num hotel lá, um projeto local lá de um amigo de Itaboraí de muitos anos atrás. Ele está com esse projeto, o Sounds of Brazil. E ele tá levando artistas, já foram Vanessa da Mata, Paulo Ricardo, Paula Toller…

Como tá sendo revisitar o repertório do Dois e do Que país é este? Vocês consideram essas músicas atuais? Fábrica falava de direitos dos trabalhadores, uma assunto que está mal resolvido até hoje…
DADO: Acho que são músicas absolutamente atuais, tanto questões mais panfletárias e políticas como Fábrica e Metrópole, ou Índios. A situação de Fábrica e Metrópole não mudou muito ao longo dos anos: as fábricas continuam lançando fumaça, as filas nos hospitais continuam se alongando… Mas tá sendo revigorante revisitar esse repertório. Estamos fazendo as canções ressurgirem de forma intensa.

Vão ter modificações nos arranjos?
MARCELO BONFÁ: A gente não gosta muito de modificar arranjos. Eu e o Dado estávamos no processo de composição desde sempre, e ele era dedicado, intenso. Vamos trazer esse trabalho mesmo. Nossos elementos dentro da música da Legião Urbana já foram estabelecidos e estão muito bem aceitos. O mais claro é que vamos executar os dois discos em comemoração a esse momento da Legião. É uma carga que significa muito para mim e para o Dado, trazemos isso dentro da música. Vamos alinhavar as músicas com o que a gente ouvia na época. Vai ser uma experiência sensorial.

E o que vocês ouviam nessa época?
DADO: Eu estava ouvindo na época João Gilberto e Killing Joke! Mas o Renato um dia me deu um fita K7 com muito Cat Stevens, Neil Young, Paul McCartney… Tudo com muito violão. O propósito dele era: “Vai aprender a tocar violão, porque vai ter muito violão aqui”. Mas ao mesmo tempo tinha muitas guitarras, arranjos harmônicos indo além dos três, quatro acordes. Alguns intervalos de sétimas e décimas, tipo Andrea Doria.

Na época do Dois saiu uma entrevista com o Renato na revista de Domingo, do Jornal do Brasil, e numa foto ele aparecia com um disco que, anos depois, fui descobrir que era do Jonathan Richman, do Modern Lovers (era It’s time for… Jonathan Richman and The Modern Lovers, de 1986).
DADO: Não lembro de ele mostrar isso para a gente, não! Eu conheci Modern Lovers quando os Sex Pistols gravaram Road runner. Mas fui ouvir a banda recentemente.

Dois envolveu muita experimentação. Como foi o trabalho em estúdio?
BONFÁ: O primeiro disco veio meio que pronto, né? Já o segundo é aquele desafio, porque tem que fazer músicas novas. A gente teve expectativas, do tipo: “Vou me violentar?”, “É isso mesmo que tô fazendo?”. E claro que tem o cronograma da gravadora. A gente estava numa rotina completamente desregrada na estrada. E tinha que dar uma parada pra fazer o disco, e não dava uma parada. Aproveitamos todo o tempo no estúdio, nada era desperdiçado. De repente eu fazia uma nota, aquilo virava uma ideia, a gente falava uma coisa e aquilo virava uma letra… Tínhamos dificuldades, mas elas vinham das nossas limitações. A gente vinha do punk, eu estava a fim de ser barulhento e sujo.

Qual foi a daquela fita cassette da EMI com uma entrevista com vocês, em 1986?
DADO: Aquilo foi para apresentar a banda e o segundo disco. Nos apresentávamos, dizíamos quem éramos e discorríamos sobre o disco para todas as rádios. Se uma rádio quisesse apresentar aquilo como se fosse um programa, ela iria divulgar a banda e a essência do disco.

Vocês imaginavam que aquilo fosse virar uma raridade? A apresentação da banda depois virou a Riding song, do disco Uma outra estação, e tinha até demos da banda ali junto…
DADO: Sério que tinha demos? Nem me lembrava.
BONFÁ: A gente nem tinha tempo de pensar nessas coisas. Imagina: “Ah, vamos mudar tudo…”

Tinha na fita um trecho da demo de Andrea Doria, em que vocês apareciam em posições trocadas, cada um tocando um instrumento diferente do que estava acostumado.
DADO: Eu lembro! A gente estava no estúdio Tok, em Botafogo, o estúdio do Chico Batera. Lembro da gente começar a fazer essa música nesse lugar aí. Teve Daniel na Cova dos Leões, a linha de baixo do Negrete junto com uma Lynn drum, um teclado.
BONFÁ: Não se desperdiçava nada. As próprias letras já passeavam no meio das bases.
DADO: O Dois tem muita sobra de estúdio, tem uma versão de Juízo final, do Nelson Cavaquinho…

Era para ser um disco duplo chamado Mitologia e intuição, certo?
DADO: É, e Juízo final não ia caber em nenhum dos lados por conta do espaço de cada lado.

Lembro de ter lido que essa música ganhou uma versão meio Joy Division… Chegou a ser gravado?
DADO: Isso, começava com um violão e depois ia para uma coisa nesse estilo. Tá tudo gravado, tá registrado nos tapes que estão com a gravadora, que hoje é Universal. Tínhamos a ideia de fazer o mesmo projeto que a gente fez no primeiro disco (1985), quando fizemos uma edição comemorativa com outtakes. No Dois, teríamos Juízo final, O grande inverno na Rússia… Tem uma versão de Fábrica em inglês. Não vai rolar porque a companhia de discos se desinteressou. Acho que a gente precisava de mais likes no Instagram para conseguir coisas assim (risos).
BONFÁ: A gente se quiser fazer outras coisas, tem tanta coisa para fazer: festejar o Dois, o três, o quatro…
DADO: A gente pensa em fazer um show também para o As quatro estações, mas aí tem que ver quando, onde, como…

O Que país é esse, por sua vez, foi feito numa época em que a banda entrou em estúdio – o Renato disse isso numa entrevista – e em seguida desistiu porque não queria lançar qualquer coisa…
BONFÁ: O disco cumpre vários papéis. São músicas com as quais a gente convive desde sempre, desde o Aborto Elétrico. Quisemos tentar nos divertir, cumprir um cronograma, ter tempo para respirar, já que a gente sabia executar aquelas músicas como ninguém. Também aproveitamos bastante o estúdio, tivemos tempo de falar: “Vamos botar um delay aqui, essa caixa não é tão simples…”
DADO: A gente entrou em estúdio sem ter energia e força para fazer um disco (Renato estava em crise criativa e o disco que se tornou Que país é este quase foi um álbum chamado Disciplina e virtude, abortado). Aquele era um repertório que a gente já conhecia, Foi divertido e fácil de fazer. Gravamos em 15 dias e mixamos em 15 dias. A gente bateu um recorde, acho. Saiu no Natal.

Como é executar Faroeste caboclo hoje em dia?
BONFÁ: A música tá perfeita, né?
DADO: Tá igual como tá no disco. É a história do Brasil rural e urbano…
BONFÁ: Fui tocar em Brasília esses dias, passei na Rodoviária e meu filho, João Pedro, me perguntou: “Foi aí que o João de Santo Cristo chegou, né?” Respondi: “Pô, deve estar chegando João de Santo Cristo aí todo dia!” Ela rola nos shows porque todo mundo pede. A gente sempre pergunta: ‘O que vocês querem ouvir?’. E respondem: ‘Toca Faroeste!'”.

Na época muita gente perguntava para vocês sobre uma aproximação com o sertanejo via Faroeste, e o estilo não era exatamente um lado A da música brasileira. Como vocês viam isso?
DADO: Sertanejo para a gente era Milionário e Zé Rico, música do sertão, viola de 10 cordas…
BONFÁ: Faroeste tem uma coisa de baião. Isso tá no sangue, apesar de a gente não ser músicos típicos. Eu sou um cara bem limitado, gosto de rock n’roll. A música tem vários elementos rítmicos, tem até reggae. E tudo surgiu naturalmente, não teve um: “Vamos fazer isso, aquilo”. Demos uma dinâmica para a música.
DADO: Ela era só voz e violão!
BONFÁ: Mas eu acho que Faroeste caboclo é Faroeste caboclo, não dá pra comparar com nada.

E como é tocar hoje nessa época em que o jogo virou e o sertanejo agora é meio filho de vocês, já que os novos artistas ouviram muito rock nacional e alguns até tocam sucessos do rock brasileiro nos shows?
DADO: Tocam músicas da gente?

https://www.youtube.com/watch?v=U1NXaVzHrD4

Tocam. Jorge e Mateus também tocam Capital Inicial, Jads & Jadson tocam Pitty…
BONFÁ: Bom, tá faltando música no mercado, né? Na verdade são músicas boas, isso é inegável.
DADO: É que nem o axé. O cara toca Los Hermanos, Anna Júlia, toca Será…

E como vão as conversas com o filho de Renato Russo, Giuliano Manfredini, em relação ao uso do nome Legião Urbana?
DADO: A gente tentou acordos em alguns momentos. Desde que o Renato partiu, a gente vem sofrendo de alguma forma nesse sentido, não só da marca como também em relação a lançamentos de discos que estavam na gravadora ainda inéditos… Sempre havia alguma briga, algum desentendimento. Nunca tivemos esse espírito corporativo que outras bandas têm, em que todos vão lá e se preservam. É uma questão menor, o advogados estão resolvendo. Esse negócio de marca… É marca de quê? De telefone?
BONFÁ: Nosso propósito sempre foi música e e hoje a gente precisa de advogados para traduzir esse juridiquês. Essa situações estão no meio de coisas que atingem diretamente minha vida, né?

A música de hoje virou um monte de números, não?
BONFÁ: Bom, primeiramente a gente fazia música para a gente. Tinha um propósito maior aí, que é minha própria individualidade. Você tem que ter boas ideias, estar receptivo, querer alguma coisa. Eu não funciono na porrada, não vem nem impor alguma coisa para cima de mim. Nem ninguém da banda é assim.
DADO: Os nossos números são muito bons. Mas são números que vieram por conta do que a gente foi e continua sendo na cultura musical brasileira, o que representamos para as pessoas que ouvem aquilo nos mais variados momentos da sua vida.

Na turnê de 30 anos do primeiro disco, vocês fizeram show no Circo Voador com matinê para pais e filhos. Vai rolar isso?
BONFÁ: Vamos ver. Isso de ter pais e filhos se repetiu a turnê inteira. Teve show em que duas da manhã tinha criança de dez anos. A gente só não ficava mais preocupado porque a criança estava com os pais. Não tenho como não ficar mais feliz. Eu era turrão, era punk, revoltado, e isso quebra meu coração… E você não viu nosso camarim: era 80% criança.
DADO: Eu adoraria poder tocar num horário mais saudável, tipo dez, nove da noite. É muito cruel subir num palco uma hora da manhã. O público já tá cansado, bêbado…
BONFÁ: Sempre fica nítido que as prioridades são… Bom, o que importa é a grana, vamos botar a turma para beber e a banda para tocar.

Tem um filme vindo aí sobre Eduardo e Monica. O que sabem a respeito?
DADO: Não tô sabendo absolutamente nada.
BONFÁ: Não é uma propaganda de telefone?
DADO: É, tinha a propaganda da Vivo, né?
BONFÁ: É como aconteceu com Faroeste caboclo: o filme já tá pronto na letra. Mas a gente sempre se decepciona no final. A gente entende a visão do Renato, tem uma visão de como a música foi construída, e vem aí um cara querendo colocar um monte de informação extra, tornar a coisa mais hollywoodiana. O cara vai pra um caminho e desvirtua a coisa toda. Espero que não façam isso com Eduardo e Monica. Eu sei quem eles são e já fui muito na casa deles.

(a foto lá de cima é Fernando Schlaepfer/Divulgação)

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Bono trapalhão? U2 antes da fama, na TV irlandesa, usando fantasias de palhaço

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Bono trapalhão? U2 antes da fama, na TV irlandesa, usando fantasias de palhaço

RESUMO: Antes da fama, o U2 tocou Out of control na TV irlandesa vestido de palhaço. Tem gente achando que é obra da IA, mas não é não.

Texto: Ricardo Schott – Foto: Reprodução

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No comecinho de sua história, prestes a fazer as primeiras gravações, o U2 fez um vídeo de Out of control na TV irlandesa em clima de circo, com maquiagens faciais e roupas de palhaço. Tá aí o vídeo.

O vídeo é de 1979 e pertence aos arquivos da RTÉ, emissora pública irlandesa – e pelo que a emissora diz, apareceu no programa Our times. Já teve gente levantando a hipótese de ser obra de IA. Não é, pelo visto. “Embora a estética crua e a qualidade amadora das possam levar os espectadores a questionar a sua autenticidade, este vídeo específico foi documentado e discutido pela comunidade de fãs do U2 como uma peça genuína da história da banda”, diz um comentário publicado no canal do YouTube @DutchU2Fan.

Não foi a primeira vez que a banda esteve na atração: em 13 de novembro de 1978, tocaram a música The fool, numa apresentação que acabou sendo reprisada em 27 de novembro. Aliás, a primeira vez que Bono, The Edge, Larry Mullen e Adam Clayton foram à RTE rolou em 2 de março de 1978, quando ainda se chamavam The Hype – na ocasião, foram a programa Youngline e cantaram Street mission.

Além das maquiagens, Bono surge usando apetrechos teatrais e fazendo caras e bocas para a câmera – em alguns momentos, tudo parece uma cena de humorístico brasileiro dos anos 1970. E naquela altura, Out of control era praticamente o cartão de visitas do U2. Em agosto de 1979, o radialista Dave Fanning apresentou três músicas do grupo em seu programa na RTÉ — Out of control, Stories for boys e Boy/Girl — e deixou os ouvintes escolherem qual delas deveria ocupar o lado A do primeiro lançamento da banda. Out of control venceu. No mês seguinte, as três músicas apareceram no EP Three, cuja primeira edição teve mil cópias numeradas.

A canção também tinha uma origem bastante pessoal. Bono a escreveu quando completou 18 anos, pensando no desconforto de perceber que dois dos acontecimentos mais importantes da existência estão totalmente fora das nossas mãos: ninguém decide nascer e, em última instância, também não controla a própria morte.

Agora: por que diabos eles estão vestidos daquele jeito?

Bom, não há, pelo menos na documentação conhecida sobre a apresentação, uma explicação de Bono, The Edge, Adam Clayton ou Larry Mullen Jr. para as roupas, mas maquiagens e os apetrechos. Também não aparece nos arquivos disponibilizados pela RTÉ uma justificativa para o figurino. Pode ter sido uma ideia do programa, uma brincadeira da própria banda ou simplesmente parte da estética daquela atração

O vídeo pertence a uma fase realmente embrionária do U2, que ainda traria uma apresentação no programa Aspects Of rock em setembro de 1979, tocando Life on a distant planet. Em janeiro de 1980, a banda chegou ao Late late show com Stories for boys. E pouco depois, aquela banda de garotos que ainda podia surgir fantasiada na televisão começaria a gravar a estreia Boy, lançada em outubro de 1980. Um primeiro passo na construção do U2 que a gente conhece hoje.

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Video Vanguard Award: afinal, que prêmio é esse que o Nirvana recebeu?

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Video Vanguard Award: afinal, que prêmio é esse que o Nirvana recebeu?

RESUMO: O Nirvana recebeu o Video Vanguard Award no VMA e entrou numa história que começou em 1984 com Beatles e David Bowie. Entenda como surgiu e por que o prêmio mudou ao longo das décadas.

Texto: Ricardo Schott – Foto: Reprodução

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O Nirvana voltou ao VMA neste domingo (27) para receber um prêmio que, de certa forma, conta a própria história da MTV. Dave Grohl, Krist Novoselic e Pat Smear subiram ao palco para buscar o Video Vanguard Award, homenagem pelo conjunto da obra audiovisual da banda.

Recebendo a honraria, os mais ilustres três ex-integrantes vivos da baanda entraram numa lista que começou com Beatles e David Bowie e, ao longo de mais de quatro décadas, passou por Madonna, Michael Jackson, R.E.M., Beastie Boys, U2, Beyoncé e vários outros.

Mas o que exatamente é o Video Vanguard? Bom, temos duas respostas, uma curta e uma longa. A resposta curta: é uma espécie de prêmio pelo conjunto da obra do VMA, dedicado a artistas que tiveram impacto importante sobre o videoclipe e a cultura pop. Não está ligado a um vídeo específico lançado naquele ano e nem sequer é entregue em todas as edições.

A resposta longa é… a própria história do prêmio. E é a melhor resposta, já que o prêmio nasceu junto com o próprio VMA, em 1984. E não custa lembrar que nessa época videoclipe ainda era uma linguagem em formação e a MTV tinha apenas três anos. Na primeira cerimônia, só pra você ter uma ideia, David Bowie ganhou o prêmio, e houve menção especial aos Beatles e a Richard Lester, que dirigiu os filmes Help e A hard days night, do quarteto.

No caso dos Beatles e Lester, a escolha reconhecia especialmente a importância dos filmes do grupo para aquilo que, anos depois, se consolidaria como a linguagem do videoclipe – e da mesma forma, Bowie havia desenvolvido muito do idioma dos clipes vários anos antes. Na real, como ainda nem sequer havia uma “história” do videoclipe, era fundamental apontar quem havia ajudado a inventar aquela nova linguagem.

Nos anos seguintes, por sua vez, já estava claro que o grande lance era premiar quem já estava fazendo história ali mesmo, com a linguagem dos clipes. Em 1985, ganharam o prêmio David Byrne (então apenas o líder dos Talking Heads) e os diretores Russell Mulcahy e Godley & Creme. Madonna recebeu em 1986. Peter Gabriel, em 1987.

Detalhe: Michael Jackson ganhou em 1988 e, a partir de 1991, seu nome passou a ser associado oficialmente à honraria, que durante décadas ficou conhecida como Michael Jackson Video Vanguard Award. Em 2019, a MTV silenciosamente, mas nem tanto, tirou o nome do astro do prêmio. Nesse ano, a vencedora foi a rapper Missy Elliott.

Na década seguinte, a lista parece quase um resumo do período em que rock e MTV andavam grudados. Bon Jovi recebeu o Vanguard em 1991; Guns N’ Roses, em 1992; Tom Petty e Rolling Stones, em 1994; R.E.M., em 1995; Red Hot Chili Peppers, em 2000; U2, em 2001; e Duran Duran, em 2003. Exceções à regra: em 1997 o rapper LL Cool J levou a estatueta pra casa. No ano seguinte, os Beastie Boys ganharam o prêmio.

Depois, o perfil foi mudando junto com a própria MTV e com a cultura pop. Britney Spears, Justin Timberlake, Beyoncé, Kanye West, Rihanna, Pink, Jennifer Lopez e Missy Elliott estão entre os homenageados. Nos últimos anos vieram Nicki Minaj, Shakira, Katy Perry e Mariah Carey. Agora o prêmio volta ao rock com o Nirvana.

Dá pra dizer que poucos grupos carregam uma ligação tão evidente com a era clássica da MTV. Smells like teen spirit não apenas virou um dos clipes mais associados aos anos 1990 como ajudou a transformar a imagem do rock no canal. Come as you are, In bloom e Heart-shaped box reforçaram uma identidade visual que misturava estranheza, humor, desconforto e uma boa dose de antipatia pelos padrões do estrelato.

No VMA deste ano, coube a Chuck D, do Public Enemy, entregar o prêmio. Novoselic aproveitou o discurso para colocar Kurt Cobain no centro da história e lembrou que muitas ideias dos vídeos vinham da visão artística do vocalista. Para ele, a permanência do Nirvana também tem relação com uma busca do público por autenticidade.

Grohl, Novoselic e Smear receberam a homenagem sem Cobain, morto em 1994, mas com sua imagem aparecendo durante a cerimônia. A escolha fecha um círculo curioso: uma banda que ajudou a definir a MTV dos anos 1990 recebe, mais de três décadas depois, um prêmio criado justamente para reconhecer quem mudou a maneira de juntar música e imagem.

Mais do que um troféu para quem acumulou clipes famosos, o Video Vanguard começou como uma homenagem a quem empurrou o videoclipe para algum lugar novo. E sua lista de vencedores acabou registrando também as mudanças da própria MTV: dos Beatles e dos diretores pioneiros ao domínio do rock, daí às grandes estrelas do pop e do hip hop.

Agora o Nirvana entrou nessa história. Digamos que, para uma banda que chegou à MTV parecendo não pertencer àquele mundo, demorou bastante.

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Cultura Pop

Qual é a do The Coverups, banda de covers de Billie Joe (Green Day) e amigos?

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The Coverups: Billie Joe recebe Bruce Dickinson (Foto: Reprodução Internet)

Antes de Bruce Dickinson, cantor do Iron Maiden, aparecer de surpresa no palco em Québec, o The Coverups já dava muitos sinais de vida havia anos. O projeto paralelo de Billie Joe Armstrong continua funcionando exatamente como nasceu: como uma desculpa para tocar músicas que seus integrantes amam, sem a pressão de lançar discos ou sair em turnê.

Criado em 2018, o grupo reúne integrantes e colaboradores do Green Day em apresentações pequenas, normalmente em clubes da Califórnia. A formação original contava com Billie Joe Armstrong (voz e guitarra), Mike Dirnt (baixo e voz), Jason White (guitarra), Bill Schneider (baixo) e Chris Dugan (bateria) – Mike e Jason são os únicos que fazem parte também do Green Day, sendo que Jason atua como músico de turnê. Nos últimos anos, porém, Dirnt deixou de participar dos shows, e o The Coverups passou a atuar como quarteto.

O repertório é uma carta de amor ao rock e ao punk. Clássicos de Ramones, David Bowie, The Clash, Cheap Trick, Joan Jett, Tom Petty, Misfits, Nirvana, Rolling Stones e até Strokes costumam aparecer nas apresentações, que muitas vezes são anunciadas poucas horas antes de acontecer. Diferentemente de outros projetos paralelos de Billie Joe, como Foxboro Hot Tubs e The Longshot, o The Coverups nunca teve a intenção de gravar músicas próprias. A proposta é apenas revisitar clássicos em um ambiente intimista, recriando um pouco da atmosfera dos primeiros dias do Green Day nos clubes da região de Berkeley e Oakland.

Mesmo sem lançar um único álbum de estúdio, a banda conquistou um público fiel justamente por isso: oferece a rara oportunidade de ver Billie Joe tocando as músicas que ajudaram a moldar sua formação musical, longe das grandes produções e da rotina de estádios do Green Day.

Nos últimos meses, o The Coverups voltou a fazer apresentações esporádicas na Califórnia, mantendo esse espírito despretensioso. Não havia qualquer indicação de mudanças de rumo, nem anúncios de gravações ou turnês. A maior novidade acabou sendo justamente a participação-surpresa de Bruce Dickinson em um show realizado em Québec. Sem aviso prévio, o vocalista do Iron Maiden subiu ao palco para cantar All the young dudes, clássico do Mott the Hoople escrito por David Bowie, num encontro improvável que reuniu dois dos nomes mais conhecidos do rock em um contexto bastante informal.

Houve uma outra novidade recente, que rolou durante o show da banda no Roxy, na Califórnia, dia 21, uma segunda-feira. Antes de tocar Drain you, clássico do Nirvana (do disco Nevermind, de 1991), Armstrong dedicou a música a Jennifer Finch, baixista do L7, que morreu recentemente. Antes, Adrienne Armstrong, esposa do músico, havia doado US$ 5 mil para uma campanha criada para ajudar a custear o tratamento de Finch.

De qualquer jeito, Bruce fi a primeira participação especial de grande repercussão na história recente do The Coverups e, naturalmente, chamou muito mais atenção do que os próprios shows da banda. Ainda assim, tudo indica que o projeto continuará exatamente como sempre foi: um grupo de amigos reunidos para tocar os discos que mudaram suas vidas, sem maiores pretensões além da diversão.

Ah, sim: importante falar que All the young dudes faz parte do repertório solo de Bruce há bastante tempo. Ele a havia regravado em seu primeiro álbum solo, Tattoed millionaire, de 1990. Na época, teve até clipe da faixa.

Foto: Reprodução Internet

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