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Dez fatos bem estranhos sobre Father John Misty

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Dez fatos bem estranhos sobre Father John Misty

Ex-baterista dos Fleet Foxes (e ex-integrante de bandas como Saxon Shore e Har Man Superstar), o americano Josh Tillman tem carreira solo desde 2003 com seu nome verdadeiro. A partir de 2012, passou a gravar usando o nome Father John Misty e o disco mais recente, “Pure comedy”, saiu em 23 de janeiro. A ideia da mudança de nome veio, segundo o próprio, por causa de uma viagem de LSD – que lhe revelou que deveria mudar o nome para reiniciar sua carreira – e pela noção de que deveria soltar “seu senso de humor absurdo” nos próximos discos.

Curiosamente, foi a partir daí que Father John Misty, um cantor ligado ao indie rock e ao folk, teve mudanças definitivas em sua carreira. Causou em festivais de música (veja sobre isso mais abaixo), passou a dar entrevistas em que o repórter não sabia se estava sendo ironizado ou não pelo entrevistado e virou parceiro de um pessoal bastante inusitado – tocou bateria em “Diamond heart”, do novo disco de Lady Gaga, “Joanne”, e co-escreveu com ela, no mesmo disco “Sinner’s prayer” e “Come to mama”. Em “Lemonade”, disco mais recente de Beyoncé, co-escreveu o hit “Hold up”. Se você ainda não descobriu Misty e não escutou o disco novo – que está ajudando a fazer o selo SubPop, responsável por seu lançamento nos EUA, a bombar novamente – confira aí dez fatos sobre ele e o álbum.

O SENHOR É O PASTOR DELE. Criado na igreja evangélica em Rockford, Maryland, Tillman teve educação religiosa rígida e chegou a pensar em ser pastor, quando bem criança. “Cresci com adultos psicóticos me falando que eu estava cheio de pecado, que minhas experiências não importavam, e que eu morreria antes de chegar à idade adulta porque estávamos vivendo nos tempos finais. Decidi, ainda criança, não deixar ninguém me falar que eu era inválido ou que não era autêntico”, contou ao site Pitchfork, dizendo que sua infância foi permeada por “cultos Pentecostais, messianismo, judiaísmo, merda de demônio”.

AMOR É TUDO. Antes de “Pure comedy”, Misty tinha ganhado destaque com o segundo disco, “I love you, honeybear”, de 2015, definido como uma espécie de disco conceitual sobre si próprio – incluídos aí detalhes sobre seu casamento (com Emma Elizabeth Tillman). “Holy shit”, uma das canções, foi composta no dia exato de seu casamento, que dura até hoje, por sinal. Outra das faixas se chamava “The night Josh Tillman came to our apt”. “Ficava acordado até tarde de noite escrevendo pensatas que estavam surgindo para o disco, porque o que eu incluí nele foram aspectos repugnantes do que rola na psique masculina quando lidamos com intimidade”, disse à Pitchfork.

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PARCERIA COM BEYONCÉ. A relação com a cantora pop começou por e-mail, quando um amigo de Misty mostrou uma música sua para ela. A cantora lhe escreveu e propôs a parceria, e o resto todo foi completado pela web, quando da elaboração de “Hold up”. “Me mandaram apenas a batida e o riff. Escrevi aquele primeiro verso e a parte do ‘jealous and crazy’. Depois de gravarmos aquilo eu pensei: ‘A gente não pode enviar isso. É ridículo’. Não podia. A minha voz não… não cabia a mim vender aquela canção”, contou à rádio Beats 1.

O QUE TÁ ACONTECENDO? Em 22 de julho de 2016, quando o material de “Pure comedy” já estava gravado (o disco foi registrado inteiramente em março do ano passado), Misty protagonizou um momento… bom, “inusitado” é um modo de descrevê-lo. Listado para o XPoNential Music Festival, em Camden, Nova Jersey, ele deveria fazer 50 minutos de show. Optou por largar a guitarra, iniciar sua performance com um “que porra está acontecendo aqui?” e fazer um discurso sobre “como os jogos de papel do entretenimento entorpecem as pessoas” e “como a estupidez regula o mundo”. Saiu do palco com vinte minutos de show, após tocar um tema improvisado e, depois, uma versão de “Bird on the wire”, de Leonard Cohen. E ainda foi aplaudido.

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ZOAÇÃO. “Como os esquimós têm 12 palavras para ‘neve’, eu sinto que tenho 12 palavras para ‘engraçado’ em minha mente”, diz Tillman. O disco novo segue nessa linha irônica em músicas como “Total entertainment forever”, que abre com o cantor falando que faz amor todas as noites com Taylor Swift usando um “Oculus Rift” (usado para experiências em realidade virtual). “When the God of Love returns there’ll be hell to pay”, é, segundo ele relatou num papo com a rádio KEXP, de Seattle, uma música sobre o fato de que passamos mais tempo falando sobre o que não acreditamos do que sobre as coisas nas quais cremos. A quilométrica “Pure comedy” é cheia de lembranças pessoais sobre religião, crescimento e capitalismo selvagem (“eles fazem fortunas envenenando sua prole/e dão prêmios para quem patenteia a cura”).

PERAÍ, TAYLOR SWIFT? Misty diz que a música é apenas sobre tecnologia, e que ele não quis escrever nada sobre fazer sexo com Taylor Swift – o nome dela entrou apenas porque era uma boa rima e porque, ora bolas, dava uma boa polêmica à música. “É uma música sobre progresso, sobre essa coisa da internet ser supostamente a nova democracia, uma utopia de informação onde todo mundo tem sua voz e estamos todos interconectados, e experimentaremos a democracia verdadeira. E isso se transformou na pornografia, que vem como um ultraje”, disse ao New Musical Express.

ROCK, DEPRESSÃO E LSD. Por causa do isolamento que viveu na infância e na adolescência, o músico diz só ter ouvido Beatles aos 18 anos. Foi diagnosticado com depressão e ansiedade e disse ao New York Times se medicar com doses diárias de LSD. Disse ter sido rejeitado pela família ao largar a religião e ter tido uma enorme depressão ao se mudar, aos 20 anos, para Seattle, onde se virou em pequenos empregos para se sustentar. “Eu estava realmente sozinho: sem família, sem igreja”. Por causa dessa e de outras razões, ele afirma que “Pure comedy” é “um disco gospel secular”.

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NÃO E PONTO. Na mesma entrevista ao New York Times, Misty disse que os trabalhos com Beyoncé e Lady Gaga abriram portas e renderam mais convites. Recusou todos. “As pessoas pensam que o mundo da música é enorme. Não é. É tão chato, a forma como a música é concebida e depois jogada para consumo público. E a máquina de música pop é categoricamente anti-mulher. Conheço muitas mulheres naquela indústria. Foram todas lançadas numa narrativa americana de que sucesso é igual à liberdade. E não é nada disso”.

ESTRANHO. Com 250 mil discos vendidos num selo independente, tem quem já se pergunte quando é que Misty vai para uma gravadora maior. “Mais uma vez, a assinatura de uma grande gravadora significa que você desiste da liberdade”, contou à Rolling Stone, afirmando que também foi convidado para fazer um teste para a segunda temporada da série “Stranger things”, e recusou. “Não queria esse nível de exposição. Não quero ser famoso na TV”, conta.

DOIDÃO. O tal papo com a Rolling Stone foi feito sob o efeito de LSD, muito embora a tal auto-medicação com ácido que Misty diz fazer seja realizada com pequenas doses, diluídas. Também tomou antes de sua aparição no Saturday Night Live. “Não estou permanentemente em uma viagem psicodélica”, diz, garantindo que não tem medo de ferrar seu próprio cérebro, como Syd Barrett. “No caso deles, o perigo real era na primeira vez que você o toma. Pode exacerbar condições preexistentes, como a esquizofrenia. Eu não estou pronto para desistir. Acho que viver é apenas um risco. Nos próximos anos, vamos começar a ver os efeitos a longo prazo dos telefones celulares”, disse.

https://www.youtube.com/watch?v=XoLXrIi1mpU

 

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E se você nunca ouviu “Pure comedy”, seus problemas terminaram.

Ricardo Schott é jornalista, radialista, editor e principal colaborador do POP FANTASMA.

Cultura Pop

Clipes do Fantástico: descubra agora!

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Depois do sucesso inicial como fruto do casamento entre a central de produção e a turma do jornalismo da Globo, o Fantástico começou a valorizar mais o jornalismo. Ainda assim, a música não sumiu do programa.

Bom, “não sumiu”, é apelido: os musicais do Fantástico viraram grandes acontecimentos musicais que todo mundo discutia no dia seguinte. Aliás. se não fosse pela música em questão, pelo menos rolava a resenha do visual dos artistas e do clima camp de alguns vídeos (vários tinham a participação de um indefectível grupo de dançarinos).

Segundo o Almanaque dos anos 70, de Ana Maria Bahiana, o esquema de produção dos vídeos era o mais frugal possível: músicas e artistas aprovados na segunda, roteiros aprovados na terça, produção acertada entre quarta e quinta, gravação entre quinta e sexta, edição no sábado, para tudo ir ao ar domingo. Não eram superproduções, apesar de alguns clipes não economizarem em cenários, participações e detalhes.

Aliás, como se pode imaginar, nem tudo eram flores. Vários vídeos que se tornariam conhecidos (e que representaram algumas das primeiras tentativas de clipe do Brasil) traziam efeitos especiais que fizeram sucesso, mas hoje parecem mais com “defeitos especiais”. Já outros protoclipes tentavam colocar um pouco de surrealismo (pode acreditar!) no lançamento de canções que ficariam bastante populares. Um detalhe que ajudava a explicar o clima “qualquer nota” de alguns desses clipes: não havia um paradão de vídeos da Globo, e a ideia é que esses musicais fossem ao ar uma só vez e acabassem esquecidos.

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Com a ajuda de vários amigos e leitores, fizemos uma lista de quinze clipes lançados pelo programa. Maratone e divirta-se.

“GITA” – RAUL SEIXAS (1974). Quase foi o primeiro “musical” nacional em cores lançado pelo Fantástico – a produção esmerada e os efeitos visuais deram uma atrasada na edição e a honra ficou com Chorinho fora de tempo, de Sonia Santos (que infelizmente não está no YouTube). Dirigido por Cyro del Nero, Raul circula entre obras de artistas como Pieter Breughel, Hyeronimus Bosch, Max Ernst, Odilon Redon, Salvador Dali e outros. Quem viu, ficou fã do clipe e do cantor.

“HORA DO ALMOÇO” – BELCHIOR (1974). Para arrancar lágrimas dos fãs recém-conquistados do cantor: dois anos antes de Alucinação, Belchior, com um camiseta de Super Homem, canta um de seus primeiros hits num almoço ao ar livre, armado na Praia do Futuro, em Fortaleza (CE).

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“AMÉRICA DO SUL” – NEY MATOGROSSO (1975). O Fantástico, além de outros programas, já vinham lançando vídeos musicais antes disso, mas América do Sul é tido como o primeiro clipe nacional digno desse nome. Ney gravou no Parque da Cidade, em descampados de São Conrado e em praias da Zona Sul. E correu perigo, pendurado por uma corda, num helicóptero que estava com a porta arrancada (!), para que o diretor Nilton Travesso pudesse pegar imagens do oceano.

“AGORA SÓ FALTA VOCÊ” – RITA LEE (1975). Rita sobe aos ares num avião da esquadrilha da fumaça (opa) e canta um de seus maiores hits do início da carreira solo, incluído na trilha da novela Bravo.

“A LUA E EU” – CASSIANO (1975). Um portão de ferro, um tapete, um castiçal, uma harpa (sem cordas), um baú repleto de bugigangas, uma samambaia, uma cadeira de rodas, duas espadas (enterradas na areia), uma tuba e uma antiga máquina de costura. Tudo ao ar livre, sob o sol da Praia da Macumba, no Recreio dos Bandeirantes, Zona Oeste do Rio. Era o cenário surrealista que Cassiano encontrava para dublar seu hit, que aparecia na trilha da novela O grito.

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“SERÁ QUE EU VOU VIRAR BOLOR?” – ARNALDO BAPTISTA (1975). Arnaldo canta e toca piano (segundo o próprio cantor, as gravações foram feitas lá pelos lados de Cabo Frio) na carroceria de um caminhão tremelicante que não economiza nas curvas (!). O casaco usado pelo ex-mutante é o mesmo que foi parar numa rifa no ano passado.

“SE VOCÊ PENSA” – MORAES MOREIRA (1976). Acompanhado por três quintos da futura Cor do Som, Moraes (lembrando um cruzamento de Phil Lynott e Lemmy Kilmister) pôs células de hard rock e jazz no clássico de Roberto e Erasmo Carlos, que já havia sido gravado por Gal Costa. O vídeo da canção é pós-psicodélico, cheio de “bolhas” lisérgicas e efeitos malucos. A participação do corpo de baile rende algumas risadas.

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“ADMIRÁVEL GADO NOVO” – ZÉ RAMALHO (1979). O principal hit do disco A peleja do diabo contra o dono do céu (1979) em vídeo gravado na Avenida Paulista.

“TEMPOS MODERNOS” – LULU SANTOS (1982). O clipe mais bonito exibido pelo Fantástico, sem dúvida. Filmado em Ouro Preto e Mariana (MG), traz o moderninho Lulu viajando ao passado ao observar a pintura de um zepelim. Detalhe muito louco: mesmo aparecendo em flashback, o dirigível tem merchan de uma empresa de seguros (!).

“VOCÊ NÃO SOUBE ME AMAR” – BLITZ (1982). Pronto: a Globo era definitivamente apresentada à linguagem dos clipes oitentistas. Muita gente já tinha ouvido a canção no rádio, mas ficou sabendo que aquele grupo se chamava “Blitz” quando viu o clipe na TV.

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“NAÇÃO” – CLARA NUNES (1982). Os clipes de Clara gravados para o programa já renderam até um DVD. O de Nação foi um dos últimos feitos pela cantora para o Fantástico e ajudava a puxar um disco de sucesso (também chamado Nação) que tinha vendido 600 mil cópias quase do nada, em meio a vários compromissos fora do país. Clara morreria no ano seguinte.

“COMO EU QUERO” – KID ABELHA (1984). Parece uma abertura do Fantástico ou uma cena de novela, mas era a banda carioca no comecinho dos anos 1980. Destaque para a participação especial do computador Apple II, que deve ter encarecido bastante a produção do clipe (reprisado bastante em programas como o Clip clip).

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“COWBOY FORA DA LEI” – RAUL SEIXAS (1987). Os vídeos da fase inicial de Raul poderiam ser até mais históricos, mas o de Cowboy (estourada após a inclusão na novela Brega & chique) era o mais engraçado, com direito a um duelo entra o cantor e o ator-lenda do cinema nacional Wilson Grey. Além de cenas que pareciam coisa dos Trapalhões.

“MANEQUIM” – DOMINÓ (1987). O hino de protesto P… da vida foi preterido por essa música na hora de puxar o disco da boy band lançado em 1987. “Manequim foi lançada no Fantástico com um clipe com direção do Paulo Trevisan. Investiram uma fortuna no clipe, fizeram uma cidade cenográfica só para a gente gravar, foi gravado com grua, várias câmeras… Não existia isso em 1987, era como se fosse cinema”, me contou Afonso Nigro aqui.

“ADELAIDE” – INIMIGOS DO REI (1989). Anos antes de virar o chefe do Big Brother Brasil, Boninho dirigiu esse clipe repleto de efeitos especiais para a canção-besteirol do Inimigos.

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Cultura Pop

Lembra do Strawberry Switchblade?

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Lembra do Strawberry Switchblade?

Jill Bryson e Rose McDowall não tinham um histórico muito comum a cantoras de uma dupla new wave felizinha da vida. Ainda assim, as duas integrantes do Strawberry Switchblade, que existiu entre 1981 e 1986 na Escócia (e fez sucesso com Since yesterday, em 1985), fizeram o trajeto comum às estrelas pop da época no Reino Unido. Conseguiram bastante sucesso com alguns singles, apareceram na capa do sucesso editorial Smash hits, excursionaram, fizeram vários programas de TV, etc.

Olha as meninas aí no Japão, dando entrevista em inglês mesmo, para um repórter japonês com voz de locutor da madrugada de rádio FM.

Na adolescência, Rose chegou a ter uma banda chamada Poems, na qual tocava bateria em pé, imitando a baterista do Velvet Underground, Maureen Tucker. O grupo novaiorquino era amado pelas duas garotas a ponto de terem gravado uma versão de Sunday morning, do primeiro disco deles.

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O visual delas era uma mescla de felicidade new wave (vestidos de bolinhas, apliques nos cabelos) e gotiquices (a maquiagem usada pelas duas). O currículo delas era punk e deprê o suficiente para terem chamado as atenções de Bill Drummond e David Balfe, empresários e produtores que trabalharam com bandas como Echo & The Bunnymen. O primeiro single delas, Trees and flowers (1983), falava de transtorno de ansiedade e agorafobia, entre outros temas nada leves. Em pouco tempo, elas estavam contratadas pela Korova, o selo que lançava os discos do Echo.

“Nossa imagem era colorida, mas nossas mentes estavam sombrias”, lembrou Rose num papo com o The Guardian não faz muito tempo. Outras letras, como Let her go, Who knows what love is e Being cold, não economizam na hora de falar de tristezas, problemas, altos e baixos (estes, em especial).

>>> Veja também no POP FANTASMA: Shakespears Sister: 26 anos de briga resolvidos, clipe novo, entrevista no New Musical Express, etc

Rose conta ao Guardian que desde criança foi interessada em magia, que sua mãe lhe dizia que ela costumava falar em línguas estranhas, e que às vezes ela “tinha pesadelos que continuavam quando eu estava acordada”. Um tempo depois, ela chegou a ser atraída pelo malucão Genesis P. Orridge para que fizesse parte do grupo de magia Thee Temple ov Psychick Youth. Nunca deu muito certo, e ela sempre dava uma desculpa e não se juntava ao grupo. “Posso praticar feitiços, mas não farei parte de um coven ou ‘coisa’ de qualquer outra pessoa. Eu não entro em grupos”, conta.

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Rose de vez em quando ainda lança uma coisa ou outra – como o álbum acima, de demos e gravações realizadas nos anos 1980. Jill Bryson, por sua vez, sumiu mesmo (inclusive da convivência da ex-colega). Reapareceu em 2013 como integrante de uma nova banda, The Shapists, que tem na formação sua filha Jessie Frost.

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Cultura Pop

Nico Rezende: “Sempre tive essa veia pop, mas com um pé na MPB”

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Nico Rezende: "Sempre tive essa veia pop, mas com um pé na MPB"

É só começar a introdução de Esquece e vem, maior hit do produtor, arranjador e músico Nico Rezende como cantor, que os anos 1980 retornam: as guitarras apitando, a cama de teclados, o som da bateria eletrônica (“que eu conseguia programar de modo que não parecesse eletrônica”, lembra Nico).

E agora o som dessa época está de volta mesmo: os três álbuns de Nico Rezende pela Warner foram reeditados nas plataformas digitais. Além disso, Nico relançou Esquece e vem em versão acústica (com participação da cantora Ive) e está preparando um disco novo para o fim do ano. Hoje tem sai single novo, Pra que serve uma canção. “Acho que estou na fase talvez mais criativa da vida, estou compondo como nunca compus antes”, diz Nico Rezende ao POP FANTASMA.

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POP FANTASMA: Como tá sendo revisitar o sucesso de Esquece e vem alguns anos depois de lançado?

NICO REZENDE: Foi uma ideia que surgiu, muitas pessoas comentando sobre a música, e eu decidi fazer uma coisa meio luau, com uns violões. Dar uma repaginada na música, trazer para os dias de hoje. Ela tinha uma atmosfera pop anos 1980 e fiz a regravação, que é praticamente uma releitura de violões. E chamei a Ive, uma cantora amiga que mora em Portugal para a gente fazer juntos. A coisa foi acontecendo, foi bem aceito, tá tocando bastante em rádio, o clipe tá indo bem. Tá sendo um bom resgate.

Como essa música foi feita?

Essa música surgiu numa manhã de gravação em 1986. Eu estava no estúdio com o Lulu Santos, numa sessão de gravação para o disco dele. Eu cheguei muito cedo no estúdio e, tocando piano, pintou essa melodia. Lembro que pedi pro assistente de estúdio gravar para eu não esquecer. Gravei a melodia de piano e depois apresentei para o Paulinho Lima, meu parceiro. Na verdade ele nem era meu parceiro ainda, só apresentei a melodia e fomos juntos fazendo a letra.

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Nessa época você já estava com ideia de fazer carreira solo? Você já era um arranjador bem requisitado.

Eu já tinha gravado dois compactos cantando, mas não tinha essa coisa… Eu ainda morava em São Paulo, e não tinha essa coisa do mainstream. Queria gravar mas não tinha na cabeça a ideia do popstar. Isso nunca esteve muito latente na minha cabeça. Gostava de compor, de tocar e de estúdio. Eu cresci em estúdio. A coisa foi andando mais quando eu gravei o primeiro álbum, com Esquece e vem.

Eu já tocava com Lulu na época e ele me deu um superespaço nos shows dele. Sempre cantava três músicas, e os shows eram superlotados. Senti que dava pé e comecei a tomar gosto pela coisa. Ainda mais com aquela escola, de estar vendo o Lulu em todos os shows. Eu fazia backing vocal e tocava teclado. Via o Lulu fazendo aquela performance maravilhosa que ele sempre fazia.

Antes disso já tinha visto um outro grande showman que era o Ritchie, sempre no palco performando, cantando. Aquilo tudo foi me acendendo essa chama e esse conhecimento a partir desse contato com eles.

>>> Veja também no POP FANTASMA: Guilherme Arantes: “Meu próximo disco vai ser o meu ‘The Wall’”

Como você começou na música? Antes do Lulu teve o Ritchie, o Kiko Zambianchi… Você fez os arranjos do primeiro disco do Kiko, não?

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Isso, fiz o arranjo, a gente produziu juntos na EMI, aqui no Rio. Comecei na música muito cedo, tocava em conjunto de baile. Eu fui muito curioso, tocava um pouco de tudo. Desde os 8 anos de idade já fazia violão clássico. Mas eu era curioso por teclados e tal. Eu fui crooner de baile de Carnaval, tinha um conjunto de Beatles que eu tocava contrabaixo, era o Paul McCartney do grupo, só tocava músicas do Paul.

Isso em São Paulo, certo? Você é paulista?

Sim, paulistano.

Mas você tem o maior sotaque carioca!

Eu já tô há trinta e tantos anos no Rio! Mas eu falo “paulista” perfeito também, se eu forçar eu consigo fazer. Mas a coisa foi andando assim, trabalhei em vários estúdios, fui assistente de estúdio, o cara que plugava os cabos. Isso foi me dando uma noção de estilos, sempre gostei muito de balada. Essa coisa da MPB pop, sempre tive essa veia pop, mas com um pé na MPB, sempre pronunciado, porque cresci ouvindo bossa nova. Adorava bossa nova, jazz, mas cresci ouvindo rock progressivo também.

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Então minha formação tem essa mistura de coisas. Minha bagagem musical é essa, são coisas que eu escutava com meu pai, o que ele escutava e o que meus irmãos mais velhos escutavam. Ele não gostava muito de Roberto Carlos e eu adorava, tinha compactos dele, que eu ganhava. Lembro que o carrinho ia passando na rua e ia distribuindo compactos do Roberto Carlos…

Sério? Lá em São Paulo?

Acontecia isso, era uma kombi que distribuía os compactos de plástico. Era um patrocínio da Colgate! Era um disquinho colorido, promocional, lançamento da música. E foi assim que eu conheci a obra do Roberto, as primeiras músicas. Sempre gostei muito das baladas, gostava muito do Elton John, do Paul McCartney, do Stevie Wonder. Enfim, foram coisas que me influenciaram bastante. Acho que minha música tem um pouco de tudo isso. Consigo enxergar um pouco de Beatles na minha música, um pouco da harmonização mais Motown… Acho que a gente é produto do meio, a gente é o que a gente ouve.

E depois vieram Ritchie, Lulu. Você veio pro Rio imediatamente? Como foi isso?

Vim para fazer um teste na banda do Ritchie, para fazer a excursão Menina veneno. Éramos eu, Torcuato Mariano, Nilo Romero, todo mundo começando ali, né? Torcuato hoje é diretorzão da Globo, The Voice, guitarrista superconceituado. Eu tinha um tecladinho só, nem tinha nada. As coisas foram acontecendo, com Ritchie eu comprei mais um teclado, mais dois, mais três. E aí a coisa foi andando, comecei a ser chamado para fazer muito arranjo no Rio, Marina Lima me chamou… Gravei com todo mundo que você puder imaginar daquela época.

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O Ritchie eu imagino que dava ter sido um susto porque foi aquela chegada brava no mainstream. Os shows dele eram muito lotados, né?

Foi realmente um susto, porque aquilo parecia Beatles. Em todos os lugares nos quais a gente ia – principalmente no Nordeste – os quarteirões das ruas dos hotéis tinham filas que davam voltas, formavam anéis. Era gente que queria pegar autógrafo dele. Nunca vi uma coisa assim. As pessoas passavam desmaiadas na frente do palco, era muita loucura.

O Ritchie comentou uma vez que as meninas desmaiavam de propósito porque achavam que seriam levadas para o camarim…

Era isso mesmo! Fingiam que desmaiavam para serem levadas para um lugar mais tranquilo. Acontecia. Aliás acontecia de tudo, até eu ir dormir e achar fã dentro do armário.

Como apareceu a Warner na sua vida?

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Eu já tinha umas músicas estouradas nas vozes de outros artistas, Perigo com Zizi Possi, Transas na voz do Ritchie. Eu comecei a fazer meu primeiro disco e as gravadoras abriram o olho. O Liminha era diretor artístico da Warner, ouviu meu trabalho, gostou. Ele estava fazendo a trilha de uma novela, colocou o Esquece e vem na novela (O Outro, de 1986). Assim apareceu a Warner. Liminha tinha – ainda tem – um estúdio junto com o Gilberto Gil, que é o Nas Nuvens, e gravei dois desses três discos lá. A Warner me contratou e no primeiro disco já fui uma grande revelação. Eu era o que mais vendia na época (rindo).

Você ia muito no Chacrinha, lembro disso.

Ia lá, no Globo de Ouro, Fantástico eu fiz duas vezes. Aconteceu bastante coisa legal.

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Você acredita que imprimiu uma marca no trabalho como arranjador e produtor? Tinha uma coisa bem característica do seu som que eram aqueles teclados na introdução… Como em Rolam as pedras, do Kiko Zambianchi…

Sim, esse arranjo é meu. Não sei, acho que tudo aconteceu meio por acaso. Eu tinha um teclado da Roland que todo mundo quando me via tocando nele, queria comprar. Eu fazia tudo com ele, era um teclado que tinha um sequenciador, eu programava tudo muito bem nele. Fui uma das primeiras pessoas a conseguir programar bateria eletrônica direito, que não parecesse eletrônica. Eu tinha essa coisa de estúdio, tirava até linhas de baixo. Tirei a linha de baixo de Casa, do Lulu Santos.

Eu achei uma sonoridade logo no primeiro disco, que era a seguinte: eu gostava muito de baixo fretless (sem traste, como o usado em Everytime you go away, de Paul Young) e umas guitarras bem espaciais, bem cinematográficas. O Torcuato era um cara perfeito para isso, ele tem uma timbragem de guitarra incrível. Eu procurava manter essas pessoas em tudo o que eu fazia. Chamava o Torcuato, o Arthur Maia no baixo, Leo Gandelman no sax – a gente fazia os solos de sax com uma pegada nada jazzística e muito pop, eram melodias, não solos. Aí é o famoso “diga-me com quem andas”.

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Isso que tá acontecendo hoje com a música, de ela se tornar mais modal, com poucas variações na harmonia – você começar a caminhar harmonicamente sem mexer em muitas notas – acho que eu já fazia desde aquele tempo. Enxergo minha música assim, dessa coisa que enxerguei, da surpresa que o pop empreende no arranjo. Enxerguei isso naquela época e isso criou uma marca na minha música.

Você falou isso do baixo fretless, das guitarras espaciais, e lembrei direto do arranjo de Transas

Isso, isso, tinha o Torcuato… Uma coisa meio cinema, de criar texturas sonoras, não tentar tocar a música, criar texturas. Imagens sonoras, sabe? Isso fica claro, quando entra o Esquece e vem, e vem a guitarra (imita o som) e as cordas vêm entrando devagarzinho. Aquilo já cria uma atmosfera. Eu me lembro do Liminha escutando isso e falando: “Pô, cara, isso parece cinema”. Falei que a ideia era essa mesmo, criar uma atmosfera cinematográfica para a música. Apostei nesse idioma e criei essa marca, acho que consegui.

E depois da Warner?

Estou no décimo disco. Em 1991 gravei o Tudo ficou para trás, foi numa gravadora chamada Esfinge, que logo quebrou. Até teve música em novela, Além da sedução (de Lua cheia de amor). Em 1995 gravei o Tapete azul, que também teve música em novela, Sempre a mesma história, da novela Quem é você? Em 2002 gravei o Curta a vida, foi um disco que eu gravei pela Som Livre. Tem várias inéditas e umas regravações.

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Em 2007 eu fiz aquele que talvez seja meu melhor trabalho, o Paraíso invisível. É um disco que eu me preparei três anos para fazer, totalmente acústico, não tem teclados, todas as partes de camas de teclados são feitas por naipes de sopros. Mas um naipe nada usual. Eu fazia as camas com flugelhorn, flauta em sol e trombone. Em 2012 foi o Piano e voz, releitura de piano e voz das minhas cações mais relevantes. Dei uma pausa e comecei a tocar jazz em outro projeto. Gravei um DVD e CD tocando Chet Baker.

E agora venho lançando singles e no final do ano vou lançar meu décimo disco, que é o Vida que segue. Vai ter a releitura do Esquece e vem, um single que a gente vai fazer agora que é o Pra que serve uma canção. E outras inéditas, tem um feat com a Roberta Campos que tá pronto também. Fiz algumas pausas (rindo), até longas demais pro meu gosto. Mas a vida é isso mesmo. Mas acho que estou na fase talvez mais criativa da vida, estou compondo como nunca compus antes. Eu ligo o rádio e fico tão desanimado que me deu vontade de voltar (rindo). Brincadeira, tem coisas legais, mas a gente ouve umas coisas e “opa”.

E como tem sido o isolamento?

Dedicado ao estúdio: tenho trabalhado, composto, feito lives. Dei um tempinho, mas ano passado fiz 28 lives. Tenho composto bastante, produzido outras pessoas. Meu estúdio é perto da minha casa. Agora mesmo já estou trabalhando numa canção nova. Fiquei revendo HDs antigos também, coisas que estavam meio esquecidas e repaginei. Dei uma limpada no guarda-roupa.

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