Never let me down, disco de David Bowie lançado em 1987, não costuma ter sua cara livrada nem pelos maiores fãs – que o consideram um lance fraco na carreira do cantor, numa época em que ele chegava a novos públicos por causa dos sucessos de Let’s dance (1983) e do filme Labirinto (1986). A Glass Spider Tour, montada para divulgar o disco, foi bem sucedida: seis milhões de fãs em todo o mundo viram os shows. Acabou sendo um giro que deixou todo mundo estressado – era a maior e mais cara turnê que Bowie havia feito até então, com várias tecnologias novas (computadores no palco, telões, microfones sem fios), um palco enorme em formato de aranha gigante, dançarinos, etc. E rendeu assunto em alguns lugares do mundo. Em Madri, na Espanha, David Bowie e seu guitarrista decidiram dar um tempo dos ensaios para o show – que rolou no Vicente Calderón Stadium em 6 de julho – e foram andar pelas ruas atrás de uma cerveja. A via crucis foi filmada por uma equipe da MTV.

O então recém-contratado guitarrista de Bowie, que o acompanhou no rolê, era ninguém menos que… Peter Frampton. Frampton era amigo de adolescência de Bowie (seu pai deu aula para ambos numa escola de arte na Inglaterra). O passeio dos dois acabou virando um espetáculo à parte, com a dupla andando pelas ruas e caçadores de autógrafos perseguindo o cantor de Space oddity. Frampton, então sumido do mercado havia alguns anos (tinha voltado com um disco em 1986, Premonition, mas não recuperara as vendagens da época de Frampton comes alive!, de 1976) não foi muito reconhecido. Um fã chega a reconhecê-lo, mas Bowie diz “não, ele não é Peter Frampton” e os dois ouvem: “Achei que você fosse o Peter Frampton”. Uma fã reclama que Bowie não devolveu sua caneta (ele devolve). E o cabeludaço Frampton deixa o dono de um salão de cabeleireiros indignado a ponto de fechar a porta na cara dele – causando risos nele e na comitiva.

Aliás olha uma reportagem da TV espanhola sobre o show aí – com direito à tal aranha gigante e à apresentadora do telejornal dizendo que era possivelmente “a última chance” para ver Bowie ao vivo.

1 Comentário

DEIXE UMA RESPOSTA