Formada na maior parte do tempo por uma dupla composta por John Fiddler (voz, guitarra, piano e bateria) e Peter Hope-Evans (gaita), a banda britânica Medicine Head foi um dos primeiros nomes contratados pelo selo Dandelion, montado pelo célebre DJ inglês John Peel no fim dos anos 1960.

O som do grupo seguia a cartilha do blues-rock e o primeiro disco, “New bottler, old medicine” (1970), chamou a atenção de muita gente. E não apenas pela competência do rapazes (que gravaram o álbum inteiro em menos de três horas) como pelo esforço de Peel, que apresentava a banda a amigos famosos, os acompanhava em shows e tirava dinheiro do próprio bolso para pagar despesas gerais ou complementar cachês. “Heavy on the drum” o segundo disco (1971), teve uma produção mais trabalhada (Keith Relf, cantor dos Yardbirds, cuidou do negócio) e conseguiu um pouco mais de sucesso.

Já o terceiro disco, lançado em 1972, despertou pouca atenção. E por causa disso, acabou fazendo a felicidade de uma outra banda britânica, o Pink Floyd, já que o tal disco do Medicine Head se chamava… “Dark side of the moon” (sim, igualzinho ao famoso álbum do Pink Floyd que completou 44 anos em 1º de março). É esse disco aí.

"Dark side of the moon", um disco do... Medicine Head

Aliás, o grupo ainda tinha uma música chamada “Dark side of the moon”, que eles planejavam não lançar no disco e soltar depois como single. O compacto não saiu, e ficou restrito a coletâneas e relançamentos do grupo. Olha aí.

O Floyd já pensava no nome “The dark side of the moon” (com o “the” na frente, no caso deles) em 1972 e, ao saber do disco do Medicine Head, mudou o título de seu vindouro disco para “Eclipse (A piece for assorted lunatics)”. Quando viu que o disco do Medicine não deu muito certo, voltaram à ideia inicial. E a verdade é que “Dark side of the moon” é um título tão bom que nem mesmo John Fiddler, pelo menos publicamente, chegou a ficar irritado com o Pink Floyd por ter usado o nome.

“Eu amo o disco do Pink Floyd”, diz Fiddler nesse papo aqui. E de qualquer jeito o grupo – que durou até 1976 – teria seu maior hit no ano seguinte, “One and one is one”, número três nas paradas britânicas. Hoje, os dois integrantes originais estão em carreiras solo.