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Cultura Pop

Como? Você nunca ouviu “No other”, de Gene Clark?

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Os problemas pessoais do cantor e compositor americano Gene Clark (1944-1991) acabaram vencendo sua carreira musical algumas vezes. Gene foi um dos fundadores de uma das bandas mais importantes de todos os tempos, os Byrds. É co-autor de clássicos como Eight miles high – feita após um encontro dos Byrds com os Beatles e os Rolling Stones na Inglaterra e cuja letra falava sobre como as pessoas eram loucas e liberadas na terra da rainha, segundo o próprio Clark.

Clark era também, segundo testemunhas, quem realmente chamava a atenção (inclusive do público feminino) no grupo. A ciumeira dentro da banda e o medo que Clark tinha de viajar de avião acabaram levando à sua saída (ao que consta, ele ouviu do colega Roger McGuinn algo como “você não pode ser um byrd se não puder voar”). Muito embora os Byrds tenham sido um encosto na vida do músico, já que ele voltou ao grupo algumas vezes – inclusive na fase final, em 1973, quando o selo Asylum, especializado em folk rock, contratou uma reunião dos cinco integrantes originais da banda (McGuinn, Gene Clark, David Crosby, Chris Hillman e Michael Clarke) e lançou o epônimo e ignorado The Byrds.

Logo após o lançamento de The Byrds, o disco, Gene Clark foi contratado solo pela Asylum. David Geffen, dono do selo, curtiu as colaborações do músico para sua ex-atual-banda e ele começou a fazer lá seu quarto disco. No other, o tal disco, lançado em setembro de 1974, era bastante desafiador. O repertório foi todo composto em um ano por Clark, enquanto olhava da janela de sua casa com vista para o Oceano Pacífico, em Mendocino, na Califórnia. As letras saíram influenciadas por um monte de referências esotéricas (de teosofia, Carlos Castaneda etc). As músicas eram bem mais longas e complexas do que os clássicos dos Byrds.

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Aqui tem uma edição bem melhor do disco, no YouTube, com faixas bônus.

Se só tiver tempo para escutar uma única música, pega aí a faixa-título do álbum, lindíssima e sombria. E com vários overdubs de baixo pontuando o ritmo.

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No other permaneceu por vários anos na obscuridade. O álbum foi tido como um enorme fracasso pela Asylum, que havia gasto um montante enorme de grana na gravação (falou-se em US$ 100 mil). A ficha técnica acabou cheia de músicos topo de linha (Chris Hillman, Jesse Ed Davis, Claudia Lennear e vários outros). Acabou marcando um período de enorme desilusão para Clark, que ficou sem gravadora, sem casamento, e afundado nas drogas por muito tempo. Gravou mais alguns poucos discos solo e fez algumas turnês. Morreu em 1991. Pouco depois disso No other, fora de catálogo desde os anos 1970, foi reeditado em CD.

Aí embaixo, você confere uma entrevista de Clark em 1988, falando sobre como ia o relacionamento com os ex-Byrds (e com os ex-Beatles) e sobre como Eight miles high tinha sido composta. Gene parecia muito abatido.

E em 2013, um ano antes de No other completar 40 anos, olha aí quem fez uma homenagem ao disco. Músicos de bandas como Fleet Foxes, The Walkmen, Grizzly Bear e Beach House montaram a The Gene Clark No Other Band e caíram na estrada tocando todo o repertório do disco. Nada de “releituras criativas”: a turma foi fidelíssima ao original. Olha No other, a canção, aí.

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Cultura Pop

Raridade: recuperaram papo de Ian MacKaye para a revista Panacea, em 1994

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Auto-intitulada “a revista brasileira de quadrinhos (e outros bichos)” a revista Panacea fez muitas cabeças nos anos 1990 – na verdade, foi um zine transformado em revista, pela jornalista Gabriela Dias. hoje colunista da Revista Caju. E foi ela quem conduziu um papo com Ian MacKaye (Fugazi, Minor Threat) em 1994, quando o grupo se apresentou no desbravador festival Belo Horizonte Rock Independente Fest (o popular BHRIF).

Encontrar algum número da Panacea dando sopa é complicado – volta e meia aparece algum à venda no Mercado Livre. Em compensação, pegaram a tal entrevista de Ian MacKaye, bateram tudo e subiram no site Issuu. “Em 2003 copiei o texto, diagramei, imprimi e distribui entre alguns amigos. Na época eu não revisei, também não sabia diagramar e muito menos o que era leiturabilidade”, diz a pessoa, que passou horas batendo a conversa.

Na abertura do papo, Gabriela explica que Ian é “obsessivo, gentil, atencioso”, mas “simples, direto e ríspido”. Os dois lados do músico, conhecido pelo mergulho total na atitude punk e pelo “não se vender” levado à máxima potência, ficam bem claros no papo.

>>> Veja também no POP FANTASMA: Quando Guy Picciotto (Fugazi) cantou enfiado numa cesta de basquete

MacKaye recusa-se a dar conselhos aos repórteres sobre como fazer a cena independente funcionar no Brasil (“vocês não precisam de um americano para dizer como fazer as coisas”, esbraveja) e foge de fazer comentários sobre colegas, mesmo que positivos. Mas diz que Henry Rollins, quando foi cantor do Black Flag, foi roubado pelos donos da gravadora SST. E reclama que as majors, uma tentação a qual o Fugazi nunca cedeu, são ambiciosas demais. “A especialidade delas é pegar um pedaço de merda, dar uma polida e fazer um disco”, diz ele, por sinal amigo de Rollins desde a infância.

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“Não é interessante ser parte de uma major. É chato. Às vezes eu penso: ‘Deus, todos os meus amigos são milionários e famosos, e eu sou este carinha que é fiel ao próprio mundo. As pessoas pensam que uma banda como Rage Against The Machine é que é radical. Como se pode ter raiva da máquina quando se é parte dela?”, prega Ian.

Tá aqui a conversa toda. Leia antes que suma.

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Cultura Pop

Bob Dylan elogiando Madonna

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Bob Dylan elogiando Madonna

Em 1991, Bob Dylan afirmava à American Songwriter que desprezava o pop. O cantor, que tinha lançado um ano antes o disco Under the red sky, elogiou compositores como Brian Wilson e Randy Newman, e disse que ninguém deve se guiar pelas canções de um arista pop. Mas falou bem de ninguém menos que Madonna.

“O entretenimento pop não significa nada para mim. Nenhuma coisa. Você sabe, Madonna é boa. Madonna é boa, ela é talentosa, ela une todos os tipos de coisas, ela aprendeu suas coisas … Mas é o tipo de coisa que leva anos e anos da sua vida para você ser capaz de fazer. Você tem que se sacrificar muito para fazer isso. Sacrifício. Se você quer se tornar grande, você tem que sacrificar muito. É tudo igual, é tudo igual”, disse, rindo.

Bob também fez um comentário bem interessante sobre Jim Morrison quando ouviu que o hoje negacionista militante Van Morrison o considerava o maior poeta vivo. “Os poetas costumam ter finais muito infelizes. Veja a vida de Keats. Olhe para Jim Morrison, se você quiser chamá-lo de poeta. Olhe para ele. Embora algumas pessoas digam que ele está realmente nos Andes”, afirmou.

O repórter da revista perguntou se ele achava que isso era verdade e Dylan saiu fora da resposta. “Bom, nunca passou pela minha cabeça pensar de uma forma ou de outra sobre isso, mas você ouve isso por aí. Pegando carona nos Andes. Montando um burro”, disse.

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Uma revelação que Bob fez no papo é a de que ele prefere, no piano, as teclas pretas para trabalhar. “E elas soam melhor na guitarra também. Às vezes, quando uma música tem uma tonalidade bemol, digamos Si bemol, leve para o violão, você pode querer colocá-la em Lá”, diz. “Quando você pega uma música de tecla preta e a coloca no violão, o que significa que você está tocando em lá bemol, muitas pessoas não gostam de tocar nessas teclas. Para mim não importa”.

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Cultura Pop

Quando Syd Barrett fez resenha de David Bowie

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Quando Syd Barrett fez resenha de David Bowie

A Melody Maker, publicação britânica de música, tinha o hábito de pedir a artistas conhecidos que comentassem lançamentos da época. Em 1967, Paul McCartney chegou a fazer uma resenha (falando bem) de Purple haze, single do Jimi Hendrix Experience. E caiu para ninguém menos que o novato (na época) Syd Barrett analisar um single de um cantor mais novato ainda: Love you till tuesday, de David Bowie.

Segundo a Far Out Magazine, algum emissário da revista visitou o Pink Floyd durante a gravação do single Bike, levou a canção para Syd ouvir e extraiu dele várias opiniões sobre o disco. “Sim, é um número de piada. Piadas são boas. Todo mundo gosta de piadas. O Pink Floyd gosta de piadas”, escreveu/falou o cantor da banda. “É muito casual. Se você tocar uma segunda vez, pode ser ainda mais uma piada”.

A animação de Barrett terminou aí. O cantor ainda disse que as pessoas iriam gostar da letra e de suas brincadeiras com os dias da semana. Mas… “Muito alegre, mas não acho que meus dedos do pé estavam batendo”, afirmou. Ironicamente, Barrett era uma das maiores referências de Bowie em sua primeira fase de carreira, e continuaria sendo uma sombra enorme no trabalho dele por vários anos. Olha Bowie nos anos 1970 cantando See Emily play, do Pink Floyd.

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“Syd foi uma grande inspiração para mim Ele era tão carismático e um compositor surpreendentemente original”, afirmou Bowie em 2006, quando Barrett morreu. “Além disso, junto com Anthony Newley, ele foi o primeiro cara que ouvi cantar pop ou rock com sotaque britânico. Seu impacto em meu pensamento foi enorme. Um grande pesar é que nunca o conheci. Um diamante, de fato”.

Seja como for, nem Love you till tuesday nem o primeiro disco de Bowie, The world of David Bowie (1967) fizeram sucesso algum. E olha que o cantor e seu empresário tentaram, já que saiu até um filme com pequenos clipes do disco. A gente falou disso aqui.

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