“Você precisa perder o medo da música”, cantavam os Titãs em “Medo”, do disco “Ô blésq blóm”, de 1989. Bom, fazendo o contrário do que diz a letra do quase-hit da banda, o POP FANTASMA indica algumas maneiras de você fazer pessoas passarem a ter pânico de canções que, em sua maioria, são bastante inofensivas. Tem uma turma pegando músicas do universo do pop e do rock, reduzindo a velocidade delas ao mínimo (o que faz com que faixas de dois minutos tornem-se épicos experimentais de quarenta minutos) e jogando no YouTube. O resultado é a transformação de canções que fazem sucesso nas pistas de dança em trilhas sonoras da sucursal do inferno.

Olha só o que fizeram com o único grande hit do grupo de power-pop The La’s, “There she goes”.

Donna Summer e seu “I feel love”, clássico da era disco, ganham ares de ambient demoníaco.

Tá, “Tomorrow never knows”, dos Beatles, já é uma canção perturbadora. Mas aqui, ela causa pesadelos.

Trinta e oito minutos, reduzidos à velocidade mínima, do belo tema de amor de “Blade Runner”, de Vangelis.

Vinte e oito minutos de “Heroes”, de David Bowie. Tem coragem?

Até “Bela Lugosi’s dead”, cláasico dark do Bauhaus, virou som para assustar criancinhas.

E se você achou que isso tudo tem lá seu pé no ambient, pega aí uma versão de seis horas (!) do disco “Music for airports”, de Brian Eno (1978). Um cara tá afirmando nos comentários que o áudio faz com que ele fique concentrado para escrever ensaios.