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Cultura Pop

Chinaina: um papo sobre EP novo, Carnaval e bandas novas na TV

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Sandra Sá virou Sandra de Sá, Igor Cavalera virou Iggor Cavalera. E o cantor e apresentador China, de uns tempos para cá, virou Chinaina. Houve uma razão para a mudança, que não tem nada a ver com numerologia ou algo do tipo: o cantor resolveu alterar o nome artístico por causa da dificuldade de procurar por “China” nos aplicativos de música. “O cara procurava minhas músicas e achava uns 200 Chinas”, brinca o cantor, compositor e apresentador nascido em Olinda (PE). Ele acaba de lançar o EP Carnaval da vingança, que propõe um reencontro com a folia em músicas como Carnaval infinito (a do verso “eu vou fazer um carnaval infinito quando te encontrar”).

China, mesmo gravando tudo à distância, convocou o maestro Nilsinho Amarante para reger uma orquestra e dar uma ambientação de discos de frevo das antigas. “Queria que soasse como nos discos de frevo de antigamente, que era a orquestra inteira junta dentro do estúdio, com um microfone só captando”, conta ele, que além da música, vem se dividindo como apresentador em três canais de TV: fazer festivais no Multishow, descobre bandas novas no Caça Joia, da TV Cultura e divide o Rock Estúdio com Jimmy London, no canal Bis. E recorda todas essas experiências no papo com o Pop Fantasma, indo lá atrás na época de sua primeira banda de sucesso, o Sheik Tosado, da qual  relembrou Hardcore brasileiro, um frevocore, no EP novo.

Foto: Divulgação/Pamella Gachido

Antes do EP novo, você havia vindo de uma experiência com um disco bem político, que era o Manual de sobrevivência para dias mortos. Você enxerga semelhanças entre os dois discos em termos de discurso? Rola uma certa continuidade no discurso?

De certa forma sim, pelo seguinte: na época do Sheik Tosado, a gente dizia que se o povo que tivesse curtindo o Carnaval resolvesse parar e fazer uma guerra civil, a gente derrubava qualquer governo. Esse foi um dos motes quando comecei a fazer o Carnaval da vingança. Eu estava revisitando minha obra, e tinha a ideia de regravar o Hardcore brasileiro com orquestra, daí lembrei desses papos que a gente tinha. Então, sim, é uma continuidade, acho que o Carnaval da vingança deixa claro, como fala na letra de Virando Papangu, que “o povo mete medo quando quer voar”.

O Carnaval é uma violência no sentido de descarga de energia, sabe? Eu acho que esse discurso faz parte, ainda mais num momento tão estranho como o que a gente tá vivendo, tão nebuloso… Fora a covid, tem um governo completamente omisso, incompetente. Acho que o povo na rua faz essa vingança acontecer.

Você juntou “Carnaval” e “vingança” num mesmo título. Como foi levar o tema “política” pro Carnaval? O Carnaval tem virado um tema bastante político, com essa discussão sobre se ele pode acontecer ou não…

Eu sempre vi o Carnaval como um ato político, isso para mim nunca foi desassociado. Até porque é uma festa democrática, onde o rico, o pobre brincam juntos na rua. E pra mim é a hora que o povo extravasa, que as marchinhas de Carnaval que satirizam a política e as situações do Brasil acontecem. Acho que no momento que a gente tá vivendo, sobre se pode ou não ter Carnaval… Apesar de eu estar muito triste, acho prudente que não se tenha o Carnaval. Mas acho um absurdo que quem tem dinheiro possa pagar por um Carnaval de bloco.

No fim das contas ele tá fazendo o vírus circular, e se a ideia é impedir a disseminação, tá dando quase na mesma. E aí você privilegia só um pedaço da população. Isso eu acho errado, acho que se tem que cancelar, deveria ser cancelado em todos os âmbitos.

Sobre o EP, eu estava ouvindo e me deu a impressão de um disco para ser lançado com shows em teatros. Como você está pensando os shows do disco?

Bicho, no momento eu tô tentando não pensar no show (risos)! Porque, p… que pariu, quando comecei a fazer o EP eu já estava pensando em orquestra. O lance de tocar em teatro, acho que você acertou em cheio, porque é um lugar que eu gosto de fazer show. Porque todo mundo que foi lá me ver tá prestando atenção naquilo, não é uma festinha às 2h, 3h da manhã. O fazer show em teatro tem um propósito. Seria demais, a minha ideia é fazer o show do disco em algum momento, e com a orquestra inteira no palco.

Eu não consigo ver o espetáculo desse disco com menos que isso. Ao mesmo tempo, a gente sabe que está numa recessão absurda, o preço das passagens nas alturas. Não sei se consigo rodar com uma equipe com 15 pessoas. Mas a ideia seria mesmo fazer shows em teatros, porque é um dos lugares mais seguros nesse momento. Eu sempre brinco dizendo que a máscara só aguenta até a terceira cerveja. Tem uma hora em que você tá ali na festinha e… Bicho, já era a máscara. No teatro você ainda consegue ter essa segurança, porque não pode beber lá.

Mas sendo muito sincero com você, fico tentando nem pensar nesse show pra não ficar triste! (risos) Queria pra cacete levar esse show pra rua, mas tem que respeitar todos os protocolos possíveis, não colocar ninguém em risco, não me colocar em risco. É um cuidado maior que eu estou tendo desde o início da pandemia. Inclusive o próprio disco foi gravado todo à distância.

Como foi?

Produzi de São Paulo, com músicos gravando de Recife, Salvador. A orquestra, eu queria que soasse como nos discos de frevo de antigamente, que era a orquestra inteira junta dentro do estúdio, com um microfone só captando. Mas por causa da pandemia, não dava para juntar todo mundo num estúdio. Eu falei com o técnico de som via zoom, a gente foi marcando o chão, onde seria o lugar de cada músico no estúdio, e botando um microfone para captar no centro. As gravações acabaram se juntando e dando a impressão de ao vivo. Mas foram 16 horas direto de trabalho no computador, graças à tecnologia deu para fazer isso.

O resultado ficou muito melhor do que eu imaginava, ficou com essa coisa quente do Carnaval, ficou lembrando como se fosse ao vivo. Da capa até a última música passa a impressão de um Carnaval. E já que a gente não pode estar na rua, que a galera escute dentro de casa e faça seu Carnaval infinito (nome da faixa de abertura do EP) dentro de casa (risos).

Como foi resgatar Hardcore brasileiro, do Sheik Tosado, no disco?

Sempre quis ter um arranjo de orquestra para essa música, desde quando a gente compôs e lançou em 1999. Sempre quis trazer essa música de volta. A parte curiosa foi a discussão com o maestro para a gente chegar nos 180 bpm. Ele me mandou uma versão em 150, 160 bpm. Falei: “Maestro, isso é um hardcore, tem que ser pra cima!” Ele falou: “Mas gravado vai só até 160 bpm no máximo, os tradicionalistas do frevo já decretaram isso”. Falei: “Bicho, mas é um hardcore, tem que soar como hardcore. Vamos aumentar a velocidade dessa porra!”

Ficamos discutindo um tempo, e venci a discussão dizendo: “Bicho, quando vocês tocam nas ladeiras de Olinda, vocês tocam rápido que só a porra! Parece um hardcore, e agora você tá dizendo que não pode por causa dos tradicionais do frevo. Esquece os tradicionais e vamos fazer história acelerando o frevo!”. Ele deu risada e aceleramos. Depois eu botei as duas versões para ouvir, a minha e a do Sheik Tosado, e as duas têm o mesmo peso e intensidade.

Aliás quais são suas lembranças desse disco do Sheik Tosado, o Som de caráter urbano e de salão (lançado pela Trama em 1999)

Cara, a gravação desse disco foi demais. A gente era tudo moleque, tudo muito novo, experimentando um estúdio bom, um produtor bom. Já se gravava em computador, mas o Carlo Bartolini (produtor) fez questão de passar bateria pela fita, guitarra pela fita. Tinha todo um cuidado na engenharia do disco. Ele foi mixado por Bill Kennedy aí no Rio, no (estúdio) Mega. O Bill mixou o Metallica, a maior galera. No primeiro dia do Bill, ele já estourou uma caixa do Mega, já começou a reclamar do estúdio. A gente ficou assim: “Peraí, mas esse é um dos maiores estúdios do Brasil, e esse gringo tá achando ruim?” (risos) Mas aí no fim das contas, acho que era marra de gringo, porque ele relaxou e ficou tudo bem.

Eu acho que esse disco tem uma sonoridade muito forte e muito pesada até hoje. O Sheik Tosado antes desse disco nem era tão pesado – ou melhor: talvez a gente nem tivesse a sacada de ser tão pesado quanto esse disco ficou. A gente tinha a coisa do hardcore, do frevo. Mas como nossos equipamentos eram uma porcaria, a gente jamais chegava nessa porrada, tá ligado? E o disco fez a gente melhorar como instrumentista, melhorar em equipamentos. A banda começou a soar tão pesada quanto o disco.

Acho que esse disco é muito importante pra minha carreira. Foi o disco que abriu minhas portas para a vida artística, para a coisa de produzir meus discos, gravar, virar produtor musical também. Até hoje, quando eu tô produzindo coisas mais pesadas é meu som de referência, de guitarra e de bateria. Sempre volto nele. Há uns anos eu entrevistei o Max Cavalera, e a gente falou desse disco. Ele até falou: “Pô, aquele som é brutal!” Bicho, foi foda, quase que eu choro!

E é um disco curtinho. Menos de meia hora…

Mas acho que era o que a gente tinha de material mesmo, naquela época! Lembro que não ficou nenhuma música de fora, do que a gente já tinha. Foi tudo muito rápido, o Sheik tinha um ano de banda quando assinou com a Trama, daí entramos no estúdio, gravamos o disco. E dois anos depois a gente já estava tocando no Rock In Rio. Acho que após o disco esse repertório se ampliou. Mas na época, eram aquelas músicas. E depois que o disco ficou pronto a gente fiou; “Putz, mas só deu 27 minutos?”. Aí, alguém falou: “Mas isso é ótimo, acaba o disco e o cara tem que dar o play de novo!”

Você falou do Rock In Rio: como foi pra você e pra banda estar na edição de 2001?

Foi demais, foi demais. Essa história começa bem antes, porque a gente fez um show no Blem Blem, em São Paulo, abrindo pra Marky Ramone. O empresário da gente na época conhecia um dos caras do Rock In Rio e levou o cara pra ver o show. Acabou o show do Sheik Tosado e ele foi no camarim. Não era o Medina (risos), era um outro cara que eu não me lembro do nome. E depois do show ele falou: “E aí, será que vocês estão prontos para tocar no Rock In Rio?”. A gente, brincando, falou: “Lógico que estamos prontos, vamos nessa!”. A gente só não imaginava que seria no palco principal, né?

Daí quando chegou o convite oficial, era para a gente abrir a noite do Iron Maiden no palco mundo. Foi demais, foi uma sensação incrível, poder estar naquele palco, com aquelas bandas, num festival desse tamanho…  Pra gente foi difícil de início. Porque, imagina, tinha fã de Iron Maiden vindo de todo o lugar do mundo e se dependesse deles, o Maiden tocaria de meio-dia até encerrar. O começo foi bem difícil, mas a gente conseguiu peitar e passar por cima dos fãs do Iron que tavam ali na grade e atingir o resto do público. No final foi um sentimento de vitória. Conseguimos mostrar que a música brasileira também pode ser pesada, sem deixar as origens de lado. A gente não precisa ficar pagando pau pra gringo.

Como você se descobriu artista solo? Você lançou primeiro aquele EP Um só, pelo selo Cardume (do produtor e escritor carioca Bruno Levinson, com distribuição da EMI)

Pois é, eu acho que só quem tem esse disco sou eu mesmo!

Não, eu tenho aqui!

Nas plataformas ele não está, né? O Sheik Tosado a gente brigou, brigou e colocar recentemente nas plataformas. Mas cara, quando eu saí do Sheik Tosado – a banda era um monte de moleque, a gente brigava pra cacete, terminou a banda brigado – só pensei: “Vou fazer faculdade e vou, sei lá, tentar achar outros caminhos”. Fiz jornalismo um tempo, só que não rolou, porque no meio do caminho, o Bruno me chamou pra fazer um primeiro disco solo. Eu pensei: “Vou fazer completamente diferente do que estão esperando”. Para mim, não tinha graça sair do Sheik Tosado para fazer um disco igual a o que faria com eles. Já que sou solo, e os caminhos quem determina sou eu, vou para qualquer caminho. Não tenho o menor problema com isso.

Desde o Um só, eu gosto muito de me arriscar como compositor. Na época do Sheik Tosado a galera achava que eu passava o dia ouvindo som pesado. E era a época em que eu era viciado em bossa nova. Comprava tudo que aparecia pela frente de bossa nova. Nunca tive essa coisa de só ouvir um estilo musical, acho que isso é coisa do nordestino de modo geral. A gente acaba ouvindo de tudo, pode ir a um show dos Ratos de Porão e em meia hora estar do outro lado da rua dançando forró.

E quando eu saí em carreira solo, pensei: “Quero me arriscar, ir para outros caminhos. Eu sei que já sei fazer hardcore, mas quero ir para outros lugares”. Isso me abriu muitas portas como compositor. O cara do Art Popular, o Leandro Lehart, gravou música minha. Mombojó gravou música minha, Dado Villa-Lobos gravou, até o Jota Quest gravou música minha! Para um moleque que cantava hardcore, até que os caminhos se abriram (risos). Mas se você prestar atenção, a cada disco que eu lanço, sempre tem uma música mais pesada, uma parada mais hardcore, um frevocore… Sempre tem alguma coisa no meio do caminho.

Como ouvinte, eu acho uma merda quando uma banda que eu gosto começa a repetir o disco. Você vai ouvir esperando uma coisa nova e é a mesma coisa, a mesma coisa… Eu estava até conversando com o Jimmy London e ele me disse: “Você tem a maior coragem, a cada disco você faz uma parada completamente diferente!”. Eu não tenho que estar preso a uma fórmula, nem quero.

Mas aquela coisa de: “Bom, agora sou um artista solo, vou ter que cuidar da minha carreira sozinho, subir sozinho no palco…” Como foi pra você naquele momento?

Cara, naquele momento foi bem difícil. Eu tinha uma banda, onde eu e meu irmão, Bruno Ximaru, éramos os líderes e a gente decidia tudo junto. E na carreira solo eu tinha que tomar as decisões. De início foi complicado, até para estabelecer a relação que eu tinha com os músicos, o caminho que a gente ia seguir. Foi engraçado, porque no Sheik Tosado, eu e meu irmão, por mais que a gente guiasse os caminhos, como a gente tinha uma amizade com a galera, a turma já ia tocando. E em carreira solo, os músicos estão esperando que você diga algo. Demora um tempo pra pegar essa química, da galera entender qual é a sua.

Foi um início bem confuso pra mim, mas foi um aprendizado importante. Até para o que se desenrolou depois, de trabalhar com produção musical, gravando outras bandas, saber guiar os caminhos. Demorei bastante tempo pra conseguir achar esse lugar e acho que hoje em dia eu ando bem. Mas não vou mentir, não rolou algo como: “Ah, desde o início foi tranquilo…”. Mas nem fodendo! Demorou alguns discos e alguns shows pra chegar nessa segurança, para que eu entendesse meu papel dentro daquilo tudo e conseguisse guiar quem tá junto comigo acreditando no meu som.

Como você virou apresentador?

Velho, foi muito por acaso. Quando eu estava estudando jornalismo, achava que eu ia para o impresso. Sempre gostei muito de escrever. Até que a MTV me convidou para ser repórter por um fim de semana, cobrindo um festival em Belém. Aquele esquema, né? “Não tem grana e tal, mas legal, sua cara aí…” Pensei: legal, vamos lá. Nunca tinha ido em Belém, passei um fim de semana ótimo, conheci um monte de banda foda, tudo na faixa. Achei que ia ser só aquilo, tipo “repórter por um dia”. Só que depois eles me ligaram, perguntando se eu queria ser VJ, porque eles estavam com um projeto de um programa sobre música brasileira. Eu pensei: “Mas eu nem tenho experiência com TV direito”. Aí me responderam: “Seu teste foi lá no festival e todo mundo adorou!”. Eu estava sendo testado e nem sabia (risos)!

Comecei o Na brasa, e aí foi fácil: era falar de música brasileira, que é um negócio que eu gosto, e com artistas que na realidade são meus amigos, uma galera que eu encontro no camarim, nos backstages da vida, nos festivais. Esse início foi fácil. Aprendi a lidar com as câmeras, até tive um diretor muito bom, que falava: “A câmera é como se fosse um brother seu, conversa com ela como se estivesse conversando com alguém”. E foi nessa sacada que eu fui. Comecei a usar as gírias que eu usava em Olinda. Foi uma coisa que eu aprendi com o manguebeat, que na verdade veio de Leon Tolstói, de que quanto mais você fala da sua aldeia, mais você tá falando do mundo. Chico Science sintetizou isso muito bem. Quanto mais eu tiver meu sotaque e meu jeito, mais eu vou cativar quem vai estar assistindo. Não foi nada pensado, só fiz. Dei sorte nesse sentido, de estar falando de música com amigos…

De lá eu pulei pra Band e foi um enorme desafio, porque fui fazer A liga, que era um programa de jornalismo-verdade. Ali eu vi que dentro da TV eu poderia fazer qualquer coisa. Daí fui cobrir os Carnavais em Salvador, Recife, e pintou o Multishow. Sempre no hiato entre uma TV e outra eu pensava: “Agora eu vou lançar um disco, preciso dar uma focada na carreira musical e tal”. E, bicho, eu nunca me livrei da TV, sempre fui chamado para outras coisas. Eu fiz esse exercício de reflexão um tempo atrás: nunca deixei a música de lado e o dinheiro que eu ganho na TV, invisto nos meus discos, em equipamento, uma coisa ajuda a outra.

Hoje eu consigo me vender como um músico que também é apresentador e um apresentador que também é músico. Antes eu ficava muito preso nesse lugar de: “Será que eu sou isso e tô fazendo uma outra coisa?” Mas é como um amigo me falou: eu sou um comunicador, não interessa se estou comunicando em discos ou na frente das câmeras. Fiquei feliz quando cheguei nessa resolução.

Como tá sendo fazer o Caça Joia?

Tá sendo um inferno de vida, nesse momento tenho três mil links para escutar (risos). Mas é o melhor inferno que eu poderia ter. Tem muita coisa nova. Na primeira temporada foram mil links, fora as coisas que eu estava catando. Deu tão certo e era um espaço tão nobre para artistas mostrarem seu som, e fugindo completamente dessa coisa de algoritmo, numero de seguidores, de plays. O programa não é sobre isso. O Caça Joia é música pela música, e o discurso desses artistas, a originalidade.

Eu fui revelado num festival de música em 1998 e fazer o programa é como se eu estivesse devolvendo tudo o que fizeram por mim na música. É uma forma de agradecer e impulsionar outras carreiras. No MTV Na Brasa, vários artistas que estavam começando passaram pelo programa: Emicida, Criolo, Tulipa Ruiz, Marcelo Jeneci. Olha onde esses caras tão hoje! Quem sabe o Caça Joia vai para um lugar desses?

E quando comecei a perceber essa coisa do algoritmo, do número de seguidores começar a importar… Eu acho isso muito estranho, cara. Imagina se o Sheik Tosado tivesse esse esquema de número de seguidores? Jamais iria rolar, a gente era uma banda de hardcore que fazia frevo. Hardcore e punk no Brasil é um nicho. Hoje em dia isso é desleal com novos artistas, esperar que essa galera tenha um número de seguidores para poder estar num festival, ou estar numa playlist… A gente criou o programa para isso, para dar espaço e voz a essa galera. Se a gente não consegue furar essa bolha, que a gente passe pelo lado dela e siga em frente. Vamos passar por essa coisa dos algoritmos e a gente segue!

Fazer o programa é um puta cuidado, eu escuto cada um dos links que me mandam, não deixo passar absolutamente nada. A ideia é fazer uma curadoria do Brasil inteiro, então na primeira temporada passamos por todas a regiões do país e agora vamos pelo mesmo caminho. Às vezes é f…, porque tem três, quatro bandas do Rio que são do caralho e só posso escolher uma. Mas quem boiou nessa temporada pode ir para uma próxima. O Canal Futura ficou muito satisfeito com o resultado e com a audiência. Modéstia à parte é um status importante na televisão para mostrar novos artistas. E são artistas novos, sem nenhum apelo comercial.

E por que você está usando agora o nome de Chinaina?

Minhas redes sociais sempre foram Chinaina. Mas o lance da mudança foi porque eu estava tendo muitos problemas com as plataformas digitais, do cara achar minha música. O cara escrevia “China” e achava uns 200 Chinas diferentes (risos), ou na minha página aparecia o nome de um outro China. As plataformas nunca conseguiram resolver isso. É uma coisa absurda, com a quantidade de tecnologia que temos hoje, os caras não conseguirem resolver um problema tão simples como esse… Aí rolou a ideia de mudar, porque ficaria fácil para as pessoas acharem o nome na internet.

Na verdade nem é que eu “virei” Chinaina. Agora mesmo dei uma entrevista para uma repórter que me chamou o tempo todo de Chinaina. Falei: “Que bom que você está me chamando de Chinaina, mas fica à vontade para me chamar de China! (risos) Não é cabala, não é numerologia, foi só um artifício pra quem gosta da minha música achar ela de maneira mais fácil”.

Aliás, acabei de achar o Um só no Spotify, mas ele tá como China…

Sério? Mas aí você vê a doideira, né? Pra você mudar o nome no Spotify você tem que criar um perfil novo – nele e em outras plataformas – e as músicas migram de um perfil pro outro. As músicas do China vão migrar pro Chinaina, uma hora esse perfil vai ser desativado e vai ficar só o Chinaina. Mas isso só as plataformas podem fazer e a gente fica de mãos atadas. Os caras estão pagando uma miséria para os artistas e a gente não consegue resolver um problema simples assim.

Cultura Pop

Qual é a do The Coverups, banda de covers de Billie Joe (Green Day) e amigos?

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The Coverups: Billie Joe recebe Bruce Dickinson (Foto: Reprodução Internet)

Antes de Bruce Dickinson, cantor do Iron Maiden, aparecer de surpresa no palco em Québec, o The Coverups já dava muitos sinais de vida havia anos. O projeto paralelo de Billie Joe Armstrong continua funcionando exatamente como nasceu: como uma desculpa para tocar músicas que seus integrantes amam, sem a pressão de lançar discos ou sair em turnê.

Criado em 2018, o grupo reúne integrantes e colaboradores do Green Day em apresentações pequenas, normalmente em clubes da Califórnia. A formação original contava com Billie Joe Armstrong (voz e guitarra), Mike Dirnt (baixo e voz), Jason White (guitarra), Bill Schneider (baixo) e Chris Dugan (bateria) – Mike e Jason são os únicos que fazem parte também do Green Day, sendo que Jason atua como músico de turnê. Nos últimos anos, porém, Dirnt deixou de participar dos shows, e o The Coverups passou a atuar como quarteto.

O repertório é uma carta de amor ao rock e ao punk. Clássicos de Ramones, David Bowie, The Clash, Cheap Trick, Joan Jett, Tom Petty, Misfits, Nirvana, Rolling Stones e até Strokes costumam aparecer nas apresentações, que muitas vezes são anunciadas poucas horas antes de acontecer. Diferentemente de outros projetos paralelos de Billie Joe, como Foxboro Hot Tubs e The Longshot, o The Coverups nunca teve a intenção de gravar músicas próprias. A proposta é apenas revisitar clássicos em um ambiente intimista, recriando um pouco da atmosfera dos primeiros dias do Green Day nos clubes da região de Berkeley e Oakland.

Mesmo sem lançar um único álbum de estúdio, a banda conquistou um público fiel justamente por isso: oferece a rara oportunidade de ver Billie Joe tocando as músicas que ajudaram a moldar sua formação musical, longe das grandes produções e da rotina de estádios do Green Day.

Nos últimos meses, o The Coverups voltou a fazer apresentações esporádicas na Califórnia, mantendo esse espírito despretensioso. Não havia qualquer indicação de mudanças de rumo, nem anúncios de gravações ou turnês. A maior novidade acabou sendo justamente a participação-surpresa de Bruce Dickinson em um show realizado em Québec. Sem aviso prévio, o vocalista do Iron Maiden subiu ao palco para cantar All the young dudes, clássico do Mott the Hoople escrito por David Bowie, num encontro improvável que reuniu dois dos nomes mais conhecidos do rock em um contexto bastante informal.

Houve uma outra novidade recente, que rolou durante o show da banda no Roxy, na Califórnia, dia 21, uma segunda-feira. Antes de tocar Drain you, clássico do Nirvana (do disco Nevermind, de 1991), Armstrong dedicou a música a Jennifer Finch, baixista do L7, que morreu recentemente. Antes, Adrienne Armstrong, esposa do músico, havia doado US$ 5 mil para uma campanha criada para ajudar a custear o tratamento de Finch.

De qualquer jeito, Bruce fi a primeira participação especial de grande repercussão na história recente do The Coverups e, naturalmente, chamou muito mais atenção do que os próprios shows da banda. Ainda assim, tudo indica que o projeto continuará exatamente como sempre foi: um grupo de amigos reunidos para tocar os discos que mudaram suas vidas, sem maiores pretensões além da diversão.

Ah, sim: importante falar que All the young dudes faz parte do repertório solo de Bruce há bastante tempo. Ele a havia regravado em seu primeiro álbum solo, Tattoed millionaire, de 1990. Na época, teve até clipe da faixa.

Foto: Reprodução Internet

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Qual é a dos dois discos novos de Lana Del Rey?

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Lana Del Rey (Foto: reprodução YouTube)

Lana Del Rey passou tanto tempo adiando e reformulando o próximo álbum que já dava para imaginar que ele nunca chegaria. Primeiro era Lasso. Depois virou The right person will stay. Em seguida apareceu como Stove. Agora a cantora resolveu complicar um pouco mais o roteiro: além de Stove, ela diz que também está preparando um segundo álbum inédito.

A novidade surgiu em uma publicação no Instagram, onde Lana contou que o disco extra nasceu durante o mesmo processo criativo do sucessor de Did you know that there’s a tunnel under Ocean Blvd. Segundo ela, o novo trabalho funciona como uma espécie de “companion album”, desenvolvido quase ao mesmo tempo que Stove.

  • Os bastidores do raro Joy Division – A Malcolm Whitehead Film, que ganha lançamento oficial

A cantora também afirmou que esse segundo disco surgiu das transformações pessoais e criativas que viveu nos últimos quatro anos, funcionando como uma espécie de contraponto ao álbum principal. Se tudo correr como planejado — e essa ressalva é indispensável quando o assunto é cronograma de Lana Del Rey — os dois discos devem ficar prontos em cerca de um mês para seguir para a prensagem em vinil.

Ela também afirmou que ambos já têm capas prontas e descreveu os projetos como algumas das obras de que mais se orgulha. O álbum principal, Stove, continua reunindo os singles Henry, come on, Bluebird e White feather hawk tail deer hunter, além de outras músicas que ela vem mostrando ao vivo nos últimos meses. Tudo indica que First light, single lançado como single da trilha sonora do jogo 007 First Light, escrito em parceria com David Arnold, é só um projeto à parte e não estará no disco.

Embora Lana ainda não tenha confirmado um título para o álbum companheiro, fãs passaram a chamá-lo de Spyda após identificarem esse nome em uma das artes divulgadas pela cantora nas redes sociais (aliás, no Reddit, tem fãs reclamando que a imprensa tá caindo rapidamente numa suposição deles mesmos, os fãs)

Ainda não há datas de lançamento para nenhum dos dois discos. Mas, considerando o histórico recente da cantora, talvez seja prudente evitar tatuar qualquer título no braço até que eles realmente apareçam nas plataformas de streaming. Afinal, se um álbum já mudou de nome três vezes antes de nascer, nada impede que um quarto nome apareça antes do play.

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Os bastidores do raro “Joy Division – A Malcolm Whitehead Film”, que ganha lançamento oficial

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Peter Hook: "Roubamos muito o Kraftwerk"

Falamos na semana passada: tá pra sair a caixa Eternal (Live) contendo praticamente tudo que existe do Joy Division ao vivo. O pacote sai em 25 de setembro e é um box com 16 álbuns ao vivo completos, distribuídos em 14 CDs, além de dois DVDs. Um dos DVDs traz uma edição oficial de Joy Division – A Malcolm Whitehead Film, filme raríssimo da banda, feito em 1979, e que virou uma espécie de “figurinha difícil” do álbum do JD.

Malcolm era o chefe da Ikon/FCL, braço cinematográfico da Factory Records. Para fazer Joy Division, que tem 17 minutos de duração, ele compilou imagens em super-8 feitas durante a gravação da estreia Unknown pleasures (1979), e no show dado no Bowden Vale Youth Club em 4 de março de 1979 – por acaso, foi a primeira vez que um show do grupo foi filmado. Há também uma entrevista com a banda.

Se você fizer uma busca no YouTube, acha apenas trechos desse material, em péssima qualidade de som e imagem – alguns trechos estão com outra trilha sobreposta, ou surgem editados em vídeos feitos por fãs. Joy Division – A Malcolm Whitehead Film foi feito apenas para ser exibido em setembro de 1979 na primeira edição do Factory Flick, no cinema Scala, em Londres.

O Factory Flick foi um evento criado por Malcolm e Tom Wilson, dono do selo. A ideia era apresentar bandas da Factory Records em um formato que misturava cinema experimental, videoclipes, documentário e arte de vanguarda. Era algo muito alinhado ao espírito da Factory, que nunca quis ser apenas uma gravadora – e não foi apenas o Joy Division que ganhou seu curta, já que filmes sobre bandas como A Certain Ratio, Orchestral Manoeuvres in the Dark e The Durutti Column estavam também nos programas do evento. Só que, como o JD virou objeto de culto após a morte de Ian Curtis, o filme deles virou lenda.

Não foi só isso que tornou o filme uma lenda: Whitehead não fez um simples filme-concerto e decidiu dar – por conta própria – dimensões políticas ao Joy Division.

Ele enquadrou o Joy Division como uma resposta ao clima social britânico do fim dos anos 1970, à ascensão do thatcherismo e ao autoritarismo. O filme intercala imagens da banda com entrevistas com um sujeito chamado James Anderton, chefe de polícia da Grande Manchester e tido por artistas, jovens e membros da comunidade gay local como um agente da repressão.

Há também referências ao romance House of dolls, de Yehiel Dinur, que popularizou o termo “joy division” (como referência aos grupos de mulheres judias aprisionadas em campos de concentração, que se prostituíam para soldados nazistas durante a Segunda Guerra Mundial). Já era algo que causava polêmica, mas quanto à visão do JD como resposta ao autoritarismo, muita gente reclama que Whitehead impôs um viés político à banda.

Em 2007, o documentário Joy Division, dirigido por Grant Gee, mostrava a história da banda a partir de entrevistas inéditas e imagens nunca vistas ou bem raras. Malcolm não apenas foi um dos entrevistados como também teve imagens de seu curta incluídas no filme.

A revista Arts & Music fez uma entrevista com Malcolm na época, e descreveu Joy Division – A Malcolm Whitehead Film como um retrato de uma “Manchester perdida”. O site FactoryRecords.org resgatou o papo com Malcolm, feito pelo repórter Jamie Holman. E nós reproduzimos abaixo. Pra entender mais o que está por trás do filme, é importantíssimo.

Como surgiu seu filme? Aconteceu porque eu já era amigo do Rob (Gretton) desde que trabalhávamos no aeroporto e depois quando ele era DJ no Rafters. Eu costumava ir lá assistir bandas e o Rob acabou empresariando uma banda chamada The Panik. Eu estava começando como cineasta na época, autodidata, filmando em 8mm.

E começamos um filme que não deu em nada. O show do The Panik na última noite do Electric Circus. Estava muito escuro e a filmagem ficou péssima. Acabou ficando de lado. Aí o Rob me ligou e disse: “Estou empresariando uma banda nova chamada Warsaw e me perguntou se eu queria ir vê-los no The Factory”.

Fui vê-los no antigo Russell Club e eles foram absolutamente incríveis; me arrepiaram. Quis fazer algo com eles naquele instante. Fui falar com o dono da loja de discos local e contei a ele sobre o clube Bowden Vale em Altrincham, onde eu tinha visto inúmeras bandas em 1963-64, e disse que ele deveria voltar a promover shows.

Mais tarde, apresentei-o ao Rob, que tinha um monte de cópias do primeiro EP da banda que sobraram. Eles estavam sem dinheiro, então venderam tudo para o dono da loja de discos, e ele as colocou para tocar em Bowden Vale. E era isso que eu queria desde o início, sabe? Eu queria filmar a banda. Então, aluguei alguns andaimes e equipamentos e fiz tudo.

Com que equipamento você filmou? Bom, tudo custou setenta e duas libras, o que eu achei um absurdo! (risos) Filmei com uma câmera de cinema Hannimex baratinha, a primeira câmera que tive. Usei um filme da Agfa que lançaram na época, que tinha uma faixa de som, mas vinha num cartucho silencioso e o som era adicionado depois, no projetor. Então filmei sem som e gravei o áudio num gravador de rolo. Era para sincronizar depois, mas não funcionou! Filmei a vinte e quatro quadros por segundo, mas só funcionou a dezoito.

Só descobri depois! Filmei tudo com uma câmera e só tinha dinheiro para três cartuchos. Cerca de nove minutos. Filmei duas músicas e meia de uma vez e depois fiz cortes, tentando não incluir instrumentos para poder inseri-los como cenas adicionais sobre o que já tinha filmado. Então, fiquei com os três cartuchos e uma fita de rolo com o show inteiro. Eu já tinha começado as outras partes do filme antes do show.

Isso é a parte técnica da atuação. Mas qual é o significado do filme como um todo? O que você estava tentando fazer? Começa com New dawn fades. Você sabe, essa é a música que está tocando, e ela simboliza esse novo amanhecer do fascismo com James Anderton, o chefe de polícia de Manchester na época. Ele foi um precursor de Thatcher, pois era de extrema-direita, religioso e queria reprimir os jovens.

Então o filme passa de “O Desvanecimento de uma Nova Aurora” para o tema nazista. Mas não era uma nova aurora, era um retorno ao passado. Ouvimos discursos de Adolf Hitler misturados com Anderton falando sobre campos de trabalho forçado em uma entrevista que ele deu a Tony Wilson, curiosamente (o criador da Factory era apresentador de talk shows na TV). Ele dizia coisas como: “Eles serão obrigados a trabalhar como nunca trabalharam antes”, e isso leva a uma montagem de anúncios e cenas de ruas do centro de Manchester. Este é o consumismo – o novo fascismo! Nesse ponto, era algo local, mas dava a sensação de que algo muito ruim estava acontecendo e que se tornaria maior.

Então você tem essa coisa de lei e ordem, esse fascismo corporativo, e aí eu corto para a banda na sala de ensaio. Parece ótimo, bem underground. Sabe, underground no sentido político, tipo a resistência francesa. Mas esse era um underground cultural. Eles eram a resistência contra tudo isso lá fora.

O que era que havia de tão especial no Joy Division? Eles eram simplesmente poderosos demais. Eu sabia que eles iam bombar. Não havia motivo para pensar isso, na verdade, só tinha umas dez pessoas no Factory Club. Eu não conseguia acreditar. Eu simplesmente sabia que aquilo era a nova onda. Era isso. Eles eram muito mais do que o punk tinha se tornado, que basicamente era só uma banda para substituir as bandas de pub rock. Aquilo era algo maior e artisticamente mais significativo do que o punk. Pelo menos para mim.

O que aconteceu com o filme quando foi editado e sincronizado? Foi exibido pela primeira vez no antigo cinema Scala, em Londres – um cinema de verdade!

Qual foi a reação a isso? Bem, eles fizeram três exibições ao longo de um dia, e todas estavam lotadas; houve aplausos e tudo mais, o que foi estranho, já que eu nunca tinha exibido um filme em público. Foi realmente emocionante.

Onde mais foi exibido? Bem, um cara me ligou de Berlim e, honestamente, eu era tão inocente na época que mandei o filme para ele. Não dava para fazer cópias decentes. Então ele foi para Berlim, e tinha gente fazendo fila na porta para assistir. Eles exibiram e exibiram, sabe-se lá quantas vezes. Por sorte, eu tinha coberto o filme com preservativo e antirrisco. Tinha umas perfurações amassadas quando recebi de volta, mas não era nada demais. Na verdade, não causou problemas de verdade até bem recentemente, quando restaurei o filme com Brian Nicholson (associado de longa data da Ikon, ‘confidente e cúmplice’; ‘guardião do que alguns chamam de arquivo’).

Há alguma filmagem ou trilha sonora que não entrou no filme? Tem o áudio completo do show, exceto New dawn fades, porque eu estava ajustando os níveis naquele momento. Também tem uma tentativa de entrevista que deu errado porque eles não queriam falar! Então eu gravei essa parte, já que o filme era muito caro e não dá para desperdiçar. Tem também uns trinta minutos de áudio da sala de ensaio. Eu também entrevistei o Rob no meu apartamento. Essa entrevista está em uma fita cassete, acho que tem trinta minutos.

A banda viu isso? O Ian adorou; o resto da banda não entendeu muito bem. Eles desceram para falar com um amigo meu, mas o Ian ficou e depois disse que tinha entendido e achado ótimo, e isso significou muito, já que era o Ian que eu queria para dar o aval. Quando foi transferido para vídeo, nós o exibimos algumas vezes em shows — A Certain Ratio — e a primeira versão, que é uma porcaria, é o bootleg que você vê na internet. É realmente uma porcaria, essa cópia, e só tem a performance do Joy Division.

Por que nunca foi lançado pela Factory ou pela Ikon? Por que não está na Here are the young men? (coletânea de vídeos do grupo). Bem, este era o meu filme. Não era um filme do Joy Division nesse sentido. Era o meu filme e eu nunca pensei que estivesse terminado; ele seria muito mais longo. E havia um problema com a questão nazista. A banda estava farta disso, e eu não ia tirar. Significava algo. Eles estavam cansados ​​de serem associados ao fascismo. Mas eles não eram, sabe? O nome sugere o que eles realmente eram: antifascistas. E então o assunto não foi discutido por mais de vinte anos.

Então, quem é o proprietário agora? A Cherry Red Records comprou. Quer dizer, não me importa quem seja o dono, eu só queria que fosse restaurado corretamente.

Quem o restaurou? Eu e Brian Nicholson. Eu e Brian trabalhamos juntos como uma parceria cinematográfica há vinte e seis anos. Ele restaurou e transferiu o filme para a emissora Granada, e eu o reeditei e o estendi para incluir três músicas completas.

Você algum dia vai se livrar do Joy Division e seguir em frente? Bem, senti essa responsabilidade ao longo dos anos e espero poder passar todo o resto adiante. E com o lançamento do novo documentário, pelo menos sei que parte dele finalmente está sendo visto e que existe uma cópia remasterizada decente por aí.

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