Bruce Springsteen no Brasil: e não estamos falando de Rock In Rio...

Tá no livro “Born to run – Bruce Springsteen, a autobiografia”, lançado aqui no Brasil pela Leya: em 1988, Springsteen foi um dos artistas convidados a trabalhar com a Anistia Internacional, que “estava fazendo um esforço concentrado para entusiasmar e recrutar jovens de todo o mundo para a luta pelas liberdades civis, e acreditava que não havia melhor meio para chegar aos ouvidos dos jovens do que o rock’n roll”, conta ele no livro. Em plena turnê do disco “Tunnel of love” (1987), Bruce mudou a rota e juntou-se a um time que incluía o senegalês Youssou N’Dour e os mais conhecidos Peter Gabriel, Sting e Tracy Chapman. E fez shows em lugares como o Zimbábue, a Costa do Marfim, Japão, Budapeste, Hungria, Canadá e… Brasil.

Bruce Springsteen no Brasil: e não estamos falando de Rock In Rio...

O “show da Anistia” aconteceu em 12 de outubro de 1988 na Arena Palmeiras (que hoje é conhecida como Allianz Parque e na época atendia pelo nome de Parque Antárctica) e teve a inclusão de Milton Nascimento na lista de shows. Teve também invasão do (lembra dele?) Beijoqueiro – que pulou no palco durante o show do Peter Gabriel, beijou o ex-Genesis e fez discurso pró-Leonel de Moura Brizola, então futuro candidato a presidente do Brasil. E também teve dueto de Springsteen com Sting em “Every breath you take”, do Police. E, ah, teve Cacique Raoni no palco com o ex-The Police. Quem foi, diz que foi um showzaço. E foi a estreia de Bruce no Brasil, apesar de algumas reportagens na época em que ele se apresentou no Rock In Rio dizerem que o cantor estava “vindo pela primeira vez”.

Agora vamos ao que interessa: para a massa brasileira, a estreia de Bruce Springsteen no Brasil se deu mesmo foi em 1982, quando os Fevers – e provavelmente nem mesmo os fãs roxos do veterano grupo carioca se deram conta disso anos depois – gravaram uma canção do chefão do rock em português. No mesmo disco em que chegava às paradas com o tema da novela global “Elas por elas”, o grupo mandou Carlos Colla, um dos letristas oficiais de Roberto Carlos, escrever “Chegou minha vez”, versão de “Sherry darling”, uma das músicas mais nostálgicas do disco duplo “The river” (1980).

Olha o original de Bruce aí.

Olha os Fevers reproduzindo até as palmas do original. E não é que Springsteen compõs, lá na solidão de sua casa em Nova Jersey, uma música perfeita para os Fevers animarem bailes pelo Rio?

Por sinal, Springsteen, no disco “Fevers 82” (que chegou a sair em CD) tem a companhia daquela que talvez seja a primeira gravação da “Dança dos passarinhos” (aquela mesma, do Gugu Liberato).

(pauta do amigo Leandro Saueia)