Black Sabbath antes do Black Sabbath: Earth, Sacrifice...

Existiu um Black Sabbath antes do Black Sabbath, com a mesma formação: Ozzy Osbourne, Tony Iommy, Geezer Butler e Bill Ward. Muita gente sabe dessa história: lá por 1968, Tony e Bill uniram-se a Geezer e Ozzy, que vinham de uma banda chamada Rare Breed. Ozzy colocou um anúncio numa loja de música onde se lia “Ozzy Zig precisa de uma gig – tem PA próprio” (anos depois, o vocalista mal se lembrava de onde veio o “Ozzy Zig”). Com o grupo formado, vieram dois nomes: Polka Tuk Blues Band e depois Earth.

Como Earth, a banda gravou várias demos – The rebel, Song for Jim e When I came down entre elas. Esse material até hoje só saiu em edições piratas, muito embora um trechinho de The rebel tenha aparecido num documentário sobre o Sabbath faz um tempo. Olha The rebel e When I came down aí.

Na época, o Earth gravou em estúdios como o Trident, em Londres (foi onde registraram The rebel) e o Zella, em Birmingham. O material gravado pela banda não foi composto por eles, como os próprios Iommi e Butler revelaram numa entrevista à Rolling Stone India, há alguns anos. “Não fomos nós que escrevemos isso. Era Norman Haines. Esse gerente que nós tínhamos na época, Jim Simpson, gerenciou outra banda chamada Locomotive, e Norman Haines era o tecladista deles”, contou o guitarrista.

“Eles estavam tentando nos tornar comerciais. Eles queriam que saíssemos com um single. Nós estávamos querendo chegar nas gravadoras, e nosso som era tão novo para eles que eles não entenderam. Eles estavam dizendo que não é comercial o suficiente e nunca seria tocado no rádio. Jim estava fazendo esse cara escrever músicas comerciais para nós. Mas odiamos”, completou Geezer.

Se você não fazia ideia de quem era o tal do Norman Haines e nem se deu conta de que havia um outro compositor na vida do quarteto que depois formaria o Black Sabbath, ele era um músico lá mesmo de Birmingham, que havia feito parte de uma banda chamada The Brumbeats e depois entrou para o tal do Locomotive. Que gravou dois singles e um LP, mas não foi além disso.

Curiosamente, logo na sequência, quando o Black Sabbath já estava fazendo sucesso, Haines podia ser visto à frente de uma banda com um nome, er, um tanto aterrorizante. Era o Sacrifice, que gravou um single pela Parlophone com duas músicas, Daffodill e Autumn mobile. Só que a gravadora detestou o nome da banda e obrigou a turma a assinar como… Norman Haines Band.

Daffodill era esse samba-jazz progressivo (!) aí.

Olha aí inteirinho o primeiro disco da banda, Den of iniquity, com sangue escorrendo da capa. A música de abertura, que é a faixa-título, lembra uma cópula exata entre Black Sabbath e Deep Purple. Reza a lenda que a arte da capa, assinada por Heinrich Kley, deu uma assustada em alguns lojistas mais conservadores e o disco acabou ficando pouco tempo em catálogo. Sim, o timbre de Norman lembra bem o de Ozzy.