Connect with us

Cultura Pop

Adrian Street: o rei da luta livre glam

Published

on

Adrian Street: o rei da luta livre glam

Como dizem por aí, se você não está insultando uma certa parte da sua plateia, é sinal de que você não está fazendo seu trabalho como deve. No caso do lutador de wrestling profissional Adrian Street, não bastava dar porrada nos adversários: ele ainda chocava boa parte do público machão das lutas usando maquiagem e roupas extravagantes. E entre os anos 1970 e 1980, ele defendeu nos ringues as cores da mescla da luta livre com o universo do recém-nascido glam rock.

Adrian Street: o rei da luta livre glam

Nascido no País de Gales em 1940 (está com 78 anos hoje), Adrian evitou o destino que sua família havia preparado para ele. Seu pai trabalhava como mineiro de carvão e, aos 15 anos, o futuro lutador foi arrastado para o trabalho árduo e claustrofóbico nas minas. Fugiu para Londres e, como sempre gostou de luta livre e fisiculturismo, decidiu bater à porta de um agente. Street era alto (1m80) e os lutadores precisavam ser bem mais altos que isso, daí ele passou um bom tempo como amador antes de realmente chamar a atenção.

O visual de Adrian, vale dizer, surgiu bem antes que David Bowie e Marc Bolan começassem a fazer sucesso. Há quem diga até que o líder do T. Rex copiou boa parte do seu figurino. Um dia, doido para conquistar fãs nos ringues, Street observou o estilo extrovertido do lutador americano “Nature Boy” Buddy Rogers e pensou: “E se eu fizesse o mesmo?”. “Pintei o cabelo com peróxido e comprei algumas botas azuis que chegavam até o joelho – não que eu pudesse pagar – junto com veludo azul e lamê prateado. Levei tudo para uma costureira que eu conhecia em Brixton para que ela me fizesse roupas extravagantes”, afirmou num papo com o Wales On Line.

Adrian ainda usava de outros artifícios, não apenas para divertir as plateias, como também para deixar os adversários putos: pulava feito um alucinado pelo ringue, desnorteava seus oponentes com beijos no meio das lutas (ele usava batom, claro). No meio de algum confronto homem-a-homem, passava maquiagem nos adversários. Também dava golpes de cabeça no saco (!) dos seus oponentes. Evidentemente, o que não faltava durante suas aparições eram ofensas homofóbicas vindas da plateia.

Advertisement

Isso aí é Adrian nos anos 1980 enchendo de porrada um sujeito chamado Rip Rogers. Ambos estão com perucas louras (Adrian era originalmente moreno) e chega uma hora em que não dá para saber quem é quem.

Adrian Street, por sinal, não é gay: é casado desde os anos 1970 com Linda, sua empresária e também lutadora de wrestling. Ela vivia ao lado dele nas lutas, além de posar com o amado para fotos. Os dois apareceram juntos até na capa de um disco gravado por Adrian em 1986, Shake wrestle n roll, feito por ele ao lado de uma banda chamada Pile Drivers (“motoristas de bate-estacas”).

Abaixo, você confere o lutador soltando a voz em clássicos como I’m in love with me, Violence is golden e Imagine what I could do to you. Recentemente, essa pérola foi reeditada em LP, K7 e CD pelo selo Burger Records, que lança discos de bandas como Cleaners From Venus e Brian Jonestown Massacre.

Advertisement

Não custa dizer que com ou sem piadas da plateia, Street botava tanto medo nos adversários que durante um bom tempo, seu apelido foi “mercador da ameaça”. “Você realmente não vai querer brincar comigo. Eu consigo te machucar de tantas maneiras, que você terá que inventar novas maneiras de gritar”, diz, brincando, ao repórter do Wales On Line.

Nem sempre Adrian levava a melhor. Nessa luta aqui, que mais parece coisa de desenho animado, Street, com uma maquiagem que lembra a do Pablo, do Qual é a música?, toma um pau de um lutador chamado Wildcat Wendell Cooley. Começa batendo, mas apanha do colega, chega a fugir do ringue e volta para dar uns tapas nele. Acaba sendo derrotado e até Linda, a esposa de Street, é vista dando uns catiripapos no adversário do marido.

Advertisement

Numa ocasião, um jornal queria porque queria entrevistar Adrian em seu lugar de origem – Brynmawr, uma cidade do País de Gales que tem pouco mais de cinco mil habitantes, e que cresceu após a Revolução Industrial com a exploração dos trabalhadores nas minas de carvão. Street, ainda magoado com o período que passava trabalhando no subsolo, nem pediu permissão: levou um fotógrafo do periódico lá e obrigou o pai e seus ex-colegas a posarem com ele. “Agarrei todos eles quando eles vinham de lá de baixo, no elevador, dizendo: ‘É melhor que nenhum de vocês se mexa, e você vai tirar uma foto’”, chegou a vociferar.

Adrian Street: o rei da luta livre glam

O site Messy Nessy Chic, do qual tiramos essas fotos, lembra que não foi só Adrian: na época em que ele fez sucesso, começou toda uma onda de wrestlling com glitter, batom e roupas chamativas. Em Memphis, nos anos 1980, começou um coletivo de lutadores chamado The Rock ‘N Roll Express, na onda do glam metal. De qualquer jeito, a carreira de Adrian Street foi a que ficou. Ele só saiu dos ringues em 2014, após lutar entre 12.000 e 15.000 partidas.

E recentemente saiu (lá fora) um filme sobre Street. É You may be pretty, but I am beautiful: The Adrian Street Story. Olha o trailer aí.

Advertisement

Veja também no POP FANTASMA:
– Que disco mais estranho, Gary Wilson!
– Aquele dia que Lou Reed abusou do carisma como apresentador da MTV
– Jogaram vários clipes do Ghoulardi no YouTube

Ricardo Schott é jornalista, radialista, editor e principal colaborador do POP FANTASMA.

Continue Reading
Advertisement

Cultura Pop

No podcast do POP FANTASMA, Stranglers!

Published

on

Nada pode parar os Stranglers e impedir uma das maiores bandas da história do rock britânico de fazer bonito – e tem disco novo deles rolando nas plataformas, Dark matters. Recentemente, a covid levou o tecladista do grupo, Dave Greenfield, um desses músicos que estavam sempre algumas jogadas à frente no tabuleiro. O Stranglers, que vinha ficando acostumado a mudanças na formação desde a saída do vocalista Hugh Cornwell, em 1990, hoje é um trio comandado pelo baixista e vocalista Jean Jacques Burnel, o único a permanecer na banda desde o comecinho.

Na nona edição do Pop Fantasma Documento, nosso podcast, lembramos a carreira dos Stranglers, um pouco das histórias de discos clássicos como No more heroes (1977), Black and white (1978) e La folie (1981) e falamos um pouco das novidades da banda. Ah, cansamos um pouco de falar para as paredes e dessa vez tem convidado: o músico, produtor e jornalista André Mansur ajuda a falar da história da banda e do impacto dos Stranglers no rock brasileiro (sim, teve!).

O Pop Fantasma Documento é o podcast semanal do site Pop Fantasma. Episódios novos todas as sextas-feiras. Roteiro, apresentação, edição, produção: Ricardo Schott. Músicas do BG tiradas do disco Jurassic rock, de Leandro Souto Maior. Estamos no SpotifyDeezerCastbox Mixcloud: escute, siga e compartilhe!

Apoia a gente aí: catarse.me/popfantasma

Advertisement

Mais Stranglers no POP FANTASMA aqui.

Continue Reading

Cultura Pop

SSV: quando Sisters Of Mercy fizeram um disco só pra cumprir contrato (e que nem saiu)

Published

on

SSV: quando os Sisters Of Mercy fizeram um disco só pra cumprir contrato (e que nem saiu)

Não existe disco de inéditas do Sisters Of Mercy desde 1990, quando saiu o terceiro álbum, Vision thing. Os fãs não perdem a esperança e sempre cobram material novo do líder do grupo, Andrew Eldritch. Em 2016, aliás, vale citar, Andrew deu certa esperança a seus fãs, quando disse que “se Donald Trump chegasse à presidência” poderia lançar um disco novo. Trump entrou, saiu, e nada veio.

Bom, quase nada: em 1992, para acalmar os fãs, saiu uma coletânea de singles Some girls wander by mistake. Andrew passou, com seu grupo, a se dedicar apenas aos shows, e a gravação de novos álbuns ficou para outro momento, que nunca chegava. Mas ainda assim, além dos fãs, outro problema foi criado com o selo do grupo, a East West, que os havia contratado em 1989.

Você possivelmente escutou falar da East West pela primeira vez nos anos 1990, mas a gravadora iniciou atividades em 1955, como um selinho da Atlantic. Lançou bem pouca coisa memorável (discos dos Kingsmen saíram por lá) e passou vários anos engrossando a lista de selinhos defuntos. Voltou lá pra 1989 empurrando a porta das paradas com artistas como En Vogue, Pantera e algumas outras.

Advertisement

O Sisters acabou não sendo uma das bandas vitoriosas do selo: fez várias turnês, mas teve mil problemas financeiros, e resolveram se emputecer com a própria gravadora. A ponto de declarar uma “greve” contra a East West que muita gente nem sequer entendeu direito, mas que tinha a ver com direitos que Andrew acreditava não estar recebendo. O processo foi se arrastando e a gravadora foi cobrando discos novos, que nunca saíam.

E aí que em 1997, Andrew decidiu encerrar o contrato com a gravadora da forma mais mole possível. Sequer gravou um disco novo: simplesmente pagou duas pessoas para fazerem um disco, participou com alguns vocais e pronto, a East West entendeu que ele poderia ser liberado. Foi o que aconteceu quando Andrew gravou Go figure, o disco do grupo SSV. Ou SSV-NSMABAAOTWMODAACOTIATW, que é o nome completo.

Ao que consta, o tal nome enorme do SSV significa Screw Shareholder Value – not so much a band as another opportunity to waste money on drugs and ammunition, courtesy of the idiots at Time Warner (“não tanto uma banda, mas outra oportunidade de gastar dinheiro com drogas e munições, cortesia dos idiotas da Time Warner”). No site do Sisters, há um texto negando que o título seja esse, já que “exigiria uma vírgula”.

O próprio site, aliás, explica o rolê complicado do álbum. “Ele apresenta música de P.Bellendir e palavras de T.Schroeder. Foi produzido por P.Bellendir em 1997. Não traz nada de Andrew Eldritch, exceto alguns vocais sampleados.  Por causa desses vocais sampleados, a East West comprou o disco (sem tê-lo ouvido) e concordou em liberar Andrew de seu contrato de gravação. O que os levou a fazer uma coisa tão estranha, após anos de intransigência?”, perguntam.

Bom, a explicação que a banda arrisca é a de que a grande preocupação da gravadora era a de que um juiz considerasse que o contrato estava morto, após a greve de sete anos. “Então eles pegaram o que puderam. Andrew não tem dinheiro nem desejo de passar anos em um processo judicial e ficou feliz em aceitar a liberdade imediata nesses termos específicos”, explicam lá.

Advertisement

O fato é que a East West odiou o disco do SSV e decidiu não lançar nada. De qualquer jeito, a gravadora mandou cópias para a imprensa. Por causa disso, os fãs e não fãs do Sisters deparam com vídeos contendo o repertório do disco, além de arquivos p2p. Olha ele aí.

Se você escutou o disco, percebeu de cara: sim, é ruim. Uma confusão dos diabos, privativa dos maiores fãs do Sisters e olhe lá. O próprio Andrew não esconde isso no texto do site. “Não é muito bom – para dizer o mínimo. É razoável supor que ‘techno sem bateria’ é projetado apenas para entediar e irritar”, diz o texto. “Não achamos que valha a pena baixar o disco, de qualquer maneira. Descobrimos que East West remixou duas faixas, mas eles não têm permissão para remixar mais. Um dia, East West pode decidir lançar o álbum SSV. Não podemos recomendar”.

>>> POP FANTASMA PRA OUVIR: Mixtape Pop Fantasma e Pop Fantasma Documento
>>> Saiba como apoiar o POP FANTASMA aqui. O site é independente e financiado pelos leitores, e dá acesso gratuito a todos os textos e podcasts. Você define a quantia, mas sugerimos R$ 10 por mês.

 

Advertisement
Continue Reading

Cultura Pop

Qual era a de Frank, estreia de Amy Winehouse?

Published

on

Qual era a de Frank, estreia de Amy Winehouse?

Missão difícil essa: falar de um disco que se bobear você já ouviu algumas (ou inúmeras) vezes. E que dependendo do seu gosto musical, você já deve ter repetido por aí mil vezes que se trata do melhor disco da artista em questão. Mas como é aniversário de Amy Winehouse, a gente faz questão de dizer que Frank, o primeiro disco dela, merece muito ser ouvido.

Quando Frank saiu, havia expectativa (muita, por sinal) sobre Amy, mas ninguém nem de longe imaginaria aquele sucesso todo que ela teria em Back to black, o segundo disco (2006). Até porque três anos se passaram do primeiro para o segundo disco. Frank é de 2003, e um ano antes ela ainda era um dos segredos mais bem guardados da indústria musical, com contrato assinado com o poderoso Simon Fuller, ex-empresário das Spice Girls e criador da franquia Idol.

Antes de Frank sair (o título alude tanto à franqueza algo excessiva das letras quanto à sua paixão por Frank Sinatra), Amy já tinha sido alvo de uma pequena disputa entre gravadoras, com EMI e Island procurando a garota de 20 anos para assinar um contrato. A Island ganhou e Frank saiu, revelando uma sonoridade que aludia ao neo soul dos anos 1990 (enfim, o soul renovado com elementos de r&b e hip hop), mas mais ainda ao jazz. Era algo bem novo para a época em que saiu, mas não chamou a menor atenção. O disco saiu em 20 de outubro de 2003 e demorou quatro meses para chegar à 13ª posição na parada de álbuns do Reino Unido – e não ficou muito tempo por lá. Os demais países europeus só conheceram o disco no ano seguinte.

Advertisement

E antes que você pergunte como Frank se deu na parada americana, os EUA não conheceram o primeiro disco de Amy até 2007, quando Back to black já tinha sido lançado havia um ano. O site Concert Archives diz que os primeiros shows de Amy nos EUA aconteceram em março de 2007 no festival SXSW. Quando Frank finalmente saiu nos EUA, ganhou uma resenha pouco amistosa da Pitchfork, criticando a “rotina autodestrutiva do artista torturado”.

Em termos de letras, a grande diferença entre Frank e Back to black é que Amy no começo já falava de dores de cotovelo sérias e de enormes problemas amorosos, mas a artista com certeza não era a mesma – e a narradora-personagem das letras talvez não fosse a mesma. A Amy do primeiro disco talvez não gravasse algo como Rehab e You know I’m no good. Mas lá tinha Stronger than me, cuja letra causaria problemas a Amy hoje em dia (já que ela pergunta ao namorado que depende emocionalmente dela: “você é gay?”). Tinha a releitura dela para um standard de jazz gravado por meio mundo, There is no greater love. A confusão amorosa de I heard love is blind. E Help yourself, mais uma canção sobre namorada de atitude vs namorado imaturo.

A capa de Frank também chama a atenção pelo astral bem diferente da de Back to black. Em comecinho de carreira e ainda sem pretensão de estourar, Amy aparece bem feliz na foto e capa, clicada por um fotógrafo iniciante, Charles Moriarty, que recordou depois ter sido o primeiro a clicá-la com penteado beehive. Anos depois, ele lançou o livro Before Frank, mostrando o período pré-fama de Amy.

Advertisement

“Eu a conheci no dia em que fiz a capa de seu álbum. Ela veio ao meu apartamento em Spitalfields. Ela colocou maquiagem e um pouco de música. Eu não era fotógrafo na época. Eu ia com minha câmera quando meus amigos iam a uma discoteca. Um amigo em comum pediu que eu fizesse um teste com ela para conseguir o visual que ela queria para seu álbum. Uma dessas imagens se tornou a capa de Frank“, contou Charles, recordando também que ela queria evitar cair na armadilha de posar usando uma guitarra, ou algo do tipo.

Os cães que aparecem na foto (na verdade só um cão, além do laço da coleira de outro animal) foram emprestados naquele momento, por uma pessoa que estava passando. “Acho que os cães foram uma boa distração da câmera para Amy. Eles permitiram que ela se concentrasse neles, em vez de no fato de que eu estava tirando uma fotografia”, contou Charles aqui. Amy, como se sabe, não curtia ser fotografada e deixá-la à vontade era uma missão para Moriarty.

O lançamento de Frank foi bem discreto, mas as portas estavam abertas para Amy nos programas da BBC. Ela esteve até no prestigioso Never mind the Buzzcocks, game show com artistas no qual era possível ver Slash (Guns N Roses) pegando o banquinho e saindo de mansinho após errar a letra de Paradise city, entre outras cenas. Foi nessa que uma bela e jovial Amy teve que fazer o solo de Mr Blue Sky, da Electric Light Orchestra, com a boca.

Advertisement

No fim das contas, Frank é uma excelente descoberta para quem conhece a Amy apenas do pós-fama. Vale dizer que é um disco que ela própria já detonou várias vezes, muitas vezes culpando o excesso de produtores (ela cuidou disso ao lado de Commissioner Gordon, Jimmy Hogarth, Salaam Remi e Matt Rowe). “Nunca ouvi o álbum do início ao fim. Eu não tenho em minha casa. Bem, o marketing foi fodido, a promoção foi terrível. Tudo estava uma bagunça”, disse ela ao The Guardian. Exagero: a Amy pré-Back to black era encantadora.

>>> POP FANTASMA PRA OUVIR: Mixtape Pop Fantasma e Pop Fantasma Documento
>>> Saiba como apoiar o POP FANTASMA aqui. O site é independente e financiado pelos leitores, e dá acesso gratuito a todos os textos e podcasts. Você define a quantia, mas sugerimos R$ 10 por mês.

 

Advertisement
Continue Reading
Advertisement

Trending