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Cultura Pop

Músicas do 11 de setembro: descubra agora

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Músicas do 11 de setembro: descubra agora

Em crítica musical, volta e meia aparece algum crítico espertinho usando o termo “11 de setembro” para definir aquele momento em que a carreira de determinado artista chegou na baixa total. Ou quando é algum momento de ruína em que, a partir daí, nada mais será a mesma coisa.

O período mais recente da carreira de Britney Spears, em que a cantora passa por uma montanha de problemas pessoais, pode ser considerado um 11 de setembro. A época em que dois dos Titãs foram presos com heroína e a vida útil do disco Televisão (1985) chegou ao fim, foi um belo 11 de setembro para a banda – retrocedido após o disco Cabeça dinossauro (1986). Já a famosa partida Brasil 1–7 Alemanha, na Copa de 2014, foi mais do que um 11 de setembro para a seleção brasileira. Aqui no Brasil, você pode substituir o “11 de setembro” por “7 a 1” que, para bom entendedor, dá quase no mesmo.

Já o 11 de setembro de verdade aconteceu em 2001, e representou o ataque às torres gêmeas do complexo empresarial do World Trade Center, em Nova York. A tragédia completa 20 anos em poucos dias e você vai ter chances de sobra para ler a respeito disso em vários jornais (assim esperamos). Por enquanto, vale dizer que ele afetou bastante o mundo da música: inspirou canções, impediu shows, fez com que artistas modificassem clipes que estavam prontos para serem lançados, etc. Pega aí  alguns exemplos.

A ZICA DO EXPLOSIONS IN THE SKY. Uma das bandas mais afetadas com o 11 de setembro foi esse grupo de post-rock do Texas, de nome significativo. Uma semana antes do ataque, dia 4 de setembro, o grupo lançou seu segundo disco, que trazia um anjo iluminado por um avião na capa, e cujo título era (pode acreditar)  Those who tell the truth shall die, those who tell the truth shall live forever (nada menos que “os que falam a verdade devem morrer, os que falam a verdade devem viver para sempre”).

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Por causa disso, o grupo teve que dividir seu tempo entre trabalhar o álbum e gastar saliva explicando que não tinham nada a ver com os ataques (!), e que o conceito do disco já estava pronto há um tempão. Para piorar um pouco, em plena turnê, o baixista Michael James decidiu pegar um avião portando uma guitarra com o adesivo “este avião cairá amanhã”. Foi detido na hora.

O ROLÊ DOS STROKES. O primeiro disco dos Strokes, Is this it, clássico indiscutível daqueles tempos, já estava preparadíssimo para lançamento em 25 de setembro nos EUA quando a banda achou que deveria tirar New York City cops da edição americana. Os Strokes viram a ação dos policiais no 11 de setembro e acharam que não pegaria bem lançar uma canção que falava que os tiras da capital “não são muito espertos”. When it started saiu no lugar.

O IMPACTO NO INDIE ROCK. Além dos Strokes, outras bandas da época sentiram o drama do 11 de setembro. Só que o transformaram em música. O Arcade Fire, no disco Neon bible (2007), apareceu com Antichrist television blues. O … And You Will Know Us By The Trail Of Dead (aliás que nome!) fez em 2005 Words apart, que trazia a infame frase “como eles riem enquanto jogamos as cinzas das Torres Gêmeas” na letra. Em 2007, o Bloc Party lançou Hunting for witches, cuja letra falava sobre a reação da mídia aos ataques. “E sobre como a mídia usa o medo para controlar as pessoas”, disse o cantor Kele Orekeke.

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A DEPRÊ DO BIBLECODESUNDAY. Uma das canções mais mortalmente tristes a respeito do 11 de setembro é The boys of Queens, da banda londrina BibleCodeSunday, que costuma ser definida como folk ou “rock celta”. A letra, narrada em primeira pessoa, conta os dramas de um soldado que vem de uma família irlandesa da região do Queens, e que perdeu praticamente todos os parentes do sexo masculino no ataque – justamente porque sua família é cheia de bombeiros.

A ZONA DO STAR FUCKING HIPPIES. Banda anarco-punk de Nova York – e considerada um supergrupo do punk por incluir integrantes de outras bandas notáveis – o Star Fucking Hippies decidiu mexer em vespeiro com 9/11 was (An inside joke), (“o onze de setembro era uma piada interna”), lançada no disco Until we’re dead (2008, selo Fat Wreck Chords), e que esspalhava brasa para o então prefeito de Nova York, Rudolph Giuliani, em versos como “Giuliani fez o conserto/auxiliado pela máfia/pela força aérea e pela CIA”.

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A GRITARIA DOS PROTESTOS. Não foram só os Star Fucking Hippies que decidiram ir além do que a mídia noticiava e protestar (em alto e bom som) no onze de setembro. O Minstry (veja lá quem!) pregou que “senhores, os convocamos para informá-los de que vamos derrubar o governo dos Estados Unidos/vocês ainda acham que o combustível de aviação derrubou o World Trade Center?” em Lies lies lies, que chegou a ser indicada para o Grammy na categoria “melhor performance de metal”. O rapper americano-indiano Heems lançou em 2015, uns bons anos depois do atentado, Flag shopping, sobre o racismo intensificado pelo onze de setembro.

O TRAMPO DE BRUCE SPRINGSTEEN. Andando de carro na rua, depois dos ataques, Bruce Springsteen teve a surpresa de ver um cidadão no carro ao lado abaixar a janela do veículo e gritar para ele: “Precisamos de você agora!”. Nasceu assim The rising, disco lançado em 30 de julho de 2002, cujo tema era o 11 de setembro. O repertório tinha canções como My city of ruins, Lonesome day, Mary’s place, Waitin’ on a sunny day e misturava canções novas com outras feitas antes de 11 de setembro de 2001. Foi direto para o 1º lugar do paradão da Billboard.

A ENCRENCA DAS RÁDIOS. Boa parte das rádios americanas parou de transmitir música para, 24 horas por dia, dar informações sobre onde conseguir ajuda, depoimentos de vítimas e outros assuntos afins. O Clear Channel, que comandava várias rádios no país (e hoje atende pelo nome de iHeart Media) fez um index de canções a serem evitadas para não darem gatilhos. A lista ia de Highway to hell, do AC/DC, a Aeroplane, do Red Hot Chili Peppers.

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A ENCRENCA DOS CLIPES. No dia 11 de setembro, a banda alemã Rammstein iria estrear um clipe novo, Ich will. Estaria tudo bem se… o clipe, que mostrava os integrantes do grupo assaltando um banco, não trouxesse imagens de um bandido metido a homem-bomba. O vídeo foi lançado mas a continuidade dele na telinha foi abortada por motivos óbvios. Outro vídeo que sofreu por causa dos ataques foi o de Stay together for the kids, do Blink-182. A banda e o diretor Samuel Bayer tinham colocado uma destruição de prédio no vídeo e regravaram cenas para que tudo não ficasse parecido demais com o ataque às torres.

CONFUSÃO NA MÚSICA CLÁSSICA. Sabia que há uma série de composições de autores eruditos modernos que se inspiraram nos ataques às torres gêmeas? O minimalista Steve Reich fez WTC 9/11, John Corigliano fez One sweet morning no aniversário de dez anos dos ataques, o compositor e maestro John Adams fez On the transmigration of souls. Já o americano Michael Gordon fez The sad park para o Kronos Quartet tocar, usando gravações de comentários de colegas de escola de seu filho gravadas num sampler.

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SUCESSO INESPERADO. Depois da tragédia, a cantora americana Kristy Jackson lançou um single, Little did she know (She’d kissed a hero). A canção, que falava sobre a tragédia do ponto de vista de um ocupante do voo 93, sequestrado por terroristas, fez tanto sucesso nas rádios americanas que, anos depois, Kristy se animou a compilar num livro os mais de 5 mil e-mails que recebeu por conta da música. O livro tem o mesmo nome da canção, complementado pelo subtítulo: Histórias em primeira pessoa sobre o 11 de setembro, e a canção que inspirou todas elas. Segundo um site da cantora que está fora do ar (mas está no Archive.org), ela rejeitou um contrato com uma gravadora grande e preferiu continuar independente, e não cobrava quando apresentava a música em eventos.

TEVE MICHAEL NA PARADA. Michael Jackson, no mesmo ano em que lançou seu último disco, Invincible, foi convidado a fazer uma canção em benefício das famílias dos sobreviventes da tragédia. Acabou fazendo um recapeamento numa canção inédita e antiga, What more can I give, feita nos anos 1990, após uma reunião com o Presidente da África do Sul Nelson Mandela. A música foi quase “não-lançada”: rolou um clipe com um time de artistas, a canção ficou disponível para download, mas o single, perdido em meio a brigas de Michael com a Sony, não foi lançado. Detalhe: a capa do CD físico seria feita por Romero Britto.

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CANCELADO!! Numa época em que a palavra servia só para indicar eventos que não aconteceriam, rolaram vários cancelamentos por causa do ataque. O broadcasting do Grammy Latino foi suspenso, o primeiro show pela internet de Sting (transmitido da Itália) foi resumido a uma só canção (sintomaticamente Fragile) e o Blink-182, que iria começar uma turnê pela Europa para divulgar o disco Take off your pants and jackets, desistiu do giro.

DISCOS DE ONZE DE SETEMBRO. Quem lançou disco nessa data, claro, corria o risco real de passar em branco. Detalhe que muita gente lançou disco nesse dia. Bob Dylan soltou Love and theft, Mariah Carey mandou para as lojas a trilha do filme Glitter – O brilho de uma estrela, Ben Folds soltou o (excelente) disco solo Rockin’ the suburbs e (pasmem) o Slayer desovou o significativo God hates us all. Já Silver side up, um dos maiores sucessos do Nickelback (o do hit How you remind me), saiu também nesse mesmo dia.

TAMBÉM SAÍRAM EM ONZE DE SETEMBRO. The blueprint, sexto disco de Jay-Z, saiu em em 11 de setembro de 2001 (por sinal revelando o trabalho de um produtor chamado Kanye West). The glow pt.2, da banda de indie folk The Microphones, também. Uncivilization, do Biohazard, idem. O prêmio “disco que muita gente não sabe nem que existe” vai para Tomcats screaming outside, único disco solo do líder do Tears For Fears, Roland Orzabal, cuja edição americana chegou às lojas dos EUA neste dia.

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O 11 DE SETEMBRO DE WILLIAM BASINSKI. O compositor experimental americano William Basinski encontrou em agosto de 2001 várias fitas antigas que havia guardado, algumas delas se desfazendo completamente. Ficava ouvindo os K7s com amigos. Teve a ideia de gravar loops com as fitas se desintegrando, o que começou a fazer.

Até que em 11 de setembro, William viu da janela do seu apartamento a derrubada das torres gêmeas – justamente no dia em que ele teria que ir ao World Trade Center fazer uma entrevista de emprego (!). Ele levou o gravador com as fitas para o terraço, fez vídeos e fotos do ataque e, usando as fitas, fez a série de discos The disintegration loops, quatro álbuns lançados após 2002. As imagens que ele clicou foram parar nas capas dos álbuns. A foto lá de cima é da capa do primeiro disco da série.

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Cultura Pop

Black Sabbath: Vinny Appice encontrou Bill Ward, e agora?

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No meio da turnê do disco Heaven and hell, em 1980, o baterista Bill Ward deixou o Black Sabbath. O músico estava um tanto incontrolável no que dizia respeito às drogas e à bebida e vinha tendo problemas de saúde. No seu lugar, o batera Vinny Appice entrou feito um raio, para substituir Bill às pressas.

Vinny Appice nem sequer teve tempo de estudar muito: enfiou todas as peças de seu instrumento no banco de trás de um carro e foi tocar com a banda no Aloha Stadium, no Havaí, praticamente aprendendo todas as canções no palco. E chegou a levar uns papeis com uma cola, para poder tocar músicas que não conhecia. Problema: choveu bastante e caiu água em cima da cola de Vinnie, desmanchando a tinta. O músico se virou como deu. O experiente Appice, que já tocara com John Lennon e Rick Derringer, ficou no grupo até 1982, seguiu com o vocalista Ronnie James Dio para sua banda Dio, e voltou ao Sabbath outras vezes.

O músico revela que passou certa tensão quando encontrou justamente com Bill, quando já estava na nova formação do Sabbath. “Foi durante uma pausa daquela turnê ou algo do tipo no Rainbow Bar em Hollywood, o famoso bar. Bill provavelmente bebeu um monte naquela noite”, afirmou o baterista.

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Ele se recordou que Bill estava meio “fora de controle” e chegou a temer levar umas bolachas, mas foi tudo tranquilo. “Eu estava tipo: ‘oh Deus, eu não quero entrar em nenhum tipo de confusão com Bill”, contou. “Ele é o cara mais doce do mundo. Eu amo Bill. Ele foi uma grande influência na forma como eu toco. Ele tocou ótimas coisas, muito criativo”, respondeu.

Via Ultimate Guitar e Wayback Machine.

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Cultura Pop

Entrevista: Frank Secich fala sobre a pouco lembrada (e ótima) carreira solo de Stiv Bators

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Entrevista: Frank Secich fala sobre a pouco lembrada (e ótima) carreira solo de Stiv Bators

Para quem é fã do punk rock clássico, aquele que fez história nos EUA e na Inglaterra do fim dos anos 1970, Stiv Bators é um nome conhecido e celebrado. Vocalista dos Dead Boys, Bators tornou-se conhecido pelas performances viscerais e selvagens que fazia, em muito inspirado por seu ídolo Iggy Pop.

Gimme danger little stranger

Duas histórias notáveis, inclusive, tornaram-se emblemáticas em sua adoração por Iggy Pop. Na primeira delas, Stiv disse aos quatro cantos que foi ele o responsável por entregar o pote de manteiga de amendoim com o qual o Iguana se besuntou e andou heroicamente sobre (literalmente) a platéia no Cincinatti Pop Festival de 1970, algo considerado como pura lenda por seus amigos.

A segunda foi em um jantar em Cleveland em 1977, quando os Dead Boys abriram para o ex-stooge como parte da turnê de seu primeiro álbum. Nervoso por conhecer seu ídolo, Bators ingeriu alguns Quaaludes, como era conhecido o fármaco metaqualona, que fora criado para combater a insônia, mas servia para deixar o pessoal mais, digamos, ousado. Chapadaço da substância, Bators não segurou a bronca e caiu de cara em seu prato de sopa justamente quando jantava com seu herói, em história retratada no já clássico livro Mate-me por favor.

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Entrevista: Frank Secich fala sobre a pouco lembrada (e ótima) carreira solo de Stiv Bators

David Quinton Steinberg, Stiv Bators, George Cabaniss e Frank Secich gravando o álbum Disconnected em agosto de 1980 no Perspective Studios, em Sun Valley, Califórnia. Foto de Theresa Kereakes.

Jovem, barulhento e arrogante

Com o grupo, Stiv Bators lançou dois álbuns. O cultuadíssimo Young, loud and snotty (1977), uma das pedras fundamentais do punk americano, e o segundo disco do grupo, We have come for your children (1978), álbum de menor impacto que seu antecessor mas também repleto de petardos enfurecidos da banda de Cleveland, ainda hoje apontada como uma das mais selvagens da sua geração.

>>> Veja também no POP FANTASMA: Stiv Bators: o “outro nome” do punk em documentário

A selvageria vista no palco não era mera encenação. Na época de Dead Boys, Stiv teve um romance com a famosa groupie Bebe Buell, que já havia namorado músicos como Todd Rundgren, Rod Steward e Steven Tyler, do Aerosmith, com quem teve a filha Liv Tyler. Buell, inclusive, relembrou a relação com Stiv em um texto para o site Please Kill Me, de Legs McNeil, autor do já citado livro de mesmo nome. Ao longo de sua curta e intensa vida, o vocalista usou e abusou das drogas e fez parte da hoje famosa turma festeira que frequentava o CBGB e a boemia do Bowery na Nova York do fim dos anos 70.

Com o fim dos Dead Boys, Bators decidiu se reinventar como um cantor de power pop, fechando um contrato com a gravadora Bomp! e se mudando para Los Angeles. Foi dessas sessões que surgiu o álbum Disconnected (1980), apontado como uma obra-prima pouco explorada desse vocalista também pouco celebrado em comparação com alguns de seus contemporâneos e amigos de cena.

Entrevista: Frank Secich fala sobre a pouco lembrada (e ótima) carreira solo de Stiv Bators

Os músicos de It’s cold outside: Eddy best, Rickbremmer, Stiv Bators e Frank Secich em Los Angeles, abril de 1979. Foto de Donna Santisi.

Do punk rock ao power pop

Para compor o álbum, Bators recrutou o baixista Frank Secich, seu amigo de longa data e conterrâneo de Ohio, estado natal do vocalista, também conhecido por ter sido o baixista da banda de power pop Blue Ash, que chegou a abrir shows para Stooges, Aerosmith, Bob Seger e Ted Nugent, alcançando relativo sucesso no underground americano de meados dos anos 70.

Juntos, Bators e Secich compuseram um punhado de excelentes canções power pop, entremeadas a versões de The Electric Prunes (I had too much to dream) e The Choir (It’s cold outside, que só constou no relançamento do disco de 1987), denotando a paixão de ambos pelos grupos garage dos anos 1960. Uma curiosidade é que boa parte do álbum foi gravado em uma quadra de basquete que ficava ao lado do estúdio, já que, segundo Secich, o espaço oferecia uma sonoridade mais “viva”.

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Entrevista: Frank Secich fala sobre a pouco lembrada (e ótima) carreira solo de Stiv Bators

Michael Monroe (Hanoi Rocks), Stiv Bators (Dead Boys) e Lemmy (Motörhead)

Outra curiosidade é que Disconnected foi coproduzido por Stiv Bators e Thom Wilson, marcando seu primeiro trabalho na função. Mais tarde, Wilson tornaria-se conhecido por produzir discos clássicos do punk americano como o homônimo dos Adolescents, de 1981, Mommy’s little monster (1983), álbum de estreia do Social Distortion, e os três primeiros discos do Offspring, entre uma longa lista que inclui ainda Bad Religion, Dead Kennedys, Iggy Pop e T.S.O.L., pra ficar só em alguns.

Mas, de volta a Disconnected, o álbum não chegou a ter uma verdadeira turnê de divulgação, e nem atraiu grande atenção da mídia no período. Seu reconhecimento veio com as décadas, em especial de fãs dos Dead Boys e do Lords Of The New Church, banda que Bators formou com Brian James, ex-guitarrista do Damned, em 1980, quando saiu de Los Angeles direto para Londres, onde antes formou o grupo de curta vida The Wanderers, com ex-integrantes do Sham 69.

Senhores da Nova Igreja e morte em Paris

Com o supergrupo gótico, que incluía ainda o ex-baixista do mesmo Sham 69 e o ex-baterista dos The Barracudas, Stiv conheceu o sucesso que tanto buscava. Sua história foi inclusive contada em um recente documentário, do qual já falamos aqui.

A posterior dissolução dos Lords of the New Church, seus outros projetos musicais (incluindo uma curiosa banda com Johnny Thunders dos New York Dolls e Dee Dee Ramone, que terminou em briga motivada pelo vício em droga dos dois), e sua trágica morte após ser atropelado em Paris, onde residia com a namorada em 1990, são parte da mística que envolve o vocalista, morto aos 40 anos e ainda festejado como um dos mais autênticos e simbólicos de sua geração.

Reconectando Stiv Bators: entrevista com Frank Secich

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Mais de quarenta anos depois de seu lançamento, Disconnected segue como uma daquelas pérolas que os fãs do vocalista exaltam, mas que não chegaram a ultrapassar a barreira do underground, apesar do evidente potencial pop que dispunha.

Para saber mais sobre a concepção e gravação do disco, conversamos via e-mail com Frank Secich. Escute o disco e confere o papo aí embaixo:

Como você conheceu Stiv Bators, e como a ideia de tocar em seu disco solo surgiu?

Conheci Stiv em uma casa de hippies na faculdade de Youngstown, Ohio, em 1967. Nós viramos amigos rapidamente. Costumávamos ir às boates e casas de shows para adolescentes de Youngstown, como o Carouseel Teen Clubs, o Freak Out, o Champion Rollarena, o Bug Out e outros onde vimos bandas como The Human Beinz, Pied Pipers, James Gang, New Hudson Existe e The Holes In The Road. As primeiras bandas de Stiv, como Steve Bator Band e Mother Goose frequentemente abriam para minha banda Blue Ash no começo dos anos 1970.

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Depois que os Dead Boys acabaram em 1978 após gravarem seu segundo álbum, Stiv queria fazer algo diferente. Em outubro de 1978, começamos a compor canções juntos. Em novembro daquele ano, nós (Stiv, Jimmy Zero, Johnny Blitz [todos membros do Dead Boys] e eu) fizemos demos de The last year, It’s cold outside e It’s alright no estúdio After Dark, em Cleveland. Stiv então acompanhou sua namorada da época, Cynthia Ross, em uma viagem para Los Angeles, onde tocou as demos para Greg Shaw (dono da gravadora Bomp!), que ficou de queixo caído com as músicas. Alguns meses depois, Greg ofereceu um contrato para mim e Stiv.

Entrevista: Frank Secich fala sobre a pouco lembrada (e ótima) carreira solo de Stiv Bators

O single alemão de It’s cold outside da Line Records, de 1979

Vocês escreveram ótimas canções juntos. Como foi este processo?

Nós fazíamos de diferentes maneiras. Para The last year, Stiv tinha o título, o começo da melodia e o refrão. Eu o ajudei a terminá-la e compus a ponte. Nós dois escrevemos as letras. Not that way anymore e Circumstantial evidence eram basicamente canções minhas nas quais Stiv ajudou com as letras. Em I wanna forget you (just the way you are), Stiv surgiu com o título e escreveu a maior parte da letra, e eu escrevi a música e a melodia, e foi igual com Ready anytime. Nós sempre fazíamos diferente, mas Stiv era mais um compositor de letras e eu era mais alguém da melodia, apesar de ambos sabermos fazer as duas coisas. Uma das melhores canções do LP é Bad luck charm, que foi composta por David Quinton Steinberg e George Cabannis.

Tem uma história ótima por trás dessa música. Antes de gravar o álbum nós estávamos fazendo uma turnê naquele verão, e, em Nova York, Johnny Thunders se juntou conosco no palco do Heat Club. Thunders tinha um colar com o que parecia ser a pata de um alce pendurado. No camarim, David e George vieram até mim e disseram: “O que é aquilo no pescoço do Johnny?”. Eu disse: “É seu amuleto de má sorte! Vocês deviam compor uma música sobre isso”. Eles então a fizeram e é uma excelente música. Isso era um pouco do nosso processo criativo!

E como foi o processo de gravação do Disconnected? O álbum segue sendo cultuado por seus fãs e entusiastas de power pop em geral.

Nós nos divertimos muito gravando Disconnected no estúdio Perspective em Sun Valley, na Califórnia, no fim de agosto e começo de setembro de 1980. Greg Shaw da Bomp! Records nos deu liberdade para gravar o álbum e eu o amei por aquilo. O disco foi gravado em uma quadra de basquete que era adjacente ao estúdio. O piso de madeira tinha um som extremamente “vivo”, então fizemos a maior parte das canções ali. Funcionou especialmente bem para músicas como Evil boy, Make up your mind e Bad luck charm.

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A foto da contracapa de Disconnected, de 1980. Fotos de Theresa Kereakes.

Nós fizemos um monte de experimentos e gravamos bastante de forma improvisada. Às vezes funcionava bem, como quando Cynthia Ross e as fabulosas B-Girls do Canadá vieram à cidade para colocar harmonias e palmas em Swinging a go-go, e no som de explosão de Too much to dream, quando Stiv e eu derrubamos um amplificador Fender Twin Reverb (alugado, é claro) de uma escada e gravamos.

Quando estávamos gravando Ready anytime, Stiv não estava conseguindo alcançar o vocal que queria. Ele disse que tinha que ir até Hollywood para se inspirar. Nós fizemos os overdubs até ele voltar quatro horas depois muito bêbado com uma garota. Ele então foi até a cabine do microfone e começou a gravar enquanto ela “performava” nele na nossa frente. E usamos aquela gravação.

Às vezes não funcionava. Para culminar com o verdadeiro clímax do álbum, eu queria um final do tipo Abertura de 1812 (de Tchaikovsky) para I wanna forget you (Just the way you are) – grande, bombástico e que se destacasse. Era para ser uma canhonada de áudio das Guerras Napoleônicas! Nós pedimos a nosso amigo Kent Smythe que trouxesse centenas de fogos de artifício. Colocamos microfones estrategicamente posicionados em volta deles e o produtor Thom Wilson começou a rodar a fita enquanto eu e Stiv os acendemos, no que foi uma falha de cálculo da nossa parte.

Enquanto os fogos queimavam para fora, o estúdio rapidamente ficou cheio de fumaça. No meio de todas as explosões, Stiv e eu não conseguiamos enxergar ou respirar. Estávamos nos sufocando e tossindo e tivemos que literalmente nos arrastar até o lado de fora do estúdio para sobreviver enquanto David, George, Thom Wilson e Kent estavam caindo no chão de tanto rir. Nós passamos o resto da sessão tirando a fumaça do estúdio. Quando tocamos para ver, soava uma bosta, e não conseguimos usar. A famosa fotógrafa de rock Theresa Kereakes estava lá o tempo todo e registrou muito daquela insanidade para a posteridade.

Stiv falava com orgulho dos Dead Boys?

Sim, ele tinha muito orgulho de ter sido um Dead Boy, e com razão. Eles foram uma banda lendária e absolutamente fantástica ao vivo e a cores. A fusão de guitarras de Cheetah (Chrome) e Jimmy Zero era muito legal, e eles eram ótimos compositores, e Johnny Blitz era um incrível baterista que sabia conduzir o som. Stiv tinha uma presença marcante e carismática. Eles eram originais e únicos, e é por isso que seguem sendo lendários até hoje. Eu tive a felicidade de ser parte disso por um tempo (Secich realizou uma turnê com os Dead Boys por um curto período, quando substituiu o baixista Jeff Magnum).

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Entrevista: Frank Secich fala sobre a pouco lembrada (e ótima) carreira solo de Stiv Bators

Frank Secich e Stiv Bators na festa de Kim Fowley para a banda Orchids, em 1979. Foto de Lisa Secich.

Nós ouvimos histórias de como Stiv era um “verdadeiro rock star” e um punk rocker selvagem. Ele era assim o tempo todo?

Stiv era um cara bem tranquilo, como Clark Kent, quando não estava no palco. Ele era sempre muito gentil com os fãs e sempre tinha tempo para dar autógrafos e posar para fotos, ou só para bater papo. No palco, ele era um performer consumado e um verdadeiro homem selvagem! Você nunca sabia o que esperar de um show para outro. Nunca havia tédio.

Vocês mantiveram contato ao longo dos anos? Como soube da morte dele?

Nós mantivemos contato durante os anos 1980 até sua morte. Ele me mandava cartões postais hilários e cartas de todos os cantos do mundo quando estava em turnê com os Lords of the New Church. Logo depois que Stiv morreu, eu recebi um telefone de um amigo em comum, Bobby Brabant. Ele disse: “Frank, eu tenho péssimas notícias”. Eu soube pelo tom em sua voz. Eu perguntei: “Como ele morreu?”. Foi um dia muito triste.

Você acha que Stiv teria seguido um caminho musical diferente se estivesse vivo?

Eu tenho certeza que ele seguiria trilhando caminhos e sendo criativo. Ele possivelmente teria feito mais filmes. Ele era um vocalista muito bom e conseguia sempre se expressar bem. Estava sempre três passos à frente do seu tempo e sabia o que fazia. Ele conseguia se reinventar em qualquer cena musical. Ele teria amado a internet e todas as suas possibilidades.

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>>>Foto do abre da matéria: a banda que gravou Disconnected com Stiv Bators em agosto de 1980. David Quinton Steinberg, George Cabaniss, Frank Secich e Stiv Bators. Foto de Theresa Kereakes.
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Stiv Bators em 1979

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Cultura Pop

DGC Records: descubra agora!

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Criada em 1990 pelo empresário David Geffen como um selinho à parte de sua Geffen Records, a DGC Records era tida por muita gente como uma espécie de purgatório da gravadora. Funcionava num escritório menor, com poucos funcionários, e basicamente dava abrigo a bandas mais experimentais, pesadas e alternativas.

O nome DGC, você deve saber, significa David Geffen Company. Mas dentro da gravadora maior, que tinha sob contrato best sellers como o Guns N ‘Roses, funcionários mais maldosos chamavam a pequena DGC de “Dumping Ground Company” (“companhia lixão”). Também diziam que as bandas menos viáveis eram atiradas lá para não sujar o nome da gravadora.

>>> No podcast do POP FANTASMA, Nevermind + Badmotorfinger + Screaming Trees + Tina Bell

A biografia de Kurt Cobain Mais pesado que o céu, de Charles R. Cross, afirma tudo isso e completa ainda dizendo que vendagens de 50 mil cópias eram comemoradas efusivamente na DGC – uma vez que o Sonic Youth vendeu mais que o dobro disso com Goo (1990). Quando o Nirvana foi contratado pela Geffen, a expectativa era que a banda se localizasse no patamar do Sonic Youth. O final da história, você já sabe. E as expectativas de um selinho indie (e ligado a uma gravadora que começara indie mas fora absorvida pelo mainstream) foram bastante ultrapassadas.

A DGC durou ate 2003 (voltou depois em 2007 e ficou ativa até 2010). E marcou época. Confira abaixo alguns nomes ligados a ela (além do Nirvana e do Sonic Youth, que você já sabe).

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DIAS DE TROVÃO. A trilha do filme de Tony Scott, com Tom Cruise, Nicole Kidman, Robert Duvall e grande elenco saiu pela DGC em 1990. Só clássicos: You gotta love someone, com Elton John, Long live the night, com Joan Jett, e Knockin’ on heaven’s door, de Bob Dylan, com o Guns N’Roses.

JOHN DOE. O criador da banda punk X vinha ensaiando carreiras solo como cantor e até como ator, até que em 1990 foi contratado pela DGC e lançou um (bom) disco unindo country e punk, Meet John Doe. Mas não duraria muito por lá e acabaria indo para selos menores, como o Yep Rock.

THE SUNDAYS. Essa simpaticíssima banda de dream pop era contratada pela Rough Trade no Reino Unido, de onde eles vinham. Mas o disco Reading, writing and arithmetic (1990), por exemplo, saiu pela DGC nos Estados Unidos.

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LITTLE CAESAR. Banda de hard rock estilo motoclube vinda de Los Angeles, caiu nas graças do produtor Bob Rock e do executivo John Kalodner e teve passagem-relâmpago pela DGC, com dois LPs lançados no selo entre 1990 e 1991. O grupo existe até hoje, mas está na independência.

SOUTHERN CULTURE ON THE SKIDS. Essa banda de Chapel Hill, Carolina do Norte, une estilos como rockabilly, surf music e country, e existe desde 1985. Boa parte do repertório é satírico e mexe com clichês e estereótipos do universo caipira. São mais um grupo que teve passagem rapidinha pela DGC, com dois discos a partir de 1995.

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THE POSIES. Pouco antes do Nirvana, esse grupo de power pop que também é da região de Washington foi contratado pela DGC. O segundo e o terceiro disco, Dear 23 (1990) e Frosting on the beater (1991) saíram por lá. O hit Dream all day, até hoje uma das mais populares do The Posies, foi lançado pela DGC.

NELSON. Lembra deles? Os filhos do astro do pop americano Ricky Nelson também foram parar nas mãos de John Kalodner e da DGC, que por sinal esperava um grande sucesso para a dupla de rock farofa: botaram produtores e compositores para ajudar no amadurecimento musical dos meninos. O Nelson, no entanto, só aguentaria dois álbuns lá e tentaria fazer uma virada deprê no terceiro, Imaginator (1996), recusado pela gravadora.

LORI CARSON. Queridinha do cenário indie-folk do fim dos anos 1980, essa novaiorquina do Queens estreou na DGC com o disco Shelter (1990), elogiadíssimo, mas só fez esse disco lá. Entre 1992 e 1994, ele fez parte do Golden Palominos, aquela banda casa-da-sogra (com alta rotação de integrantes) liderada pelo Anton Fier.

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THE THROBS. Essa banda novaiorquina de hard rock e glam punk teve vida curta (três anos) e estadia na DGC mais curta ainda.  Lançaram o primeiro disco, The language of thieves and vagabonds (1991), não venderam nada, e seis meses depois estavam fora da gravadora. Em 2001, o baixista Danny Nordahl foi parar no Faster Pussycat e tá lá até hoje.

THE NYMPHS. Liderada pela cantora Inger Lorre, essa banda promoveu certo escândalo e alguma controvérsia (Inger era do tipo que não tinha papas na língua), e gravou uma pérola chamada The Nymphs, produzida por Bill Prince e lançada pela DGC em 1991, além de um EP em 1992. Inger, brigando com a heroína, fez xixi na mesa do cara do A&R da DGC, Tom Zuzaut. O grupo ficou sem gravadora e se separou.

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BECK. Quase tudo de Beck lançado durante seu contrato com a Geffen saiu com selo DGC, embora o selo da empresa-mãe tenha aparecido em algumas edições pelo mundo – até mesmo quando Mellow gold (1993), o primeiro disco, saiu no Brasil em LP. Disputado a tapa com outros selos, o compositor americano vinha com uma proposta lo-fi e independente – a ponto de ter mantido sob contrato que poderia lançar álbuns por selos menores mesmo enquanto contratado da DGC.

WEEZER. Não tem como esquecer deles. A banda foi contratada quando a DGC ouviu a Kitchen tape, gravada em agosto de 1992, numa cozinha (daí o nome), usando o gravador de 8 pistas do vocalista Rivers Cuomo, e que já tinha músicas como The world has turned and left me here e My name is Jonas. Os selos DGC e Geffen foram sendo alternados na discografia do Weezer até 2009, quando saiu o sétimo disco, Raditude.

TEVE MAIS. Discos como Bandwagonesque, do Teenage Fanclub (1991) ganharam edições pela DGC – nesse caso, inclusive no Brasil. Love hurts, último disco da Cher pela Geffen (1991) teve edições em alguns países com esse selo. A estreia epônima da banda britânica Elastica (1995) foi também um lançamento DGC nos Estados Unidos.

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E DEPOIS? Bom, a DGC foi reativada em 2007 como parte da grandalhona Interscope e durou mais alguns anos. Nesse retorno, a empresa pôs nas lojas o retorno do Blink-182 (com Neighborhoods, em 2011), a estreia do Them Crooked Vultures e álbuns de bandas como All Time Low. Nevermind, do Nirvana, continua sendo o disco mais vendido da gravadora.

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