Isso sim é que é cinema-verdade. Em 1966, antes do Velvet Underground sequer ter gravado seu primeiro disco, o protetor do grupo, Andy Warhol, juntou a banda com a cantora alemã Nico, botou todo mundo para fazer um som na Factory (seu estúdio) e filmou tudo. No mesmo esquema dos “testes de imagem” que costumava fazer, com vários imagens closadas da rapaziada (o filme começa com longos closes de Nico). No final, a polícia interrompe tudo por causa do barulho, Andy tem que explicar que aquele é apenas um dia dia de trabalho normal na Factory (“estamos patrocinando uma nova banda, ela se chama Velvet Underground”, argumenta), mas não dá muito certo.

Pega aí A symphony of sound (1966), o tal filme descrito acima, que alguém jogou no YouTube.

O filme foi concebido e dirigido por Andy ao lado de Paul Morrissey, parça do esteta pop em várias aventuras e – dizem – autor de várias ideias que acabaram creditadas ao amigo mais famoso. Morrissey costumava dizer que foi ele quem sugeriu a entrada de Nico na banda. Cineasta de formação, também resolveu que já que o Velvet era um produto da Factory, que se fizesse um filme com eles. A symphony nasceu dessa noção.

A ideia era que o filme fosse exibido num telão em meio aos shows do Velvet, ou como trilha sonora para filmes de Morrissey, como Flesh, Heat e Trash. Symphony ainda tem aparições de figurinhas carimbadas da Factory como Gerard Malanga e Billy Name, além de Ari, filho de Nico, que aparece brincando nos instrumentos em várias cenas.

Detalhe que Symphony anda circulando em DVDs que trazem mais um filme maluco feito por Warhol em 1966, Moe gets tied up (ou Moe in bondage), com a baterista do Velvet, Moe Tucker, amarrada e sentada numa cadeira enquanto os integrantes do grupo brincam com ela.