No dia 5 de junho de 1977, o comprador do jornal americano Star Tribune abria o periódico na seção de cultura e lia um texto do crítico Bob Lundegaard sobre “Star wars“, cujo título era… “‘Star wars’ pode ser divertido, mas deixem seus cérebros em casa”. Olha aí.

Uma espetada em "Star wars", quarenta anos depois

Bob, enfim, não chegou a meter 100% o pau no filme, mas manda bala na ironia: “A revista Time categorizou ‘Star wars’ como Filme do Ano, mas fez esse elogio sem se preocupar em criar uma competição de verdade. Se os editores da Time são tão confiantes em seus julgamentos prematuros, por que não fazem a escolha do seu Homem do Ano agora, sem ter que esperar até dezembro?”. Ele conta que o filme tem efeitos especiais fascinantes e um enredo divertido, “se você curte tiras em quadrinhos”. E diz que o filme não é nem o lançamento do mês, ficando bem atrás de “Noivo neurótico, noiva nervosa” (de Woody Allen) e de “Jonah”.

Pois bem, o Star Tribune convocou Bob para comentar sua própria crítica quarenta anos depois. E Bob não está nem um pouco arrependido, como explica num texto exclusivo para o site. “Na época, a revista Time já o considerava como Filme de Ano, e esse mesmo sucesso era visto no país todo. Então eu escrevi que para mim sequer era o filme do mês, e que na verdade estava atrás de ‘Noivo neurótico…’ e ‘Jonah’. Eu não faço ideia de quem era esse ‘Jonah’ (nós do POP FANTASMA não conseguimos achar o filme nem no Google), então talvez eu devesse ter subido ‘Star wars’ ao posto do segundo melhor filme de maio de 1977″, ele brinca.

“Assisti a ‘Noivo neurótico’ dezenas de vezes desde então e nunca parei de rir com Woody Allen brigando com uma lagosta ou tentando dar ré no carro em Los Angeles. ‘Star wars’? Eu nunca reassisti desde a minha crítica. Por que me importar? Não há surpresas ou risadas”, conta, dizendo que críticos podem ser bastante teimosos. “Eu mantenho minha posição, que basicamente é dizer ‘é um filme pipoca’ e ‘seus filhos vão amar’. Os meus amaram, e eles nunca vão me deixar esquecer disso. (…) O que eu falei, pensando bem, foi um acerto: Ótimos efeitos visuais, enredo bobo, diálogo pouco interessante. Também apontei que Carrie Fisher, diferente das vergonhosas heroínas de filme de ação na época, era uma mulher muito forte, como uma espécie de precursora do feminismo. Então não tenho arrependimento algum, e acho que estava certo.”