O glam rock teve a implosão como uma de suas principais características. Ganhou fãs, virou mania, deixou discípulos (no hard rock e no punk) mas passou voando. Teve gente que se criou ali (David Bowie, Ian Hunter) e uma galera que ficou perdida, tentando recolocar o vagão nos trilhos. A banda britânica Sweet raspou o crédito da popularidade no som glitter enquanto ele brilhou feito ouro. E isso porque a história da banda ainda incluía uma fase de experimentos no bubblegum pop adolescente. E o grupo ainda manteria a chama acesa o suficiente para influenciar de Sex Pistols a Mötley Crüe.

As aventuras do Sweet em 1973, num documentário da BBC

Sabendo disso, a BBC botou uma equipe sua para correr atrás da banda de Ballroom blitz em 1973. Da aventura, saiu o documentário All that glitters, que alguém já jogou no YouTube. O telefilme saiu pela série Scene, que trabalhava exclusivamente com filmes escolares. Vai saber o que os produtores acharam que um grupo glitter, adorado pelas garotas e que vendia milhões de cópias, tinha a ver com educação. Mas o filme faz lá suas tentativas, levando a plateia adolescente a ponderar sobre o tema “será que o mercado fonográfico é glamouroso desse jeito mesmo?”

Para chegar a isso, a BBC perseguiu o grupo em programas de TV, ensaios, camarins. Viu que a banda dava atenção especial à sua imagem (sempre lançando mão de roupas que pudessem ser consideradas “ultrajantes” e de muita maquiagem) e que os integrantes achavam que o Sweet ainda duraria bastante tempo, “mais uns dez anos”. E a vida do Sweet era louca mesmo, com shows dados em proporções enormes e uma agenda que confundiria o músico mais atento. Deu enquanto deu. Mas o filme ficou e é (para usar uma gíria da época) uma enorme curtição.