Você, que viu o The Who no Palco Mundo do Rock In Rio no sábado (23) e tornou-se fã da banda nesse momento, nem sequer desconfia, mas o guitarrista e líder do grupo, Pete Townshend, já foi ator por um dia. Foi num filme estudantil feito em 1968, Lone ranger, realizado por um sujeito chamado Richard Stanley, que era estudante do Royal College of Art e chegou a morar no apartamento de Pete por uma temporada. O filme, de 22 minutos e feito originalmente em 16 mm (e realizado em South Kensington e Knightsbridge durante janeiro e fevereiro de 1968), está no YouTube. A trilha sonora também foi feita por Townshend – pule para onze minutos de filme que dá para ouvir a música feita pelo guitarrista.

Lone ranger foi o passaporte para o diploma de Stanley no Royal College of Art, e foi realizado com orçamento mínimo, “mas todos trabalharam de graça”, como escreveu Stanley no link do filme no Vimeo. A única cópia encontrada veio de uma distribuição alemã e tem sujeiras e arranhões, “que não vêm de um plug-in”, esclarece o diretor. A ficha técnica da produção traz nomes bem interessantes, como Alfreda Benge (mulher e parceira de trabalho do ex-Soft Machine Robert Wyatt), que editou a película. E olha aí o texto de Stanley no Vimeo, explicando o que é e como foi feito Lone ranger.

“A ideia surgiu de muitas conversas com Pete Townshend sobre música e cinema, e veio de seu interesse em fazer uma trlha. Na época, ele já estava bolando Tommy (ópera-rock lançada em 1969). O desenvolvimento veio de conversas com os colegas estudantes Storm Thorgerson (mais tarde fundador da Hipgnosis) e David Gale (mais tarde fundador do grupo de teatro improvisativo Lumière & Son). O seu amigo (e depois meu), Matthew Scurfield, tornou-se o principal ator a pedido de Storm e Dave (…). Estranhamente, apesar de haver um grande sentimento de mudança social no ar, tudo parecia normal para nós. Olhando para trás, é mais um documentário do que eu pensava na época.

Nenhum de nós tinha certeza do que criávamos. (…) Em meio a todo esse caos, três pessoas foram fundamentais para manter tudo em conjunto: Chris Morphet, o cinegrafista, cujo cinismo amigável cortou minha pomposidade perplexa desde 1963, e Alfie Benge, o editor, que de alguma forma conseguiu construir algo novo usando esse pacote de esboços. E Pete, cuja música de alguma forma amarra todo o conjunto.

John Pasche, que fez os gráficos, também foi o designer do logotipo da boca e da língua dos Rolling Stones. Portanto, Lone ranger é talvez o único projeto para unir conexões criativas entre The Who, Pink Floyd (a Hipgnosis, de Thorgerson, fez capas clássicas do grupo) e Stones”.