Não deve ter havido disco com projeto gráfico mais, digamos, “multiuso”, do que Low life, terceiro disco do New Order (1985). Pela primeira vez, os integrantes do grupo mostravam suas caras na capa de um álbum, mas de maneira completamente sui generis. Cada carinha aparecia num “lado” da capa e do encarte do álbum, em fotos individuais – a começar pelo baterista Stephen Morris, que liderava a turma encapando o álbum. O vocalista Bernard Sumner aparecia só nas internas.

Mais: a ficha técnica do LP (produtores, técnicos, estúdio) aparecia numa cobertura de papel vegetal e, internamente, apenas no selo do disco. Em alguns lugares do mundo, essa tal cobertura foi deixada de lado e, se a ficha não aparecesse no selinho, era ficar sem saber mais nada sobre o álbum. No Brasil, por exemplo, não apenas deixaram o papel vegetal de lado. Na hora de fazer a capa, inverteram o logotipo da banda (que vinha no tal papel) e ele apareceu ao contrário e do lado esquerdo do lay-out.

Para os lançamentos em CD e cassette, a Factory optou pela bendita folha de papel vegetal e fotos individualizadas em separado. Se você cansasse da cara do Morris, era só substituí-lo por outro integrante, sem traumas.

Agora, todo esse intróito é só pra dizer que quando Low life foi lançado na Argentina, a gravadora Buelax resolveu fazer o mesmo que a CBS fazia aqui no Brasil, traduzindo os nomes das músicas de discos gringos para o português, e verteu todos os nomes para o espanhol. Aliás, fez mais: traduziu o nome do disco para o espanhol. Assim, o New Order teve seu disco transformado em… Vida pobre.

“Aposto que esqueceram do papel vegetal”, você deve estar se perguntando. Pra quê papel vegetal? Mudaram até a fonte de letras do título e a cor das fotos. Não, o selo do disco não trazia a ficha técnica.

A Buelax também traduziu pro idioma os nomes das músicas de Meat is murder, dos Smiths. Mas deixou título e capa quase intactos – a contracapa ganhou outra família de letras.

Rolou o mesmo com Skin, um disco solo do músico progressivo Peter Hammill, de 1986.

Vida pobre é uma raridadezinha bem interessante do New Order. O Discogs avisa que uma cópia troca de mãos por cerca de R$ 125. E aí, vai comprar um?

Via N.O. Way