Connect with us

Cultura Pop

Já ouviu o EP de Natal dos Paralamas do Sucesso?

Published

on

Tem novidade no front de uma das bandas brasileiras preferidas do POP FANTASMA, os Paralamas do Sucesso. O grupo aproveitou a finaleira de 2018 para lançar o EPzinho O Natal dos Paralamas, com quatro faixas. Os temas Jingle bells, We wish you a Merry Christmas, Feliz Navidad (aquela mesma que, faz uns anos, Ivan Lins releu em português como Feliz Natal) e Noite feliz.

Olha a capa aí.

Já ouviu o EP de Natal dos Paralamas do Sucesso?

E olha o disco aí.

“Não tem no YouTube?”. Sim, tem tudo lá, com João Barone (bateria), Herbert Vianna (voz e guitarra) e Bi Ribeiro (baixo) acompanhados de João Fera (teclados), Bidu Cordeiro (trombone) e Monteiro Jr. (sax tenor). Produção: Carlos Savalla. Vídeo: Pablo Savalla.

Por força do meu trabalho no jornal O Dia, bati um papo com João Barone para uma matéria sobre um show que o trio faria de graça em Niterói. Aproveitei para encaixar duas perguntas sobre o disco. Pega aí.

Como foi essa história de fazer um disco de Natal? É mais uma brincadeira nossa. Tanto que a gente nem vai trabalhar esse disco. De repente a gente toca alguma coisa no bis, nos shows. Quando a gente fez as gravações, lembrou muito de vários ídolos que a gente tem, que já gravaram discos de Natal. E, de fato, no Brasil tem uma tradição de discos de Natal que se perdeu. A música de Natal ficou muito associada à música infantil!

E muita gente do rock já lançou discos de Natal, até Bob Dylan, Jethro Tull… Sim, muitos ídolos nossos. Aquela gravação de Bing Crosby de White Christmas me marcou muito, meu pai tinha o disco. Foi o compacto mais vendido de todos os tempos. Nem os Beatles conseguiram vender tanto. Mas hoje não tem muita tradição, embora até o Eric Clapton tenha lançado um disco de Natal sensacional. Nosso disco é um presente para os fãs, como aqueles compactos que os Beatles lançavam com mensagens de Natal no fim do ano.

No vídeo abaixo, o batera fala mais um pouco do projeto. Que por sinal, também fomenta a ajuda a entidades como o Natal Sem Fome, o Hospital Infantil do Câncer e a Sociedade Viva Cazuza.

A foto lá de cima é de Mauricio Valladares

Cultura Pop

Brian Wilson no baú: descubra agora!

Published

on

Brian Wilson tomando o maior caldo na praia em 1976

Tem um disco “perdido” do gênio Brian Wilson, maior artífice dos Beach Boys, vindo aí. O cantor, que recentemente perdeu a esposa Melinda e foi diagnosticado com demência, anunciou que estava trabalhando em Cows in the pasture, álbum country que ele havia começado a fazer em 1970, e que foi deixado de lado.

Cows não seria um disco comum, nem seria um álbum solo de Brian: seria na verdade a estreia como cantor do empresário dos Beach Boys, Fred Vail, justamente um ex-DJ de música country. O beach boy tinha encasquetado que Vail seria um bom cantor. Fez a proposta a ele, e começou a produzir o disco do amigo, tendo um punhado de feras do estilo no acompanhamento. As trilhas musicais das 14 faixas foram gravadas, sem os vocais.

Na época, Brian acumulava problemas pessoais (abuso de drogas, questões psicológicas e de saúde, problemas conjugais), e os Beach Boys estavam afundados em vendagens ruins. Ao que consta, foi por causa disso que Wilson perdeu o interesse e decidiu abortar o projeto, antes mesmo que o empresário pudesse soltar a voz. Mas, recentemente, um acontecimento ajudou a tirar Cows do arquivo: o produtor Sam Parker ficou amigo de Vail (hoje com 79 anos) e começou a pesquisar para uma série documental sobre a vida do empresário.

“Cada história que ele conta é de cair o queixo. Fred era a mosca na sala em tudo”, contou Parker à Rolling Stone. Uma das histórias foi justamente a produção do disco, que deverá sair em 2025, tendo Brian como produtor executivo. O retrabalho feito nas fitas originais, trazendo um time de lendas do country nos vocais ao lado de Vail, deverá ocupar a parte final do doc.

Cows é apenas uma pequena parte do baú de Wilson, claro – desse arquivo já saiu, após vários anos, Smile, disco abortado dos Beach Boys (1966, lançado regravado em 2004 como Brian Wilson presents Smile). Com o tempo, por uma série de fatores que vão do desgaste pessoal de Wilson, a desgastes de gravadoras com ele e com a banda, outros discos que consumiram meses de trabalho para Brian, para alguns colegas e para seus irmãos, foram sendo acrescentados ao arquivo dele e dos Beach Boys. Conheça alguns deles (e Smile não está na relação porque esse é obrigatório!).

“LEI’D IN HAWAII” (1967). Era para ser o primeiro álbum ao vivo dos Beach Boys, trazendo a gravação de dois shows no Honolulu International Center Arena. Duas apresentações que tiveram uma novidade: a volta breve de  Brian Wilson, que havia deixado de excursionar com o grupo. Circulava também a ideia de fazer um filme com os shows. Mas nada disso foi feito: o excesso de LSD e o despreparo da banda nas duas apresentações acabaram deixando todo mundo insatisfeito. E o disco, que era para ter saído logo após Smiley smile (1967), foi engavetado.

O grupo chegou a pensar numa saída bem 171 para colocar Lei’d in Hawaii nas lojas: trancou-se num estúdio em Hollywood para gravar todo o álbum, com a ideia de acrescentar palmas falsas depois. Mas acabaram desistindo de tudo para gravar e lançar Wild honey (1967). O material foi largamente pirateado e saiu também em álbuns como 1967 – Sunshine tomorrow, 1967 – Sunshine tomorrow 2: The studio sessions e 1967 – Live sunshine.

“ADULT/CHILD” (1977). Preparado para ser lançado em setembro de 1977, Adult/child era quase um disco solo de Wilson, que andava influenciadíssimo (ao extremo) pelas teorias de seu então psicólogo Eugene Landy. O doutor dizia a ele que “há duas partes de uma personalidade: um adulto que quer estar no comando e uma criança que quer ser cuidada, um adulto que conhece as regras e uma criança que está aprendendo e testando regras”.

A visão de mundo que o líder dos Beach Boys tinha na época, transparecia em músicas como Still I dream of it (“quando eu era mais novo, minha mãe me ensinou que Jesus ama o mundo/se isso é verdade, porque ele não me ajudou a encontrar uma garota para mim?”, cantava o trintão Brian), na desastrada Hey little tomboy (na qual Wilson tenta azarar uma garota que anda de skate e joga beisebol, com versos pra lá de machistas) e na anti-maconha Live is for the living. Adult/child foi considerado um baita vacilo pelo seu eterno algoz Mike Love (que, assim como todos os BB, foi relegado aos vocais) e pela Reprise, gravadora da banda na época.

“MERRY CHRISTMAS FROM THE BEACH BOYS” (1978). A Reprise já estava mesmo descontente com os Beach Boys – tanto que vetou um disco de Natal do grupo, feito basicamente para cumprir contrato. Ao que consta, a gravadora não curtiu as colaborações de Brian em seu próprio álbum (!) e mandou tudo pro arquivo. O material foi saindo aos poucos depois em coletâneas e discos piratas.

BRIAN WILSON E ANDY PALEY (anos 1990). Havia o risco do álbum divido por Wilson com o compositor e produtor norte-americano Andy Paley virar uma espécie de Smile 2, já que os dois amigos trabalharam juntos entre 1992 e 1997, assim que o ex-psicólogo de Brian, Eugene Landy, saiu da vida do cantor (além de “cuidar da mente” de Wilson, ele era seu empresário e detinha várias parcelas de copyright).

O material novo, variando entre rock e baladas, era mais “adulto” do que muita coisa que Wilson havia feito durante os anos 1970 e começo dos 1980, e prometia. Mas acabou igualmente engavetado – Brian já estava com  cabeça em outros projetos e, afirma-se, foi bastante influenciado por sua esposa e por amigos a abandonar o trabalho com Paley, a quem considerava um “grande gênio musical”. Depois, foi tudo saindo em CDs piratas.

“SWEET INSANITY” (1991). Assim que saiu Brian Wilson, estreia solo do beach boy (1988), a gravadora Sire aguardou ansiosamente uma continuação. Sweet insanity começou a ser gravado em 1990 (com aproveitamento de faixas gravadas entre 1986 e 1989). Na época, Wilson não era mais paciente de Eugene Landy, mas este ainda empresariava e produzia o primeiro – tanto que Landy produziu o disco com Brian. Mas o segundo disco de Brian Wilson pela Sire acabou nunca saindo.

O cantor reclamou que as fitas de Sweet insanity desapareceram – mas existem discos piratas com as canções. O que aconteceu de verdade foi que a Sire odiou o disco e, em especial, detestou as letras feitas por Landy – pois é, ele (ainda por cima) era parceiro do cantor. Smart girls, uma tentativa de Wilson de fazer rap, era uma dessas canções feitas com Eugene, e virou folclore por vários anos. Horrorizada, a Sire preferiu rescindir contrato com Brian.

Continue Reading

Crítica

Ouvimos: Sonic Youth, “Walls have ears”

Published

on

Ouvimos: Sonic Youth, "Walls have ears"
  • Walls have ears é a “oficialização” de um disco pirata do Sonic Youth, lançado originalmente em 1986, e que traz uma coletânea de shows do grupo na Inglaterra.
  • No disco, as faixas de 1 a 7 foram gravadas em 30 de outubro de 1985, em Londres. A faixa 8 foi gravada ao vivo em 8 de novembro de 1985, em Brighton. Da 9 a 17, tudo foi gravado em Londres em 28 de abril de 1985.
  • Na época, o Sonic Youth tinha Lee Ranaldo (guitarra, voz), Thurston Moore (guitarra, voz), Kim Gordon (baixo, voz) e Bob Bert (bateria).
  • Separado desde 2011, quando Kim descobriu um caso extra-conjugal de Thurston (tal fato acabou com a banda e, claro, com o casamento dos dois), o SY vem fazendo alguns lançamentos “póstumos”. A banda já lançou um disco com um show em Moscou em 1989 e uma apresentação em Chicago em 1995, por exemplo.

O Sonic Youth lá por 1985, quando ainda era um prodígio do rock independente norte-americano, e especializava-se mais em táticas de choque musical, era uma banda bem diferente. O SY nunca deixou de ser uma banda que usa o barulho pra se comunicar, mas era um grupo mais ruidoso, mais provocador, com uma política mais demolidora – expressada no terceiro disco, Bad moon rising, um ataque às obsessões dos Estados Unidos e à história do colonialismo, e até hoje um dos álbuns mais instigantes do grupo.

Justamente por isso, vá com calma a Walls have ears, álbum pirata com gravações de 1985 feitas na Inglaterra, lançado oficialmente apenas agora. É basicamente uma onda meio no wave meio pré-punk, tirada diretamente do palco para vinil, CD ou plataforma digital – e com estridência suficiente para assustar quem ouve de fone, e para atordoar quem ouve tudo no volume máximo.

O noise rock que o grupo fazia nessa época, pode acreditar, veio de uma decisão comercial – o grupo fazia um som bem mais anticomercial ainda, e decidiu chegar perto do experimentalismo “novaiorquino”, com ligeiras tendências a soar próximo também das bandas de Detroit (o terror espacial de Starship, música de 1969 do MC5, parecia ter dado o tom de boa parte das músicas do SY nessa época).

Já que uma música do clássico Kick out the jams, do MC5, foi citada, vale dizer que Walls have ears, assim como o disco da banda pré-punk, começa com um falatório – na verdade, um discurso de dois minutos do punk norte-americano Claude Bessy, reclamando que o selo britânico Rough Trade se recusara a lançar um disco do SY na Inglaterra por causa de sua capa, considerada obscena. Na sequência, o repertório da fase inicial da banda surge entre aplausos e vinhetas, incluindo Kill yr idols, I love her all the times, Death Valley 69, a barulheira de Brother James, em versão bem mais furiosa do que a registrada em disco.

O Sonic Youth estava começando sua carreira como uma espécie de cópia em negativo de Bruce Springsteen, um artista que por mais que seja crítico em relação à sua terra, transpira orgulho. O SY, por outro lado, se dedicava a mexer em fantasmas norte-americanos dos mais esquisitos, e a incomodar quem ainda tinha um pouco de esperança no futuro do país. Virou um baluarte do rock alternativo (título dado a eles pela MTV) e um farol para muitas bandas novas – foi por vários anos um grupo alternativo que havia sobrevivido numa gravadora de porte, a Geffen. É a história contada, em seu começo, aqui.

Nota: 8
Gravadora: Goofin’ Records

Foto: Reprodução da capa do álbum.

Continue Reading

Cultura Pop

Relembrando: Primal Scream, “Sonic flower groove” (1987)

Published

on

Relembrando: Primal Scream, "Sonic flower groove" (1987)

Durante vários anos, Bobby Gillespie, líder do Primal Scream, duvidou da capacidade de seu próprio primeiro álbum, Sonic flower groove (5 de outubro de 1987). A banda escocesa, que batalhou por vários anos em inúmeras áreas da neo psicodelia – e começou a se encontrar no dançante terceiro álbum, Screamadelica, de 1991 – não era aquele tipo de grupo que, na estreia, já tinha certeza do que estava fazendo. Vale citar que a insegurança era tanta que a banda encerrou atividades logo após o primeiro disco, para reorganizar todo o projeto.

Em Sonic flower groove, o Primal Scream era uma cuidadosa e inovadora banda de jangle pop – aquela revisão college do som de bandas como The Byrds, que virou um pequeno foco de mania durante os anos 1980. No caso do Primal, isso acontecia com direito a guitarra Rickenbacker de 12 cordas, vocais bastante melódicos, e design sonoro psicodélico, mas bastante moderno. Tão moderno que chegou a irritar a banda.

  • Apoie a gente e mantenha nosso trabalho (site, podcast e futuros projetos) funcionando diariamente.

Gillespie, analisando o disco anos depois (quando estava fazendo sua biografia Garoto do cortiço), confessou que não gostava “daquele som de bateria dos anos 1980” do disco. Também adoraria acrescentar harmonias nas músicas, já que acha que a inexperiência do grupo atrapalhou tudo. Nem tanto: músicas como as sessentistas Gentle tuesday (primeiro e único single do álbum) e as beatlemaníacas May the sun shine bright for you e Leaves,  Treasure trip (essa, numa onda meio The Who, meio Kinks), além da contemplativa Love you, são bastante harmônicas. E soam no máximo como uma versão um pouco mais ingênua do grupo que lançou Screamadelica (o que vá lá, deve tirar o sono de Bobby até hoje).

Uma boa parte do álbum – e pode ser que isso tenha deixado Bobby frustrado naquela época – cai dentro da marola power pop que já surgia em discos de bandas como Replacements e o próprio R.E.M. Tinha isso na bela Sonic sister love, em Silent spring, em Aftermath, e até na balada sixties We go down slowly rising. Já a bela Imperial é uma das músicas do álbum mais identificadas com a junção de pós-punk e neo-psicodelia.

Sonic flower groove foi um dos dois únicos álbuns lançados pela Elevation, uma joint-venture entre a indie Creation e a grandalhona WEA, que não deu certo porque a multinacional esperava que o selo descobrisse futuros hits. Após o álbum, Gillespie (voz e guitarra) encerrou a formação que incluía Jim Navajo (guitarra de 12 cordas), Robert Young (baixo) e Andrew Innes (guitarra base, até hoje presente na banda ao lado de Bobby), além de alguns bateristas convidados. Voltou em 1989 com outra formação, com uma cara mais garageira, e gravou Primal Scream, pela Creation, que virou a casa da banda. Também não fez sucesso, mas Screamadelica viria em 1991, o jogo virou e o resto é história.

Continue Reading
Advertisement

Trending