Quase todo mundo que já ouviu falar de Jonathan Demme (1944-2017) sabe que ele dirigiu clássicos como “O silêncio dos inocentes”, “Filadélfia” e “Stop making sense”, filme-concerto fantástico dos Talking Heads (1984) que inovou por mostrar um show da banda sendo construído enquanto estava sendo exibido para o público – com os integrantes chegando aos poucos, cenários sendo modificados, etc. Dirigiu também o clipe de “Streets of Philadelphia”, de Bruce Springsteen, da trilha de “Filadélfia”. Abaixo, você confere mais dez trabalhos – alguns bem antigos, outros bem recentes – do diretor de cinema que saiu de cena na última quarta-feira.

“ANGELS HARD AS THEY COME” (1971). Trabalhando com filmes publicitários ao lado do parceiro Joe Viola, Demme recebeu um job do diretor Roger Corman: fazer o roteiro para um road movie de motociclistas. Viola dirigiu e Demme produziu esse filme, repleto de tiro, porrada, bomba e mulheres peladas. E gangues de motociclistas.

“FLY ME” (1972). Realizado nos Estados Unidos pelo diretor filipino Cirilo Santiago (também sob a batuta de Roger Corman), esse filme de enredo meio sequelado tem três aeromoças sexies lidando com “intrigas internacionais e com o flagelo do trabalho análogo à escravidão”. Demme dirigiu cenas de kung-fu (!) que aparecem lá pelas tantas.

“BLACK MAMA WHITE MAMA” (1973). Duas mulheres, uma negra e a outra branca, encarceradas juntas. Pam Grier e Margareth Markov nos dois papéis, respectivamente. Demme e Joe Viola fizeram o texto original e Eddie Romero dirigiu o filme, igualmente surgido das gambiarras de Demme e Roger Corman nas Filipinas.

“CRAZY MAMA” (1975). Road movie com três mulheres bandidas: avó (Anne Sothern), mãe (Cloris Leachman) e filha (Linda Purl). A produção foi feita pela mulher de Roger Corman, Julie, e o filme foi dirigido apenas por Demme. A trilha sonora tem pérolas como “All i have to do is dream”, dos Everly Brothers, e “Sleep walk”, da dupla de surf rock Santo & Johnny. E com esse filme Demme deu um tempo nas produções de filmes com mulheres na prisão e tensão sexual.

PEOPLE FOR THE AMERICAN WAY: Em 1981 Demme dirigiu uma série de comerciais para o conhecido grupo progressista, celebrando a liberdade de expressão nos Estados Unidos. Olha alguns deles aí.

“THE PERFECT KISS” – NEW ORDER (1985). Clipe tão inovador quanto o filme “Stop making sense”, focando basicamente em tomadas minimalistas dos rostos e das mãos dos músicos. Teve muita gente que se apaixonou perdidamente pela Gillian Gilbert (tecladista do New Order) vendo esse clipe.

“SUN CITY” – ARTISTS UNITED AGAINST APARTHEID (1985). O protesto de Steve Van Zandt contra a política separatista na África do Sul. Alguns dos artistas que participaram da gravação da música: Ringo Starr, Afrika Bambaataa, Lou Reed, Run DMC, Daryl Hannah, Peter Gabriel… O clipe de oito minutos dirigido por Demme fez sucesso.

“AWAY” – THE FEELIES (1988). Banda pós-punk de New Jersey, com vocal inspirado diretamente em Lou Reed (e senso melódico tirado dos primeiros discos do REM), teve esse clipe dirigido por Demme.

“MURDER INCORPORATED” – BRUCE SPRINGSTEEN (1995). Outro clipe de Springsteen (além do de “Streets of Philadelphia”) dirigido por Demme. Bruce e sua banda dão um show no palco de um clube lotado em que não parece caber tanta gente.

“THAT THING YOU DO!” (1996). A comédia musical dirigida e escrita por Tom Hanks (e a qual você já assistiu) teve co-produção de Demme.