As redes sociais do site Pitchfork relembraram no último fim de semana um papo com John Lydon (Public Image Ltd, Sex Pistols) onde ele falava de seus discos preferidos. Difícil de imaginar, mas Lydon incluiu Nevermind, clássico do Nirvana, na série de LPs. E diz que Trout mask replica, disco duplo de Captain Beefheart lançado em 1969, lhe faz lembrar da época em que ele tinha aulas de violino (!). Olha aí quatro álbuns e duas músicas que ele escolheu.

“NEVERMIND” – NIRVANA (1991). “Lembro que fiquei muito zangado com o título do álbum, Nevermind. Eu pensei: ‘Nevermind? Você perdeu seu pau ou algo assim?’ Mas preciso dizer que Smells like teen spirit é uma das maiores músicas de todos os tempos do pop. Essa música está firmemente embutida na minha psique. Então, eu os perdoo. A maioria das bandas não consegue criar uma música completa, e às vezes uma é suficiente. Quando veio Heart-shaped box, estava tudo começando a soar um pouco suicida. Eu senti isso chegando”.

“PRETTIES FOR YOU” – ALICE COOPER (1969). “Por volta de 10 anos, eu estava executando um serviço de mini-táxi, fazendo as reservas, e foi o melhor trabalho de sempre. Eu amei a responsabilidade, e as pessoas ficaram surpresas com o fato de um garotinho estar reservando sua jornada. O dinheiro foi ótimo, então comecei a comprar discos. Eu ia a duas lojas de discos na época: uma em Finsbury Park, dirigida por uma doce velhinha de cabelos brancos, que costumava ter nada além de Jimi Hendrix e dub. O local era sempre cheio de jamaicanos. A outra era dirigida por dois rapazes gordinhos de cabelo comprido, que tinham muito bom gosto. Foi aí que peguei o Pretties for you, de Alice Cooper (…) Muitas vezes eu simplesmente comprava coisas por causa da capa – mas isso não quer dizer que estava tudo bem. Pretties for you é um bom exemplo de capa feia”.

(falamos da estreia de Alice Cooper aqui no POP FANTASMA, por sinal).

“TROUT MARK REPLICA” – CAPTAIN BEEFHEART & HIS MAGIC BAND (1969). “Há muito a dizer sobre isso: é um álbum duplo e, quando terminar – se você conseguir terminar – não se lembra do que ouviu no começo. Eu gostei daquilo. Era anti-música da maneira mais interessante e insana, como crianças aprendendo a tocar violino – e era o que eu estava vivendo nessa época. Então todas as notas cagadas que estava sendo anotadas pelos professores estavam finalmente sendo lançadas por artistas conhecidos. Essa foi a minha confirmação. A partir de então, havia espaço para tudo”.

“RAW POWER” – IGGY POP & THE STOOGES (1972). “Eu nunca vi os Stooges como punks antigos ou qualquer coisa desse tipo – isso é manipulação de fatos pela mídia (…) Eu não tenho preconceito, exceto pela música que eu acho que é uma reminiscência do trabalho de outra pessoa. Não vejo necessidade de infinitas versões de Chuck Berry, que era muito popular na época. E eu tive pouco tempo para o que estava saindo da América; bandas como Television nunca me pegaram, eu simplesmente não conseguia me conectar”.

“NOTHING COMPARES 2 U” – SINÉAD O’CONNOR (1991). “Por alguma razão estranha, Sinéad O’Connor voltou à minha vida. Eu me regozijei e me reconectei com ela. E era uma pessoa muito feliz por isso (…) Acho que o jeito com o qual ela lidou com Nothing compares 2 U, a música do Prince, era genial. É tão comovente e triste. Eu devo ser sentimentalista e nunca percebi até agora (…) Ah, e Dolly Parton passa por tudo isso. Sou fã da Dolly – você pode não acreditar, mas sou. Uma das maiores tragédias da minha vida até agora é que nunca consegui ir lá em Dollywood (parque temático da cantora). Eu acho que teria um troço”.

“WUTHERING HEIGHTS” – KATE BUSH (1978). “Muitas lojas de discos estavam fechando nessa época, e eu não usarei a internet para comprar discos. A internet é para pornografia, enciclopédias e videogames, e desperdiço muito tempo com isso. Então diminuí a velocidade nas compras e me voltei para coisas antigas como Kate Bush. Em Wuthering heights, sua voz é quase histérica, mas sempre em seu próprio registro. Eu acho muito reconfortante que ela esteja gritando lá em cima, é fantástico. Ela é um presente”.