Patrocinado pela empresa de baterias Tama há vários anos, e prestes a cair na estrada com sua banda Call The Police (na qual toca covers do Police ao lado do ex-Barão Vermelho Rodrigo Santos, no baixo, e de um ex-Police, o guitarrista Andy Summers), João Barone vai resgatar para a turnê uma peça raríssima de sua coleção. Ele encontrou a bateria Tama Imperialstar que começou a montar quando começou a gravar com os Paralamas do Sucesso, e vai usá-la no giro com o Call The Police. Que, além de vários lugares do Brasil, passa também por Argentina e Chile. Olha aí.

E ele tá resgatando a história de seu instrumento de estimação em posts do Instagram dele, @joao.barone_oficial. Começou com esse post.

Muita gente ficou várias noites sem dormir quando viu João Barone, por volta de 1984/1985, batendo nuns tambores meio esquisitos, tanto no Rock In Rio quanto nas idas dos Paralamas do Sucesso a programas como o Globo de Ouro. Se você nunca soube o que eram essas peças de bateria, tá aí.

Pouco antes do Rock In Rio, a banda foi pra Nova York. Barone voltou com essas raridades aí.

Um pouco da história da Tama. João Barone, autor de livros e de um documentário, é bom nesse lance de contar histórias.

No final dos anos 70, a Tama ganhava reputação internacional com suas baterias, tendo grandes bateristas patrocinados e outros “novatos” emergindo na cena musical, nos diversos estilos onde a bateria era destaque, como o jazz, fusion, mas principalmente, no rock. A fabricante japonesa revolucionou o mercado, tanto nos tambores com acabamentos diversos, além de introduzir um novo padrão no design das estantes de pratos e ferragens, mais estáveis e sólidas, algo inovador. Na virada dos 80, Stewart Copeland foi possivelmente o maior baterista divulgador da marca, com o sucesso do Police. Inicialmente, usava um kit modelo Imperialstar azul metálico, com apenas 2 tom tons. Depois, usou um kit da linha Superstar, em madeira mogno avermelhada. Pouco depois, começou a usar um set Imperialstar azul escuro (midnight blue), adicionando um tom tom de 10pol, que usou de 81 até o final da turnê Synchronicity. Copeland também popularizou os octobans e o gong bass, tambores de efeito criados pela Tama. Em pouco tempo, a marca virou referência no mundo da bateria. #tamadrums #imperialstar

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Nem uma baita chuva derrubou a bateria.

O “kit do Rock In Rio” ficou guardado por vários anos numa loja e foi esquecido. Mas foi encontrado, finalmente.

Usei o kit Imperialstar para gravar os álbuns Selvagem? e Bora Bora. Em 89, comecei a usar um kit novo da Tama, modelo Grandstar, com uma configuração menor, tons de 8, 10 e 12. Mas isso é outra história. O kit Imperialstar ficou de reserva, aos poucos foi sendo encostado. Nos anos 90, no curto período em que fui patrocinado por outra marca, deixei o lendário “kit do Rock in Rio” sob a guarda de um amigo que tinha uma loja de instrumentos na Barra da Tijuca, a Music Mall, onde éramos fregueses fiéis. O tempo passou e eu havia até esquecido onde estava a bateria, a última coisa que me lembrava era que ela foi usada na gravação do clipe de Bella Luna, na época do álbum 9 Luas. Depois, lembrei que em 2000, eu havia emprestado o surdo da bateria para ser exposto no Rock in Rio Café, que fechou as portas em pouco tempo. Foi preciso um trabalho de Sherlock Holmes para descobrir o paradeiro desta bateria. Meu amigo Renato Teixeira estava guardando o kit durante todo esse tempo e foi muito camarada em me devolver tudo agora. O surdo original continua extraviado mas consegui um igual, em outro acabamento, que será revestido com a mesma cor do kit, na oficina da Delta Percussion, aqui no Rio. Vai ser no mínimo emocionante voltar a usar essa bateria ao vivo, uma clássica representante de uma época de ouro… Em breve, teremos imagens do kit finalmente montado… Aguardem! ✌️ #tamadrums

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