“Miguel da Silva Paranhos do Rio Branco (1946) filho de diplomata brasileiro, neto de J. Carlos, bisneto do barão do Rio Branco e tataraneto do visconde de Rio Branco… É pintor, fotógrafo, diretor de cinema, além de criador de instalações multimídia. Atualmente vive e trabalha no Rio de Janeiro. Trabalhou intensamente na Europa e Américas desde o começo de sua carreira, em 1964, com uma exposição em Berna, Suiça”, diz a bio do site do fotógrafo Miguel Rio Branco. Quem já foi à galeria com o nome dele em Inhotim (Brumadinho, MG) teve a oportunidade de ficar impressionado com “Maciel”, série de fotografias clicadas no bairro de mesmo nome, no Pelourinho, em Salvador. Ele foi até lá em 1979 e clicou imagens extremamente reveladoras da prostituição no local – incluindo mulheres nuas, transexuais, crianças que moravam na região e habitantes do bairro. Depois voltaria várias vezes e estabeleceria mais contatos com os moradores da área.

Quem esteve lá e ficou meio atordoado com o realismo das fotos (não dá pra reproduzi-las por aqui, mas você pode ver várias delas no site de Miguel ou no Google mesmo) provavelmente teve a mesma sensação ao assistir “Nada levarei quando morrer, aqueles que mim deve (sic) cobrarei no inferno”, filme realizado pelo fotógrafo em 1982 com material das visitas ao Pelourinho. Boa parte das imagens tiradas por Miguel e incluídas na série “Maciel” aparecem dentro de seus contextos originais, e o fotógrafo ainda conseguiu clicar momentos… Bom, “inesperados” é uma boa maneira de descrevê-los.

O filme tem desde as imagens de uma relação sexual de uma prostituta da região (e a tristeza no olhar dela após o ato) até um casal quase nu, se agarrando na frente de moradores – entre elas uma criança, que só ri. Ou o (des) cruzamento de imagens entre a riqueza de uma catedral baiana e a pobreza do Pelourinho.

O filme já foi exibido em festivais, até mesmo aqui no Rio, recentemente. E é exibido todos os dias em Inhotim. Mas alguém jogou no YouTube. Confira aí.