Olha que interessante: jogaram dublado no YouTube Freaked, comédia de humor negro lançada em 1993 com a dupla da comédia adolescente Bill & Ted: Keanu Reeves e Alex Winter. No Brasil, o filme é conhecido como Freaklândia – O parque dos horrores. Uma produção bancada a custo de US$ 12 milhões, mas que virou apenas um sucesso cult, divulgado por seus próprios produtores.

O filme conta a história de um popular ator infantil, Ricky Coogin (Winter) que torna-se um nome odiado ao aceitar fazer propaganda de um fertilizante que tem efeitos tóxicos, Zygrot 24. O comercial é filmado na América do Sul, e ao viajar, a equipe acaba trombando com ambientalistas que fazem um protesto contra o produto. Winter acaba se apaixonando por uma das ativistas, Julie (Megan Ward) e a confusão começa aí, com direito a vários monstros e figuras bizarras.

Para contar essa história, a produção chamou Brooke Shields, Mr T (o B.A. Barakus de Esquadrão Classe A, que interpreta uma mulher barbada), Randy Quaid e o próprio Keanu Reeves, no papel de Ortiz, The Dog Boy, o líder dos monstrengos do filme. E Gibby Haynes, dos Butthole Surfers, também no elenco.

Freaked surgiu de dois projetos bem mais underground que Bill & Ted. Um deles foi a série da MTV Idiot box, na qual Winter estreava como roteirista. E que trazia um humor bem mais sarcástico e violento, que estava mais para Monty Phyton’s Flying Circus do que para qualquer filme teen da época. No caso de Freaked (em que Winter trabalhou como co-diretor, co-roteirista e astro principal), a premissa era criar algum filme em que uma das bandas mais escrotas do mundo, os Butthole Surfers, estivessem envolvidos.

Isso porque o outro projeto que originou Freaked foi um filme chamado Bar-B-Q, um curta de 11 minutos realizado em 1988 por Winter e o outro diretor de Freaked, Tom Stern, com participação de Gibby Haynes, dos Surfers. O resultado animou Stern, Winter e Haynes a conceber Hideous mutant freekz, roteiro (escrito em sua maior parte por Haynes) que misturava o clima dos filmes da “turma da praia” (de Frankie Avalon e Anette Funiccello) ao de filmes como A noite dos mortos-vivos.

A turma bateu na porta de várias produtoras e encontrou abrigo na 20th Century Fox, que topou fazer o longa depois de cortar alguns palavrões e adequar a história. Os Surfers ficaram encarregados da trilha sonora. A empresa queria gastar grana com o filme e sonhava em licenciar a marca para vários produtos.

O problema foi que, Joe Roth, o chefe que investia na produção, foi demitido. Winter e Stern ficaram com um filme para divulgar às próprias custas. “Se Joe tivesse sido demitido três semanas antes, o filme nem sequer teria sido feito”, chegou a afirmar Winter à Indiewire, quando saiu uma edição em DVD, em 2012.

“O filme foi um sucesso cult imediatamente. Essa é a coisa que as pessoas não parecem ter. Tivemos uma afirmação instantânea, foi um enorme sucesso em Toronto (no Festival Internacional de Cinema). Tivemos críticas fantásticas e, nesse ponto, todas as salas de exibição de todo o mundo queriam mostrá-lo. Então foi um sucesso imediato. O problema era que não era o período dos DVDs, então era difícil sustentar isso”, contou Winter no mesmo papo.

E olha Reeves e Winter reunidos aí em março. Os dois falam sobre o 30º aniversário de Bill & Red e sobre uma possível sequência.

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