Eu não entendi bem o que as pessoas veem de tão legal em fitas K7. Mas o canal VWestlife resolveu elencar treze razões pelas quais as fitinhas são cool de novo em 2018. A inspiração do canal foi a série 13 reasons why. Olha aí.

(os vídeos colocados abaixo não têm relação com o do VWestlife e são meramente ilustrativos).

TEM GENTE COMPRANDO. Vai dizer que se muita gente sai comprando uma coisa, você não passa a pensar: “Peraí, isso deve ser legal e só eu não estou vendo”? E as vendas das fitinhas cresceram 35% em 2017. Graças às mixtapes de Guardiões da galáxia e à trilha sonora de Stranger things 2, o mercado ganhou uma boa oxigenada. Fitinhas como Purpose, de Justin Bieber, e Purple rain, do Prince (relançada) lideraram as vendas.

FITAS SÃO BARATAS. O canal faz uma comparação de preços. O mais vantajoso é optar por baixar MP3 legal (US$ 9,49 no caso de Purpose, do Bieber). O CD do Justin sai por US$ 16,63. Vinil? Põe vinte dólares e uns quebrados. A fitinha, que tem a qualidade mais zoada em comparação com CD, vinil e até MP3 – dependendo da compressão – ganha no preço: 12 paus. O MP3 é mais barato, mas não te dá a confortável sensação de “eu tenho a mídia física e você, não”. Já fitinhas antigas saem por uns 25 cents lá fora. Mesmo no Brasil é possível achá-las a uma fração dos preços de LPs.

O EQUIPAMENTO TAMBÉM É BARATO. O aparelhinho que o apresentador do canal usou para gravar a narração do vídeo, diz ele, custou US$ 5,50, mais US$ 10 de taxas de envio (comprou no eBay). É bom lembrar que isso acontece nos EUA. No Brasil, nossa política psicodélica de preços permite que um tape-deck das antigas varie entre R$ 125 e inacreditáveis R$ 3.999 (fonte: Mercado Livre).

PORTABILIDADE RAIZ, PORTABILIDADE NUTELLA. Já pensou andar pelas ruas com um aparelho de vinil embaixo do braço? Nem pense. Se o teu lance é tecnologia antiga, só com o K7 você vai poder fazer isso. É só comprar um walkmen fabricado lá pelos anos 1980 ou 1990 e cair dentro do universo das fitinhas. Guardá-los em casa é mais fácil do que guardar vinis e as lombadas permitem mais facilidade na localização de exemplares.

INDIES AMAM FITINHAS. Desde sempre, o que mais tem é músico independente lançando fita cassette. Trabalhos de artistas como Nico e Residents saíram primeiro em fita, muito tempo depois em CD e alguns, jamais em vinil. E teoricamente, tudo continua bem mais fácil de produzir e duplicar do que vinil e CD. No Brasil, selos como Outprint e Hearts Bleed Blue abraçaram o formato.

NÃO PRECISA LIMPAR. Ao contrário de um disco de vinil, que você precisa lavar, passar soluções bizarras e de resultado duvidoso etc. Como a fita fica presa na armação de plástico, você não precisa colocar a mão nela e não ficam marcas de dedo (agora, fique sem limpar o cabeçote do gravador e veja o que acontece).

A QUALIDADE DE SOM É MELHOR DO QUE VOCÊ IMAGINA. De fato, é algo a ser levado em conta. Pelo menos no caso de K7s importados – os que eram fabricados no Brasil nos anos 1970 e 1980 tinham som mais ou menos. Uma coisa muito comum nos anos 1970 era que alguns LPs tivessem uma qualidade de reprodução bem meia boca. E a solução era gravar os álbuns em fita para garantir um som melhor na hora de ouvir as músicas.

É LEGAL GRAVAR FITAS. Ok, você tem que ter tempo disponível pra isso, mas é uma diversão bacana. Você pode gravar sua própria voz, discos inteiros, uma mixtape para uma namorada (acho que não precisamos lembrar que ela tem que ter onde ouvir a fita) etc.

MUSEU DE GRANDES NOVIDADES. Com as fitinhas, o passado volta. Você pode desencavar aquela coleção que seus pais guardavam há anos e dar uma ouvida. E é verdade: a possibilidade de o material estar em condições aproveitáveis é bem maior do que se fosse uma coleção de vinil ou CD. Encontrar gravações de vozes de pessoas que morreram há anos, então, é maravilhoso. Ou gravações antigas de rádio.

COMPLETE SUA COLEÇÃO DE FITAS VIRGENS. Pode ser um passatempo legal colecionar fitinhas, ainda que você não grave nenhuma. O que mais tem são modelos que ninguém nunca ouviu falar, fitas coloridas, marcas que sumiram do mercado, etc.

AS FITAS TAMBÉM SE TORNARAM DIGITAIS. No fim dos anos 1980, muita gente lembra, começaram sair vinis e K7s “remasterizados em digital”, até aqui no Brasil. Entre eles, a coleção dos Beatles, que saiu pela primeira vez em CD e em fitinhas com qualidade sonora bacana. Mas o canal acaba lembrando mesmo é de um formato que não durou muito (foi de 1992 a 1996), o DCC, Digital Compact Cassette. Alguns álbuns chegaram a sair nesse modelo, mas não foi algo que marcou época. A novidade é que recentemente saíram discos em DCC.

COMPUTADOR DO K7. Lembra do barulhinho de modem da internet, da década passada? Se você é um sujeito oldies mesmo, lembra do barulhinho de fita cassette rodando no gravador enquanto subia um programa para o seu Expert. Sim: nessa época usava-se fita magnética para guardar programas. Eu não acho que demorar mais de cinco minutos para fazer qualquer tipo de operação que envolva informática seja cool (programas em fita seguiam numa lentidão que você pode imaginar). Mas tem gente que acha. Outra coisa: cassette não é só pra música. No formato, você acha audiobooks, cursos de línguas, etc.

CASSETTES SÃO MAIS DURÁVEIS DO QUE VOCÊ ACREDITA. Para provar isso, o apresentador passa por cima de uma fitinha com seu carro, e ela continua tocando. Não perca.

Não seja uma pessoa que tem as três fitas k7 de Pantanal em casa.

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