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Cultura Pop

E os 55 anos do primeiro disco dos Doors?

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Capa do primeiro disco dos Doors, de 1967

Em 2022, você já deve saber, não falta data para comemorar. Todos aqueles clássicos da música que saíram em 1967 fazem 55 anos, incluídos aí Sgt Pepper’s, dos Beatles, Their Satanic Majesties Request, dos Rolling Stones, The Who sell out, do Who, Roberto Carlos em ritmo de aventura, The Velvet Underground & Nico e… The Doors, estreia da banda, com músicas como Break on through e Light my fire. Que saiu dia 4 de janeiro daquele ano.

O primeiro disco de Jim Morrison (voz), Robby Krieger (guitarra), Ray Manzarek (teclados) e John Densmore (bateria) é o cartão de visitas que muitos fãs da banda têm até hoje, já que as duas músicas citadas no parágrafo anterior aparecem mais nas rádios rock do que qualquer outra coisa deles. Mas hoje chega a ser complicado avaliar o quanto a banda foi inovadora, já que todo mundo se acostumou com a figura de Jim. Por todo mundo, entenda-se também gente que nasceu depois de 1971, ano em que o cantor saiu de cena.

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Os Doors foram inovadores e corajosos: em plena era hippie, lançaram um disco repleto de climas sombrios, com letras espiritualizadas e místicas (o convite do “atravesse para o outro lado” de Break on through, era só o primeiro exemplo). No álbum, a banda trazia uma vontade de estar oito milhas acima do chão, que era esfregada na cara do ouvinte. Além disso, se o rock precisava de mudanças, lá vinha Jim cantando um tema dos anos 1920 iniciado pelo dramaturgo Bertolt Brecht e encerrado pelo parceiro Kurt Weill (Alabama song). E reinventando a união de rock, soul e blues, na lúgubre Soul kitchen. Uma música, por sinal, bastante “inspirada” pelo riff de Papa’s got a brand new bag, de James Brown, por sinal. A chupação foi confirmada pelo próprio Robby Krieger, que costumava tocar o clássico do padrinho do soul em shows solo.

O grande cantor que volta e meia encarnava a “nova esperança” da música americana soltava o vozeirão tanto em rocks ágeis (Take it as it comes foi gravada anos depois pelos Ramones) quanto em temas que caberiam na voz de Frank Sinatra. Ok, isso se the voice se interessasse em gravar uma canção tão bela quanto sombria, como era o caso de The crystal ship (que abre com o estranho verso “antes de você ficar inconsciente/gostaria de ter outro beijo”). Ou se em vez de cantar My way, ele desejasse se juntar ao coral dos inimigos do fim em End of the night.

Uma das maiores dificuldades para fãs de rock clássico entrarem de vez no “universo” dos Doors é a maneira como a banda construía suas canções. O som é baseado em climas e ambiências (mas num tom bem diferente das futuras produções de Brian Eno, por exemplo), o órgão de Manzarek destaca-se mais do que a guitarra de Krieger, a bateria de John Densmore conduz sem brigar pela liderança. Morrison queria que o público ouvisse suas letras, mas queria que também ouvissem os instrumentais de seus amigos – que serviam como cenário de luxo para suas performances no palco, como num teatro ao vivo.

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E tem o famoso argumento do “pô, não tem baixo”. Tem sim: Manzarek tocou o disco inteirinho num teclado Fender Rhodes piano bass, que dá um ar meio vintage (já dava na época) a várias canções. Mas a turma do afamado Wrecking Crew passou por ali: o baixo de Larry Knechtel, um dos criadores do “wall of sound” de Phil Spector, aparece para pôr mais sons graves em canções como Light my fire. Até mesmo Robby Krieger tocou baixo em Backdoor man. Nada disso foi creditado. “Meu teclado não tinha o ataque que um baixo teria, especialmente se você tocasse com uma palheta”, confessou Ray, anos depois, aqui.

The end, que provocou a expulsão dos Doors da casa noturna Whisky A Go Go, acrescentava referências bastante intelectuais ao rock de 1967: teatro grego antigo, dramas edipianos, etc. A gravação da mais extensa faixa do disco custou caro à Elektra, gravadora da banda: Jim estava tão tenso com a produção da letra que teve a infeliz ideia de jogar uma TV pela janela do estúdio (!).

O cantor foi expulso do estúdio (o Sunset Sound, em Hollywood, onde filmes da Disney como Mary Poppins e 101 dálmatas haviam sido gravados) e mandado para casa, para “se acalmar”. Mas voltou depois, e disparou um extintor de incêndio nos equipamentos. O cantor passava os dias doidão de LSD e o ato foi visto mais como uma molecagem perigosa do que como autossabotagem. Nada atrapalhava os planos da gravadora ou a disposição da banda para levar temas incômodos para o mainstream.

Na receita dos Doors cabia até ela própria, a música brasileira. Anos depois de The Doors, Ray Manzarek confessaria que a banda amava Tom Jobim e que Break on through era mesmo a tentativa de fazerem um samba. E Light my fire, gravada dois anos depois por ninguém menos que Maysa (!), tinha uns balanços bem diferentes lá pelas tantas. O voo de guitarra-e-teclado da última canção do lado A da estreia rendeu homenagens (a mais conhecida é a versão dos Stranglers para Walk on by, de Burt Bacharach), mas foi exclusivo de quem comprou o LP. A canção foi editada para caber no single, para o desgosto da banda.

Se como dizem por aí, os 50 anos são os novos 30, os 55 anos de The Doors são apenas um número: o debute do grupo soa novo como se tivesse sido composto e gravado hoje. Não ouça no último volume: dê preferência a fones de ouvido e tente imaginar a banda no palco. E ouça como se tivesse sido feito apenas para você, ainda que tenha sido uma das estreias mais bem sucedidas de todos os tempos (merecidamente, por sinal).

(agradecemos ao amigo João Pequeno pela info sobre Soul kitchen e James Brown)

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Relembrando: Beck, “Stereopathetic soulmanure” (1994)

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Relembrando: Beck, "Stereopathetic soulmanure" (1994)

Havia uma certa confusão, durante um tempo nos anos 1990, sobre se Stereopathetic soulmanure (22 de fevereiro de 1994) era o segundo ou o terceiro álbum de Beck – ele foi lançado com uma semana de diferença para Mellow gold, primeiro disco “grande” do cantor, que estourou hits como Loser, o que causava certa confusão para alguns fãs.

Essa própria entrevista do artista à Rolling Stone, publicada após o álbum Odelay (1996) faz uma salada com os discos indies de Beck – e o cantor prosseguiu fazendo álbuns independentes mesmo contratado pela Geffen. Bom, Soulmanure é sim o segundo disco do artista norte-americano, mas soa como uma mixtape ou uma demo esticada até o limite.

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A fórmula de Beck em Mellow, unindo psicodelia, rock, tons country e barulheiras (como Motherfucker e a vinheta final Analog odyssey) aparece em seu esqueleto no álbum anterior, em faixas como a ruidosa Pink noise (Rock me Amadeus) e a quase grunge Thunder peel. Com 27 faixas em 60 minutos, o disco é rock independente de baixa fidelidade, realizado em estúdio caseiro, com tapes manipulados e gravações feitas ao ar livre (quase à moda do Araçá azul, de Caetano Veloso, o que explica o interesse que o baiano e o norte-americano passaram a alimentar pela música um do outro).

Stereopathetic soulmanure é bem mais cheio de ganchos do que se esperaria no caso de um álbum tão experimental – afinal, na prática, é uma mixtape que usa formatos como o country, o blues e a música tocada nas ruas. É o que surge em Rowboat, na releitura de Waitin’ for a train, do “pai do country” Jimmie Rodgers, no blues tocado na gaita de One foot in the grave (assistido, ao vivo, por uma plateia que se diverte bastante com a letra), no country fora da lei de Satan gave me a taco, e no banjo + percussão maníacos de Today has been a fucked up day, uma faixa que soa como se o ouvinte entrasse na casa de algum vizinho e flagrasse alguém cantando e tocando para si próprio numa garagem.

Puttin’ it down, tocada no violão por Beck, consegue simultaneamente lembrar Kinks, Nirvana (ate por causa dos vocais de Beck) e o estilo de composição de John Phillips (The Mamas & The Papas). Cut 1/2 blues é o lado blues bêbado do disco. Ozzy, provavelmente gravada numa festa, acaba sendo o registro mais bem acabado do disco – e é só uma canção bobinha que tira uma onda do veterano cantor de metal. Tasergun parece um lado Z do começo da carreira do Soundgarden ou do Nirvana. No final, os onze minutos de sons colados, fitas ao contrário, ruídos, gritos, conversas e ecos de Salmonella shizergeist (Utopia).

O Beck de Stereopathetic soulmanure ainda era um artista para ser ouvido por poucas pessoas, e que não tocaria no rádio. Muito embora a raiz do que daria certo em álbuns como Mellow gold e Odelay já estivesse lá.

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Relembrando: Alexander ‘Skip’ Spence, “Oar” (1969)

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Relembrando: Alexander 'Skip' Spence, "Oar" (1969)

Qualquer artista que um dia decidiu gravar um disco inteiro sozinho, focando em minimalismo, em canções entre o folk e o rock, e em sonoridade lo-fi, deve muito a Oar (19 de maio de 1969). É o único disco solo lançado por Alexander “Skip” Spence, um ex-baterista do Jefferson Airplane que se tornou mais célebre como guitarrista e co-fundador do Moby Grape. Skip registrou o disco inteiro sozinho, tocando guitarra, violão, baixo e bateria. E o que torna a audição mais instigante é tentar imaginar em que condições um álbum daqueles foi feito.

O Moby Grape iniciou como um prodígio da psicodelia californiana, cuja carreira acabou prejudicada pela tendência ao desregramento. Seja na hora de ler contratos (tiveram uma briga judicial com o primeiro empresário, Matthew Katz, que se arrastou por vários anos, e que envolvia o nome e o catálogo do grupo), seja no excesso de substâncias ilícitas. Que custaram a sanidade justamente de Spence.

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Drogadaço, o guitarrista começou a fugir das turnês e a se tornar uma figura cada vez mais inacessível para seus próprios colegas. Até que deu um susto de verdade no guitarrista Jerry Miller, arrombando a porta do seu quarto de hotel com um machado de incêndio, durante uma passagem por Nova York para gravar o segundo disco. Peter Lewis, o terceiro guitarrista da banda, se recorda de que era uma época tensa para todo mundo da banda. E que Skip, após conhecer uma certa “bruxa” que lhe convenceu de que os outros integrantes do grupo eram o anticristo, queria mesmo era assassinar o baterista Don Stevenson a machadadas.

Spence, claro, não matou ninguém. Mas sua presença era insustentável na banda. Foi expulso, condenado, preso (na superlotada Casa de Detenção de Manhattan, cujos prédios eram popularmente conhecidos como “as catacumbas”), diagnosticado com esquizofrenia e internado num hospital psiquiátrico. Sua carreira só não terminou naquele momento porque o produtor do Moby Grape, David Rubinson, decidiu ajudar o músico. E o orientou a gravar uma fita demo no estúdio da Columbia em Nashville.

A tal demo, produzida pelo próprio Spence com o auxílio dos técnicos de gravação Mike Figlio e Charlie Bradley, e dos engenheiros de mixagem Don Meehan e Fred Catero, viraria Oar, o disco. Rubinson orientou Figlio – que estava morrendo de medo de Skip – a deixar fitas rodando no estúdio o tempo todo (“se ele ficar em silêncio por 20 minutos, grave mesmo assim”, contou) e a fazer o que o cantor pedisse. O disco ficou pronto em três semanas.

Oar era um álbum basicamente angustiado, de tom quase sobrenatural, girando em torno do country e do rock, com o repertório composto por Skip durante sua internação num hospital em Nova York. Durante todo o disco, a voz de Spence varia do grave ao espécie de lamento agudo. As canções mais certinhas do disco chegam perto do country marginal e estradeiro, como em Cripple creek (que fala sobre os devaneios de um “aleijado em seu leito de morte”), na balada romântica Diana, na tristonha Weighted down (The prison song), ou na desolada Broken heart, quase sempre investindo em temas como solidão e desesperança.

War in peace, com psicodelia garantida pelo eco nos vocais, e pelos demais efeitos de gravação, é quase um shoegaze discreto. Lawrence of euphoria é uma das raras canções de Oar mais diretamente ligadas ao rock dos anos 1960, lembrando um cruzamento de Kinks e Pink Floyd. O country-blues Books of Moses une citações da Bíblia, barulhos de chuva e de marteladas. A abertura com Little hands trazia um pouco de esperança, com uma melodia feliz contrastando com a tristeza dos vocais de Spence, e a lembrança, na letra, de “um mundo sem dor para todos”. No fim do disco, efeitos de phaser na bateria e na percussão, e riffs simples de baixo, sem guitarra, marcam os quase dez minutos da viajante Grey/Afro.

A Columbia não fez nada para divulgar Oar – o disco por pouco não foi engavetado e só foi lançado alguns meses depois de gravado, após vários pedidos de Rubinson. Skip se tornou uma figura sombria, vagando entre dependência de drogas e internações, mas chegou até mesmo a voltar para o Moby Grape em algumas ocasiões. Saiu de cena em 16 de abril de 1999, justamente quando Oar era revivido no álbum More Oar: A tribute to the Skip Spence Album, com artistas como Robert Plant, Mark Lanegan, Alejandro Escovedo, Tom Waits e Beck recordando as faixas do único disco de Spence. Relançamentos como o turbinado box AndOarAgain (2018) foram revelando faixas bônus e um lado ainda mais experimental do álbum, que ainda permanece como um tesouro escondido para muita gente.

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New Sincerity: aquele movimento do rock que pouca gente conhece

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Tem exposição do Daniel Johnston vindo aí

Muita gente provavelmente nem se deu conta, mas perdido em meio a sonoridades como a new wave e o power pop dos anos 1980, surgiu um movimento do rock até hoje pouco comentado: a new sincerity. A “nova sinceridade” era um termo basicamente ligado à música feita em Austin, no Texas, numa época em que o som feito na região, pelo menos levando em conta o que tocava no rádio e realmente vendia discos, era um rock clássico e mais ligado ao blues, ou ao country (não custa lembrar que o Texas, terra de Willie Nelson e Kenny Rogers, bate cabeça com Nashville na primazia do estilo musical).

As bandas dessa turma, na verdade, eram mais chegadas a um power pop, ou a uma mescla de sons que invariavelmente batia em bandas como The Byrds, e em artistas como o orgulho psicodélico local Roky Erickson – além da própria melancolia do country. E basicamente eram artistas que não tinham medo de parecerem emocionados ou (enfim) sinceros demais. Uma das bandas mais conhecidas do estilo musical, The Reivers, fez um sucessinho moderado com Almost home – basicamente um pós-punk com cara country, cuja letra falava sobre um rapaz que estava dirigindo, morria de saudades da namorada e lembrava dela quando uma música tocava. Essa canção saiu em 1989 no terceiro álbum da banda, End of the day.

Mais sincero (e emocionado ao extremo) impossível, claro. Essa receita deu certo pros Reivers, que são considerados até hoje um tesouro escondido do rock norte-americano (a banda acabou em 2017). Uma banda que também se destacou por lá e é associada ao estilo traz a “nova sinceridade” até no nome: são os True Believers, grupo que existiu de 1982 a 1987 e que era liderado pelos irmãos Alejandro e Javier Escovedo. O primeiro iniciaria carreira solo em 1992, na onda do indie-country-rock, e grava até hoje.

O nome new sincerity já vinha de muito tempo antes e não era usado apenas na música: críticos de cinema incluem filmes cheios de “pureza” como Campo dos sonhos (1989) ou o recente A vida secreta de Walter Mitty (2013) no meio do bolo. Eram projetos culturais que, de modo geral, mexiam com emoções pouco registradas em música, livro ou filme, em meio à obsessão da cultura norte-americana com heróis – e que pouco tinham a ver com o cinismo que o punk havia transformado em matéria-prima. Dez entre dez artistas da turma referiam-se a R.E.M., banda de Athens, na Georgia, com muito respeito – e vá lá, sempre foi uma banda bastante sincera ao abordar sentimentos e porradas da vida.

O rótulo aborrecia várias bandas da região. O Doctors Mob, grupo que é tido por muita gente como a resposta local aos Replacements, não podia nem ouvir falar em “nova sinceridade”. “Nós não criamos uma ‘nova sinceridade’, essa etiqueta foi inventada por alguém que pensava que qualquer banda com jeans rasgados e camisas para fora da calça se enquadrava na mesma categoria”, contou aqui o guitarrista e vocalista Don Lamb, deixando claro que o grupo foi ajudado pela sua visão ecumênica do rock, ainda que não tenha feito muito sucesso. “Todos nós queríamos que a banda fosse divertida, e foi na maior parte. Todos queríamos que as pessoas que vinham nos ver se divertissem conosco, e foi o que aconteceu na maior parte do tempo”.

Um dos artistas mais ilustres a serem rotulados com o nome new sincerity foi também um dos mais polêmicos. Artista visual, músico, funcionário de um fast-food e e ex-interno de instituições psiquiátricas, Daniel Johnston (1961-2019) chamou a atenção em Austin nos anos 1990. Era um artista bem produtivo e adepto extremado do do it yourself: desde 1981 gravava suas demos em casa, usando um gravador de fita-cassete, tocando todos os instrumentos e fazendo todos os vocais. E distribuía as fitinhas a quem encontrasse. Anos depois, Daniel diria, em entrevista ao documentário Cassette – A documentary mixtape, que mal teria iniciado uma carreira na música sem a acessibilidade do K7. “Eu estaria num sanatório se não fossem as fitas”, disse.

Nos anos 1990, você deve saber, Daniel teve sua obra divulgada por Kurt Cobain (Nirvana), que usou uma camiseta com a capa de uma fitinha sua, Hi, how are you (1983). Acabou virando aposta de gravadora: numa época em que tinha acabado de sair de uma internação e estava bastante fragilizado, foi contratado pela Atlantic e gravou o confuso álbum Fun (1994). O disco, que somado às fitas K7 e aos primeiros álbuns, era o décimo-quarto registro do artista, tinha até participação de músicos de orquestra, e tentava apresentar o som totalmente livre de Daniel para um público maior. Não deu certo: o álbum vendeu menos de seis mil cópias e o cantor foi saído do selo.

Uma reportagem publicada pela revista Spin em 1986 (o texto pode ser lido aqui) dá conta do quanto Johnston era encarado com desprezo, preconceito e capacitismo por vários fãs da cena. O músico fazia shows urgentes em que apresentava poucas músicas e não voltava de jeito algum para o bis – e havia discussões sobre se ele realmente era um gênio ou se era um delírio coletivo.

A dedicação de Johnston, naquele momento, teve frutos: enquanto ainda limpava chapas e fazia sanduíches, chegou a aparecer na MTV, e seu hábito de entregar fitas a qualquer pessoa que visse, sem nem aceitar dinheiro pelas demos, fez seu nome rodar bastante. Em 1985, já havia tocado no “festival de música perturbadora” Woodshock, ali  mesmo em Austin, no Texas, cuja edição daquele ano foi uma espécie de alto-falante para os artistas da new sincerity. O movimento – se é que realmente houve algum – durou pouco, mas o nome volta toda vez que algum artista “sincero” (tipo Nirvana e Arcade Fire) surge e lança disco.

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