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Cultura Pop

R.I.P. Don Hunstein (1928-2017)

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O New York Times trouxe hoje um texto afirmando que o fotógrafo Don Hunstein (1928-2017) era um cara humilde, que não costumava se gabar de ter clicado estrelas como Duke Ellington, Billie Holiday, Tony Bennett, Barbra Streisand, Leonard Bernstein, Miles Davis, Aretha Franklin e Janis Joplin, em estúdio ou em seus shows. “Não havia nada metafísico no meu trabalho. Gostaria de pensar que eu tinha um bom olho para o detalhe, ou que capturei aquele momento. Mas na verdade eu apenas fiz meu trabalho na maior parte da vezes”, contou no livro “Keeping time: The photographs of Don Hunstein” (2013), retrospectiva de carreira escrita pelo crítico musical Jon Pareles. Don morreu no dia 18 de março, em Manhattan, aos 88 anos. Sua mulher revelou que a causa foi o Mal de Alzheimer.

Nascido em St. Louis, Donald Robert Hunstein era filho de um trabalhador ferroviário e de uma dona de casa. Chegou a servir na Força Aérea americana e a instalar-se na Inglaterra antes de, inspirado por um livro de Henri Cartier-Bresson, passar a fotografar casualmente. Voltou a morar nos Estados Unidos em 1954, estabelecendo-se em Nova York e montando um pequeno estúdio, numa época em que a fotografia, segundo ele próprio, “não era uma profissão glamourosa”. Acabou virando fotógrafo de imprensa da Columbia Records, por contatos com a gravadora, e posteriormente seria chefe do departamento de fotografia. Lá, fez capas de discos de Bob Dylan (o primeiro, de 1962, e o segundo “The freewheelin’ Bob Dylan”, de 1963), Miles Davis (“Nefertiti”, de 1967), Thelonius Monk (“Monk’s dream”, de 1963), Ramsey Lewis (“Love notes”, de 1977) e muita coisa de música pop e sons clássicos. Ele também clicou as sessões de gravação do clássico “Kind of blue”, de Miles Davis, em 1959 – conseguiu até um raro instantâneo de Miles ao piano.

A de “Freewheelin'” marcou época, por mostrar, de certa forma, o dia a dia de um músico jovem, antes mesmo do conceito de “música jovem” dominar de vez as paradas de sucesso. Bob aparecia caminhando pelo Greenwich Village, numa região próxima ao apartamento do cantor, de braço dado com a namorada Suze Rotolo. Ambos estavam alegre, aparentemente morrendo de frio e empacotados com casacos. Antes, Hunstein tinha tentado fotografá-los na casa de Bob, sem sucesso. Como estava escurecendo, pediu basicamente que o casal descesse e caminhasse na rua.

Abaixo você confere um papo com Don, feito pelo Rockarchive, coletivo de fotógrafos de rock. Se quiser conferir o site de Don, clique aqui e divirta-se. R.I.P. Don Hunstein.

Cultura Pop

No nosso podcast, o 1972 do Led Zeppelin (remake!)

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No nosso podcast, o 1972 do Led Zeppelin (remake!)

Há 51 anos, o Led Zeppelin precisava manter o status recém-adquirido de maior banda do mundo – que, na prática, ele dividia com algumas outras bandas, Rolling Stones entre elas. O quarto disco do grupo, de 1971, era o álbum do hit Stairway to heaven, e tinha sido o maior sucesso do quarteto até então. Em 1972, a banda faria várias turnês, reescreveria as regras do mercado de shows, começaria a gravar um disco para sair naquele ano (e que não sairia naquele ano, enfim) e desfrutaria de um poder jamais visto no universo da música.

E, sim: o episódio de hoje do nosso podcast é um remake de um outro episódio que fizemos em 27 de maio sobre um ano em que uma das maiores bandas de todos os tempos se dividiu entre estrada e estúdios, e não lançou disco nenhum. O episódio volta com algumas mudanças no roteiro, identidade visual diferente e outras recomendações musicais. E vale relembrar (o antigo tá aqui).

Nomes novos que recomendamos e que complementam o podcast: Black Midi e Loreta Colucci.

Estamos no Castbox, no Mixcloud, no Spotify, no Deezer e no Google Podcasts. 

Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch. Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Estamos aqui toda sexta!

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Cultura Pop

Roberto Carlos: agradecimento aos fãs e lembranças em “Eu ofereço flores”

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Roberto Carlos: agradecimento aos fãs e lembranças em "Eu ofereço flores"

Quando Roberto Carlos anunciou uma música nova chamada Eu ofereço flores, que foi cantada por ele em 19 de abril no show comemorativo de seus 82 anos – cidade natal de Cachoeiro de Itapemirim (ES) – imediatamente me veio à cabeça a antipatia de Roberto ao distribuir flores à plateia durante shows, no ano passado, quando ele chegou até mesmo a responder de maneira grosseira a um fã que testava sua paciência.

Seria uma maneira de fazer as pazes com o público, então? Talvez. Eu ofereço flores põe pela primeira vez em música um hábito que Roberto Carlos tem no fim de seus shows há anos, e que sempre tornou suas apresentações especiais para todos. Afinal, é um artista romântico que, no fim do show, oferece um presente para suas fãs mais dedicadas, em especial às fãs que têm coragem de se aventurar na frente para disputar uma das rosas com várias outras admiradoras (uma fã dele certa vez me confessou que lixava as unhas quase no formato de garras antes de ir aos shows de Roberto – e na hora de disputar as rodas, saía distribuindo unhadas nas concorrentes).

Eu ofereço flores, uma balada com belo arranjo orquestral (que ocupa o final da faixa, com direito a tímpanos para dar mais grandiloquência), é basicamente uma música feita por ele para agradecer aos fãs pelo amor e pela fidelidade durante suas seis décadas de carreira. “Eu quero agradecer/por tudo o que você/de bom me faz sentir/por tantas emoções/você me viu chorar/você me fez sorrir”, diz a letra. É uma boa surpresa para quem já estava acostumado à falta de novidades, já que se os álbuns anuais de Roberto deixaram de ser feitos em 2005, nem mesmo o hábito de lançar um single a cada ano foi adquirido pelo cantor. Aliás, o único single realmente memorável lançado por ele nos últimos tempos foi o de Esse cara sou eu, que já tem onze anos (Sereia, de 2017, feita para a trilha da novela A força do querer, não é tão brilhante).

  • E lembramos que temos um episódio do nosso podcast, o Pop Fantasma Documento, sobre a fase 1966/1967 de Roberto Carlos. Ouça aqui.

A nova música deixa um certo ar de despedida, até por ser um canção em que Roberto elenca tudo que o faz agradecer aos fãs, como se folheasse um álbum de fotografias. Será? Que seja apenas uma impressão. Para 2024, ano em que se comemora os 60 anos do bem sucedido álbum É proibido fumar, o cantor poderia se espelhar no exemplo de vários colegas mais novos, que fazem do lançamento de álbuns um acontecimento de grandes proporções, e lançar um novo disco. Sim: com doze faixas, nem que algumas delas sejam regravações.

Se o tal disco (que só existe na minha imaginação) trouxer músicas novas dele, unidas a canções novas de seus habituais fornecedores (a dupla Eduardo Lages e Paulo Sergio Valle, por exemplo), vai ser o sonho de muita gente. Os fãs merecem ser supreendidos mais uma vez por Roberto – e ninguém merece ver o maior cantor pop brasileiro de todos os tempos apenas virar meme todo final de ano com o “descongelamento” de sua imagem.

Foto: Reprodução da capa do single.

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Cultura Pop

No nosso podcast, Jimi Hendrix e o disco “Electric ladyland”

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Várias coisas que você já sabia sobre Electric Ladyland, de Jimi Hendrix

Raramente a gente faz um episódio do nosso podcast, o Pop Fantasma Documento, falando apenas de um disco – geralmente a gente escolhe uma época, uma fatia de vida de algum personagem da música. Dessa vez aproveitamos a proximidade do aniversário de 81 anos de Jimi Hendrix (ele chegaria a essa idade no dia 27 de novembro) para lembrar de um disco que não apenas é o melhor do guitarrista norte-americano, como também é um daqueles álbuns dos quais pode-se dizer que, depois dele, nada foi a mesma coisa.

No episódio de hoje, tudo o que você sabe, tudo que você não sabe e tudo que você deveria saber sobre Electric ladyland (1968), terceiro álbum do Jimi Hendrix Experience. Um disco que mudou o rock, a psicodelia, a guitarra e a tecnologia da música – num período em que a nova onda dos sintetizadores dobrava a esquina. E uma época que exigiu muito, emocionalmente e psicologicamente, de Hendrix. Ouça no volume máximo.

Nomes novos que recomendamos e que complementam o podcast: L’Rain e Julico.

Estamos no Castbox, no Mixcloud, no Spotify, no Deezer e no Google Podcasts. 

Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch. Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Estamos aqui toda sexta!

Foto: Reprodução da capa do disco Electric ladyland.

 

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